MELLORY — entre Deuses e Reis escrita por Lunally, Artanis


Capítulo 6
Alfa menor de Draken — Miguel, o aventureiro teimoso


Notas iniciais do capítulo

Hey ho, galerinha! Como vocês estão?
Bem, até agora todos os capítulos anteriores haviam sido escritos pela maralindatalentosa Lunally, mas esse aqui em especial vai ser totalmente narrado por mim, que para conhecimento geral sou a ~ ARTANIS~. Categoricamente, o personagem principal desse trecho da história é um dos meus favoritos e foi muito difícil deixar de lado o ciúme que eu tenho dele e libertá-lo do potinho que por um acaso o aprisionei.
Para aumento de expectativas e esperança de reviews futuros, vou listar alguns motivos para eu ser completamente viciada no Miguel:
*Sorry, S. (Entendedores entenderão...)
❤ Ele é teimoso.
❤ Ama de maneira mais intensa do que o normal.
❤ Não está nem aí para a opinião alheia. (Meio vida loka, sabe?)
❤ É militar. (Sim, sou viciada nesse lance de armas, exército e tudo mais.)
❤ Foi escrito por mim. (O que, só para constar, já é motivo o suficiente para vocês amarem ele também. Rsrs. Zueira, pessoal.)

Então, sem mais delongas, apresento-lhes esse lindocheirososedução nas linhas posteriores.
Beijos! ❤ ❤ ❤



MIGUEL

UM

Miguel passou a mão em seu cabelo preto e cacheado, meio bagunçado devido ao clima frio. Ele pressentia que algo grande iria acontecer, no entanto, não havia conseguido reunir provas suficientes para apresentar ao Conselho. O Alfa menor observava, atento, as movimentações de Draken, uma cidade grande, bem organizada e com uma economia em potencial, que até então gerava diversos benefícios aos cofres públicos. Perante essa realidade estável, não conseguia entender porque o receio dos líderes em investir nas buscas militares.

Como chefe das tropas, tinha total conhecimento de que os exércitos possuíam grandes contingentes, compostos de soldados capazes e bem treinados. Era tido como uma das maiores milícias do continente. Seu braço direito, um beta chamado Will, dividia desta mesma ideologia e contestava algumas decisões dos anciões, pois desconfiava da veracidade destas.

Com dezoito anos, o caçula da família real começou a receber as propostas matrimoniais de belas e dóceis donzelas da região, contudo, sua cabeça estava voltada para as questões políticas de Draken. O jovem alfa odiava a superficialidade da população diante do tempo, pois fazia oito anos desde que tiveram o último conflito com Premin, uma cidade a sudeste do reino. A face de Miguel se transfigurou em desgosto e tristeza ao se lembrar da fatídica morte de seus pais, na qual ele por fraqueza, fugiu, abandonando-os ao relento.

Em sua caminhada pela cidade, olhou de relance para a impotente floresta que se estendia montanha a baixo, mostrando a clara divisão dos quatros reinos predominantes. Tal floresta denominada Mellory, era um território neutro, conhecida por abrigar certos mistérios que não lhe interessavam no momento, mas provavelmente seriam úteis em um futuro próximo.

Este devaneio acedeu-lhe uma ideia, que o deu uma expectativa de conseguir provas para sua proposta.

[...]

DOIS

O plano de Miguel parecia cada vez mais insensato e imprudente para o rapaz. O Alfa menor planejava adentrar a floresta oculta, vestido com molambos, a semelhança dos ciganos que atravessavam o lugar. Muitos deles buscavam comercializar com o Mercado do Basílio, administrado por selvagens. Se passasse despercebido, conseguiria adentrar o território inimigo em menos de dez dias, contudo se fosse notado e reconhecido como o caçula e segundo na linha de sucessão da família real de Draken, sem dúvida, seria assassinado na hora.

Caminhava apreensivo até os estábulos do castelo. Seu plano daria certo? Ele não conhecia nem um rei que havia se aventurado no matagal denso e tivesse voltado vivo ou em sã-consciência para contar a história. Apesar disso, a vontade imortal de vingança que transpassava seu íntimo gritava mais forte dentro dele e então, decidiu, convicto e com coragem, continuar com sua ideia mirabolante.

Will o esperava, encostado a uma das porteiras da estrebaria. Seu semblante era indecifrável, Miguel não sabia se o amigo concordava com seu esquema. Will nunca fora de desacatar o Alfa maior, afinal, era um Beta, treinado para combater e não contestar. Ao lembrar da opinião firme de Hatori, o estômago do Alfa menor revirou e o peso da discórdia caiu, brevemente, sobre seus ombros, sendo logo esquecido ao ver que Pandora, sua majestosa égua já estava selada e pronta para deixar o terreno real. O animal tinha suntuosos pelos negros que se igualavam a cor de sua íris hipnotizante, havia sido um presente de sua mãe quando ele ainda era pequeno.

— Você realmente não irá mudar de ideia, não é? – Perguntou Will, enfim levantando o rosto.

— Não posso. – Respondeu o Alfa adentrando o interior do estábulo. – Se ficar esperando consentimento do Conselho, não irei a lugar nenhum. Nunca.

— Ainda acho que não irá dar certo. – Disse o beta, cada vez mais hesitante em deixar Miguel partir.

O Alfa menor montou no lombo de Pandora e retrucou, com um tom frio:

— Para mim, sobreviver é a minha prioridade, já que é o único jeito de exterminar aqueles malditos preminianos de todo o continente. Que não sobre pedra sobre pedra daquele império medíocre e sanguinário!

— Você os critica, mas por dentro é tão imundo quanto eles. – Will respondeu, descontente com o posicionamento implacável do comandante. Percebendo seu erro, no entanto, tratou de se desculpar. – Perdoe-me, senhor. Não foi a minha intenção ofendê-lo.

— Não ofende. Admiro sua sinceridade. – disse o Alfa menor por fim. – Voltarei por volta de um mês, invente as melhores desculpas que conseguir para o meu irmão. Não desejo que ele me perturbe durante essa viagem.

— Como quiser, Miguel. – dizendo isso, Will tratou de abrir a porteira para seu companheiro, que passou elegante, deixando apenas capim esmagado para trás. – Que os deuses lhe acompanhem.

— Eles nunca estão comigo, Will. Nem sequer por um instante. Os deuses são os mais ignorantes seres que existem. – e então, Miguel começou a cavalgar, levantando poeira pelos ares.

TRÊS

A floresta negra se tornava cada vez mais misteriosa aos olhos de Miguel. Não se escutava som algum vindo de seu interior, o silêncio ensurdecedor gelava a espinha do viajante, era como se todos os seres que ali habitavam estivessem se escondendo de seus passos. O Alfa menor não gostava daquela sensação de estar sendo ignorado, temia muito mais aquilo que não podia ver do que aquilo que podia. Sabia que os selvagens tinham como passatempo predileto devorar vivos, os que invadiam seu território. Com certeza, não seria uma experiência agradável encontrar com eles.

O cheiro de sangue parecia estar impregnado no tronco das árvores, como se elas exalassem o odor da morte. A garganta de Miguel estava seca, não bebera uma só gota de água há dois dias. Por mais inusitado que parecesse, a água reservada na moringa de barro que carregava amarrada a seu cinto de couro havia evaporado no momento em que pisara no solo de Mellory. O rapaz deveria ter cometido muitos crimes em sua vida passada para merecer tamanha maldição.

Na realidade, o príncipe estava vagando sem rumo mata adentro. Ele nunca antes havia se aventurado por aqueles lados do reino, pois era um Alfa e um dos herdeiros do trono, não poderia correr riscos extremos. Apesar disso, seu dever maior não era sobreviver e sim, manter seu irmão vivo, para que este pudesse usurpar o trono quando completasse a idade certa. Como a justiça podia ser tão injusta?

Sua cabeça estava inerte em pensamentos, que nem percebera o começo das alucinações. O corpo de Miguel ficava pesado gradativamente e o balanço do trote da égua era nauseante, seus ouvidos começaram a zunir e ele despencou do lombo do animal, perdendo a consciência.

O crepitar das chamas da fogueira despertaram, vagarosamente, o Alfa. Uma sombra de silhueta masculina formou-se no horizonte, acima das linhas dos olhos de Miguel. Um canto assobiado penetrou os ouvidos do príncipe, produzindo um som melodioso e reconfortante.

— Já acordou? – O homem à frente do Alfa perguntou, interrompendo seus assovios.

Miguel, confuso, levantou-se devagar. Agarrando, embaixo de si, as pequenas gramíneas que brotavam verdejantes no terreno fértil. Encarou o homem do outro lado do fogo e esperou até que sua voz voltasse.

— Quem é você? – Questionou, não o reconhecendo.

— Eu sou Helias, um dos Irmãos Dragão e seu deus protetor. – O homem respondeu, se aproximando. Os cabelos negros traçados a balançar em sua nuca. – Vim pensando encontrar um homem. Mas, o que vejo é uma criança. Tem certeza de que seu nome é Miguel?

— Muito engraçado. – O Alfa fingiu um sorriso, enquanto massageava o rosto amassado.

— Não farei um discurso proselitista como meu irmão, Dhiren. Não desejo bem ou mal a seu povo, mas preciso que cumpra ordens para mim. Ordens divinas não podem ser contestadas, espero que saiba disso, Miguel. – Explicou o dragão arremessando sua adaga de prata no tronco de uma árvore, desviando a lâmina há poucos centímetros do rosto do Alfa. – Preciso que encontre uma garota e que se case com ela. Serena de Premin. Uma Alfa bastarda. Possui sangue golthyniano. Essa mulher sabe tudo sobre o reino do leão e você, pequeno Alfa, precisará da ajuda dela.

— O que? Casar com uma Alfa de Premin? Desculpe-me, senhor Dragão ou quem lá seja você. Mas, não vou me casar com uma assassina. – Miguel já estava de pé, encarando furioso Helias.

— Assassina? Eu diria exatamente o contrário. Serena é uma escolhida. Escolhidos não derramam sangue inocente, senão se tornam de certa maneira impuros. A não ser em casos de guerra, onde infelizmente, não prevalece a vontade dos deuses, mas dos homens. – O deus riu, dando um passo para trás. – Não esqueça pequeno Alfa, eu mando aqui. É melhor obedecer. Assim que encontrá-la, prossiga viagem rumo ao Templo sagrado.

— Eu decido se obedeço ou não suas ordens, Helias. Para mim, deuses são estúpidos demais para serem líderes. – Miguel pronunciou cada palavra exalando ódio.

— Mas, somos líderes, quer você queira ou não.  Por isso, senão me obedecer, pequeno Alfa, não sei o que farei a sua família. Talvez nem mesmo Dhiren seria capaz de proteger seu irmão de minhas façanhas maldosas. – O dragão riu em escárnio.

Maldito! – Pensou Miguel, sendo obrigado a acatar as ordens daquele ser imprestável. A proteção de Hatori era sua obrigação maior.

— Posso escutar seus pensamentos, humano. – Cantarolou o deus.

— Que seja! – O Alfa gritou irritado, começando a se preparar para partir.

Amom não vai gostar nada da notícia. Ah! Como eu amo provocar o leão!— Pensou Helias, desaparecendo em meio a chamas negras.



Notas finais do capítulo

E ai? O que acharam?



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