MELLORY — entre Deuses e Reis escrita por Lunally, Artanis


Capítulo 28
Confissões de amor e guerra


Notas iniciais do capítulo

Galera, esse casal me mata de tão fofo que é♥




— Bom dia, querida. – Miguel disse ao perceber que Serena começava a abrir os olhos. A Alfa ainda sonolenta, demorou a responder o cumprimento de seu marido.

— Bom dia. – Falou, mantendo-se abraçada ao corpo do homem. – Dormiu bem? – Perguntou, aproveitando o calor gostoso que emanava do Alfa. Há alguns dias, Miguel convocará arquitetos para reformarem seu quarto em um duplex para casal. Queria que Serena tivesse todos os luxos como esposa, mesmo que a Alfa tivesse ficado meio receosa em dividir o mesmo aposento que ele.

— Melhor impossível. – Ele respondeu, o queixo apoiado sobre a cabeça da mulher. – Você não vai me soltar? – Questionou brincalhão. Sentiu Serena negar de encontro ao seu peito. Riu com a reação fofa de sua esposa. – O dia nos espera. É sábado.

Serena afastou-se um pouco, para encará-lo. Com uma fingida expressão mandona, corrigiu:

— O dia te espera. E acho que alguém adoraria receber um café da manhã na cama. – Completou, desenhando com os dedos pequenos círculos no braço musculoso de Miguel. – O que teremos de cardápio para hoje?

O Alfa pensou por um instante. Era péssimo cozinheiro.

— Panquecas? O mel vem de brinde. – Propôs, admirado por saber cozinhar algo além de comida militar.

— É sua especialidade? – Serena perguntou.

— Tirando a ração para os soldados, digamos que sim. – Concordou, rolando para o outro lado da cama para se levantar. – Trarei seu prato em breve, mademoiselle.

— Acho bom. – A Alfa afirmou, ameaçando-o com soberba.

— Ah! O que eu ganho em troca? -  Lembrou Miguel enquanto saía do quarto.

— Dependerá de seus dotes culinários. – Serena respondeu, cogitando um milhão de possibilidades. – É bom que se esforce muito.

— Ok. Tudo por seus lábios, minha senhora. – Dramatizou o Alfa retirando-se.  Serena riu baixinho. Como Miguel podia ser tão iludido.

Aproveitou o momento para sentir o cheiro do perfume de âmbar de Miguel que estava impregnado nos travesseiros e cobertores. Quem poderia acreditar? Um drakiniano e uma preminiana sobre o mesmo dossel. Entre beijos e abraços. Quebrando todos os tabus. Ambos amavam o perigo. A relação deles ia além de desejo, de paixão, era algo mais profundo, íntimo e honesto. Um tipo único de amor. Cuidadoso e inquieto.

Serena tomou um banho refrescante e trajou um vestido de crochê com fios trançados nas costas, emoldurando sua postura perfeita. Prendeu o cabelo em dois rabos de cavalo frouxos, divididos um sobre cada ombro e preencheu sua boca com um gloss de menta. Sorriu, como sempre, para seu reflexo. Um aspecto notável nos cidadãos de Premin era o amor próprio e a autossuficiência. Por isso, eram tidos como egocêntricos e até um pouco, individualistas. Sentou-se na cadeira de balanço da sacada, esperando, ansiosa, por algum raio de sol alheio ao tempo cor pastel do dia. Avistou, no horizonte, Mellory, triunfal e misteriosa, erguendo-se em meio aos reinos. Pensou em sua curta estadia com os selvagens e em como aprendera com aquele povo. Eram especialistas em sobrevivência, caça e coleta de frutos, quesitos importantes em meio a uma situação inusitada. Sentiu saudades. Desde que chegara a Draken, não pudera viajar como em sua época de comandante do batalhão real de Premin. Ela era uma pessoa que valorizava a pouca liberdade que tinha.

— Madame, posso ter a honra de sua atenção? – Miguel brincou, chamando a atenção da Alfa e fazendo-a olhar para trás. Sorriu, ao ver que o homem usava um avental estampado de cupcakes, cômico para um chefe militar, com toda certeza.

— Dessa vez você se superou! – Exclamou a jovem, aproximando-se. – Seu estilo colocou o meu no chinelo.

— Isso. – Miguel olhou para a própria roupa. – Pensei em inovar. Cupcakes pareciam uma boa.

— Vejo que sobreviveu ao preparo do café da manhã. – Serena apontou para as panquecas, aparentemente saborosas que Miguel trazia sobre uma bandeja de prata.

— Por que não experimenta? – Ele ofereceu uma para a mulher que aceitou com fome. Enigmática, experimentou a massa. Após alguns segundos de espera, Miguel obteve o veredito de Serena:

— Acho que você não daria um péssimo cozinheiro. – O Alfa sorriu de orelha a orelha. – E penso que te devo uma recompensa. – Completou a Alfa, chegando mais perto do homem, tomando a bandeja de suas mãos e colocando-a em cima da mesa de centro do quarto. Desamarrou o avental delicadamente e o observou seu progresso até o chão nos pés de Miguel. O militar estava sem camisa, ele costumava dormir assim. Apesar do tempo frio, sua pele estava bronzeada. Mesmo que algumas cicatrizes ressaltassem tons mais claros. Serena percorreu com os dedos os ferimentos já cicatrizados, receosa com seu próprio toque. – Onde as conseguiu? – Perguntou.

— Algumas em batalhas.... Outras em um acidente. – Ele respondeu. As memórias dolorosas pareciam saltar de sua voz.

— Acidente? – A Alfa não entendeu em primeira instância.

Miguel escolheu as palavras. Gostaria de adiar ao máximo aquela conversa. – Nada importante, Serena. Apenas algo da minha infância. – Fez-se um longo silêncio.

— Pelos deuses, Miguel. – A mulher compreendeu. – Você as conseguiu durante o assassinato de seus pais. É tudo culpa minha. – As lágrimas brotavam quentes de seus olhos mel.

— Não chore, não teve nada a ver com você. – Miguel tentava consolá-la. A imagem dela fragilizada daquela maneira era cruel demais para ele.

— Eu sinto muito, por não conseguir ficar longe de você. Por te amar e não poder simplesmente sair da sua vida. Por condená-lo a me ver todos os dias e relembrar a morte de seus pais. – A sinceridade em suas palavras, ao mesmo tempo que acalentavam, perturbavam o coração do Alfa.

— Nunca mais diga isso. – Alertou Miguel, sério. – Desde que eles se foram, eu fui tomado por uma sede nojenta por vingança. Queria que os preminianos fossem dizimados. Condenei todos ao limbo, mesmo sabendo em meu interior que não eram os verdadeiros culpados. Mas, então você apareceu e redefiniu a minha realidade. Eu não vivo mais por mim e sim, por você. A cada amanhecer, cada anoitecer. Só existe seu nome na minha mente. É como se uma voz mais forte do que eu me levasse a você, minha senhora. E eu não posso detê-la, por que te amo.  – Complementou, sorrindo.

— Pode repetir esse final? – Serena pediu mais calma.

O Alfa a rodopiou no ar por um instante, aguentando facilmente seu peso.

— Eu te amo, Serena. Com todas as minhas forças, com toda a minha alma. Pode machucar-me o quanto quiser, sou todo seu. Mas sempre esteja comigo, querida. Jamais me abandone. Isso eu não posso suportar. – Repetiu com mais sentimento.

— E eu sou completamente apaixonada por você, senhor militar. Por mais improvável que pareça, só consigo ser assim com você. Maleável, amável. E pretendo passar a eternidade com o senhor, então, me ature. – Brincou no final.

— Irei aturar-te até além do felizes para sempre. – Miguel disse por fim, depositando dois beijos carinhosos na face da Alfa.

[...]

— Então essa é a sua versão de recompensa? – O homem indagou cético. Serena segurava uma espada afiada nas mãos e jogara outra para ele.

— Pensei que fossemos um casal de comandantes. Mas, acho que está com medo de perder para uma preminiana, meu caro. – Provocou, instigando-o. Ela o havia trago para os fundos do chalé, em uma área descampada do bosque. Estavam os dois sozinhos, em cima do terreno seco.

— Nossa, estou morrendo de medo. – O espírito competitivo do Alfa aflorara depois do comentário de Serena. Continuou em tom de escárnio. – Devo avisar-lhe que não pego leve com ninguém.

— Nunca disse que queria vantagens. – Serena concordou, posicionando. Havia substituído seu vestido pelos trajes pretos, costumeiros de Draken. Eram flexíveis e bons para luta.

As duas espadas avançaram, firmes, tilintando uma na outra com ardor. Em batalha, Leão e Dragão não se importavam com quem era o oponente, apenas em ganhar acima de qualquer coisa. Serena batalhava com velocidade e astúcia, mas Miguel era resistente e atuava melhor na defensiva. A luta se prolongava em um empate notório por mais de uma hora. Arfando, Serena perguntou:

— Quer desistir? Ainda está em tempo!

— Digo o mesmo. – Miguel correu para cima mais uma vez. Sua investida fez Serena cair e ser obrigada a rolar no chão se quisesse ficar de pé.

— Belo golpe. – Ela elogiou, voltando a posição de contra-ataque. Alguns machucados sangrado em seu rosto e braços. Miguel estava praticamente no mesmo estado.

— Faço o que posso. – O Alfa girou a espada com uma mão, preparado para o ataque da mulher. Porém, Serena surpreendeu. Como sempre.

Ameaçando iniciar sua ofensiva, fincou, a menos de um metro do corpo de Miguel, sua arma no chão. – Isso não é uma desistência. – Lembrou aproximando-se lentamente. – É só que não consigo mais resistir. – Aumentando a passada, beijou Miguel com fervor. Este, com as mãos desatadas e surpreso, deixou sua lâmina pesada cair no terreno. Agarrando a cintura da Alfa, aprofundou o beijo. Quando conseguiu respirar, recuperou seus sentidos lentamente. – Garota, você sabe como deixar um homem louco. – Disse, ainda um pouco confuso.

— Não, querido. Sei como TE deixar louco. -  Corrigiu sedutora.

Preciso urgentemente me casar com essa mulher. Urgentemente. — Constatou Miguel, claramente em perigo nas mãos de sua amante.



Notas finais do capítulo

Então casa logo Miguel! CADE O ANEL? ~kkkkk



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