Hearts Of Sapphire escrita por Emmy Alden


Capítulo 29
¨t w e n t y - s e v e n¨


Notas iniciais do capítulo

AQUI VAMOS NÓS!
não se esqueçam de comentar o que acharam do capítulo, é mto importante para mim ♥



Do outro lado da Arena estava a sua oponente.

Era uma menina franzina com praticamente metade de sua altura, vinha do vilarejo Amara, como Mattia.

Os olhos eram tão puxados que aparentavam ser duas fendas. Os cabelos crespos adornavam seu rosto de uma forma tão singular que Corinna se pegou por vários minutos admirando-os.

Uma beleza crua e sem explicações para ser.

As duas Escolhidas estavam cada uma numa extremidade da Arena. Ambas presas em jaulas com nada além de seus próprios corpos, vestes e uma tela preta um pouco maior que a palma da mão para cada uma.

Corinna nunca havia visto a plateia tão em silêncio. Até os próprios Governantes e Simpatizantes pareciam prender suas respirações.

Como se antecipassem aquele combate.

Nyota era o nome da Escolhida de Amara.

A Simpatizante dela era uma menina que aparentaria ser ainda mais jovem que ambas as concorrentes se fosse humana, apesar de não ser alguém que se misturaria fácil entre a espécie de Corinna. A crueldade era algo que a Escolhida de Fortuna era capaz de sentir até no mais inocente dos sorrisos da garota.

Corinna olhou em volta apenas para encontrar uma plateia atenta encarando de volta.

Um desafio que envolvia lógica e combate físico.

A primeira parte Corinna já deduzira que envolveria a saída daquela jaula o que não seria uma tarefa muito fácil, já que a menina poderia sentir a pressão sobrenatural que as barras faziam sobre seus ombros.

Foi Raina, a Governante da Ordem Prata, que caminhou até o centro da Arena para anunciar como o combate aconteceria.

—As duas Escolhidas trabalharão em sintonia nessa primeira parte. A tela preta se acenderá e mostrará todos os mecanismos de tranca de ambas as cadeias, porém, alguns que estiverem disponíveis para uma não estarão para outra. —O dedo enrugado da mulher apontou para onde estava a tela de Corinna e para a de Nyota. —Cabe a cada uma tomar a decisão mais inteligente para que as duas sejam soltas rapidamente. Lembrem-se que cada segundo é importante e quanto mais deles passarem, mais esse peso em seus ombros se tornará mais agressivo. —A caçadora poderia jurar que a deorum dera um sorrisinho em sua direção. —Se uma de vocês ficar inconsciente, a outra ficará presa. Nenhuma das duas conquistará o ponto. Portanto, joguemos limpos, garotas, ou, pelo menos, o mais limpo que vocês conseguirem. Podem se comunicar uma com a outra verbalmente, obviamente ninguém fará isso por vocês.

Um aviso velado de instrução. Para todos os que assistiam.

Corinna sentiu seu olhar sendo chamado para onde os outros sete Governantes sentavam altivos. Para onde Athlin estava.

A menina perguntou a si mesma se, caso falhasse, o deorum riria de sua ousadia em não aceitar ajuda dele. Ou de Theodore.

—E a segunda parte do confronto?—A voz da Escolhida de Amara ecoou destemida pela Arena.

Raina sorriu antes de dizer:

—Vocês descobrirão quando chegarem lá.

—Mova a B19.

A voz da jovem ecooava com facilidade até Nyota.

As barras de ferro eram compostas por vários fragmentos que se moldavam de acordo com o clique na tela preta, criando um caminho para liberar a tranca das duas cadeias.

—E a C45.

A oponente de Corinna não parecia muito contrariada em receber suas ordens, mas ainda assim ela tentava ao máximo ordenar o mais suavemente possível. Já a Simpatizante não escondia o desgosto cada vez que era Corinna a dar um movimento.

A ilustração da jaula tinha se acendido na tela logo depois que Raina saíra do ponto central da Arena. Cada fragmento era identificado com letra e número. Um quebra-cabeça que a Escolhida de Fortuna apenas ficara encarando por alguns minutos até que sua oponente gritasse:

—Quando você quiser!

A peça C45 parou de se mexer ao mesmo tempo que Nyota disse:

—A2.

Corinna apertou o local indicado e percebeu a armadilha antes que qualquer um. A peça que havia se movido apenas na jaula da Escolhida de Amara rodadas atrás, que lhe daria uma vantagem crescente se Corinna fosse desatenta. O sorriso de canto sombrio da Simpatizante. Como o ar parecia tremer em volta dela. Sua energia delatando...

— Z7. —a peça A2 ainda se movia quando a voz trêmula e ansiosa de Corinna soou nos ouvidos de cada um presente. A voz que prendeu a respiração de alguns e soltou a de outros.

Pela expressão surpresa e confusa de Nyota, ela também não havia sido avisada daquele ardil.

Ninguém pareceu prestes a protestar que a peça Z7 já tinha sido mexida e pelas instruções deveria ter ficado inacessível, mas não ficara porque a da Escolhida de Fortuna não se movera antes. Somente a de Nyota.

Corinna deu uma olhada rápida nos Governantes novamente. Algo profundo lhe dizia que estavam testando-a. Só não conseguia saber quem ou por quê.

Se sua mente estivesse analisando as peças de maneira correta, em menos de dez movimentos, as duas garotas estariam livres para qualquer que fosse a outra desgraça que recairia sobre elas.

 

A última peça girou exageradamente até parar na posição final.

Os dedos de Corinna pesavam e formigavam nas extremidades e uma tonelada pareceu sair dos seus ombros quando um baque surdo antecedeu o momento que as grades de ferro das duas jaulas subiram ao mesmo tempo.

Nyota e a caçadora de viraram na direção dos assentos dos Governantes.

O aceno silencioso e discreta de Raina só foi assimilado quando Corinna já estava sendo jogada no chão. 

Algumas risadas ecoaram pelo Arena atingindo algo frágil no interior da menina.

Apesar de Nyota parecer menor e mais inexperiente do que a caçadora, seus socos eram precisos e Corinna não demorou para sentir o gosto metálico na boca.

—Ah sim...Comecem.—a voz sarcástica da Governante fez o sangue da Escolhida de Fortuna se transformar em algo afiado nas veias, mas a jovem não conseguia entender por que não conseguia mover nada além da cabeça a fim de desviar dos golpes mais perigosos. Raina continuou —A única instrução para essa etapa é que lutem até o fim.

Até que morram... era o que Corinna tinha certeza que a mulher queria dizer.

Nyota estava sobre ela. Uma perna de cada lado do seu corpo. Os punhos da oponente acertando seu queixo, nariz, boca e olhos.

—Por que ela não se move?— Corinna ouviu alguém sussurrar. As vozes alternavam entre ficar mais próximas ou mais ao longe. Como se seus ouvidos procurassem a frequência certa para ouvir.

—Já desistiu?—outra pessoa zombou.

Calmaria pulsou em suas veias. Uma calmaria que tinha um gosto distinto e amargo em sua boca e fazia com que suas pálpebras ficassem pesadas.

Nunca pensou que paralisaria num combate surpresa.

Nunca pensou que golpes depois de um tempo parariam de causar dor em seu corpo.

A Escolhida estava certa em não pensar em nenhuma dessas coisas, porque nenhuma delas era verdade.

Seus olhos voltaram a se abrir no mesmo instante que Nyota desferia um soco que...parou no meio do caminho. 

As pupilas da Escolhida de Amara se dilataram para o que quer ela estivesse vendo no rosto da sua concorrente.

Corinna sentiu um cheiro forte invadir suas narinas. Não entendia porque sabia que o odor era de puro medo.

E não exalava dela.

Ataque agora. Ataque agora. Ataque agora.

Uma voz —sua voz — cantava em seus ouvidos. De forma suave e cruel, como a menina nunca havia ouvido antes.

Nyota ainda a encarava em choque.

Todos pareciam estar naquele estado já que a única coisa que Corinna era capaz de ouvir era a sua respiração e a de Nyota.

E a canção cruel em seu ouvido.

Ataque-a.

O punho da oponente ainda pairava a centímetros do seu rosto.

Não foi por vontade própria que seus dedos se enroscaram no pulso de Nyota. Quebrando-o com um pouco mais do que um suspiro.

O grito poderia ter estilhaçado as superfícies da Arena. Pelo menos, estilhaçaram a mente de Corinna, fazendo com que ela mal notasse quando seu corpo se contorceu com agilidade, trocando a vantagem que a Escolhida de Amara tinha sobre ela.

Seus dedos ainda apertavam o pulso — agora em uma posição errada —de Nyota.

As lágrimas escorriam pelo rosto da menina que parecia ainda mais nova e mais frágil sob seu corpo.

Queria soltá-la. Queria se afastar. Sair correndo dali.

Mas não podia. Não conseguia.

Apenas porque ela não era mais a agente em seu próprio corpo e sim, a espectadora.

 

Sua outra mão se apoiou suavemente no pescoço de Nyota.  Bem sobre a jugular. Conseguia sentir a vitalidade da oponente pulsando ali. Conseguia sentir seus lábios se repuxando num pequeno sorriso maldoso. Conseguia entender o quão fácil seria acabar com aquilo.

Acabe com isso. Tão fácil, tão rápido. Acabe com isso.

Sua unha raspou de leve na exata localização da veia e Nyota engoliu seco.

Você é forte. Você é melhor. Superior.

—Cale a boca. —Corinna sussurrou baixinho para si mesma. A única autenticidade que tinha sobre si. —Cale a boca.

—Por...favor. — a voz da Escolhida de Amara não era mais do que um vento distante. —Por favor.

Agora!

Corinna não estava mais na Arena.

❖❖❖



Notas finais do capítulo

E AI? EU VOLTEI, depois de umas feriazinhas para mente (mentira total. foi só um bloqueio daqueles, maaas, we're back bitches)

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