Malfeito feito escrita por msnakegawa


Capítulo 43
Medo do futuro


Notas iniciais do capítulo

Oi gente! Estou tentando me adaptar aos horários desse semestre e espero muito que consiga escrever um pouco, senti muita falta de vocês e dos marotos... Espero que mesmo com a demora, ainda tenha leitores por aqui!



Após semanas de drama causadas pela lua cheia, pelo término do Remus e da Dorcas e pela briga entre Sirius e Gideon, se preparar para os NOMs nunca pareceu tão reconfortante. Faltava apenas alguns dias para as provas e a Professora McGonagall ia dar uma orientação de carreiras naquela tarde, então todos os alunos da Grifinória caminhavam ansiosos pelos corredores até a sala da professora.

— Eu e o Frank estamos pensando em Auror, apesar de que ser herbologista seria incrível também... Eu só fico pensando que com tudo que escutamos sobre os problemas da comunidade bruxa, parece que vão precisar de muitos aurores. — Alice contava para Dorcas e Lily sobre suas escolhas enquanto andava de mãos dadas com Frank. Diferente dos outros casais, eles eram incrivelmente tranquilos e raramente discutiam, exceto sobre as propriedades mágicas de certas plantas, os dois podiam discutir por horas e ninguém em volta conseguiria entender nada.

Dorcas observou a expressão de Frank ao olhar para Alice, os olhos brilhando acompanhados de um sorriso involuntário, típicos de alguém que estava apaixonado. Se tinha um casal que se casaria assim que saíssem de Hogwarts, seria Frank e Alice.

— Eu ainda não sei exatamente o que fazer... — Dorcas deu de ombros, tentando parecer indiferente enquanto estava realmente preocupada com sua escolha.

Dizer que não sabia qual profissão seguir em voz alta foi como tornar isso mais real. Alice e Lily falavam ao fundo, mas os pensamentos de Dorcas estavam falando mais alto: ela não sabia nem por onde começar a pensar, não tinha um foco ou objetivo de vida claro por enquanto. Ela se sentia perdida.

Dorcas havia ficado um pouco para trás, envolvida em pensamentos, e sentiu alguém trombar com ela. "Mas é claro, tudo o que uma pessoa que já esta perdida é... Lupin", pensou estressada por um segundo, antes de se dar conta que era ele. O choque de seus corpos foi algo familiar para duas pessoas que sentiram esse toque por tanto tempo, mas havia uma pitada de desconforto. Ela estava de costas, mas sabia que aquelas mãos em sua cintura e o cheiro amadeirado pertenciam a Remus.

— Ahn... Oi. — Ela se afastou rapidamente e virou para ver o rosto pálido dele. Os cabelos cor de areia estavam bagunçados, o que acionou o impulso de Dorcas levantar a mão para arruma-los, parando na metade do caminho.

— Oi. — Remus percebeu que Dorcas ia arrumar seu cabelo como fazia antes e sentiu seu rosto esquentar. Ele não conseguiria se afastar, mas por sorte — ou não — ela o fez. Com um aceno de cabeça ela entrou na sala e se juntou as garotas. Amor era algo complicado demais para pensar com as provas chegando.

Minerva apresentou as principais carreiras e tirou as dúvidas de vários estudantes, mas ainda assim era difícil para a maioria decidir que rumo seguir.

— Eu quero ser Magizoologista. — Fabian comentou, agarrando seu livro surrado autografado pelo Newt Scamander. Era de se esperar que ele fosse seguir essa profissão, se ele não estava com Lily, provavelmente Fabian estava na cabana do Hagrid tentando entender as criaturas estranhas que o guarda caça arranjava. — Você já tem ideia do que quer fazer, Lily? — Ele prendeu uma mecha ruiva atrás da orelha dela quando ela finalmente parou de escrever em seu pergaminho.

— Eu acho que eu poderia ser Alquimista, ou Mestre de Poções... — Lily anotara as matérias necessárias para essas duas profissões. Ela estava particularmente ansiosa para os NOMs como a maioria dos alunos estavam para as férias.

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Apesar de estarem livres das aulas depois da orientação de carreira, o Salão Comunal estava cheio de alunos do quinto ano se preparando para as provas. Alguns estudavam em grupos, outros liam sozinhos. Algumas garotas pareciam estar prestes a surtar e nenhum aluno de outro ano, a não ser do sétimo ano, permanecia no Salão devido ao clima tenso.

— Alguém conseguiu fazer o dever de Aritmância? Eu não consigo mais pensar! — Sirius franziu o cenho para seu pergaminho. Olhou ao redor e todos os seus amigos pareciam concentrados demais para ouvirem sua pergunta: James estava traduzindo um parágrafo de um livro de Runas Antigas, segurava a pena com a boca enquanto segurava o pergaminho e comparava com o livro, Remus estava fazendo uma pesquisa sobre a Poção Polissuco, Frank e Alice estavam sentados no sofá discutindo as propriedades das mandrágoras, Mary estudava Adivinhação, com uma porção de cartas espalhadas em volta dela e Peter ia e voltava da mesa onde Lily, Marlene, Fabian, Gideon e Dorcas estavam. Lily estava ajudando Pettigrew em Poções.

Como era possível prever, o término de Remus e Dorcas somado a briga de Gideon e Sirius afastou um pouco o grupo e, para evitar que houvessem mais brigas nesse período de pressão e caos das provas, o melhor era evitar o contato.

— Eu fiz, quer ver? — A voz de James soou abafada atrás de um livro, depois de algum tempo que Sirius perguntou. Ele estendeu um pergaminho na direção de Sirius sem ao menos tirar os olhos do livro.

Quando finalmente acabou seu dever, Sirius percebeu a presença de alguém ao seu lado: — Oi Sirius, você tem detenção agora... — A monitora lembrou, ficando um pouco corada por receber a atenção dele. Sirius assentiu e observou rapidamente a mesa de onde Gideon saía emburrado, notando que Marlene puxou o garoto de volta e lhe beijou. Isso fez o rosto de Black esquentar. Não era um bom começo de detenção.

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Depois de duas horas esfregando todos os troféus de quadribol já conquistados pelos alunos de Hogwarts e ouvindo Gideon contando à Monitora sobre sua vida feliz e sua família ruiva irritante, o humor de Sirius já havia ido por água abaixo. "Aquele maldito cara já tinha uma família decente, não podia deixar Marlene pra mim?", reclamou em sua mente.

Não precisava saber da vidinha perfeita do Prewett para saber como sua vida fora de Hogwarts era péssima. Apesar de não admitir, Sirius estava ansioso para o fim das provas, mas nem um pouco ansioso para as férias. O pai de James não estava muito bem de saúde, o que significava "nada de férias na residência dos Potter". Ele teria que ir para a Mui Antiga e Nobre Casa dos Black e aguentar seus pais reclamando de cada detalhe que fazia Sirius Black ser Sirius Black.

A única coisa que fazia as férias de verão serem suportáveis na mansão dos Black era a presença de Marlene, e até mesmo isso havia sido tirado de Sirius. "Ok, eu fiz besteira terminando com ela, mas não sei se vou aguentar Londres sem a Lenny", distraiu-se em seus pensamentos e derrubou um troféu da Sonserina — realmente sem querer —, chamando a atenção para si.

— Acho que já chega, não é? Podem ir jantar, garotos... Mas sem mais confusões ok? — A monitora da Grifinória dispensou os dois garotos, que seguiram para o jantar, com uma distância segura entre eles.

Gideon parou um pouco antes, sentando-se na mesa com seu irmão e as garotas. Sirius podia jurar que viu Marlene olhando para ele como nos velhos tempos, como se soubesse que ele estava chateado, mas ela logo se distraiu e quebrou o contato visual. De cabeça cheia, ele andou até onde estavam os marotos, torcendo para que eles o animassem como sempre fizeram, mas não foi o que aconteceu.

 — E ninguém sabe para onde ele foi? Quem esse cara pensa que é? — Alice reclamava alto quando Sirius se sentou a mesa. As bochechas dela estavam vermelhas, contrastando com a pele branca e os olhos estavam margeando. "Havia acontecido alguma coisa enquanto ele esteve na detenção?"

— O que aconteceu?

— Tentei te chamar pelo espelho de dois sentidos mas você não me respondeu, pra que acha que inventamos isso, cara? — James reclamou, mostrando seu pedaço do espelho. — Houve um ataque do Voldemort no condado de Surrey. Ele matou uma nascida trouxa lá. — Sirius prendeu a respiração. Era o homem do qual seus pais tanto falavam. A coisas estavam indo longe demais.

— O que esse cara quer, afinal? — Frank perguntou, empurrando seu prato na mesa. Todos haviam perdido o apetite depois de uma notícia como aquela.

— Dizem que ele quer mostrar que os sangue puro são melhores e acabar com todos os nascidos trouxas. É horrível, afinal. — Remus sentia calafrios ao explicar, além de ser mestiço, ele era um lobisomem, as coisas não melhorariam muito para ele.

— Faz sentido meus pais gostarem dele, não sei como fui parar naquela família... — Sirius comentou com mais pesar do que gostaria, ao invés de descontrair a conversa acabou deixando o assunto ainda mais pesado.

— Você acha que eles podem estar envolvidos? — Alice arregalou os olhos para Sirius. A espontaneidade dela era algo admirável. Sirius notou que Frank deu um cutucão na namorada, como se dissesse para pegar leve, e agradeceu mentalmente por isso.

— Eu não saberia dizer, mas acho que vou acabar descobrindo nas férias não é? — Ele respirou profundamente e a mesa caiu num silêncio desconfortável, assim como aparentemente todo o Salão Principal.

Apesar de querer a recuperação rápida de seu pai, James desejava poder levar Sirius para sua casa nas férias de verão. Era uma pena que os dois juntos aprontassem tanto que a enfermeira que cuidava do Sr. Potter tivesse aconselhado que James não levasse os marotos para casa até seu pai melhorar.

Ele sabia que seu pai ficaria melhor logo, mas havia tanto acontecendo em sua vida que ele realmente receava que algo ruim acontecesse. Os NOMs, seu pai doente, a família de Sirius, os ataques aos trouxas. Era demais.

— Hey Jammie! — Finalmente quebrando o silêncio, a voz de Rose soou atrás de James, que logo virou para olhar os olhos azuis escuros da garota. Era como se ela soubesse que ele precisava conversar. Potter se despediu dos amigos e caminhou atrás dela para fora do Salão Principal.

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— Dá pra acreditar nisso? O sonho da Petúnia é morar no Surrey! Ela nem imagina que algo assim poderia acontecer lá... — Lily comentava assustada. Era aterrorizante para ela que alguém estivesse fazendo isso com nascidos trouxas.

— É por isso que eu estou pensando em tentar o treinamento de Auror quando nos formarmos. — Marlene tinha a voz firme, com um tom de irritada. — Quero acabar com esse cara!

Você acha que eles podem estar envolvidos? — Eles puderam ouvir a voz ansiosa de Alice perguntando, não muito distante de onde eles estavam sentados. Marlene viu que Sirius deu uma resposta rápida, tentando não estender o assunto. Ela sabia que eles estavam falando sobre a família Black.

— Quem será que eles estão dizendo que está envolvido? — Gideon franziu a testa e se moveu um pouco no banco, para ficar mais perto do outro grupo.

— Talvez seja a família do Sirius, eles são horríveis... — Dorcas explicou, com pesar. Gideon podia estar irritado com Black, mas não comentou mais nada. Não conseguia imaginar como seria se vivesse numa família de sonserinos metidos que acreditavam na superioridade de sangue.

— Sonserinos... — Fabian viu Regulus e Snape andando em direção a porta do Salão. — Será que eles sabem de alguma coisa?

— Eu posso descobrir, já tinha que falar com o Sev mesmo... Talvez ele não esteja mais bravo comigo. — Lily saltou da mesa e partiu atrás dos garotos. Era uma boa desculpa para conversar com Snape, talvez ele soubesse explicar que tudo não passava de um mal entendido e que Voldemort não estava realmente querendo acabar com todos os nascidos trouxas.

Eles andavam mais rápido que Lily imaginava e logo estavam no quarto andar. Quando Lily achou ter perdido os dois de vista, ouviu a voz de Severus vindo de trás de uma estátua de pedra.

— Então quer dizer que foi ele mesmo que matou a garota? O Lorde das Trevas?

— Sim, e ele pretende fazer bem mais que isso. Inclusive está reunindo seguidores... — A voz de Regulus parecia animada, o que fez o estômago de Lily revirar. "Ele realmente estava empolgado com o ataque?", se perguntou.

— Você já o conheceu? — Lily não podia acreditar que estava ouvindo Snape perguntando sobre o ocorrido como se fosse algo bom.

— Mamãe disse que ele quer me conhecer pessoalmente durante as férias.

— Queria não ser um mestiço...

Lily não conseguiu escutar mais, saiu correndo pelos corredores com os olhos cheios de lágrimas. "Seu amigo estava mesmo se juntando àquelas pessoas horríveis?", não podia ser verdade. Ela passou correndo por James e Rose, que iam para a Torre do Relógio.

— Lily? Está tudo bem? — Rose tentou ir atrás dela, com James logo atrás.

— Só me deixem sozinha! Eu só preciso pensar... Não pode ser verdade. — Ela falava frases desconexas. Os olhos verde esmeraldas estavam margeados, as bochechas marcadas pelas lágrimas. Continuou correndo até as escadas, onde Potter e Barton decidiram deixá-la em paz.

— Você devia falar com ela depois. — Rose aconselhou, vendo o olhar de preocupação de James. — Esse tal Voldemort está mexendo com todo mundo. — Eles entrelaçaram os dedos e voltaram ao caminho para a Torre do Relógio.

Lumos. — James acendeu sua varinha e os dois sentaram encostados na parede contrária as engrenagens do relógio. A cada segundo o ponteiro andava um pouco, as engrenagens giravam sem parar. Como Rose disse na primeira vez que eles estiveram lá, observar o relógio ajudava a pensar.

— Como você está com tudo isso? — Rose perguntou, mordendo o lábio.

— Eu queria poder fazer alguma coisa, sabe? Dar um soco nesse sonserino metido que é o Voldemort. — James falava sério, era frustrante saber que alguém estava abusando do poder atacando pessoas inocentes por um motivo como aqueles. — Pureza de sangue é uma coisa ridícula! Veja só você, é nascida trouxa e é simplesmente uma das bruxas mais talentosas da sua turma... Ou a Lily, ela é tão inteligente, com certeza ela sabe muito mais que muitos mestiços e sangue puros e eu não entendo...

— James, respira. — Rose ria enquanto James divagava, pensando alto e soltando todos os pensamentos que ficaram presos em sua cabeça o dia todo.

— E os pais do Sirius? Eles só podem ser loucos se envolvendo nisso tudo, devem fazer uma lavagem cerebral no Regulus e Sirius tem que viver no meio daquele bando de sonserinos loucos... Eu queria poder ajudá-lo de alguma forma. — Respirou fundo antes de retomar. — E com tudo isso acontecendo, ainda tem o meu pai. Rose, não sei que vai acontecer se meu pai não estiver mais em casa... Eu prometi a ele que seria um jogador de quadribol famoso um dia, mas já não sei se quero mais isso e talvez ele nem esteja aqui para ver eu me formar e... — Era difícil acreditar, mas James estava a beira das lágrimas.

— Jammie, você só está sobrecarregado. Seu pai vai ficar bem, sua mãe não te mandou uma carta ontem dizendo que ele já estava bem melhor? — Ela segurou a mão de James, transmitindo um pouco de segurança. — Eu também estou com medo e com raiva desse maldito Voldemort, mas você pode fazer alguma coisa... Pode entrar para o treinamento de Aurores, lutar contra tudo isso. — Abraçou James, sentando em seu colo. Ficaram abraçados por algum tempo, os dois pensando em tudo o que estava acontecendo.

— Rose. — James sussurrou no ouvido dela. — Obrigado.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado desse capítulo! Tentei colocar um pouco mais do receio que todos nós temos quando temos 15 anos, além do romance e conflitos habituais... E esse Voldemort começando a dar as caras pra valer? Me contem o que acharam nos comentários e o que esperam para os próximos capítulos!
Beijos e até logo (podem brigar comigo nas mensagens se eu demorar demais)