Inabalável SARA escrita por tsubasataty


Capítulo 6
5.





Um estilingue.

Essa seria a sua arma.

Loucura? Sara tinha certeza que sim. O que seria melhor, no entanto, para alguém que estava presa em casa que uma arma útil à distância? Naquele momento, aquela era a melhor solução que ela havia encontrado. Agora, o que Sara precisava era aperfeiçoar a arma e polir um saco inteiro de pedras, para que elas estivessem pelo menos minimamente afiadas— mais fáceis de perfurar a cabeça de um zumbi.

Sara gastou dois dias inteiros lixando um saco de pedras de jardim que havia nos fundos de sua casa. Era um trabalho repetitivo e monótono; pelo menos, ocupava seu tempo.

Zumbis não eram a única preocupação de Sara. Ontem, haviam cortado definitivamente a água. A mulher achou que tinha demorado tempo até demais para isso acontecer. Agora, porém, não morrer de sede era outra de suas preocupações.

Quando terminou de lixar as pedras e trocar o elástico do estilingue por um maior e mais resistente, ela iria enfim dar uso a um dos produtos que havia comprado no supermercado: a serragem. Ela faria uma privada – sim, um vaso sanitário, isso mesmo.

Como designer e paisagista, Sara já tinha trabalhado com projetos sustentáveis. Para construir uma privada seca que não precisasse de água era fácil para ela. Sara iria precisar de um balde (que deveria ser fixado em algum lugar), uma tampa (imitando tampa de privada) e muita serragem. Basicamente isso.

Então, a mulher levou consigo para o segundo andar de sua casa esses 3 produtos e se dirigiu ao banheiro. Para fixar o pesado balde no chão, Sara foi simplista. Colou uma fita dupla-face no chão e a parte de cima ela já fixou ao balde, apertando com força para ele ficar bem preso ao chão. A vantagem dessa fita era que ela poderia ser retirada no futuro sem muita dificuldade, quando Sara precisasse esvaziar o balde.

Para a tampa da privada ela cortou com faca quente uma bacia de plástico redonda até toda a sua circunferência ficar do tamanho exato do balde e a parte que sobrou ela recortou para ser o apoio que ficaria em volta da privada. Depois, fez furinhos em tudo para unir as partes com um elástico até formar uma privada mais próxima do convencional. Pronto, sua privada seca estava montada. Sara olhou para sua criação e ficou satisfeita com o resultado – e o melhor era que não precisava de água: o segredo estava na serragem.

Sara deixou o saco com a serragem, juntamente com um copinho, bem ao lado de seu novo vaso sanitário. O segredo para o sucesso desse tipo de meio sustentável era, sempre que alguém utilizasse o balde, suas necessidades deveriam ser completamente cobertas com serragem. Não poderia permanecer nada molhado ali dentro, só assim a privada continuaria útil. Outra vantagem era que o papel higiênico também poderia ser jogado ali dentro, e quando a privada estivesse completamente cheia, todo seu conteúdo poderia ser deixado reservado em um canto e, quando estivesse completamente decomposto, poderia sem dúvidas ser usado como adubo. Era a melhor das criações, Sara precisou admitir.

 

Mais tarde, a mulher se dirigiu com um saco de castanhas-de-cajú, água, seu estilingue e diversas pedras devidamente lixadas para dentro da casa na árvore. O movimento de zumbis tinha aumentado recentemente desde que houve aquela disparada de tiros dias atrás. Felizmente, Sara sempre estava a observar a rua, aguardando em completo silêncio enquanto os zumbis seguiam em frente, bem na direção que aquele grupo de indivíduos havia seguido.

Sara queria saber quando aquela praga, aquele pesadelo, começo. E o que foi que causou tudo aquilo. Ela lembrava-se claramente do noticiário dizer que a África inteira estava completamente em quarentena e nenhuma pessoa estava permitida a viajar até aquele continente. Depois, todos os países e lugares ao redor da África estavam na mesma situação também... As hipóteses eram várias, mas havia detalhes demais que Sara sequer sabia.

Será que era um vírus, uma bactéria? Se espalhava pelo ar? Apenas a mordida transformava o outro em zumbi ou havia algo mais? E o pior... Será que o que permitiu os mortos voltarem à vida não foi um acidente, mas sim uma ideia proposital?  

A cabeça de Sara começou a doer diante de tantas perguntas sem solução. Ela queria que Alex e Scott estivessem ali. Ambos eram nerds viciados em teorias de zumbi e conspiração, e talvez pudessem, sim, solucionar algumas de suas perguntas...

O que tirou a mulher de seus devaneios foi o grunhido de mais um repugnante zumbi caminhando sozinho em sua rua. A garganta dela ficou seca no exato instante em que o viu. Sara, todavia, sabia que aquele não era o momento de ficar apavorada – ela sabia que aquele era, enfim, o momento de testar seu novo estilingue. A mulher posicionou a pedra na ponta do estilingue e estava na janela, pronta para acertar seu alvo. Em teoria, pelo menos.

Suas mãos suavam e tremiam tanto que ela não conseguiu sequer tacar a pedra. Esperou o zumbi caminhar mais alguns passos, secando as mãos na roupa enquanto isso, prendeu a respiração e mirou novamente. O zumbi já estava se afastando, mas ela se concentrou em mirar na parte de trás da cabeça do morto-vivo. Levou a pedra para trás, contou até 3 e soltou.

A pedra disparou janela afora levando consigo algumas folhas da árvore. No entanto, não acertou a cabeça do zumbi. Raspou apenas de leve no ombro da criatura. Nesse instante, o zumbi parou por um segundo, antes de virar o corpo para trás e começar a caminhar exatamente na direção em que a casa de Sara se encontrava.



Notas finais do capítulo

Ai meu deeeus.
E agora?!



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