A chegada do inferno escrita por Andrew Ferris


Capítulo 14
Prontos para o ataque


Notas iniciais do capítulo

Demorei para alterar as histórias pertencentes a este universo por que a ideia original seria um segredo, mas agora estamos cada vez mais próximos desse segredo, então bem-vindos ao mundo onde tantas histórias se encontram, espero que a saga de Derek Azhiph esteja agradando!!!



Há dois Assassinos nas entradas e cinco espalhados pelos cômodos, tão bem disfarçados que ás vezes me confundia pensando ser alguém da festa. Com os seletos convidados patriarcais e um bando de mesquinhos ricos - O que me lembra que também sou rico, embora meu dinheiro não possa ser tocado - Entre dois deputados e alguns amigos mais íntimos que eu tinha certeza serem membros da Ordem dos Templários, Raul Mendez esbanja toda sua nobreza e ganância em anéis e brincos que tinha certeza já ter visto em algum leilão nos antigos tempos. Ele não parece nem um pouco preocupado com a morte, inclusive se tratando de uma festa muito parecido com a que seu colega havia morrido. Encarei Nathan de canto quando ele esbarra em mim vestido igual a um garçom e, apesar de tudo o que havia acontecido entre nós somado ao fato de não podermos sair do personagem por hora, por dentro eu morria de rir, o que Jade deduziu ao me olhar de relance enquanto cumprimenta Mendez, avaliando distraidamente os seguranças que o rodeavam. Os três aparentavam não ter nada de especial, até eu olhar para a segurança. Meu coração salta quando eu percebo sua semelhança com Janeth, mas não poderia ser. Não tinha como os Templários terem noção de nosso próximo alvo a ponto de mandarem-na como reforço. É claro que não poderia me esquecer do principal, o fato de Nathan ser um traidor. Se Dustin havia contado seu plano para mim, era por que havia contado a Jade, e se havia contado a Jade, era por que Nathan sabia antecipadamente. Mesmo não podendo comprovar minhas suspeitas, ainda mais a de Janeth ser a segurança de Mendez, eu tinha que me manter próxino do centro da missão, principalmente por que tudo poderia mudar de uma hora para outra. O coração palpita mais forte a cada instante enquanto passo meu indicador pela adaga em minha cintura, o que me deixa mais aliviado ao sentir o metal frio tocar a pele antes de ser guardado outra vez no compartimento do cinto. Agora ou nunca, pensei determinado antes de avançar pela multidão de pessoas para disfarçar enquanto contatava Bradley, nosso ajudante Assassino que fica do lado de fora com mais três agentes para cobrir tanto a fuga quanto qualquer eventualidade durante nossa infiltração. Quando me certifico de que minha vista está apropriadamente boa para me dar uma agilidade devida e cobertura da vista dos outros, aperto um botão emaranhado no cabelo e chamo por Bradley.
— Senhor Phanks na linha, posso anotar seu pedido? - Pergunta o Assassino sempre de bom humor, embora estivéssemos em uma situação extremamente delicada.
— Quero saber qual a média de seguranças Templários nesse local - Peço enquanto observo os arredores em busca de olhares curiosos, os quais não encontro nenhum para minha própria satisfação.
— Deixe-me ver - Avisa Bradley teclando em seu tablet enquanto assobia entediado - A média é de vinte seguranças Templários fora os contratados externamente, mas parece que há duas adidas.
— Como assim? - Pergunto pegando uma guloseima de uma bandeja para justificar o fato de ter ficado tanto tempo parado naquele ponto.
— Dois seguranças particulares de Raul Mendez foram convocados de última hora.
— Deixe-me adivinhar, os dois esquisitos que estão com ele - Afirmo com plena razão da estranha coincidência daquele ato.
— Não. Um deles trabalha como garçom meio período, abriu mão da guarda para distribuir os comes e bebes e o outro é uma mulher que estava encarregada do comando de segurança Templária antes de ser requalificada como agente de campo.
— Nomes?
— Alessa Surverland e Maxwell Don Toro.
— Procura esses dois no quadro de funcionários e seus respectivos turnos - Peço enquanto me aproximo de onde Jade e mais três Assassinos se preparavam para montar um cerco estratégico a Mendez, que sequer imaginava o ataque que o levaria a sucumbir dentro de minutos. Encaro Jade com preocupação e embora não possamos nos ouvir, tento dizer para tomar cuidado com os olhos e ela me responde com o habitual sorriso maroto. Estávamos seguros, nosso plano iria funcionar, em grande parte por que tudo estava onde tinha de estar, todos posicionados em seus lugares, saídas livres e olhares atentos. Respiro fundo e assisto meus colegas Assassinos cercarem Raul Mendez e no instante seguinte Jade partir para o ataque com um golpe tão rápido e preciso que mal consigo enxergar, quanto mais os convidados da festa. Suspiro aliviado e satisfeito por estarmos um passo à frente em nossa investida contra os Templários quando Jade cai na direção oposta a que pulou. As luzes se apagam e subitamente adagas voam daquele direção vindo em meu encontro e de outros Assassinos desavisados que são atingidos em cheio pelas armas. Eu aproveito a oportunidade e resolvo usar minha habilidade no escuro, desviando sem dificuldade das adagas antes de correr na direção de Raul Mendez, onde sua segurança terminava de cortar o pescoço de outro Assassino. Os outros dois seguranças não passavam de enfeite, tinham sido abatidos pelos Assassinos mais próximos na primeira oportunidade, mas aquela mulher não era qualquer Templária, se tratava de uma pessoa extremamente habilidosa e de sangue frio, pois de seu pulso escorria um fio de sangue que agora suja seu terno antes que ela opte por tirá-lo e manter apenas a camisa branca com detalhes vermelhos nítidos que embora tivessem sua graça, naquele momento serviam para mostrar o quão séria aquela mulher era. Ela hesita por um momento antes de sorrir maliciosamente, e naquele mesmo instante não precisava de mais nada, sabia perfeitamente quem era aquela mulher. Janeth fecha o semblante e no instante seguinte arremessa uma adaga em minha direção, a qual desvio antes de me ocultar atrás de uma coluna. Haviam demasiados seguranças espalhados além dos que estavam espantados com tudo o que acontecia. Esses que não se afastavam vinham preparados com pistolas modificadas e armas de outros estilos, se posicionando de maneira que pudessem me cercar. Olhei depressa para fora da coluna afim de encontrar Jade no meio dos corpos, mas para minha alegria ela não estava ali, então volto a me concentrar na missão. Janeth quer levar as coisas para o lado pessoal, mas se eu ceder a essa distração vou acabar perdendo Mendez, o que não estava nos meus planos, afinal nosso objetivo era um líder importante para os Templários, não um bando de seguranças descartáveis. Me concentrei firmemente na posição de Raul Mendez, então ativei meu poder, assistindo adagas voarem em minha direção na metade da velocidade normal. Saio de trás da coluna e logo estou a enfrentar os notórios Templários visando abrir caminho até seu chefe, cortando pulsos e peitos antes de chutar seus corpos moribundos e prosseguir na tarefa. Quando penso que não, Jade surge dentre os Templários e começa a esfatiá-los com sua hábil sutileza, que a leva a matar tão rápido quanto eu, e logo não necessito mais de meu poder, já que agora os Templários percebiam que sua vantagem numérica se tornava fútil. Corremos juntos para o lado de fora do prédio quando um Templário surge de uma janela, disparando com uma metralhadora sem um alvo fixo, o que não ajuda nem um pouco quando Jade pula em sua direção cravando uma faca em seu pescoço antes de novamente se juntar a mim. Saímos apressados do lugar chutando todos que entravam em nosso caminho, afinal a questão naquele momento deixara de ser apenas atingie um alvo e passou a ser cuidar de nossa sobrevivência. Pulo sobre as costas de Jade com a lâmina oculta apostos e logo estou cortando Templários aos montes antes de correr na direção de um carro alto feito para estradas terrosas, o qual Mendez entra aterrorizado antes de um segurança atirar contra mim, o que me atrasa um pouco na perseguição. A porta se fecha e o veículo parte, me deixando comer poeira próximo ao guarda Templário, que se aproxima sorrateiramente com a arma mirando minha cabeça na esperança de conseguir me acertar, mas ele estava morto a partir do instante que eu havia percebido sua aproximação. Depois de uma esquiva precavida e uma dança de movimentos, abro um corte em sua barriga e por fim quebro seu pescoço apenas para extravasar a raiva quando de repente o carro de Mendez capota, explodindo pouco depois para meu espanto. Meu e de mais ninguém. Jade se aproxima convicta e séria, me cutucando em sinal de aviso.
— Eu sei - Respondi admirado com o ponto a que tínhamos chegado antes de correr com ela para as sombras, onde não havia mais porque fugir, já que tínhamos a proteção da noite a nosso favor. Quando chegamos na base dos Assassinos, Jade corre à minha frente desesperada e eu sem entender a sigo de longe até chegarmos na ala médica, onde Harry Dustin tinha uma perna enfaixada e uma dezena de Assassinos em volta de seu leito aguardando instruções.
— O que aconteceu? - Perguntei sem entender nada do que acontecia.
— Ele foi atingido na perna por uma adaga - Informa um jovem de cabelo cumprido amarrado na nuca.
— Atingido por quem? - Indaguei com mais raiva que impaciência.
— Um Templário encontrou meu esconderijo e me atacou sem pensar duas vezes - Explica Harry revelando uma profunda culpa pelo desfecho da noite.
— Não se preocupe, Harry - Pede Jade aproximando-se suavemente do velho, que gemia baixo devido a dor que sentia - Deixe que cuidamos de tudo a partir de agora.
— Mas não entendi, de que esconderijo você está falando?
— Eu estava na festa com vocês, monitorando tudo com a ajuda de outros especialistas Assassinos de dentro de carros espalhados pelo quarteirão. Alguém matou meus guardas e em seguida me atacou.
— Se fosse um Templário teria te matado.
— Não seja tão ingênuo Azhiph - Sugere Nathan entrando no quarto com o semblante indignado - Templários não buscam a morte.
— Eu não sou ingênuo, sei o bastante a respeito dos Templários para saber que fariam qualquer coisa para ver todos nós mortos, não é do feitio deles deixar um vivo, ainda mais o criador de uma colônia desse tamanho - Dustin sorri de canto e se desvencilha de Jade encarando os demais presentes.
— Em todas as missões tenho me mantido por perto para auxiliar seus colegas no que fosse preciso e assim manter uma vantagem sobre nossos inimigos, mas agora que essa vantagem foi descoberta, temo que teremos de agir com mais cautela ainda.
— Ou podemos fazer o contrário - Comentei com veemência olhando nos olhos dos presentes - Somos Assassinos, eles que devem nos temer não o contrário. Se recuarmos cada vez que eles conseguirem uma suposta vantagem sobre nós, então não somos um adversário e sim um mísero parasita tentando sobreviver. Isso não é difetente de uma empresa, de um mercado financeiro. Quem não aparece não é lembrado, então temos que lembrar a eles de quem somos, quem representamos e o motivo desse nome já ter sido tão famoso um dia - Alguns Assassinos se sentem revigorados por minhas palavras, enquanto outros desanimam um pouco mais. Já Dustin pensava com cuidado no que estava prestes a dizer.
— Nem todos nós temos essa habilidade que você tem, Derek. Se estiver disposto a colocar isso em prática apesar das consequências, então poderá você mesmo colocar o que disse em prática.
— Quem vamos caçar agora? - Questionei por fim sem paciência para continuar com aquela discussão.
— Sergei Monitoff. Um dos poucos Templários ligados às ramificações da Ordem por todo o mundo.
— Em duas semanas estaremos prontos - Afirma Nathan com seriedade, mas o cutuco indignado e o encaro com frieza.
— Em dois dias vamos atrás desse sujeito. Se não achar bom, sugiro que mande outra pessoa no lugar.
— Está disposto a pagar pela morte de vários irmãos por causa da sua imprudência?
— Não. Por isso sugiro que me envie sozinho para essa missão. Não arrisque ninguém, apenas eu.



Notas finais do capítulo

Derek tomou sua atitude mais inconsequente, atacar sozinho o próximo alvo dos Templários, mas qual será a dificuldade por vir na nobre e ainda obscura missão da Irmandade?



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