A história de Sakura escrita por Hanako


Capítulo 6
O início do trio




Durante o resto da semana eu não conversei mais com Sasuke. Não por falta de oportunidade, mas porque estava com vergonha do que tinha falado a ele no primeiro dia de aula. Como que eu, Sakura, que tinha sofrido bullying até pouco tempo atrás, me senti no direito de falar mal de alguém que sequer conheço?!

Pior que isso foi descobrir o que realmente significava “cuidar de algumas pendências da família”. Desesperada por respostas do que eu poderia ter feito de ruim, encontrei com um de seus antigos colegas de classe no final da aula.  Eu esperava que ele dissesse algo como “Sasuke não gosta de meninas de cabelo rosa” ou então “Sasuke não gosta muito de conversar e você deveria parar de puxar assunto”, mas o que ouvi foi que não era para levar muito a sério o que ele dissesse com raiva por um tempo.

O moreno tinha perdido os pais em um acidente de carro e ainda estava aprendendo a lidar com a situação. A família andava discutindo com quem ficaria sua guarda e, enquanto isso, ele estava morando sozinho, na casa de seus entes falecidos, se preparando para um futuro incerto. Eu tinha sido tão egoísta e insensível!

Meu problema com a testa não era nada comparado a perder os pais. Os meus eram muito carinhosos e cuidavam de mim o tempo inteiro. Sempre presentes, eu tinha comida pronta quando chegava em casa, alguém para falar sobre as atividades escolares e para me levar para passear. O Sasuke tinha perdido tudo. E o Naruto... Nem teve essa oportunidade. Prometi a mim mesma que cuidaria deles com o máximo de cuidado possível para que a dor fosse a mais amena possível.

Mesmo assim, não sabia como fazer uma reaproximação. Foquei-me em anotar todas as matérias e recuperar para mim mesma a minha fama de boa aluna que tinha sido abalada após uma tentativa de matar aula. Eu estava bem desanimada. Nem mesmo as chateações da Ino conseguiam tirar a minha cara de desapontamento do rosto. Na segunda-feira da semana seguinte começaram as atividades com Naruto. Nós três nos encontramos após as aulas na sala demarcada pelo professor Kakashi. O professor, no entanto, não estava lá.

—Ei! Eu sou o Naruto! – disse ele, quebrando o silêncio da sala. Logo em seguida apontou para Sasuke – Eu definitivamente não gosto dessa sua cara metida! Já você, rosinha, você é uma gata! Nós ainda vamos namorar um dia!

Como ele era mal-educado e pretensioso! Eu não queria nem chegar perto de alguém como ele na minha vida inteira! Pior seria se o Sasuke achasse que eu queria alguma coisa com um pivete daqueles... Aquele maldito mal tinha chegado e já estava acabando com o resto de chances que eu tinha com o meu moreno.

Diferente do meu amorzinho de infância, Naruto era bem mais baixo que eu, tinha cabelos loiros e olhos azuis. Agora ele também não conseguia mais ficar calado, fazendo piadinhas sempre que possível para preencher aquele silêncio que chegava a ser constrangedor. Eu me esforçava para não falar nada e não parecer ainda mais irritante para Sasuke, que vinha me observando discretamente desde que entramos na sala. Devia me xingar mentalmente, certeza.  Depois de mais de meia hora de espera angustiante, o professor finalmente chegou.

— Olá! Que bom que todos já chegaram – disse – Peço desculpas pela demora, mas quando estava a caminho, notei uma idosa carregando uma pesada sacola de compras. Como sou professor e devo ser um exemplo a todos vocês principalmente em como se portar na sociedade, a ajudei até sua residência e finalmente vim para a sala.

Eu nunca ouvi tanto papo furado. Obviamente, nem mesmo o Naruto acreditou em uma mísera palavra que Kakashi disse. Ainda assim, nos sentamos contrariados, cada um em um canto da sala, para que ele pudesse explicar quais seriam as atividades.

— Bem, vamos nessa – o professor pigarreou – Como vocês sabem, a atividade é basicamente ajudar um aluno com mais dificuldade a absorver melhor a matéria e passar de ano. Para hoje, quero que Sasuke e Sakura ensinem ao Naruto a redigir uma carta que pode ser inclusive do segundo tema: as relações entre os seres vivos. A carta deve ter no mínimo duzentas palavras e ser entregue em duas horas na sala dos professores. Até logo!

Dito isso, ele simplesmente saiu e nos deixou sozinhos para trabalhar. Que grande ajuda. Naruto com certeza tinha se perdido no meio de tanta informação, pois olhava para o mesmo lugar onde Kakashi estava há segundos atrás. Eu mantive o silêncio, pisando em ovos para não desagradar o segundo garoto da sala, o que realmente importava para mim.

— Então vamos começar – disse o Sasuke, para o meu espanto – Naruto, me ajude a juntar essas carteiras em um triângulo para que possamos trabalhar. Sakura, pegue o material das últimas aulas.

Após tudo organizado e os cadernos e lápis já em cima da mesa, o garoto explicou novamente para o loiro o que iríamos fazer e sugeriu iniciarmos por um rascunho. Ele era realmente bom em liderar e fazer sugestões. Eu estava admirada. Para mim, aquela matéria era bem tranquila. Eu gostava demais de Biologia e, se não fechasse com excelência quase todas as matérias, poderia dizer que era a minha melhor. A que mais absorvia e desenvolvia. Eu estava perdida em meus pensamentos, olhando para o caderno, com medo de encarar Sasuke quando o ouvi dizer meu nome novamente.

—Sakura – disse- todo mundo sabe que você é a melhor em Biologia. Por que não se encarrega de explicar essa parte?

Ele... estava me elogiando? Sasuke não estava mais bravo comigo! Minha nossa, esse deveria ser o melhor dia da minha vida! Não vou falhar mais na missão, meu garoto! Eu prometo! Eu estava de volta ao jogo!

Expliquei com gosto tudo o que sabia e ajudei no momento em que foram montar o rascunho. Terminamos em cima da hora, mas deu tudo certo. Material entregue na sala dos professores, alunos liberados para casa. No momento de ir embora, Naruto foi na frente e eu me aproveitei do momento para finalmente falar com o moreno o que eu precisava.

—Sasuke – comecei – me desculpe pelo que disse, eu... Eu não sabia. E ainda assim, não se deve falar isso com as pessoas, foi muito egoísta da minha parte. Com você e com o Naruto também.

Inesperadamente, ele bagunçou os meus cabelos e sorriu. Eu fiquei estática, enquanto sentia a temperatura subir e o meu rosto queimar. Com certeza estava vermelha. Muito vermelha. Já não podia ver os meninos na rua e ainda estava lá, com o coração batendo na boca. Esse garoto da enfermaria que cada dia eu conhecia melhor era fofo e imprevisível.





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