Casamentos, Amigos e Amores escrita por Nat Rodrigues


Capítulo 8
Capítulo 8


Notas iniciais do capítulo

Boa tarde! Estou tão feliz que consegui escrever e postar hoje. Espero que você goste! Boa leitura!



O domingo chegou, e com ele, a minha decisão da noite anterior se tornou mais concisa. Se fosse para lidar com meus sentimentos, o faria da maneira mais racional que conseguisse. Sem dar ouvidos a dores e sofrimentos. E, não havia jeito melhor de começar do que marcando um café da manhã na padaria, perto da Redação, onde sempre me encontrava com Daniel quando namorávamos. Desde que terminamos, era a primeira vez que voltávamos juntos lá.  Bem, “juntos” não é a palavra certa, já que cheguei cerca de dez minutos adiantada e ele ainda não deu sinal de vida.

Sempre gostei dessa padaria pois sua decoração remetia aos anos cinquenta/sessenta, com adornos dourados no teto e móveis marrons e brancos. Na mesa além de saquinhos com açúcar, adoçante e palitinhos de dente um pequeno vaso branco com uma única rosa vermelha servia de decoração, dando um toque simples e delicado.

— Desta vez você não pode brigar comigo por te fotografar sem perceber.

Assustei-me quando Daniel apareceu ao meu lado, com sua câmera em mãos. Estava tão entretida em meus pensamentos que não o percebi se aproximar.

— O quê? – Questionei, um pouco perdida. Ele se sentou na cadeira a minha frente e entregou a câmera em minha mão. Na pequena tela uma foto minha sentada ali, observando a rosa de minha mesa podia ser vista.

Nunca gostei que Daniel me fotografasse. Tenho aquele problema de não ser fotogênica e sempre sair esquisita em fotos que deviam ser “naturais”. Até hoje não sei como em meio a tantas modelos ele foi preferir a mim. Se bem que... Ele fotografou seu adultério. Não é como se tivesse alguma importância. Não é hora de pensar nisso, Mariana.

— E porque eu não poderia brigar com você? – Provoquei devolvendo a câmera a ele. Secretamente, eu gostei da foto. Do ângulo que ele pegou eu parecia realmente pertencer àquele cenário, ficando suave, como a decoração.

— Porque antes eu tinha medo de você brigar comigo e te perder. – Respondeu observando-me com aqueles olhos castanhos “pseudo-gentis”. Senti que meu vaso da confiança ganhou uma rachadura. Levantei as sobrancelhas em resposta. Como se não tivesse falado nada demais, ele continuou:

— O que vai pedir?

...

Após nossas escolhas terem chego, contei a Daniel sobre como minha mãe havia quase destruído meus planos contando a André que já tínhamos terminado e o jeito que contornei a situação.

— E ele realmente acreditou que você me perdoou?

Para surpresa nenhuma, Daniel ignorou a importância dos fatos que eu estava contando e focou em sua relação comigo. O jeito que ele vinha agindo, olhando e falando me faziam acreditar que nós nunca tínhamos brigado e/ou terminado. Acho que por eu já não estar mais me prendendo ao fato de que ele me traiu e magoou abriu espaço para um diálogo mais sereno. Ou talvez fosse por estarmos naquela padaria. Não sei. Só sei que a visão dele como meu “inimigo” já não tinha mais tanto espaço.

— Sim... Apesar de ter achado que eu errei ao te perdoar. – Expliquei tomando um gole de café. Ele não pareceu gostar da resposta.

— E o que você falou para convencê-lo do contrário?

Antes de responder o observei bem. O cabelo loiro normalmente desarrumado estava ajeitado para o lado direito e algumas migalhas de pão sujavam o lado esquerdo de seus lábios. Sua expressão relaxada de sempre havia dado lugar a uma mais amistosa, quase que maliciosa. Ele estava claramente esperando que eu me contradissesse ao ter que convencer alguém de algo que não fiz, mas que na opinião dele devia ter feito.

— Que alguém que vale a pena não está assim tão fácil de achar hoje em dia.

Daniel espantou as migalhas de pão da mão e da boca, e cruzou os braços.  

— Então quer dizer que terei que fazer a despedida de solteiro de um cara que não deve estar querendo me ver nem pintado do ouro?

— É sobre isso que eu queria conversar com você, na verdade. Não sei se quero levar adiante a nossa farsa.

— E como vai desmentir toda essa história agora?

Outra rachadura para meu vaso da confiança.

— Não sei... – Murmurei encolhendo na cadeira.

— Céus! Eu nem sei porque eu insisto em te ajudar... Devo ter pego a sua mania de gostar de sofrer. – Daniel exclamou. Sua sinceridade me assustou um pouco. Principalmente por estar cheia de significados por trás. Droga, pare de inventar motivos para se iludir!

— É que... Eu não quero a visão que você me apresentou no restaurante. Não amo mais André como você pensa que amo, e nem... Nem te odeio como pensa que te odeio. Só não posso esquecê-lo e te perdoar tão rápido assim. E... Como você mesmo me disse, eu só estou me machucando ao fazer isso. Então eu... Acho que... É mais fácil cortar meus laços com você de uma vez.

Juro que tentei dizer tudo em um fôlego só, mas assim que comecei a falar o vaso da confiança que já estava com algumas rachaduras, se quebrou em minha mente. As palavras não queriam sair, e me senti sufocada. Em todo o programa de diálogo que havia montado na noite anterior em minha cabeça, não tinha incluído falar com ele sobre o restaurante e nem dizer que não amo André como ele pensa que amo. Me abrir assim não estava nos planos. Maldição! Eu devia ter escolhido um lugar menos familiar. Quem sabe assim eu não teria essa sensação de nostalgia e... Saudade.

— Desde quando você passou a ouvir o que eu falo? – Daniel riu amargurado. Não parecia a mesma pessoa que a de alguns segundos atrás. Toda a leveza de sua expressão fora embora. – Está parecendo que você está terminando comigo mais uma vez... – Disse balançando a cabeça. Encarei o vaso da mesa. - Não queria, mas vou me aproveitar da situação para você ver que eu mereço seu perdão.

— O quê? – Perguntei confusa.

— Não concordo com sua conclusão de se afastar de mim. Nem há um jeito de você desmentir tudo isso agora. Provarei a você, Mariana, que não devíamos estar fingindo ter voltado. Já te pedi milhões de vezes perdão pelo que aconteceu, e vou provar que nós dois ainda valemos a pena.

— Daniel, por favor, não insista em...

— Você acabou de me dar esperança nas mãos e quer tirá-la de mim? – Resmungou se levantando. Pegou a câmera, a colocou em volta do pescoço e me deu as costas. – Seu jogo ainda está de pé. Ou devia dizer... Nosso jogo? Até mais, Mari.

E foi embora. Por que é claro que depois de mostrar que claramente ainda acreditava em nós dois e prometer me reconquistar ele deveria ir.

Todos os planos e certezas que eu já tivera se foram com ele.

.

.

.

Eu poderia começar esse parágrafo mentindo. Seria fácil dizer que depois do café da manhã de domingo minha semana discorreu normalmente, e eu consegui me concentrar completamente na coluna da revista, sem nenhum imprevisto ou incerteza para me atrapalhar. Mas o “fácil” nunca me pareceu tão falso. Aconteceu de tudo que você pode imaginar: meu computador estragou, não consegui montar uma só linha da primeira matéria, e-mails que eu cuidava começaram a se acumular, André e Jaqueline mantiveram contato durante toda a semana e Daniel voltou a aparecer vez ou outra na Redação, apesar de nunca falar comigo, apenas me encarar durante o tempo todo. Clarisse até estranhou e me encheu de perguntas que não poderia nem queria responder. Quando a sexta-feira chegou, agradeci aos céus por ter um tempinho só para mim.

— Mari, acabaram de deixar isso para você. – Rafaela, uma das estagiárias chegou até a minha mesa. Em sua mão um envelope branco e uma rosa vermelha. Estava guardando minhas coisas para ir embora e não pude deixar de franzir o cenho, curiosa, com o presente inesperado.

— Obrigada Rafa. – Agradeci. Ao abrir o envelope, senti meu coração acelerar e quis repreendê-lo, mesmo que sabendo que seria em vão.

Dentro do envelope a foto que Daniel tirara de mim domingo de manhã.

Antes que eu pudesse procurar um bilhete ou algo escrito, meu celular tocou.

— Alô? – Atendi sentindo-me temerosa.

— Oi Mari! Tudo bom? – Jaqueline cumprimentou. Suspirei de alívio. – Marquei com as outras madrinhas para virem aqui em casa hoje para vermos certinho todas as coisas do chá. Tudo bem para você?

O chá? AI MEU DEUS, O CHÁ DE COZINHA. Eu esqueci completamente disso. Era para ter separado brincadeiras, decoração, opções, músicas e mais umas quinquilharias. Socorro.

— Tu... Tudo sim...

— Beleza. Nos vemos às oito então. Mal posso esperar ver o que você planejou! Beijo.

— Beijo... – Desliguei o celular e encarei a foto. Não sei o que estava me deixando mais perdida: ter que preparar inúmeras opções de um chá de cozinha em menos de três horas ou sentir que meu ódio por Daniel estava se esvaindo.



Notas finais do capítulo

*pois é, eu foquei tanto no André nos capítulos passados, que quis dar um pouquinho de espaço pro Dani*
e aí, o que achou? Ainda não me decidi se amo ou odeio o Daniel, e você? auhsuha Obrigada por ler, beijão!
PS: Esse cap tem uma leve inspiraçao numa fic minha oneshot que escrevi a um tempinho atras.