Postura Condenável escrita por Felipe Martins


Capítulo 1
Como ousas?!




— Eu espero que as estrelas se alinhem para que nos encontremos de novo!

— Tenho certeza de que irão!

Amethyst disse algo a mais, mas o pensamento de Pearl aparentava não a atingir: arqueava-se em Rose, The Human e Rose. Quem ele pensava que era? Desobedecer ao mandado no aviso da cerca, pulá-la em busca de Rose Quartz sendo um reles humano e chamá-la infimamente de “Você”?! E qual a coerência de ela ter respondido-o daquela forma? É algum tipo de código entre eles? Seria a música? Bem…

—… Eu sei cantar.

Pearl buscou uma afirmativa no olhar róseo, mas recebeu em troca lábios em um quarto de círculo. A risada abafada de Garnet foi o preciso para ela perceber o impacto de sua observação, levando-a a corar levemente. Não havia erro no que dissera, no entanto!

— O quê? — interrogou-as retoricamente, sabendo que não haveria resposta. De si para si.

(Cena de S02E02)



*~♦~*


Vê-lo desaparecendo por trás das rochas aliviou-a em súbito. A presença do humano tingira o sentido natural do seu futuro brilhante com Rose com densidades crescentes de névoa, pensou, mas sua atenção imediata não se focara nisso: Pearl encarava a blusa como um mero objeto — para as Crystal Gems, aquilo não passava de um capricho — e tocou no ombro de Quartz antes que esta se afastasse de si.

— Rose… podemos conversar?

— Claro, Pearl! Pode falar.

O olhar alvo às parceiras de equipe não falhava: sob a vista da sinceridade, respondeu sua superior com “a sós, por gentileza.”

— Oh, claro. No meu quarto?

Assentindo, a espadachim a acompanhou em negativas. Ainda que estivesse habituada àquele espaço, pois as táticas de batalha e estratégias, sob o estrelado rosa lavanda, eram o sinal de confiança que apenas Pearl tinha de Rose, o riso de Rose tamborilava em lembrança: seria aquilo o canto humano?

Defesa.

— Diga-me, o que desejas? — Observou sua defensora com postura e expressão nácar.

— Na verdade… — “Sorriso. Mão direita na nuca.” — É sobre essa camiseta. Quem era aquele humano?

Rose sorriu. Nada além do previsível.

— Não se preocupe com o Mr. Universe, Pearl; como eu disse, ele estava tocando à beira da praia e eu não pude deixar de apreciá-lo por uns instantes. Ele não fará mal algum a nós.

— A menor das minhas preocupações é ele, Rose. — A raiva havia passado longe da frase. Pearl ergueu os olhos e sua íris madrepérola mudara em brilho. — Preocupo-me com você — encobriu-se de obviedade — e o que ele e sua célere existência podem fazer contigo daqui a alguns anos.

Defesa.

— Pearl…

— Eu estou falando sério, Rose. E você sabe dos riscos que corre deixando-o assim, à berlinda de deixar-se levar pelo futuro com vistas para… você! Isso é muito arriscado!

Seu ímpeto expressivo contrastava diretamente com a suavidade nas expressões róseas, que fitava inegavelmente incrédula.

— Você fala como se eu fosse imatura ou estivesse despreparada para isso.

Antes que pudesse responder, Rose armou-se dos tons de escuridão que, era nítido a Pearl, em nada combinavam com ela e esquivou-se de qualquer outra observação que a espadachim pudesse apresentá-la. Um “essa conversa se encerra aqui” não era preciso: num diálogo corporal com movimentos precisos e cuidadosamente ordenados, o vestido alvo descreveu uma trajetória helicoidal sem aberturas que fossem detectadas pela sua protetora.

...Ataque?

Entre infindas nuvens, Rose cogitou sair do quarto, mas este insistia em trazê-la ao que Pearl dissera: o que poderia ser seu Universo era um sorriso adorável que pereceria num passe de mágica. Rose repetiu a informação para si mesma: ele é humano, se transforma, envelhece e morre. “E isso… é…“

— Rose… por favor…

— Pearl, seus milênios de existência podem lhe responder quase qualquer pergunta que me fará, então, por favor, pense duas vezes nela.

—… Mas não essa: você sabe que é meu dever protegê-la, então por que não me deixa te ajudar?

A resposta precisava ser anunciada: isso estava escrito no rosto de Pearl. E não era preciso uma Sapphire para saber o que viria a seguir, a súdita de Rose repetia para si mesma num mantra melancólico. “Deve estar preparada para tudo.”

Não fossem pelos golpes desferidos subitamente na porta.

Desafiante derrotado.



*~♦~*


— Ei! Você está aí dentro? Eu posso tocar para você agora! Inclusive a música nova!

Mr. Universe afastou-se, tomando posição no local de onde vira a gem que quase o jogou pela cerca mais cedo e transportando os acordes de sua música para o que melhor soasse à Garota Misteriosa.

“Você acredita em destino? Feche seus olhos e deixe o resto comigo.” A música em sua complexidade que soava simples aos olhos de outros traduzia-o em palavras e, por isso, sob o eco em uma cavidade rochosa, leu sua carta para que todos que pudessem ouvi-lo. Compreendê-lo.

Em “o que você está fazendo aqui?” e “o que você está fazendo comigo?!”, Rose surgiu à sua frente numa dissolução púrpura de porta escura e surpresa.

— Oh! Você está usando a… — “tem algo de errado,” Mr. Universe notara de repente — camisa.

— Por favor, vá embora. — A decisão de Rose se clareava sob a luz que emanava do humano.

Em contrapartida, torceu-se o Universo.

— Me desculpe, eu…?

Suspiro.

— Você é super fofo, e eu quero muito tocar com você… mas sua vida é curta e você tem sonhos. Eu não vou deixar você desistir de tudo que você quer.

— Bom, isso vai ser um problema: você é tudo o que eu quero!

Pela mágica sonora os dois foram apresentados e por ela a eternidade se recordaria deles: assim cria Mr. Universe. Mas Pearl conhecia Rose bem demais para saber que Rose Quartz dificilmente se limitaria a um verso bem feito ou estrofes rimadas: como defensora da Terra e rebelde de Homeworld, a gem possuía mais passados ocultos d’O Humano do que lhe era mensurável.

Pearl, porém, conhecia Rose.

(Cena de S02E02)





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