Hello There 2 escrita por Weirno


Capítulo 8
S02EP08 - Join or Die


Notas iniciais do capítulo

Junte-se ou Morra

Um dos sobreviventes acaba sendo surpreendido por uma perigosa proposta vinda do assassino, enquanto Owen é aterrorizado pelo passado através de uma estranha presença.



O seu último paciente do dia acabava de bater a porta, e foi quando Ellen desfez o sorriso do rosto. Sabia enganar muito bem todos contanto aos seus reais sentimentos, principalmente no trabalho, quando tal dote era essencial para uma boa desenvoltura com as pessoas que tinham problemas maiores que os seus. Séria, suspirou fundo, passando a mão na testa e fechando os olhos por alguns instantes. O dia todo foi aquela tortura, onde tinha de fingir compreensão e acolhimento aos pacientes, enquanto a única coisa com a qual se importava e que passava por sua mente era que um grande amigo seu acabava de se tornar o novo alvo do serial killer.

Parecia irreal. Sempre via coisas assim nos documentários que adorava assistir, se empolgando enquanto acompanhava a solução do crime, criando suas teorias e apostando animadamente em quem seria o culpado. Pulava do sofá ao acertar e ficava chocada ao errar. Nesses dias, era como se tudo fosse ficção, não parecia que algo assim poderia realmente acontecer na vida real, e nunca passou pela mente de Ferrer que algum dia algo como isso a aterrorizasse.

Como psicóloga e conselheira infantil, a moça tinha muito entendimento sobre o assunto. Perdera a conta de quantas pessoas já passaram por sua carreira com o psicológico abalado por ter perdido algum ente querido. Sabia o que a dor de uma perda poderia causar numa pessoa: medo, angústia, tristeza, raiva, pânico e, até mesmo, a criação de novas fobias, como agorafobia, claustrofobia e tanatofobia, sendo que alguns chegavam a adoecer, e era quando tinha de encaminhá-los para um psiquiatra, vendo a pessoa com a qual trabalhou durante meses ou semanas de repente sair de sua vida, de um segundo para o outro, tudo para o bem dela mesma.

Outro ponto que sempre carregava sua vida era esse, o do apego emocional com os pacientes. Eram treinados na faculdade para que isso não acontecesse. É claro, não que chegasse ao fato de tratar o outro como um robô ou um objeto, mas sim de não se envolver ao ponto de sentir os sentimentos do outro, sejam esses quais forem. O ponto de ser um psicólogo era exatamente esse, ajudar aos outros sem, de fato, precisar usar sua vida para isso. Como salvar alguém da morte iminente, mas não se colocar em risco no caminho. Contudo, para Ellen, isso era difícil demais.

Desde crianças a até senhores da terceira idade, já tinha visto de tudo em seus vinte anos de carreira, presenciado diversos problemas e os modos como esses afetam a vida de alguém e, às vezes, acordando pela manhã com a notícia de que um de seus pacientes havia cometido suicídio. Nesses dias, Ferrer sofria de grande estresse, como se seu trabalho não fosse concluído. Mas, além de tudo, chegava no trabalho como sempre e apenas tirava uma ficha do fichário e a dava para a secretária, que trataria de enviá-la para algum lugar em que seria guardada e nunca mais movida. Agora, sobre as circunstancias da morte de Logan, era como se esse percurso estivesse se repetindo.

Ela ao menos se lembrava a quanto tempo o conhecia, era uma incógnita em suas lembranças, mas lembrava-se muito bem da risada escandalosa do mesmo e de como era engraçado. O coração apertou apenas ao pensar nisso, ainda sentada sobre sua poltrona branca, iluminada pelos raios do sol do fim do dia que ultrapassavam as cortinas de seda atrás de si. Levantou-se, tentando tirar os pensamentos da cabeça, e foi até a escrivaninha que havia ao seu lado esquerdo. Deixou o bloco de notas sobre ela e se sentou, de frente para o laptop. Engoliu em seco, pensando no que faria a seguir. Julliett Reedus acabava de deixar o consultório, a mulher que havia perdido o marido em um acidente de carro fora dos limites de Oakfield. Era até engraçado a forma como tudo ao seu redor parecia conspirar contra si, fazendo-a lembrar dos acontecimentos da noite anterior.

Abriu o laptop, coçando a garganta, e se aprumou na cadeira, mantendo a coluna ereta. Ela só tinha de passar as anotações da consulta feitas no bloco de notas para um arquivo no aparelho e depois imprimi-lo, para juntá-la à ficha da paciente. Começou a escrever com rapidez, não esperava a hora de chegar em casa e finalmente descansar. O dia exaustivo a castigou como nunca. Fazia muito tempo que a loira não ia trabalhar com o psicológico tão abalado. Lembrava-se, então, que não queria experimentar a sensação novamente.

De repente, teve a mente interrompida quando, a poucos centímetros de seu braço direito, seu aparelho celular começou a vibrar. Ellen não desviou os olhos da tela do computador, apenas esticou o braço e pegou o celular, ainda digitando com o que estava livre, e apertou o botão na tela do mesmo, sabendo de cor sua posição. Colocou-o na orelha de forma desajeitada, dizendo:

— Quem fala?

Hello there, Ellen.

Parou de digitar no mesmo instante, não sendo capaz de continuar seu trabalho. Era a mesma voz que a havia ameaçado no dia anterior, a mesma que havia ameaçado-a diante dos amigos, diante de Logan, o mesmo Logan que havia sido assassino horas depois pelo indivíduo com qual conversara. Engoliu em seco, o ar ficando estranhamente gelado. Uma leve náusea lhe abateu, o mundo girou e se estabilizou. Tentou manter a calma, não demonstrar sua instabilidade para o assassino, enquanto uma camada de lágrimas formava-se em seus olhos.

— Estou farta disso, seu merda – respondeu, segura de si. – Quando isso vai parar? – Tinha um tom sério, não perguntando como se esperasse uma resposta.

Vai parar quando eu quiser que pare. E você é uma peça do jogo, então cuidado com o tom de voz antes que as consequências apareçam, Ellen.

— Eu não tenho medo de você. – Se ele pudesse ver sua expressão, veria que mentia.

Pois deveria.

— E por quê?

Porque eu tenho uma proposta.

Manteve-se em silêncio, curiosa, esperando pela resposta do maníaco. Sabia que aquilo era um jogo para ele, só não sabia que tais coisas poderiam acontecer, como o levantamento de uma proposta.

Você é a mais esperta de todos, Ellen – explicava ele, e ela mantinha-se quieta, interessada no que tinha a dizer. –, e se aceitar essa proposta, saiba que terá a vida poupada.

Não disse nada enquanto pensava. Ferrer não sabia se poderia confiar na palavra do psicopata, e uma grande porcentagem a fazia acreditar que, obviamente, não, mas, de qualquer forma, a proposta parecia ser algo que ela deveria fazer para ele e, se assim fizesse, teria a vida poupada. Dessa forma, ganharia tempo para achar alguma solução e se salvar antes que fosse morta. O indivíduo não disse se seria morta de imediato se rejeitasse a proposta, mas Ellen tinha certeza de que ele não a deixaria viva após dizer a ela que procurava por um ajudante. Pensou e pensou, até chegar a uma conclusão, sem de fato aceitar ou rejeitar.

— O que é? – perguntou.

Eu preciso de alguém que possa me trazer informações de dentro do grupo. Não posso fazer tudo sozinho e é bem difícil manter as suspeitas longe quando todos conhecem meu rosto. – A psicóloga vibrou na cadeira, percebendo que o culpado era realmente algum conhecido. – Alguém que me ajude nos planos e me diga o que está acontecendo fora dos limites nos quais eu sou posto.

— Não é tão bom quanto imaginei – respondeu, debochada. – Não consegue ao menos fazer isso sozinho. Os assassinos do passado não tinham comparsas.

Cale a porra da boca antes que eu me arrependa de ter te pedido isso e decida acabar com a sua jornada aqui mesmo. – A ira ficou presente na voz do assassino. – Acha que lidar com um bando de adultos maduros é fácil, imbecil? Tente fazer isso, e depois compare com um bando de adolescentes que ainda não são maduros o bastante para fazer as próprias escolhas. – Uma pausa, em que a mulher sentiu-se completamente ofendida. Não gostava de levar chingos. – Mas e então, Ellen, o que me diz? Junte-se ou morra, a escolha é sua.

Fechou os olhos enquanto uma lágrima escorria pela bochecha. Estava dividida. Ao mesmo tempo que presava pela própria vida e o apavoramento sobre a situação crescia, não conseguia ver a si mesma fazendo coisas como aquela. Não poderia trair a confiança de todos os seus amigos, se infiltrar como uma cúmplice suja entre eles e, se a verdade viesse a tona, fazer com que toda a sua relação com eles fosse por água abaixo. Ao mesmo tempo, não queria ser morta, não queria participar de tudo aquilo. Quanto mais longe do perigo ficasse, melhor seria.

Por fim, tomou sua decisão.

 

1

 

Aprumou-se em uma posição mais confortável, mesmo que a palavra não se encaixasse muito em seu dicionário pessoal atual. Emily não podia deixar de pensar na morte de mais um inocente, e como suas expectativas de levar o jogo um patamar abaixo haviam sido completamente em vão, sendo despedaçada mais um pouco pela leve culpa de ter tirado a vida de mais um homem. Nem mesmo a fútil tentativa de pregar a atenção em outra coisa funcionava, como estava acontecendo com o livro em seu colo, o mesmo que antes adorava, Romeu e Julieta. Ainda lembrava-se de cada frase contida na obra, e nem mesmo sabia porque o lia novamente.

Suspirou profundamente e tirou os olhos das letras impressas no papel amarelado, encarando o quintal da frente. Mais um vento frio do final de tarde passou por seu corpo. Estava na varanda de sua casa, tentando se livrar da estranha sensação que tomava seu corpo a cada segundo. Jordana havia saído para fazer compras com Archie, que era como seu segurança particular, sempre ficando ao lado da prima quando Emily estava incapacitada de fazê-lo. Qualquer sinal de perigo, o mínimo possível, e ele estaria lá para protegê-la. Foi prometido pelo mesmo que ele não exitaria de forma alguma em fazer o trabalho sujo, duvidando que a albina conseguisse.

As mãos quase congeladas pelo frio que fazia o dia estavam duras, os dedos atrofiados em resposta a isso. Nem mesmo a xícara de café, já frio pelo tempo exposto, deixavam-na um pouco mais aquecida. A blusa em seu corpo passou a ser um trapo.

Trocou as pernas de posição, fazendo a cadeira de balanço ranger e se mover para frente e para trás, até que forçou o pé contra o chão, deixando-a estabilizada. Emily engoliu em seco, tendo o acontecimento passando por sua mente mais uma vez. Era horrível pensar que o homem com o qual conversou em seu primeiro dia na cidade estava morto. Logan e ela tiveram menos de uma hora de contato, mas foi tempo o suficiente para que a sobrevivente sentisse-se acolhida pela personalidade forte do rapaz. Agora, tudo havia se desfeito com o vento, cortado pela lâmina da faca que, mais uma vez, ceifava a vida de diversas pessoas.

Foi então que, retirada de seus pensamentos e de sua melancolia, Hayes conseguiu captar uma estranha movimentação com o canto dos olhos, que haviam voltado ao livro. Estava, percebeu ela, vindo da calçada de asfalto, e contanto a falta de movimento no bairro, foi o bastante para fazê-la levantar os olhos e encarar a figura que vinha. Um único olhar foi o bastante para Emily reconhecê-la de imediato, vindo cambaleante e esgotada em sua direção. Mal havia chegado ao quintal e já o percorria com passos pesados pela grama verde. Os braços chacoalhavam ao lado do corpo, pendentes. Os soluços de um choro desesperado atingiram seu ouvido de imediato, enquanto os cabelos loiros de Ellen grudavam na bochecha molhada pelas lágrimas.

Emily não pensou duas vezes, e curiosa pela inesperada presença, fechou o livro e o largou ao lado da xícara de café, sobre o parapeito de madeira. De cenho franzido, bateu os pés com força nos degraus, indo de encontro à Ferrer. Via nos olhos da psicóloga o medo presente em seu ser. Isso fez com que uma estranha sensação percorresse seu corpo frio, um certo mal-estar. Desde o encontro na escola, a morena não havia entrado em contato com a loira, não havia acatado o conselho da moça em consultar-se com ela. Isso foi uma boa escolha, talvez, pois os eventos de visão não voltaram a acontecer, e Hayes os ligou ao trauma de estar em um lugar amaldiçoado por suas memórias, local de todas as suas desgraças.

No meio do caminho, sua curiosa mente começou a tratar de encontrar alguma explicação para o estado da psicóloga. Sabia que ela era amiga de Logan, mas não via motivos para que, se isso fosse a resposta, a tristeza pela perda do amigo, viesse vê-la de forma tão abrupta. Talvez tivesse sentido raiva de Emily, sabendo que ela poderia ser o motivo das novas mortes, culpando-a por isso. Por algum motivo, levou essa hipótese em consideração, preparando-se para algum golpe inesperado vindo de Ellen, como um tapa ou empurrão. Levantou a guarda, então.

— Ellen? – perguntou quando estava a uma boa distância da outra.

Ferrer encarou-a com seus olhos verdes, a face completamente enrugada em uma expressão de choro, os soluços ainda ecoando por todo o ambiente. Percebia como as pernas dela estavam moles, quase não podendo sustentar o corpo.

— Ellen, você está bem? – voltou a questionar, preocupada.

— Vo-Você f-foi… A única pessoa que me v-veio à mente! – gritou de volta, gaguejando, as palavras entrecortadas em meio ao choro.

Quando finalmente chegaram próximas o bastante, Ferrer pareceu perceber que estaria segura, e por isso deixou que suas pernas amolecessem por completo, dando alívio a elas. A morena, percebendo isso, foi mais rápida, e antes que a loira estatelasse-se na grama, agarrou-a pelos braços, pegando próximo das axilas. Contudo, não esperava que a loira fosse tão pesada, e acabou dobrando os joelhos enquanto a moça caía de uma única vez. Por fim, permaneceu ajoelhada diante da chorosa Ellen, que a agarrava de volta pelos ombros em uma clemência por ajuda.

— O que aconteceu?! – berrou. – Ellen, o que aconteceu?! – tornou quando não obteve resposta.

— Me desculpa… – dizia a outra, lamentando-se por alguma coisa. – Eu n-não deveria te env-envolver nisso… Desculpa…

— Me diz o que houve, para eu poder ajudar!

— Eu não acredito que is-isso aconteceu… Não acredito!

A última sentença fez o corpo de Emily gelar.

 

2

 

Sob o fraco sol do fim de tarde, Peter tinha todos os músculos do corpo enrijecidos. Não era acostumado com assuntos tão mórbidos quanto um assassinato, muito menos quando acontecia mais de uma vez. Foi sempre um homem que prefere se afastar das situações ruins, mas nessa em especial parecia estranhamente impossível, já que morava nessa situação. Ao seu lado, Megan parecia não estar tão surpresa e assustada com o fato, mantendo sua pose ereta e queixo erguido, imponente a todos que passavam ao seu lado. Quem olhasse a ela logo abaixaria a cabeça quando percebesse o olhar mortal desferido para si mesmo, e era assim que Steinfield gostava de viver.

Cambridge sabia que a companheira de trabalho havia presenciado, de certa forma, o escarcéu que seguiu após a morte de Logan, estando entre a multidão de curiosos quando o corpo foi retirado da clínica. Peter só conseguia se perguntar como ela não pôde vomitar no momento, pois era o que ele, com certeza, faria. Contudo, não poderia deixar que esses acontecimentos desviassem sua atenção ou o prejudicassem, pois uma reunião importante estava para acontecer dali algumas horas, e ele teria de estar mentalmente estável para isso.

Tudo estava indo bem, até o momento em que os dois passaram ao lado de uma cafeteria. Megan cruzou o olhar com os belos cafés da vitrine e sua vontade de tomar um se aguçou. Animada, disse, quase ordenando, para o moreno:

— Estou morrendo de vontade de tomar um café. Vamos entrar.

— Claro – concordou, indiferente.

Os dois mudaram o rumo e segundos depois passavam para o interior do estabelecimento. Haviam muitas pessoas por ser fim de tarde, o momento em que normalmente todos saíam de seus trabalhos e decidiam aproveitar uma boa refeição. As vozes se sobressaíam sobre o som da TV ligada na parede acima do balcão, enquanto copos tilintando e passos as acompanhavam. Havia, no mínimo, duas dúzias de pessoas no lugar, que, por sorte, era grande o bastante para mantê-las no interior, não tornando-se claustrofóbico. Steinfield foi até o balcão, com Peter ao seu encalço, e enquanto esperava que alguma garçonete a atendesse, disse:

— Me atualize sobre o que teremos de fazer hoje, Peter.

Ele rapidamente agarrou o celular e foi para as notas, deixando a maleta sobre o balcão, e respondeu:

— Teremos uma reunião sobre o caso do Sr. Lawrence, e seu slide deve estar pronto até 21:30. – Ela concordava com a cabeça, séria. – Depois disso…

Foi quando teve sua fala interrompida por um cutucar de dedo nas costelas. Levantou os olhos do celular e percebeu que Megan, na verdade, não estava prestando tanta atenção em si como gostaria e esperava. Diferente disso, a morena tinha a cabeça virada completamente para a esquerda, e mesmo que de perfil, era possível para Peter ver o sorriso zombeteiro mantido no rosto da mesma enquanto encarava algo ou alguém. Curioso, ele franziu o cenho, sentindo o dedo magro da advogada voltar para o lugar depois de chamar sua atenção. Procurou com os olhos por alguma coisa que fosse chamativa o bastante para prender a atenção da chefa, mas não encontrou nada.

Contudo, antes que pudesse questionar o motivo daquilo, como se pressentisse que Cambridge não havia encontrado o que encarava, Megan acenou com a cabeça, levantando o queixo e apontando, direcionando a localização do ponto de foco. Com isso, o estagiário finalmente pôde encontrar o que tanto ela encarava, mesmo que ainda não tivesse entendido o porquê, pois, a alguns metros deles, no balcão, estavam Max e Owen. Tentou pensar em alguma coisa, mas nenhuma relação entre os três surgiu em sua mente.

— O que tem? – perguntou, quase sussurrando, para não chamar a atenção dos garotos.

— Sempre estranhei eles – comentou ela, virando-se para o moreno. Peter ainda encarava os jovens conversando alegremente ao fundo. – Não desconfio em nada que toquem o pinto um do outro.

Cambridge quase gargalhou, mas conteve a risada e a manteve controlada, enquanto Megan fazia o mesmo. Riram juntos da piada proporcionada pela morena. Mesmo assim, ele ainda não conseguia perceber o motivo de Steinfield ter citado os garotos.

— Eu vou falar com eles daqui a pouco – disse ela, então, surpreendendo o homem. – Adoro deixar esses adolescentes desconfortáveis.

— Não seja tão dura com eles – alertou Peter, rindo.

— E qual seria a graça se não fosse?

O moreno se encantou com o sorriso da advogada enquanto ela ria, animada. Eram poucos os momentos em que ela fazia isso de forma tão natural. Ele gostava quando acontecia, por alguns segundos perdendo o foco da conversa.

— Para ser sincera, acho que podem ser eles que estão matando toda essa gente. – Cambridge desfez o sorriso, desconfortável. No momento de distração, havia conseguido se esquecer da situação de Oakfield. – Vivem sempre juntos… E eu sempre os estranhei, não sei exatamente porquê. – Ela também havia parado de rir, mesmo que um sorriso bobo ainda tivesse estampado em seu rosto, para amenizar a situação.

Olhou para os garotos mais uma vez, que continuavam da mesma forma, sem notar sua presença e, muito menos, perceber que eram o assunto tratado. Peter soltou um riso frouxo, sem exatamente concordar com o que ela dizia, pois realmente não tinha ideia de nada, e olhou para o outro lado. Por pura ironia do destino, outro rosto conhecido surgiu. Quase que de forma planejada, Cambridge encarou Garrett no momento em que ele também o fez. Arquearam as sobrancelhas em conjunto, empolgados com a presença um do outro, sorrindo animadamente.

Sem que Megan visse, ainda olhando para Owen e Max, Peter levantou as mãos e acenou para o melhor amigo, chamando-o para perto com um movimento repetitivo. Garrett acenou positivamente e pagou por seu café, antes de ir na direção dele. Do seu lado, a advogada estava vidrada nos adolescentes, a face séria, sem esbanjar qualquer sinal de divertimento dessa vez.

Enquanto DeLucca se aproximava, foi capaz de escutar quando a mulher virou-se para Peter, dizendo:

— Vou falar com os garotos, me pague um capuccino.

Ela ao menos olhou para ele ou Garrett, apenas tocou-o no ombro em um sobressalto, afastando-se dele. Peter voltou-se para o amigo. Fazia algum tempo que não o via, desde que a situação toda começou, na verdade. Não sabia se foram casualidades da vida ou se o horror que se alastrava pela cidadezinha era o responsável por isso. O que importava, no entanto, era que, da forma como podia perceber naquele exato momento, não estavam diferentes um com o outro.

DeLucca, por sua vez, só conseguia pensar na relação do amigo e Megan, balançando a cabeça em negatividade quando Peter concordou com o pedido da advogada sem exitar.

— E aí, cara? – indagou Cambridge, fazendo um toca aqui. – O que faz aqui?

— Vim tomar um café antes da próxima sessão na tatuadora.

— Dia corrido?

— Pois é… – Garrett deu um gole no café, sentindo o líquido fervente descer pela garganta. Os olhos lacrimejaram por um momento com a temperatura, e ele franziu o cenho antes de engolir em seco e continuar: – Me impressiono cada dia mais com você, sabia?

— Como assim?

— Ainda submisso a ela? Sério?

Peter olhou para baixo e revirou os olhos, não acreditando que voltavam ao mesmo assunto. Tudo era bom quando Megan não estava por perto, o papo seguia como o de dois amigos, tão natural quanto a luz do dia, mas quando ela estava, esse parecia ser o único tema que vinha na cabeça do tatuador. Por um lado, no entanto, o moreno entendia a preocupação e a respeitava, mesmo que já estivesse começando a ficar cansado daquilo.

— Você é muito tongo dela, cara – continuou, vendo Megan se aproximar dos garotos ao fundo e a forma como eles foram surpreendidos pela presença repentina da mesma, estranhando.

— Cale a boca – rebateu o outro. – Eu sou o estagiário dela, já falei. Ela dá as ordens e eu as cumpro.

— Pelo que eu saiba, isso só se aplica no trabalho. Agora, pagar cafés está incluído? – O ranço contido por Garrett em relação à Steinfield era admirável.

Para a sorte de Peter, uma jovem garçonete apareceu, finalmente, do outro lado do balcão, olhando para ele com um sorriso no rosto. Não precisaria responder à pergunta, afinal.

— No que posso ajudá-lo? – perguntou ela.

— Um capuccino para viagem, por favor – respondeu, sem jeito.

A moça concordou com a cabeça e se retirou, enquanto DeLucca dava mais um gole de sua bebida. Voltou sua atenção ao amigo.

— Eu sou só um cara legal com sua chefe, não vejo nada de errado nisso – disse.

Os dentes perfeitamente alinhados de Garrett foram deixados a mostra quando ele riu.

— Cegado pelo amor, era só o que me faltava… – comentou.

— Fica quieto! – retrucou Cambridge, mesmo que acompanhasse o outro na risada, não contendo o divertimento. Porra, ele está certo, pensou consigo mesmo.

Virou a cabeça, a procura da advogada, e pôde vê-la ainda conversando com Max e Owen, curioso contanto ao papo que levavam. Mas nada fez além de observar, os olhos brilhando. O tatuador logo percebeu a forma vidrada como encarava os cabelos curtos e morenos de Megan, sorrindo de forma animada e satisfeita.

— Está vendo só? – disse.

Peter virou-se a ele, sabendo do que falava e sentindo-se levemente constrangido, enquanto acertava-lhe um soco no peito, fazendo o amigo rir ainda mais.

Ao fundo, sem perceber a desordem entre Garrett e Peter, Megan apoiava um dos braços no balcão de forma relaxada, completamente confortável com a situação. Os adolescentes diante de si, por outro lado, pareciam desconfiados da aproximação repentina da advogada, segurando o riso diante dela e tentando manter a seriedade. Quando pensavam que ela iria se retirar, eram surpreendidos por novas perguntas e comentários, respondendo a eles da forma mais educada e contida que conseguiam, não vendo motivos para tal conversa, desde que nunca haviam falado com a mesma e muito menos notado-a bem.

— Mas, e aí, como estão lidando com toda essa situação? – perguntava a morena, sem ser nada discreta, completamente direta, não temendo as consequências ou possíveis retrucadas.

Max ergueu as sobrancelhas, fazendo uma expressão de indiferença, e respondeu:

— É um saco. – Ficava óbvio em sua voz como ele realmente não se importava. Sim, era assustador saber que pessoas estavam sendo mortas e que havia um assassino entre eles, mas nenhum dos alvos era um conhecido dele a ponto de fazê-lo afundar em tristeza – a não ser Clary e Toby, dos quais já havia trocado algumas palavras em uma noite qualquer. Não deixou de soltar um riso frouxo no final da resposta, demonstrando que não entendia o motivo da pergunta.

Campbell, ao seu lado, olhou-o com estranheza, não acreditando que o amigo estava realmente indo na onda de Steinfield. Ele percebia que ela estava com segundas intenções na conversa, provavelmente querendo criar alguma tensão entre eles ou tirar alguma informação, seja ela qual fosse. Por isso, se manteria atento e não cairia na conversa dela. Então, repentinamente, Megan virou-se para ele, surpreendendo-o com um estalar de olhos. Engoliu em seco, preparando-se para a bomba.

A morena estava se divertindo com aquilo, e preparava as palavras sabiamente em sua mente para transferi-las aos garotos da forma mais natural possível. De uma forma ou de outra, sabia que eles já estavam desconfiando de alguma coisa, ou, pelo menos, Owen, que era o menos burro dos dois e o mais maduro. Agora, o alvo da vez era ele. Por isso, coçou a garganta e perguntou, com a voz mais doce e inocente que conseguiu fazer:

— E como vai a Linda, Owen?

Dona de uma língua afiada, a moça não perdia tempo em deixá-los desconfortáveis e inferiores, segurando a risada enquanto via Owen ficar estático, sua face ficando branca e, depois, vermelha de vergonha. Ele havia se transformado em um pimentão. Sorriu meigamente, esperando pela resposta. Langdon estranhou a pergunta muito mais do que o próprio Campbell, virando para ele com o cenho franzido e a curiosidade estampada na face, querendo saber do que ela estava falando. O menino olhou para Max e tornou seu olhar para Megan, envergonhado, sem saber o que fazer, tentando planejar uma resposta boa na mente que fosse capaz de não levantar mais suspeitas.

Contudo, quando abriu a boca, gaguejou demais, dizendo:

— Po-por que você está me perguntando sobre e-ela? – Engoliu em seco, sabendo que havia feito merda. Steinfield segurou ainda mais o riso, satisfeita ao ver a expressão de Max, que ainda procurava por respostas nas expressões de Owen numa encarada profunda.

Como resposta, a advogada alargou o sorriso de forma cínica, levantando uma das sobrancelhas, como se dissesse “você sabe porquê”. Foi nesse momento que ele sentiu-se completamente exposto e ferrado, sem saber o que fazer ou como prosseguir. Ela sabe, foi o que pensou, mas não sabia como havia conseguido tal informação. Teria de conversar com Linda.

— Nós precisamos ir – disse Campbell, então, cortando uma possível nova frase.

—Foi ótimo conversar com vocês, garotos – respondeu Megan assim que Langdon confirmou o comentário do amigo com a cabeça. Virou-se graciosamente e se afastou dos dois com um sorriso largo e maléfico no rosto.

Owen sabia que as notícias e os boatos corriam rápidos em Oakfield, só não sabia que segredos também estavam incluídos no pacote.

 

3

 

Boa parte do medo já havia se esvaído, mas linhas tortuosas de lágrimas ainda ficavam evidentes nas bochechas de Ellen, que tentava manter uma boa postura diante da sobrevivente enquanto a mesma trazia um copo de água para si. Levaram alguns minutos para que Emily conseguisse acalmar Ferrer a ponto das palavras dela soarem decifráveis e não meras gaguejadas encobertas pelo som de choro e sugadas profundas proporcionadas pelo nariz escorrendo. Havia trazido-a para dentro da casa vazia após segundos congelando do lado de fora, levando-a para a cozinha, onde estavam agora, com Hayes prestes a ouvir o relato da psicóloga.

— Está mais calma? – perguntou enquanto a loira tomava um gole da água, percebendo que havia açúcar misturada a ela. Era melhor assim.

— S-Sim, estou… Obrigada – respondeu com a voz falhando.

— Quer me contar o que aconteceu, então? – A voz da morena estava mansa, como se conversasse com alguém mentalmente estável ou traumatizado, o que não ficava muito longeda situação da mulher. Estava com pena dela.

Ellen suspirou profundamente, preparando para contar, tentando não sucumbir mais uma vez. Engoliu em seco e até fechou os olhos por alguns instantes, pensando exatamente no que ia dizer para que sua história não soasse errada ou diferente do que aconteceu. Não deixaria nenhum detalhe escapar, para que Emily pudesse ajudá-la da melhor forma, como desejava.

— Eu recebi uma ligação do assassino.

Hayes engoliu em seco dessa vez, nervosa, mesmo que a ideia já tivesse perpassado por sua mente. De qualquer forma, não acreditou muito nela quando pensou, querendo que não fosse verdade.

— Eu sei que você acha que tem um novo assassino por aí… – continuou. – E agora eu também acho isso. Na verdade, eu tenho certeza disso.

— Quando ele te ligou? – questionou, apoiando-se na bancada, de frente para a loira.

— Minutos antes de eu vir para cá… E ontem à tarde.

A situação era pior do que esperava. Duas ligações em um curto período de tempo.

— Mais alguém vem recebendo essas ligações? – disse.

— Não que eu saiba…

— Tinha alguém com você quando as recebeu? – Mesmo que sentisse pena de Ferrer, não podia deixar de pensar que a história poderia estar sendo inventada pela responsável por aquilo tudo. Sua lealdade e confiança com outras pessoas parecia ter sido quebrada após os eventos de sete anos atrás, e desde então era muito difícil para ela confiar em alguém.

— Na primeira ligação eu estava com o Tommy, o Garrett e… E o Logan. – Hayes sentiu como o ambiente pesou ao ouvir o nome do falecido. – Na segunda vez eu estava sozinha no meu consultório…

— Tudo bem… – concordou. – Agora, preciso que você me conte o que ele te disse e se algo lhe aconteceu para te deixar desse jeito.

Ellen concordou com a cabeça, dando mais um gole na água em suas mãos.

— Bem… Na primeira vez ele me disse que viria atrás de todos nós… – Sua voz falhou, enquanto Emily encarava-a atentamente, prestando atenção no relato. – Logo antes do Logan ser morto… Acha que ele estava falando de nós quatro, Emily? – Levantou os olhos para a sobrevivente. – Acha que eu, Tommy ou Garrett somos os próximos?

— Não, Ellen, acho que não. Normalmente, as vítimas morrem em uma ordem aleatória. Ele não faz padrões, apenas mata quem está mais vulnerável ou que precise morrer para atingir alguém ou ajudar no plano doentio dele. Não acredito que estava falando de vocês, fique tranquila.

— Tudo bem… – Suspirou mais uma vez, pronta para continuar. – E a de hoje foi no meu consultório, como já disse. Logo depois de um paciente meu sair… Como se ele soubesse que eu estava sozinha naquele momento, como se estivesse me monitorando. – É melhor se acostumar em se sentir observada, Hayes pensou, mas não disse para não piorar o estado da psicóloga. Diferente disso, apenas concordou com a cabeça, concentrada.

— O que o Carrasco falou?

Ao seu lado, era possível ver o sol se pondo através da janela, o céu tomando uma coloração alaranjada e tenebrosa. Por sorte, a luz da cozinha estava acesa e as mulheres ficavam no claro, enquanto, ao fundo, a sala de estar começava a estar recheada de sombras assustadoras, que para o azar de Emily ficavam em seu campo de visão.

— Ele me fez uma proposta – respondeu, firme, fungando.

—Que proposta? – Não conseguia conter a curiosidade.

— Uma em que… Ou eu me juntava a ele, trabalhava com ele, ou eu morria.

A sobrevivente recuou instintivamente, apavorada pela revelação. Abriu a boca em choque e franziu ainda mais o cenho, tentando pensar em alguma explicação plausível para aquilo. Antes mesmo de perguntar, uma conclusão aterradora chegou em sua mente, a de que Ellen não havia aceitado a tal proposta, e por isso estava daquela forma, inconsolável, chorando como quem realmente soubesse que estava para morrer. Também, por algum motivo, não via em Ferrer o semblante de alguém covarde que aceita tal atrocidade para manter-se viva, trabalhando com o inimigo para seu próprio bem e sua própria sobrevivência.

Por outro lado, não conseguia deixar que seu outro lado do cérebro desconfiasse da moça. De todos os psicólogos que frequentou em sua vida, já estava cansada de saber que esses especialistas têm muita facilidade em fingir emoções. Ferrer poderia estar fingido a tristeza a pedido do assassino como um meio de fazer Emily ceder aos seus pedidos e se aproximar, enquanto havia, sim, aceitado a tal proposta, e agora tentava enganá-la. Não sabia no que acreditar.

— E o que você disse? – perguntou.

— É óbvio que eu não aceitei! – Ferrer parecia indignada pela pergunta de Hayes. – Eu nunca aceitaria uma coisa dessas… É uma escolha de pessoas covardes e… Eu não sou covarde, acredite no que digo. – Deu uma pausa e tomou mais da água com açúcar. – O problema é que agora sou uma mulher morta.

Tentava pensar em alguma coisa para consolá-la, mas nada lhe vinha à mente. Sabia que tinha de dizer alguma coisa antes que Ellen começasse a desconfiar de si e pensasse que Emily não confiava em sua palavra, o que seria ruim para caso a segunda opção pensada fosse verdade. Hayes conseguia ver nos olhos da psicóloga que ela dizia a verdade, era um brilho diferente, de medo genuíno. Era como se todos esses novos alvos estivessem aprendendo a passar pelo horror do massacre, enquanto a sobrevivente já estava formada naquilo, e tinha de presenciar seus alunos passando por toda a desgraçada que um dia também passou, sem poder fazer nada além de ajudá-los da melhor forma possível e que não comprometesse sua vida. Mas não se deixou levar pela história ainda.

Antes que dissesse algo, a loira voltou a lamentar:

— Eu não consegui ficar sozinha lá… Mantive a pose na ligação, mas, assim que desliguei e recusei a proposta, não consegui parar de chorar… – Olhou mais uma vez para Emily. – É horrível pensar que qualquer dia da minha vida pode se transformar em uma sentença de morte. – Engoliu em seco. – O que você fazia quando acontecia com você?

Pega de surpresa, não conseguiu elaborar uma boa resposta.

— Eu apenas… Tentava ficar viva, custe o que custasse, tentando manter todos os meus amigos em segurança o máximo possível… – Balançou a cabeça, desviando os olhos. – Era um pesadelo do qual eu nunca parecia que iria acordar. – Deu uma pausa. – Sei exatamente pelo que você está passando, Ellen. – Estendeu um dos braços e passou-o por cima do balcão, segurando firmemente na mão da loira com um toque acolhedor, fazendo a mesma olhar para baixo e engolir em seco. – Vai ficar tudo bem.

Ferrer balançou a cabeça em negação, deixando explícito que não acreditava nas palavras da amiga. Emily era uma péssima mentirosa, e sabia que as coisas não iam ficar bem. Estava bem ciente de que aquilo iria, mais uma vez, ir longe demais, antes que pudesse frear o terror. De qualquer forma, tentaria, mesmo pensando que poderia ser um trabalho em vão.

— Não… Eu sei que não vai e… E eu provavelmente vou acordar morta amanhã… Com uma faca enfiada na porra da minha garganta… – Uma lágrima escorreu pelos olhos da loira, enquanto ela parecia que voltaria a desencadear uma crise de choro.

Tentando conter isso, também pensando em suas próprias investigações, Hayes pensou em uma única solução que, além de evitar a choradeira desnecessária de Ferrer, ainda a traria segurança.

— Você pode passar a noite aqui, se quiser. – Ellen levantou os olhos, curiosa e surpresa. – Terá eu, Jordana e Archie para te proteger. Estará completamente segura, e duvido que o assassino tente te pegar se estiver conosco.

Ellen sorriu sem mostrar os dentes, e a resposta ficou evidente em suas expressões.

 

4

 

A noite já havia caído, e todas as luzes da casa estavam acesas, esbanjando toda sua grandeza pela escuridão do restante da rua. A casa dos vizinhos estavam acesas também, mas não tanto quando a das Brammall-Hayes. Até mesmo a de Molly, que havia se pronunciado vizinha, mas que morava na última casa da rua, estava ofuscada. Quem passasse pela frente, poderia facilmente ver, através da varanda da frente e, consequentemente, da janela à direita, o movimento no interior, onde, na sala de estar, três moças conversavam seriamente. Uma delas era morena e preocupada, sentando-se sozinha em um dos sofás, a segunda era loira e assustada, sentada com as pernas cruzadas no outro sofá, coberta até a metade do corpo por um cobertor fino e usando seu pijama enquanto bebericava de uma xícara de chá, e a terceira tinha a pele extremamente pálida e os cabelos brancos, com uma expressão nervosa, sentada ao lado da loira.

Emily olhou para Jordana enquanto tentavam transmitir suas opiniões sobre a situação apenas com o olhar, não querendo constranger Ellen ao falar na frente dela ou se retirar apenas para isso. No cômodo ao lado, a cozinha, o som de uma panela de pressão em preparo era ouvido, assim como o de legumes sendo cortados, orquestrados por Archie. Ele fazia o jantar enquanto as mulheres conversavam, estando de fora da conversa por escolha própria. Os primos haviam aceitado de bom grado a presença de Ferrer quando souberam do que havia acontecido, mesmo que a Brammall feminina estivesse um pouco desconfiada.

— E o assassino te ligou sem mais nem menos? – perguntou a albina.

— Sim – concordou a loira, tomando um gole do chá. – Eu não esperava por aquilo.

— Era exatamente assim que acontecia no passado – comentou Emily para a amiga. – Ele começava seus joguinhos quando mais achava conveniente.

— Foi o que pensei – concordou Brammall. – Ele parece seguir o mesmo modo de agir de Julia e Connor. Pelo menos sabemos como as coisas podem seguir daqui em diante.

Ferrer nada disse enquanto observava as duas conversando, até que a albina virou-se para ela.

— Mas nada vai acontecer a você enquanto estiver com a gente, Ellen – disse, tentando trazer segurança a ela. – Não se estivermos todos juntos, okey?

— Okey – concordou, segurando de leve a mão de Jordana e sorrindo para ela. – Meninas, não cabe em palavras o quanto eu me sinto agradecida por isso, sério. Jamais poderei dar algo em retribuição– disse, de forma séria, olhando para as duas.

Jordana e Emily apenas sorriram em resposta, satisfeitas com aquilo.



Notas finais do capítulo

Vocês acreditam na história da Ellen ou são como a Emily que está desconfiada ao máximo? O que eu mais gosto nessa história é de escrever toda essa desconfiança entre os personagens, e podem esperar muito dela durante todo o decorrer da narrativa! Hahaha E mais uma vez o passado de Owen e Linda é posto à prova. Provavelmente todos vocês já têm uma ideia do que seja, mas eu vou manter o mistério mesmo assim rsrs Megan também, bem indelicada, não é? Ela é a bitch que todos amam haha
Me digam o que estão achando da história, suas opiniões são realmente muito importantes! Até mais ^^



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