A história de Sakura escrita por Hanako


Capítulo 7
Força




E por assim seguimos. As atividades se tornaram regulares todas as segundas e quartas-feiras. Chegávamos na sala, agrupávamos as carteiras, recebíamos as ordens do professor e ensinávamos Naruto. As notas dele realmente melhoraram e deixaram todos surpresos. Trabalhávamos muito bem juntos e pude observar o surgimento de uma amizade entre os meninos. Eu ficava olhando de longe, zelando por eles e ajudando quando achava necessário. Meu contato com Sasuke estava mais próximo, mas ainda assim nada tinha acontecido de tão relevante quanto no primeiro dia.

Em uma segunda-feira qualquer, após uns dois meses de atividade, veio a primeira grande mudança. O professor Kakashi entrou na sala (meia hora atrasado, como sempre) e informou que teríamos uma troca de tarefas.

— Bem, como disse no começo, o programa foi criado para ajudar os alunos com maior dificuldade a conseguirem boas notas – ele começou – Sakura, ano passado você teve um problema sério no início das olimpíadas escolares e isso fez com que seu rendimento caísse em Educação Física. Desde então, suas notas nunca mais foram as mesmas. Portanto, os meninos agora irão te ajudar a se recuperar. As aulas não serão mais dentro de sala, mas no ginásio. Vocês devem se preparar pois serão um time em uma corrida de orientação daqui a dois meses. Eu recomendaria começarem por um alongamento e seguirem para alguns esportes. Afinal, vocês já aprenderam juntos como analisar os mapas e a bússola semana retrasada e não acho que precisarão reforçar.

Ele fez uma pausa e nos preparamos para levantar. Isso era bem desanimador. Eu sabia que as minhas notas tinham caído, mas ainda assim não era nada que prejudicasse o meu passar de ano. Não achei que seria relevante a ponto de colocarem dois alunos para me ensinarem.

— Viu?! – disse Naruto – Eu estou arrasando! Não preciso mais de ajuda!

— Muito pelo contrário – riu o professor – Eu espero que continuem estudando as matérias juntos! Acho que esqueci de dizer: todos os trios serão avaliados até o final do ano. Os três alunos que se destacarem irão receber prêmios. Já os três piores... serão convidados a sair. Pessoas que não sabem agir em conjunto e não prezam pelo coletivo não combinam com essa escola. 

Eu podia sentir o meu fogo nos olhos voltando. Eu realmente amava uma competição. Nem me importava com o prêmio em si, eu só queria provar que era a melhor. A sede também contagiou os meus colegas, que mudaram até a postura para ouvir com mais atenção.

Fomos até o ginásio preparados para brilhar. Trocamos nossos uniformes para os de Educação Física e iniciamos o aquecimento. O treino inventado pelos meninos era bem puxado, mal tínhamos começado e eu já suava e pedia para parar. Pude perceber Naruto um pouco impaciente. Ainda assim, estava tudo bem, a gente se entendia.

Porém, o ginásio começou a ficar um pouco mais cheio. As garotas de verde com as quais eu tinha jogado uma partida de basquete tinham se reunido para alguma atividade e logo me notaram com eles, fazendo polichinelo.

— Ora, ora – uma delas disse, se aproximando de onde estávamos – Ora se não é a garota do basquete.

Instintivamente me posicionei atrás dos garotos. Eles notaram a movimentação e se puseram em modo de alerta. O principal problema desse tipo de atividade é que o professor nunca acompanha a execução, estávamos sozinhos com elas e eu tinha me esquecido o quão grande elas eram.

— Algum problema com ela? – encarou Sasuke com uma voz despreocupada. Eu podia ver a tensão se formando em seus músculos dos braços.

— Deixa eu te contar uma história, baixinho – ela começou – Ano passado nós tínhamos tudo para ganhar as olimpíadas da escola. Só que essa de rosa aí se jogou na frente da bola e fez com que a nossa melhor aluna não pudesse mais jogar nenhuma partida! Foi a estratégia mais estúpida que você fez, garota! Não vamos deixar barato!

— Você acha mesmo que alguém consideraria vocês tão importantes a ponto de quase quebrar o nariz por causa de um jogo idiota?! – o moreno me defendeu – Sua autoestima está muito elevada, não acha?!

Naruto começou a rir. A resposta de Sasuke as deixou desconcertadas. Nisso, me aliviei um pouco e os meninos abriram espaço entre nós. Antes que percebêssemos, uma das garotas já tinha me empurrado para o chão.

— Pirralha, você está sempre muito preocupada com as aparências e com o que as pessoas dizem, mas não tem muita força para nada, né?! – ela riu – Talvez eles devam realmente te treinar, já que a orientação será para toda a escola e não só vocês. Boa sorte, vão precisar. Te encontro lá, queridinha.

Elas se afastaram. Sasuke se virou para mim com um olhar de desespero.

— Sakura – ele disse – Está tudo bem? Eu não devia ter te deixado tão longe... você se machucou?

Fisicamente eu estava ótima, tinha sido apenas um empurrão. Só que o que ela disse realmente me afetou. Isso porque no fundo eu acreditava que ela tinha razão. Tinha me tornado fútil. Não era forte o suficiente para ajudar os meninos. Eu fazia o papel de protetora, mas não conseguiria sequer falar algo em defesa dos meus amigos. Então eu comecei a chorar.

Eles não entenderam nada. Sasuke enxugou minhas lágrimas com as pontas dos dedos e me carregou até a enfermaria. Eu estava grata pela proximidade, por sentir aquele cheiro bom de roupa limpa e do xampu dos seus cabelos. Foi assim que me acalmei. Naruto pegou as minhas coisas para que eu pudesse ir embora, mas Sasuke quis se encarregar de tudo.

Depois de me dar um copo de água, ele se prontificou para me levar para casa. O moreno disse que tinha medo que elas preparassem uma emboscada para mim no caminho. Eu apenas concordei com a cabeça, não queria que o garoto fosse embora. Talvez ele estivesse realmente com medo, pois não soltou a minha mão durante todo o trajeto. Eu me sentia profundamente bem com tamanha atenção. 

Ao chegar na porta de casa, ele bagunçou o meu cabelo e foi embora. No meu peito, um emaranhado de dúvidas surgia sobre qual o tamanho que a nossa amizade tinha tomado. Eu não queria que ele me visse como uma amiga fraca a ser protegida. Queria ser a amada que andaria lado a lado, apoiando e sendo apoiada quando necessário. Nesse ponto as meninas tinham razão: eu teria que ganhar força.





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