Remember-Uma Vida Pra Viver escrita por Thay Paixão


Capítulo 4
Estranheza- Bella


Notas iniciais do capítulo

O capítulo de hoje é dedicado à Jeicy que recomendou a fanfic! ♥ *O* Eu to vomitando arco- íris com isso! hahaha Muito obrigado Flor!




Estranheza

 Bella

Eu sabia exatamente onde estava. Era o enterro da minha avó materna, alguém que eu só vira duas vezes na vida. Eu tinha agora treze anos e meu pai me colocou em um ônibus rumo Maple Valley onde vovó morava atualmente. Renée estaria me esperando na rodoviária. Eu agora estava no enterro, porém com dezessete anos, e olhando tudo de longe. Eu podia me ver, ao lado da minha mãe, achando muito estranho vê-la chorar e ser amparada por Phill. Pelo o que eu sabia, mamãe não a via muito. Mas eu também não via muito minha própria mãe, e se ela morresse...

Todos vestiam preto. Por que essa cor era a do luto? Só colocava ênfase na tristeza, e deixava tudo tão... Depressivo. Desde esse dia, decidi que a morte para pessoas velhinhas não deveria ser tão triste. Deveria ser vista como ‘’rumo à próxima jornada’’.

Olhando agora, desse novo ponto de vista, naquela época eu estava tão sozinha e deslocada lá. Renée estava abraçada ao Phill e eu ao seu lado parecia tão sozinha. Uma sombra passando em volta das pessoas me chamou atenção.

— Não olhe muito, ela pode te ver. – olhei para meu lado, e uma menina indígena de no máximo doze anos olhava a cena a nossa frente.

— Fala da sombra? – perguntei.

— Sim. É a morte. Você não deveria estar aqui, e não deveria vê-la. Se ela perceber você... Já era.

— E o que eu faço aqui?

Ela sorriu triste.

— Tem que lembrar Bella. Tem que sair daqui.

Abri os olhos e estava na praia em La Push. O que fazia aqui?

Os meninos da reserva brincavam na área da praia. Tentei me aproximar e chama-los, porém eles não me viam. Como isso era possível? A sombra estava lá de novo, andando em volta das pessoas... Eu já havia sido advertida a não segui-la, mas não havia mais o que fazer. A segui até o pequeno armazém próximo a praia. Quando ela passou pela porta, o sino de aviso tocou. Eu atravessei a porta. Ela flutuou em voltou do senhor Robert. Ele era o dono, e devia estar na casa dos setenta anos. Por um momento ela o olhou nos olhos e ele retribuiu seu olhar. E então ele caiu no chão. E ela saiu ela porta. Fiquei congelada quando ela passou por mim, como se não me visse, e tentei não olha-la. Quando ela passou, foi como a rajada de vento mais fria da minha vida.

O que estava acontecendo aqui? A sombra seria uma espécie de anjo da morte? Por que não me via? Por que eu atravessava portas e ela não?

Logo a filha do senhor Robert o achou, e tomada de desespero chamou a ambulância. Fiquei compadecida por eles, ele sempre me dava doces grátis quando criança. Eu sabia que os médicos nada poriam fazer. Ele já havia partido.

Segui para o estacionamento da praia, determinada a ir para casa a pé. Depois de uma caminhada de aproximadamente dez minutos, eu estava na fronteira de la Push. E então... Tudo a minha volta virou um borrão e eu estava... Numa gruta? Era fria, e havia muita agua até meus quadris. As ondas batiam com força nas rochas.

—Bella, você precisa encontrar ajuda. – a menina estava de volta.

— Quem é você? – falei

—Apenas tem que sair daqui! – falou mais em pânico.

— como? Por quê?

Ela não falou mais nada. Apenas apontou para um ponto atrás de mim. Olhando para a direção, eu me vi. Estava jogada no canto, com agua até a cintura.

— Eu morri. – entendi. Lembranças da tarde no penhasco me atingiriam. Eu caí e não consegui sair da agua!

— Há quando tempo estou aqui? – sussurrei

— Algumas semanas. – a menina respondeu – Bella, você tem que fazê-los encontra-la!

— como? Ninguém me vê. – eu queria chorar. Um bolo enorme se formou em minha garganta. Me aproximei do meu corpo.

— Ela está aqui. – a menina sussurrou em pânico. -Foge Bella! Ela não pode te achar!

Olhei para onde a menina está e ela desapareceu. Quem não poderia me achar? E então o frio aumentou. Uma sensação de terror se apossou de mim.

— Aqui está você... Tentando me enganar. – uma voz suave e feminina soou pelas paredes de pedra.

— Quem está ai? – sussurrei desesperada.

Um toque frio em meu ombro. A sombra preta estava de volta. Eu não podia ver seu rosto.

—Desista querida. Eu vou cuidar de você. - sussurrou

Eu só pedia para não morrer. Com toda a força em meu coração lancei essa hora para o céu para o Deus que habitava lá pudesse me ouvir. Que o universo pudesse me salvar. Fechei os olhos com força e o frio daquele me ser me cercou. E eu fui jogada numa escuridão que era pior que o frio. Só havia eu, a escuridão e o nada. O nada. Sabe quando você fecha os olhos e tenta ‘’enxergar o escuro por de trás das suas pálpebras mas ela não é tangível? Eu flutuava no escuro, no vazio... E não havia nada, nada de nada... E minha consciência se perdeu naquele nada.

(...)

A eternidade nas sombras era assim? Quantos séculos haviam passado? Em algum momento haveria uma luz? Algo?

—Você o odeia? – uma voz surgiu em meio a escuridão atendendo minhas preces.

— Quem? – sussurrei. Minha voz fraca pela falta de uso

— O garoto que te empurrou. – falou simples. Eu queria ver a pessoa que falava... Algo para apaziguar a escuridão.

— Eu caí.

Minha fala pareceu despertar a fúria dele. Dela. Daquilo.

—Ele empurrou você! – grunhiu.

— Eu caí. – declarei. Eu me lembrava  bem daquilo.

Então apareceram imagens em meio da escuridão. Eu e Jacob no penhasco. Ele tentando me beijar e eu querendo fugir... Aquilo não aconteceu assim... Jake nunca tentaria me beijar, éramos amigos... Mais aquilo era tão real... Estaria eu confusa? Ele na verdade sempre quisera me beijar...

Perigosamente perto da beirada estávamos. Ele me beija. Eu o estapeio. Ele me empurra.

—Vê? As pessoas não são boazinhas como você... Jacob só quer usar você... Você não deu o que ele queria, ele a descartou.

— Não... –sussurrei. Eu queria voltar ao nada. Era melhor que ter aquele tormento, aquelas imagens...

—Olhe o seu pai... – imagens da minha infância feliz eram deturpadas na minha frente. Um aniversário com apenas um bolo e velinhas e meus pais, uma lembrança antes feliz, se transformava em algo triste. Eu não merecia uma festa grande? Com amigos?

Minha mãe nos deixando para ficar com seu namorado adolescente... Eu não era boa o bastante para fazê-la ficar?

Todos os fins de semana em La Push... Meu pai não queria ficar comigo? Por isso me mandava para a casa do Billy e saia?

As pessoas de Forks... Que sempre sorriram para mim com simpatia, afinal eu era filha do chefe de policia... Na verdade elas estavam rindo de mim? Eu era a piada da cidade? A filha do casal improvável que finalmente a mãe foi embora da cidadezinha que sempre odiou deixando a filha para trás? Eu era motivo de pena neles? Ou apenas uma piada?

A voz na escuridão riu, uma gargalhada arrepiante.

— Vê? Ninguém se importa Isabella. Desista e sua dor irá acabar. Eu vou levar você para um lugar melhor.

Senti uma mão fria em meu ombro, porém eu não via ninguém, sem as imagens havíamos voltado à escuridão.

—Deixe a menina! – uma voz suave e infantil gritou. Eu não podia vê-la também.

— Ela tem que desistir!

—Não com você a confundido! Nosso trabalho não é feito dessa forma! Eu fui designada a ela, e quando ela quiser eu a levarei. Suma daqui!

— E como conseguirá isso? O espírito daquela índia está mantendo o corpo dela vivo!

— E assim deve ser. Não se meta num assunto que não é seu.

E as vozes cessaram.

Aproveitando as imagens que haviam passado, tentarei me lembrar de coisas felizes. Eu gostava de La Push. Gostava de surfar lá, de passear pela floresta nas colinas. Eu me lembrei de cada detalhe. Cada arvore. De como era sensação do chão sobre meus pés com tênis surrados, da risada leve dos meus amigos em meio à floresta. Das brincadeiras bobas. E então eu não estava mais na escuridão.

(...)

—Bella? – alguém me chamava através das arvores. Corri tentando encontrar a voz. Sai na praia.

Um rapaz pálido de mais com roupas de frio estava olhando para mim curioso. Seu nome me ocorreu. Edward.

— Ora ora. Você voltou. – me lembrei dele.

—Sim... estava em um mal momento. Desculpe.

— tudo bem. Todos passamos por isso. – era tão fácil falar com ele! – Quer dar uma volta? – convidei.

— ele olhou em volta incerto. Tinha uma criança um tanto longe de nós; uma menina.

— tudo bem. – ele parecia tenso.

— está olhando ela? – apontei a menina.

— é a minha irmã. Ela vai ficar bem. Vamos. – ele veio para o meu lado e começamos a caminhar de volta para as arvores. Edward era neto da senhora Cullen, adotada pelo filho dela e para nora Esme. Tinha dezessete anos e estava com Leucemia em estado avançado, já havia recebi doação de medula, mas seu corpo rejeitou e ele quase morreu. Estava certo de que morreria logo por isso queria se matar.

— Mesmo assim... Você ainda esta vivo. Deve haver um propósito, certo? Não pode desistir. – reclamei.

— Claro claro. Mas me fale de você. Filha do chefe de policia, mora em Forks... Porque só te encontro aqui? – seu olhar era avaliativo, como se minha resposta fosse crucial.

— Às vezes fico aqui. Vim encontrar o Jacob. – falei calma.

—Não acha que passa muito tempo aqui? – ele insistiu.

— Onde quer chegar com isso? – parei de andar cruzei os braços o encarando.

—Bella. – ele se aproximou e pegou minhas mãos. Nossa! Como seu toque era quente! Senti que estava congelando sem perceber.

— Onde você vai quando não está comigo?- ele me olhava serio com seus olhos verdes.

— Vou... À escola. Espere, as aulas ainda não voltaram.. então por enquanto... – que dia era hoje?

— Onde você vai quando não estar aqui?- ele insistiu. Onde eu vou?

— Para casa. – falei incerta. Ele estava me assustando.

—Bella, onde você está?

—Não entendo. – franzi o cenho.

— Eu te chamei da praia e você apareceu. Onde estava antes?

— Caminhando...

— E antes disso?

Então lembrei.

— É escuro. Edward não tem nada lá. – eu estava voltando a escuridão. – É escuro e frio. E as vezes há vozes... e as vezes há agua... Edward eu tenho medo.

O que estava acontecendo comigo? Olhei em volta e a floresta estava sendo substituída pelas sombras. Me agarrei a ele.

— Edward não deixa a escuridão me pegar! Não tem nada lá! Eu não existo lá!- comecei a chorar.

— Eu vou tirar você de lá. – tudo que eu podia ver eram seus olhos verdades. Eu chorava.

Senti seu toque quente em meu rosto.

Então ele sumiu. E a escuridão era tudo que eu tinha, ou melhor, o nada. Eu deixei de existir ali dentro, mas dessa vez eu tinha os olhos verdes para me agarrar. Tinha um facho de esperança para me manter consciente e ele era verde, assim como os olhos de Edward.



Notas finais do capítulo

Demorei um pouquinho, mas to de volta! o/ agora de volta ao trabalho posso demorar um pouquinho mais a postar, mas volto sempre, 1 por semana pelo menos.
No proximo veremos como o Edward foi parar lá com a Rose. me deixem saber o que vcs estão achando :) beijão, vejo vcs nos comentários? até mais!



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