Os Guardiões do Tempo: Agentes da Ordem - Parte II escrita por R G Assis


Capítulo 23
Capítulo 21 – Até o fim




Percebia que pela segunda vez seria sua última noite em Camelot, na primeira Melanie se preparara tanto para o momento em que iria embora, que agora tudo não parecia nada mais que uma ironia cruel.

A despedida de Merlin fora uma das mais difíceis para Melanie, estavam há tanto tempo juntos, aprendendo e ensinando, doía ver todo o fardo que ele carregara durante anos, não era à toa que era Merlin, Melanie não acreditava que existia alguém mais digno para assumir suas responsabilidades.

Por outro lado, nunca tivera chance de se despedir de sua família, não poderia dar um último abraço em Ben, beijar o topo da testa de Art, nunca mais sentiria o calor do abraço de seus meninos, nem ver seus rostos com bochechas vermelhas de tanto correr brincando com os amigos na rua.

E ainda tinha Arthur, Melanie queria tanto estar com ele, desejava arduamente, mas o Arthur que estava a seu alcance não era o seu Arthur que crescera com ela, que evoluíra a cada desafio conquistado por ambos, que embalara seus filhos no colo com olhos marejados quando via seus rostinhos pela primeira vez, não, Melanie não poderia exigir tanto de Arthur, não era justo com ele.

Melanie não queria que Merlin contasse toda a verdade para ele, tinha medo de qual seria sua reação, medo de desistir dela quando soubesse que seu futuro seria interrompido brutalmente e que não poderia fazer nada a respeito.

Sentada no quarto de Teresa, Melanie pensava em tudo ao mesmo tempo, uma enxurrada de emoções a afogava em lágrimas que não existiam, afundou a cabeça nas mãos, estava com medo, medo da morte, medo de partir sozinha. A porta então abriu de repente e quando levantou a cabeça para ver, Melanie se espantou ao ver Arthur a sua frente.

Ele entrou e caminhou até ela sem dizer nada, parou a sua frente estendendo a mão.

“Não pensou que eu a deixaria ir sem se despedir, pensou?”

As lágrimas vieram assim que segurou sua mão.

“Nunca a deixarei sozinha Melanie, estarei sempre com você, até o fim.”

Arthur a ergueu a puxando para si, Melanie afundou o rosto em seu pescoço abraçando forte, captando tudo que podia dele, seu cheiro, sua pele, seu cabelo acariciando seu rosto, tudo nele guardaria consigo pela eternidade, não importava a idade, não importava o tempo, Arthur sempre seria o mesmo para Melanie, sempre seria ele.

As mãos de Arthur tremiam ao envolverem sua cintura, mas mesmo assim pareciam tão firmes como sempre foram, devagar Arthur abaixava a cabeça em seu pescoço, depositando pequenos beijos em sua pele, Melanie estremeceu, não sabia se se sentia confortável, não sabia se queria que Arthur a visse daquela forma, seu corpo não era mais jovem, sua pele estava manchada e machucada, não queria que ele se decepcionasse.

Mesmo assim não o afastou, sentia o coração de Arthur martelar contra suas costelas, não conseguiu se afastar dele, não quando ele era tudo que ela queria naquele momento, naquela despedida.

Sua mão direita subia pelas mangas de Melanie, parando em seu queixo, Arthur a olhava nos olhos, Melanie não conseguia ver nada naquela expressão além do que vira todos os dias durante todos aqueles anos, Melanie via a calma, a segurança, o amor transbordar de seus olhos verdes.

Se aproximou devagar, queria dar a chance de ele desistir, mas não foi o que fez, Arthur percorreu o pequeno espaço restante até sua boca a beijando. Melanie se lembrou da primeira vez que Arthur a beijou, demorou alguns dias depois de seu reencontro para acontecer, lembrava de como Arthur a deixou à vontade, como sempre esperou pelo seu tempo, nunca a pressionando.

O beijo fora lento, ainda desconhecido da parte dele, Arthur como sempre era cauteloso e Melanie deixou que a guiasse, seguindo os seus movimentos conhecidos. Arthur parou observando novamente seus olhos, analisando sua expressão, Melanie entendia o que ele perguntava e sorriu confirmando.

Delicadamente, Arthur soltou a capa a retirando dos ombros de Melanie, o tecido caiu pesado pelo chão, parou novamente a observando, não precisavam de palavras, sempre se entenderam pelo olhar, Arthur se aproximou com ambas as mãos envolvendo o rosto de Melanie a beijando, agora mais confiante e ardentemente.

Melanie tateava com as pontas dos dedos o corpo de Arthur, já perdida na sensação de seu beijo, agarrou o tecido tentando puxa-lo para ela, Arthur descia as mãos pelas suas costas procurando as tiras de seu vestido, as puxou uma a uma devagar, Melanie já podia sentir suas mãos acariciarem a pele nua de suas costas, agora mais do que nunca ele era o seu Arthur, não existia diferença alguma.

O pegando de surpresa em um movimento que o fez estremecer, Melanie levantou sua camisa acariciando o abdômen e o peito forte que tanto conhecia, com um movimento Arthur a retirou por completo, com leveza beijava seus ombros deslizando o restante do vestido, seu olhar era de pura contemplação, um olhar consternado somente cruzou sua face quando depois da primeira impressão de admiração, viu mais atentamente os ferimentos escondidos por ataduras em seu corpo.

“Mel, Mel, sinto tanto... eu ... não suporto vê-la sofrer... queria tanto... não posso te perder.”

Ele a abraçava enterrando o rosto em seus cabelos claros, pois desde que Arthur entrara perdera completamente a concentração para manter a aparência de Teresa, agora era inteiramente Melanie.

“Shhh, está tudo bem Arthur, você ainda não vai me perder, ainda teremos muito tempo.”

Com olhos brilhantes Arthur a tomou para si a beijando e envolvendo completamente em seus braços, Melanie não poderia desejar mais, agradecia silenciosamente por tê-lo ao seu lado e por tudo que ele lhe dera, seu amor, seus meninos, não poderia pedir por mais nada.

Acordou sentindo-se ser embalada por braços fortes que a envolviam, parecia que aqueles meses que passou em Camelot sem ele eram anos desde que Mel sentira Arthur a abraçar daquela forma, ainda era noite, mas não conseguia mais dormir, olhando para a mão de Arthur em seu ventre lembrou-se da conversa que tiveram, ele acariciou sua barriga da mesma forma que fazia quando descobriram sua primeira gravidez.

“Mal posso esperar para conhece-los. Benjamin e Arthur.”

Abaixou e beijou sua barriga. Agora Melanie entendia o porquê da emoção tão forte que Arthur sentiu quando segurou Ben em seus braços pela primeira vez, Arthur esperou muito mais do que nove meses para conhecer os filhos.

“Conte-me sobre eles.”

Melanie sorriu se aninhando em seu peito.

“São meninos maravilhosos, Art é tão parecido com Lize, exceto pelos olhos, ele tem os olhos de meu pai, castanhos-esverdeados.”

Arthur sorria imaginando.

“Ele é uma criança inteligente que gosta muito de aprender, puxou sua personalidade calma. Já Ben... parece que herdou a personalidade de nosso amigo ao qual homenageamos com o nome.”

Arthur riu de agrado.

“Quantos anos tem cada um agora?”

“Ben tem dezessete e Art tem nove.”

Ergueu as sobrancelhas.

“Ben tem minha idade. Isso soa um tanto estranho.”

Melanie riu com a careta.

“Sim. Um pouco.”

Beijando seu ombro ternamente, Arthur sussurrou.

“Não posso sem você. Como vou cria-los, Melanie? Como vou me perdoar por não ser capaz de salvar a mãe deles?”

Melanie olhou em seus olhos acariciando seu rosto, Arthur fechou os olhos beijando sua mão.

“Não tenha medo, acredite eu não poderia desejar um pai melhor para meus filhos, Arthur, confie em si mesmo, viva plenamente. Não permita que o medo do futuro o impeça... nos impeça de sermos felizes e saiba que fomos e seremos muito felizes, Arthur...”

Nunca gostou de despedidas, nada mais disse, somente o abraçou e adormeceu em seus braços. Agora sentia sua respiração em sua nuca, entrelaçou sua mão por cima da de Arthur em seu ventre, conseguiu sorrir ao imaginar uma vida diferente para ambos, pensou se dessa vez viria uma garotinha, conseguia imaginá-la, senti-la... pediu perdão para si mesma e para criança que nunca teria enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto, pois não teria mais tempo.

***

Seus ouvidos estavam tampados, lembrando às vezes em que mergulhava e a água penetrava de uma forma incômoda, causando ruídos ensurdecidos como ondas se quebrando. Era assim que se sentia naquele momento, paralisada, em choque, não conseguia sentir nada, sua visão ficou turva e seu corpo estremeceu.

De repente, tudo voltou.

Podia ouvir o som da batalha ao seu redor, sentia seu corpo pesado, sua cabeça ameaçando girar em um ângulo confuso, piorando quando o equilíbrio a deixou tombando-a, um nome era gritado longe ao vento enquanto Melanie caia em algo frio, tão frio que queimava sua pele, por um momento se deixou cair ali.

Ao fundo o nome ainda se repetia.

Ela não conseguia entender porque aquele nome deveria ter algum significado para ela, os gritos pareciam vir de longe, tão longe que ela desejou dormir, até que de alguma forma seus olhos ainda abertos, apesar de parecerem não ver mais nada a frente, pousaram em suas mãos e nelas havia um líquido vermelho viscoso.

Sangue.

Seu sangue.      

Outro nome fora gritado de uma forma tão estridente que a tirou do torpor, num súbito surto de consciência ela voltou a si ainda uma segunda vez e dessa vez lembrou-se de tudo, ouvia os sons da batalha a sua volta e agora sabia a causa dela, os gritos de dor e lembrava das pessoas que amava e que estavam juntos a ela nessa luta, sentia pela morte de seus companheiros e inevitavelmente a sua própria, a qual não pudera impedir.

Um sorriso e um entendimento, agora ela entendia tudo, entendia o propósito de tudo, não um destino, mas uma escolha inevitável, uma escolha que saberia que faria de qualquer forma. Em uma última tentativa Kaled tentara matar Arthur, fazendo com que Melanie usasse seu corpo para protege-lo, acertando a adaga em seu coração.

Sentindo braços que a embalavam amorosamente, agora Melanie entendia porque não havia voltada quando disseram aquele primeiro nome Teresa, pois afinal, aquele não era seu nome.

“Mel... Mel estou aqui, estou aqui com você.”

Arthur tentava falar enquanto sua voz ficava cada vez mais embargada pelo choro. No fim com Arthur ao seu lado, Mel somente conseguia pensar em seus filhos, em como ficou assustada e exaltada ao mesmo tempo quando sentiu Ben se mexer em sua barriga pela primeira vez, como foi a sensação de gerar a vida dentro dela, os momentos em que Arthur adormecia em seu colo sentindo o filho se mexer dentro de sua barriga e como era bom a sensação de seus braços a embalando e sentindo que estava sempre segura, e então chegou o dia, Ben nascera e Melanie pode pegar aquele pequeno corpo em seus braços, como era pequeno e frágil! Como ela o amou desde a primeira vez que viu aquele sorriso com covinhas e aqueles olhos inteligentes a analisando. E depois veio Art, que não fora menos maravilhoso, pois agora além de Arthur tinha Ben que encostava o rosto em sua barriga para ouvir e sentir o irmão, Ben conversava com Art antes mesmo de nascer e adormecia em seu colo igualzinho ao pai, como Melanie ficara feliz ao ver como Art era exatamente igual a sua adorada Elizabeth, com cabelos dourados encaracolados e enormes olhos castanhos esverdeados que sorriram para ela desde o primeiro instante.

Como ela amava os seus garotos, amava tanto que sentia o peito rasgar, Melanie não sentiu a dor da lamina, nem por um instante, a única dor que sentiu foi a dor de perder suas crianças, de ter sido responsável por falhar com ele, Kaled era somente uma criança, Melanie ainda se lembrava de quando o conheceu com seus quatro anos, como aquelas pequenas mãozinhas eram avidas para aprender magia, ela começou a ensina-los aos seis, quando já tinham certa noção de certo e errado... Melanie se lembrou de tudo antes de ir, se lembrou de tudo...e lamentou, pois não conseguiria salvar um de seus meninos, enfim o lamento não durou muito, pois logo tudo se tornou silencio.





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