WSU's A Frente Unida escrita por Lex Luthor, WSUniverse


Capítulo 10
IX — Fim da Linha


Notas iniciais do capítulo

Último capítulo da história!



Nova York

 

Carmem chegou novamente em ares estadunidenses, desta vez na cidade da Estátua da Liberdade. Uma das maiores metrópoles do mundo.

Pousou Manhattan, onde pessoas caminhavam desesperadamente como num formigueiro. Estavam cientes de seu destino.

Energia em um por cento. — Os painéis da nave desligam-se. — Entrando em modo de hibernação — disse Carmem uma última vez antes de desligar-se.

Sem sua nave, a garota Maximus com seu traje branco gelo e detalhes dourados ascende aos céus nova-iorquinos. A rota do míssil havia sido mostrada por Carmem. Sem nenhuma defesa, ela era a única esperança daquele povo.

Ao deixar a nave, as pessoas olham para cima. Milhares de vozes gritavam esperançosas.

Uma criança estendeu a sua mão em direção a Karen com sua capa dourada flamejando e contrastando o sol.

Karen tirou a capa e deixou-a cair lentamente ao vento. Em seguida voou como uma bala em direção ao continente. Ela parou quase meio quilômetro do míssil que se aproximava em velocidade superior à sua. Fechou os olhos e passou a concentrar-se.

Karen estendeu suas duas mãos em direção ao míssil, que começou a desacelerar. Era como se a garota Maximus tentasse, num empurrão telecinético, parar a ogiva antes que chegasse ao destino da explosão.

Ela fazia uma força tamanha que seu rosto corava, as veias brotavam em sua testa, um filete de sangue descia de sua narina. O míssil desacelerava, mas não parava e aproximava-se cada vez mais lentamente de Karen.

Logo, a garota voou em direção ao míssil e o segurou pela parte debaixo. Karen começou a voar sustentando o peso do míssil em suas costas, ao mesmo tempo em que usava a sua telecinese para diminuir o peso.

Parecia não ser o bastante, o míssil começava a descer em direção à Nova York. Karen esforçou-se, porém o máximo que conseguia era mudar um pouco a trajetória da ogiva.

Na luta incessante, ela já carrega o míssil próximo à Estátua da Liberdade. Karen esforçou-se e com toda a força, arremessou a ogiva para longe da ilha de Manhattan, indo em direção aos céus acima do oceano.

Ela observou o perigo ficar cada vez mais distante, enquanto lentamente ia descendo novamente para Manhattan. A explosão acontece num raio de segurança considerável, apenas a radiação seria uma preocupação para o governo.

Ela chegou ao solo e, caiu de joelhos. Apoiou as mãos no solo. Uma multidão aproximou-se da garota a ovacionando. Sua exaustão, aliada a preocupação do que acontece no Brasil não a deixava contente. Ela observou no meio da multidão, uma garotinha passando com dificuldade por entre as pessoas.

Pele clara, olhos azuis e cabelos escuros. Usando um casaco de pele vermelho e com dentes faltando na boca, ela carregava em suas mãos a capa dourada de sua salvadora. Era a mesma que estendera a mão para Karen.

— Isto é seu? — indagou com um brilho nos olhos ao entregar a capa dourada.

Karen, delicada e ofegante, empurrou a capa de volta para a garota, como se a estivesse entregando. Em seguida, a garota Maximus abraçou fraternalmente a menininha, enquanto acariciava seus cabelos escuros.

 

 

 

Rio de Janeiro

 

Rock soltou as lâminas do corpo de seu líder, quase a chorar, tornou-as novamente em mãos e começou a vasculhar pelos bolsos do defunto, enquanto o Ragnar observava de forma sombria.

Não achando o que procurava, Rock olhou para o Ragnar nervoso e correu deixando em direção aos vagões anteriores. A contraparte do Soldado até pensou em persegui-lo, mas notou a cena de Buffalo, arremessando o Aracnídeo para fora do vagão.

Porém, Aracnídeo prendeu-se ao trem por meio de uma teia. O Soldado correu em direção a Buffalo que estava de costas para ele e o agarrou bruscamente, como numa jogada de futebol americano, os dois caíram para fora do trem.

O Aracnídeo lançou outra teia, que prendeu Buffalo e, agarrado ao terrorista, Ragnar.

Aracnídeo voltou ao vagão do trem e segurou firmemente em sua teia, com a qual arrastava Buffalo e Ragnar trocando socos nos trilhos passados pelo trem. O garoto se esforçou e puxou ambos, jogando-os para a parte superior do trem, onde lutavam Azathoth e Takeda.

A trajetória dos dois corpos acertaria exatamente os dois que já estavam no teto da locomotiva, mas ambos evadiram para os lados. O impacto da queda afundou o teto do trem. Aproveitando o momento de distração, Azathoth correu em direção à Takeda e lhe aplicou uma rasteira, segurou a perna da oriental por cima e pela canela, girou-a em torno do próprio eixo fazendo com que o joelho se quebrasse. A garota solta um urro de dor, o detetive a chuta no rosto e ela apaga instantaneamente, caindo do trem.

No vagão de controle o maquinista, nervoso, soltou os controles do trem. Estava ciente de que parte do trem havia sido solta e algo acontecia, pois na luta com o Soldado Fantasma, Abdullah havia deixado cair o detonador da bomba de Madureira.

— Essa pocilga vai sozinha pro camelódromo. — Observou em suas mãos o detonador da bomba nuclear.

Ele foi ao vagão um na esperança de encontrar alguém que o ajudasse com aquele poderoso dispositivo. Mas o que encontrara, logo ao entrar no vagão, foi apenas Rock. Percebendo a intenção do terrorista, ele retornou rapidamente para a passagem entre os vagões e Rock correu para alcançá-lo.

O maquinista abriu uma escotilha no vagão de controle e subiu as escadas chegando ao teto do trem, queria contornar Rock e descer mais a frente, fugindo do terrorista.

Em cima do trem ele viu Buffalo trocando socos com Ragnar, olhou para trás e pensou em voltar, mas viu Rock subindo as escadas da escotilha.

— Me danei — disse o nervoso maquinista.

Rock sobe ao teto trem, transformou suas mãos em lâminas e sorriu sombrio para o maquinista.

— Você tem uma coisa que nos pertence. — disse o garoto de pele rígida.

Ele desfere o golpe no maquinista, mas o mesmo é puxado para trás por uma teia do Aracnídeo.

— Achado não é roubado! — disse o Aracnídeo, segurando o maquinista.

O Temerário tentava acompanhar o trem ao lado direito, vendo que precisava de mais velocidade, apelou para o nitróxido e fez o carro ter uma grande impulsão. O Aracnídeo saltou precisamente e caiu pousou no teto do Opala, fazendo o Caveira apertar os olhos.

— Eu só espero que não tenha amassado, Jonas! — gritou Temerário enfezado, ao abrir a porta do acompanhante.

— Foi mal! — gritou o Aracnídeo respondendo nervoso. — Esse cara quer te entregar algo.

O Temerário desacelerou e Aracnídeo colocou o maquinista no banco do acompanhante.

— Esse cara tem algo pra te entregar. — reafirmou o Aracnídeo, quando saltou e arremessou uma teia que agarrou a ferragem do trem logo à frente.

O maquinista fechou a porta da possante “Besta” e encabulado entregou o detonador para o Temerário.

— O “sinhô” é mais assustador ao vivo — disse o maquinista.

— Obrigado — agradeceu o Temerário, com a assustadora voz do modulador.

— Acho melhor voltar pro teto do trem — disse o maquinista ainda assustado. 

— Fique à vontade. — O Temerário olhou para o detonador e freou bruscamente.

Ele encostou a cabeça no volante.

 — Merda! — gritou decepcionado.

O maquinista o olhou apreensivo.

— O que houve? — perguntou o operador do trem.

— Ele detonou. — O Caveira suspirou. — O desgraçado apertou o botão de detonar.

— Vai ver a bomba gorou, ou — titubeou o maquinista.

— Ou o quê?! — indagou o impaciente Temerário aos gritos.

O pobre maquinista cobriu sua cabeça com os braços, assustando-se com o grito da sorridente Caveira.

— Ele falou uma coisa de explodir dez minutos depois que ele apertar o botão quando chegar na estação do camelódromo — disse o maquinista apressadamente.

O Temerário começou a pensar nas palavras do maquinista. O camelódromo era o alvo perfeito para os terroristas. A alta concentração de pessoas no local faria inúmeras vítimas.

— Desce do carro — disse o Temerário, abrindo a porta do veículo.

O veículo saiu em disparada, seguindo a trilha, enquanto o maquinista observou o Opala distanciar-se cada vez mais.

— Eu vou ser demitido — lamentou o maquinista de cabeça baixa.

No teto do trem, Ragnar sofria com socos de Buffalo, que o acertavam violentamente. Poucos segundos, o agredido pôs um sorriso no rosto como se nada o acontecesse.

Azathoth imobiliza o braço de lâmina de Rock e Jonas acertava o rapaz de pele de diamante com um poderoso chute frontal no estômago.

Ragnar desferiu um chute alto acertando a cabeça de Buffalo, que cambaleou dando dois passos para trás e ficando colado de costas com Rock. Os terroristas estavam encurralados pela Frente Unida.

— Entreguem-se agora! — exigiu Azathoth.

— Eu prefiro morrer! — respondeu Buffalo tirando uma granada de um bolso dentro de sua camisa. — Ou levar todo mundo — disse ao arrancar o pino da granada com o dente.

Buffalo arremessou a granada e soltou um berro.

Ragnar correu e segurou o projétil e rapidamente o colocou na boca do brutamonte Buffalo.

A pele de Buffalo poderia ser impenetrável, mas não os seus órgãos interiores que foram detonados. A explosão matou o brutamonte de dentro para fora e arremessou Rock para frente do trem. Aracnídeo agarrou Azathoth e pulou do trem saindo da rota do corpo do garoto de pele de diamante.

Rock caiu nos trilhos e vê num tempo mínimo e quase sem reação o trem chocar-se. A batida o arrasta para baixo da locomotiva, que descarrila.

O Temerário observava tudo de seu retrovisor ao passar rapidamente com a Besta, ele preocupou-se, mas decide seguir rumo ao camelódromo.

Nessa altura o núcleo da bomba já deve estar instável e explodirá a qualquer momento. Certamente as assinaturas de radiação serão sentidas pelo meu detector.  — Analisou o Temerário ao chegar à estação.

O Temerário começou a procurar pela bomba, o detector apitava cada vez mais rápido quando ele chegava à sessão de “achados e perdidos” da estação.

— Eu diria “lamento, o senhor não pode entrar aqui.”, mas você é ele, não é? — disse o rapaz que gere a sessão.

Ignorando, adentra no local com rápidos passos no piso de madeira, mas nada lhe era estranho. O detector apitava freneticamente.

Pisou bruscamente na madeira oca, que se partiu. O buraco mostrava o imenso núcleo embaixo do solo.

Continuou pisando bruscamente até abrir um buraco considerável no solo, que cede fazendo o Temerário sofrer uma queda de quase dois metros.

Lá estava todo o aparelho pronto para detonar e em poucos minutos. Ele colocou o conector na bomba e decidiu contar ao professor pelo celular.

E aí, grande Marcos? Que se passa? — perguntou o professor ao telefone.

— Deu tudo errado, o conector está no meu corpo me envie para Corsário. — Marcos tentou pregar uma peça em seu antigo mestre.

Não ousaria me deixar para a morte. — disse o homem num sotaque europeu.

— Não me esqueceria daquela nota vermelha. — ironizou Marcos. — Envia essa bomba para o inferno.

O professor digita as coordenadas no computador ligado ao capacitor de fluxo, que passa o sinal para o palmtop de Marcos e enfim, ao conector. A bomba desaparece num piscar de olhos.

Não sei as coordenadas de lá, mas o pessoal da NASA vai ver um espetáculo hoje, perto de Marte. — disse o professor.

Alguns metros atrás, o trem estava virado próximo a um ferro velho. Aracnídeo segurava nas costas curvadas um vagão, Azathoth estava desacordado logo abaixo.

— Ei, acorda. — disse o Aracnídeo cutucando o detetive com o pé esquerdo. — Eu acho que desloquei o ombro na queda.

Aracnídeo olhou para o ombro direito e vê a pele rasgada pelo osso.

— Pai do céu! — surpreendeu-se o garoto.

Ragnar apareceu cambaleando quando a poeira abaixou. Retirou Azathoth debaixo do vagão e ajudou ao Aracnídeo a levantar o peso.

 O Aracnídeo caiu ao chão em exaustão.

— Você parece um Super Sayajin negão, cara. — comenta o Aracnídeo exausto observando a aura negra do Soldado, sem saber que era Ragnar quem comandava aquele corpo.

Eles escutam um grito em meio aos destroços.

— Ajuda! — gritava Rock.

O rapaz ensanguentado tinha um vagão inteiro em seu braço direito. Já não tinha mais a pele de diamante. Ragnar aproximou-se do terrorista.

— Ajuda? — pergunta num tom raivoso. — Acha que merece ajuda depois do que fez? — Ragnar desembainhou sua espada com o seu sombrio olhar vermelho.

Sentiu, então, uma teia agarrar seu braço.

— Pare com isso Tales, você não é desse jeito! — disse o Aracnídeo.

Ragnar puxa o braço agarrado pela teia, Aracnídeo acompanhou o movimento da teia, mas parou no soco potente do seu antigo mestre.

— Tales não está mais aqui, eu sou Ragnar. — disse o Soldado sombrio.

— Qualé?! — disse o Aracnídeo ao chão. — Não é uma boa hora para ter uma crise de transtorno dissociativo de personalidade.

O garoto soltou uma teia no peito de Ragnar e a puxou, fazendo o queixo do pocesso Soldado encontrar o seu joelho.

Ragnar, furioso, tocou a espada do Soldado no osso exposto do ombro do Aracnídeo.

— Ele decidiu ser desse jeito por suas atitudes. — explicou Ragnar, enquanto ouvia os grunhidos de dor do discípulo. — Assim será.

Três disparos de SMG atingem as costas de Ragnar. Ouviu-se uma voz grave gritar.

— Ei, seu bunda mole. — disse o Temerário, de dentro da Besta, chamando atenção do Soldado.

O veículo tinha uma arma no retrovisor direito apontando para o sombrio Ragnar.

— “Segura o forninho aí”! — disse o Caveira. — Poderia ter sido na cabeça, mas chega de mortes por hoje.

Ragnar virou-se furioso e raciocinou alto:

— O que seria melhor para mostrar ao Tales como tratar um bandido, ou como tratar um câncer? — disse Ragnar ao correr em direção à Besta, pondo a espada novamente na bainha.

O Opala seguiu uma trilha de terra e entrou no ferro velho. Eram milhares de automóveis empilhados, amassados e enferrujados: carros, motos, ônibus e etc.

Ainda havia trabalhadores no local.

A Besta freou bruscamente, o Caveira girou o volante fazendo o veículo derrapar e dar meia volta em posição invertida. O Temerário desceu do Opala. Ragnar encarou de longe.

— Uma vez você me disse que se eu matasse alguém seria uma linha que não posso cruzar, Tales. — disse o Temerário, tentando evitar o confronto. — Você estava errado, há sempre uma segunda chance.

Ragnar o olhava com desdém.

— O Tales é apenas um fantasma. — respondeu Ragnar ao abrir uma fenda.

Que loucura, bicho! Preciso me lembrar de dar uns antipsicóticos pra o cara. — pensou o Temerário ao ser surpreendido com Ragnar à sua frente.

Ragnar tentou um cruzado de direita e o Temerário esquivou-se, mas não pôde escapar do chute nas costelas.

O Temerário, sentindo bruscamente o impacto do golpe, dá dois passos para trás, a distância perfeita para receber um direto no queixo, que leva o Caveira ao chão.

— Você é medíocre, velho. — Ragnar cuspiu na caveira caída. — Eu tenho pena de você.

Uma pedra atingiu a nuca do Soldado. Ele esfregou o local do trauma e olhou para trás, era um trabalhador.

— Para! — gritou o trabalhador. — Você não vai matar ele.

— E quem vai me impedir? — indagou Ragnar irônico. — Você? — Sorriu. — Ele está caído.

— Tem certeza? — devolveu o trabalhador. — Melhor tomar cuidado, ele é mais esperto que você.

Ragnar virou para trás e não viu mais o Temerário.

Logo, Ragnar sentiu algo o puxando para trás. O Caveira apareceu à sua frente.

— Belo traje. — elogiou o Temerário. — Não sei se você sabe, mas uma das propriedades do metal é o magnetismo e aquele ímã gigante vai te puxar bem forte.

O Temerário jogou uma granada de fumaça, limitando o a visão Ragnar, para que não saísse, através de uma de suas fendas, do alcance campo magnético do ímã.

— Agora você é meu — disse a grave voz do Temerário seguida de uma lenta e melancólica risada.

HA-HA-HA.

Os olhos vermelhos da caveira eram as únicas coisas visíveis na cortina de fumaça branca.

Um direto, um cruzado, uma joelhada voadora no queixo.

Era o castigo da perversidade de Ragnar.

— A garota Maximus me falou sobre você, Ragnar — disse o Temerário.

Ragnar tentava mover-se, mas percebia estar mais lento e sua visão era turva. As granadas não eram apenas fumaça, mas uma mistura de tranquilizantes e gás de pimenta.

A força magnética o puxava, enquanto o Temerário aplicava-lhe um direto, um chute nas costelas, uma joelhada no estômago, uma cabeçada na boca.

Ragnar lutava agora para manter-se acordado e o Temerário continuava a falar.

— Toda vez que pensar em mostrar a sua faceta — Uma cotovelada no queixo. —, pense que aqui existem homens e mulheres — Um cruzado na mandíbula. —, humanos, ou corrompidos — Uma joelhada no nariz. —, que vão derrubar você.

Um gancho de esquerda acertou o queixo de Ragnar fazendo-o cair apagado, o ímã o leva para cima, deixando-o suspenso preso à gigantesca pedra e sua força magnética.

A aura diminuiu, a fumaça abaixou. Temerário fez um gesto para que o operador desligasse o ímã. Ragnar caiu ao chão. 

O Temerário observou o antigo companheiro caído. Ele despertou aos poucos e abriu seus olhos vermelhos.

— Impossível. — disse Ragnar. — Eu já matei um deus. Você é-é — gaguejava e titubeava a fala. — só um humano.

Ragnar tentou levantar a mão para cobrir o rosto dos raios solares em seu rosto.

— Por que você não cai? — indagou Ragnar indignado ao chão.

—É por isso mesmo. — disse o Temerário.— Eu sou humano. — respondeu o Temerário olhando fixamente nos olhos de Ragnar. — Aprendemos a cair e nos levantar. E você já deixou de ser isso faz tempo — disse dando-lhe as costas.

O Temerário pensava em prender com uma dose alta de sedativos que estavam na Besta, mas Ragnar reuniu forças para levantar-se com dificuldade pela exaustão.

— Não me dê de costas, seu verme! — gritou com ódio nos olhos e dentes trincados ao desembainhar a espada. — Eu sou o Soldado Fantasma, seu velho inútil! — esbravejou correndo em direção ao Temerário.

Ragnar, a contraparte perversa do Soldado, segurou a espada com as duas mãos, girou o tronco e golpeou o braço do Temerário com toda força que lhe restava.

O Temerário olhou para o seu braço esquerdo e viu a lâmina deslizando de um lado do braço ao outro, como uma faca na manteiga. Nada pôde sentir além do choque de ver o seu membro deixar o corpo e cair ao chão.

O sangue começava a esvair de seu corpo.

O Caveira caiu de joelhos.

 Não falou nada, apenas observou a poça vermelha se expandir em círculo no chão.

A dor do ferimento fez o Temerário soltar um grito. Observou o braço esquerdo decepado ao seu lado e tateou-o com a mão trêmula.

Gemia e berrava, quando levantou a cabeça para contemplar o antigo aliado.

Ainda processando, não entendia o que estava acontecendo. Ele olhou para Ragnar com indignação no olhar. Tentava falar, mas as palavras engasgavam, travavam em sua garganta a ponto do próprio Temerário se impedir de falar.

O Soldado não merecia a sua fala.

Ele tentou cobrir o corte com a mão direita para tentar conter o sangramento, mas fazer isso e não sentir o seu membro decepado era como tornar aquela situação real e ter que assimilar o verdadeiro golpe recebido de seu amigo.

E o Temerário não queria que aquilo fosse real.

— Você é um humano — disse Ragnar com um sorriso perverso no rosto. — Viva frágil e estilhaçado como tal. 

O Soldado saiu em passos lentos, deixava a caveira caída ao chão. Quem disse que caveiras não sangram?

Uma brecha se abriu, Ragnar sumiu.

Os trabalhadores corriam preocupados em direção ao herói que confrontara a ameaça.

O Temerário apenas olhava fixamente aos céus, sua visão aos poucos escurecia, as vozes dos trabalhadores ao seu lado pareciam estar cada vez mais longe.

Até que tudo apagou.



Notas finais do capítulo

Agora, só esperar o Epílogo!

Espero que tenham gostado da história! ♥



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