A chegada do inferno escrita por Andrew Ferris


Capítulo 13
Detalhes do amor


Notas iniciais do capítulo

Passando pra deixar mais um capítulo pra vocês!! Espero que gostem!!!



Algumas pessoas chegaram a comentar comigo a respeito da dor que é ficar longe de quem você ama por muito tempo e que isso é sentido principalmente quando se vai à guerra. Minhas respostas sempre foram vagas, já que sempre tive tudo ao meu alcance e nunca costumei amar, pelo menos não da forma que passei a amar Janeth. Nos conhecemos sete meses antes de tudo isso, em uma discussão no escritório de uma corretora. Lembro de estar com pressa para lidar com o dono da corretora, Maxwell Donner, um cara marrento de boa fala e músculos sarados que te encara pela primeira com um olhar analítico, avaliando desde o que você está vestindo até o jeito de andar, gesticular ou falar. Alguém tão meticuloso pode te deixar pouco a vontade em uma situação de extrema pressão, mas felizmente nunca fui de me deixar ser levado. Sendo assim, fui com alguns colegas à empresa com o objetivo de resolver acordos e propostas de contratações, no entanto eu sabia que Donner queria mesmo era enriquecer às custas dos outros, e seria o que teria acontecido se eu não tivesse tomado a postura adequada. Só precisei ver sua expressão decepcionada quando terminei de falar para confirmar minhas suspeitas e ainda por cima me deliciar com o gosto de tê-lo derrotado. Estávamos nos dirigindo à saída quando Thomas, um colega advogado extremamente orgulhoso e de ego inflado, teve o azar de passar no exato momento que uma funcionária saía apressada da máquina de café para retornar ao trabalho e acabou sujando o terno do advogado. Ouvi a discussão até conseguir me colocar entre os dois e lembrar a Thomas que ele poderia pagar por dez ternos como aquele. Enquanto ele sai da empresa contrariado acompanhado pelos colegas da Venille Corporation, me aproximo da jovem para me desculpar. Ele me xinga algumas vezes e trocamos olhares de avaliação mútua antes de começarmos a conversar como pessoas civilizadas. Agora sou um homem diferente do que ela conheceu e daquele que ela aprendeu a gostar e ajudou a modelar. Ela sai da corretora com a cara fechada e bolsa no ombro, se dirigindo rapidamente ao ponto de táxi para pegar o primeiro carro rumo a seu apartamento. Segui Janeth até o prédio onde o carro parou e esperei ela atravessar o portão para continuar a segui-la. Encaro o muro antes de pular em um de seus espaços mal preenchidos que serve de apoio para pular o restante de sua extensão e em seguida alcançar o chão no lado de dentro. Dou uma olhada no elevador e verifico o número do andar que ela parou, décimo primeiro. Corri sem quase enxergar os degraus da escada além de rápidos e brancos fios mais altos que os anteriores e finalmente alcançar o andar. Caminhei pelo corredor até encontrá-la abrindo a porta, então respiro fundo e sinto um dos meus maxilares se comprimir para exibir um sorriso morto de felicidade. Ela fecha a porta e retira a chave da fechadura, me dando tempo suficiente para pensar antes de bater duas vezes na madeira e aguardar com o coração saltitando a abertura da porta. Abaixo meu capuz e ergo a cabeça no momento em que ela abre a porta intrigada, rapidamente mudando sua feição para espanto, o que me deixa mais perturbado ainda.
— Derek... achei que tivesse morrido. O que aconteceu? Porque a polícia está atrás de você?
— Eu posso entrar? - Perguntei olhando nos olhos dela com muita dificuldade.
— Eu devo?
— Sei que te devo respostas, Janeth, e vai tê-las, mas preciso que confie em mim, se continuarmos aqui fora você corre tanto perigo quanto eu - Ao entrar no apartamento nenhuma surpresa, ela continuava tão bagunçada quanto quando nos conhecemos, o que não me deixa segurar o riso. Embora o clima estivesse um pouco frio, aos poucos voltamos a parecer o casal apaixonado e dedicado de sempre, e após algumas declarações difíceis de se contar a qualquer um, Janeth respirou fundo e passou a mão na minha lâmina oculta, analisando seus detalhes com uma curiosidade notória.
— Então você se juntou a esses tais Assassinos para enfrentar esses caras que quetem te matar - Afirmou resistindo à tentação de duvidar de tudo que eu dissera até ali.
— Foi mais ou menos isso e eles se chamam Templários - Corrijo dando um sorriso curto. Janeth se levanta e toma um copo com água para acalmar os ânimos, então se vira para mim com a aparência totalmemte renovada, como se os meses longe de mim não tivessem afetado nem um pouco sua vida.
— Eu tive que resistir à tentação de arrumar outra pessoa - Confessa decepcionada consigo mesma - De algum jeito, eu sabia, ou pelo menos imaginava que estava vivo e aqui está você - Ela se senta no meu colo e segura meu rosto com as mãos suaves que eu sentira tanta falta - Ainda pertencemos um ao outro?
— Se você ainda quiser - Um instante de receio, outro mais de costume e olhares constantes e vivos, então um longo beijo, que me compele, acelerando meus batimentos, desconcertando meus movimentos, coisas que Janeth tinha o dom de fazer comigo, então eu a tomo em meus braços, afastando qualquer pensamento profano que pudesse invadir minha mente, ainda mais Jade. Mais beijos molhados e apaixonados e estamos em sua cama, tirando nossas roupas e nos entregando um ao outro como de costume, entre mãos dadas e afastamentos, um jogo de sedução que termina em uma união física e emocional, o suor escorrendo de minha testa e tórax enquanto nossos olhares se cruzam e ela crava suas unhas nas minhas costas, pouco antes de sua voz abafada perfurar meus ouvidos como uma doce e excitante melodia, me levando a deitar sobre seu corpo exercendo forte domínio, passando minhas mãos por seus seios médios e destacados do restante do tronco. Estamos dormindo agarrados quando despertei em meio a devaneios com meu ancestral Wilkar, filho de Ebenezer, e todas as questões que ainda não compreendia sobre a guerra entre Assassinos e Templários, além do fato de eles terem tanto interesse em mim. Levantei e tomei alguns goles de uma bebida forte e barata antes de vagar sem rumo pelo apartamento, encontrando um depósito de tranqueiras atrás da cozinha, onde Janeth jogara todo tipo de objeto inútil de se ter em uma casa. Desde fotografias antigas, quadros falsos, esculturas infantis e artigos esportivos a tecidos de difetentes tipos, a verdade é que a montanha de objetos se formava praticamente na extensão do quarto extra. Observo alguns objetos, experimento algumas roupas sujas, mas minha atenção acaba sendo desviada por algo mais intrigante. Em cima de uma mesa velha, havia uma caixa conservada de madeira com alguns detalhes de aço, igual à caixa do meu pai. Pego a caixa perplexo e dou uma olhada em sua fronte, me deparando com a mesma insígnia da caixa do meu pai, um "V" cruzando com um "A" de ponta cabeça.
— Derek? O que está fazendo? - Escondo a caixa nas minhas costas, chegando perto para poder beijá-la, mas ela se esquiva do beijo.
— Eu sempre soube que você era bagunçeira, mas isso aqui é ridículo - Observei dando risada do estado do quarto.
— É o que acontece quando perdemos nosso namorado rico para um bando de assassinos malucos - Pondera Janeth com seriedade antes de me abraçar, mas eu a solto e a encaro com tanta seriedade quanto.
— O que é isso? - Questionei revelando a caixa nas minhas costas.
— É uma caixa, talvez de brinquedo, para guardar alguma coisa.
— Tinha uma igual a essa na casa do meu pai.
— As coisas não são exclusivas, Derek. Devem ter fabricado um milhar disso - Sugere Janeth cansada do assunto.
— Fabricar o que? Isso deve custar no mínimo uns dois mil dólares caso fosse comercializado - Afirmei indignado me reaproximando deJaneth com a cabeça confusa como nunca.
— Nunca se sabe onde pode-se encontrar algo assim.
— E onde você achou essa daqui?
— Bem, foi na casa de um cara que eu dormi uma vez. Se chama Benicio - Ela deu risada da própria piada, mas não consigo sequer sorrir com suas palavras - Certo, falando sério agora. Duas semanas após seu desaparecimento eu dormi na casa de um velho barbudo nojento de cinquenta anos chamado Silas. Nós trepamos muito em todos os cômodos da velha casa dele e confesso que senti coisas boas com ele a ponto de voltar mais vezes - Nesse momento achei que sentiria uma raiva profunda como nunca senti antes, mas meu estado continua o mesmo, sério e intrigado - Eu encontrei a caixa e achei bonita, então trouxe pra casa, mas não sem antes matar o velhote, claro - Desta vez fico pasmo, sem conseguir acreditar na associação entre o nome de Janeth e a palavra morte, encarando ela sem conseguir dizer nada, até que largo a caixa e pergunto:
— Porque Janeth? Porque você mataria alguém?
— Lógico, queria que eu dormisse com um Assassino e deixasse ele vivo para descobrir quem eu sou de verdade? Eu roubei a caixa porque imaginei que teria algo de importante nela, mas não estava com aquele maldito Renegado.
— Assassino? Renegado? De onde tirou essas coisas? - Indaguei mais confuso do que antes.
— Eu sou uma Templária, Derek. Minha função na Ordem é matar cada um dos seus irmãos traidores até não restar mais nenhum, isso levando em conta que tenho de encontrar o que vocês guardam há séculos.
— Porque não me matou assim que me conheceu se já sabia que eu era descendente de Assassinos?
— Porque a Ordem sabia que você tinha um valor além do que pensamos inicialmente, então tinha de continuar vivo até a Abstergo se reunir com você e seus parceiros da Venille, então fui designada para ficar de olho em você.
— Então tudo é uma mentira desde o começo - Afirmo revoltado pegando a caixa de volta - Tudo o que aconteceu entre nós, nosso namoro, nossas risadas, desafios, tudo mentira.
— Não é bem assim. Começar a namorar com você foi uma proposta da Ordem, mas amar você foi uma escolha minha Derek, e eu te amo como nunca amei ninguém.
— E mesmo assim vai me matar.
— Não, nunca tive essa intenção, assim como a Ordem não pode fazê-lo por enquanto. Depois que tiverem o que querem eu pedirei que soltem você - Explicou Janeth revelando uma adaga por entre as vestes.
— O que te faz pensar que eles irão me libertar?
— Eu forçarei se for preciso - Nos encaramos enquanto andamos em círculos pelo apartamento, ela sorrindo com diversão ao balançar a arma entre os dedos.
— Eu sou um Assassino. Enquanto eu estiver vivo os Templários vão tentar me matar - Pego minha camiseta com capuz e me dirijo à porta, mas Janeth se coloca na minha frente, abrindo o tecido nas minhas costas.
— Não posso te deixar sair, Derek. Você precisa vir comio, juro que não vou deixar nenhum Templário ou membro da Abstergo tocar em você além do necessário - Cerrei os dentes contendo o turbilhão de palavreados que percorrem minha mente nesse instante, enquanto um filme com todos nossos bons momentos juntos se destrói a cada movimento que um de nós faz. Posso ver no seu olhar. Segundos antes me observava como uma legítima amante, agora olha para mim como todos os Templários, o desejo contínuo e obcecado de conquistar seus objetivos e a frieza em suas ações. Sem outro jeito, visto minha camiseta e encaixo minha lâmina e adaga nos punhos, no entanto Janeth avança para cima de mim igual a um raio, atacando freneticamente com sua adaga, enquanto eu tento desviar quase no susto, pois não tenho experiência ou habilidade suficientes para acompanhar seus movimentos. Termino de arrumar minhas armas e começo meu ataque, sempre tentando atacá-la em pontos letais, mas apenas para mostrar que poderia matá-la caso tivesse vontade, não fosse meus sentimentos que ela destruía mais conforme nosso combate se seguia. Por um momento reflito se deveria usar meus poderes, mas desisto ao lembrar que não tinha intenção de machucá-la nem nada do tipo. Era uma questão de vida ou morte e eu tinha de agir depressa. Depois de rodopiar e rolar no chão, acertei suas costas com uma cadeira antes de correr a todo vapor em direção à porta, atravessando o corredor rumo ao parapeito a céu aberto. Pulei do andar até a grade abaixo e continuei nesse ritmo, me soltando da grade de cima para alcançar a mais baixa, até finalmente atingir o solo. Corri até o mesmo muro por onde tinha entrado e com muita dificuldade saltei para o outro lado, seguindo rumo ao ponto de encontro onde alguns colegas Assassinos esperavam do jeito que tínhamos combinado antes de sair da base. Quando cheguei no esconderijo, evitei falar com qualquer um, principalmente porque queria paz naquele momento. Como esse tipo de coisa estava se tornando mais difícil conforme os dias passavam, ao chegar no corredor do meu quarto me deparo com Nathan, me olhando preocupado.
— Hoje não foi um bom dia, não estou afim de brigas - Declarei passando reto por ele quando me segura pelo braço com firmeza - Você é surdo?
— Eu sei o que aconteceu. Me disseram durante seu trajeto de volta.
— Então sabe o quão puto estou a ponto de querer esfolar qualquer coisa que entrar no meu caminho, principalmente um traidor miserável que se faz de santinho sem um mínimo de vergonha na cara e que ainda por cima não larga do meu pé?
— Sei que não quer papo comigo.
— Pelo menos isso você sabe - Afirmei com ironia me desvencilhando de sua mão.
— Derek, sei que deve ser difícil, mas lembre-se do motivo de estar aqui. Você saber quem são seus inimigos não faz dos Assassinos seus aliados.
— Você não cansa? - Questionei abrindo a porta evitando olhar diretamente em seus olhos.
— Só vou parar quando você souber exatamente onde está se metendo - Revelou Nathan indo embora do andar.
— Eu sei onde estou me metendo. Agora mais do que nunca, estou pronto para acabar com os Templários.



Notas finais do capítulo

Derek queria se reencontrar com o amor da vida e acabou se deparando com um de seus maiores problemas. Como isso afetará sua vida e jornada a partir de agora?



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