Hybrid: Um demônio em Beacon Hills escrita por LadyWolf


Capítulo 4
Conhecendo os Moradores da Cidade


Notas iniciais do capítulo

Mais um capítulo saindo do forno ♥
Boa leitura!



 Confesso que não consegui dormir àquela noite. Fiquei o tempo todo pensando nas roupas que usaria, os amigos que faria, nas temidas aulas de química, nos professores, em tudo. Finalmente Emily Winchester seria uma garota normal. Bem, pelo menos era o que eu achava.

 Cansada de ficar deitada resolvi ir tomar banho e me arrumar para o grande dia. Às seis e meia já estava praticamente pronta. Vestia uma camisa cinza do AC/DC, calça jeans preta rasgada e tênis brancos. Quando meu pai acordou eu estava no banheiro terminando de fazer a maquiagem, que era bem simples por sinal.

 – Que milagre você acordada à essa hora. – disse encostado na porta.

 – Não consegui dormir. – respondi passando um brilho labial de morango e em seguida saindo do banheiro. Tio Dean estava sentado na cama com cara de sono. – Vou comprar o café da manhã. Querem alguma coisa especial?

 – Pão na chapa e um café expresso. – respondeu papai normalmente. – E você, Dean?

 – Quero um cheeseburger, um expresso... Ah não se esqueça da torta. – ele sempre pedia aquela bendita torta.

 – Está bem. – falei pegando a chave sobre a mesa e saindo do quarto. – Eu não demoro.

 – Cara, o que deu nela? – perguntou Dean.

 – Isso se chama primeiro dia de aula. – respondeu papai.

 Saí do hotel, sozinha, pela segunda vez desde que chegamos a Beacon Hills. O dia já estava claro e os moradores da cidade começavam a sair de suas casas para enfrentar mais um dia de trabalho ou de escola. Já estava andando fazia uns cinco minutos quando passei em frente a uma casa onde havia um Jipe azul estacionado.

 Naquele mesmo instante um carro branco parou bem na entrada. Olhei a lateral e a palavra “Sheriff” estava escrita com letras grandes e muito bem visível. Um homem de aparentemente uns quarenta anos saiu do veículo. O broche de estrela dourada brilhava em seu peito.

 – Bom dia. – cumprimentou bem-humorado, apesar de sua aparência cansada.

 – Bom dia. – respondi com um sorriso.

 – Nova na cidade?

 – Pode apostar.

 – Eu sou o xerife Stilinski. E você? Como se chama?

 – Sou Emily Winchester.

 – Winchester? Por que esse nome não me parece estranho? Enfim, prazer em conhecê-la, Emily. – disse me dando um tapinha no ombro. – Se precisar de qualquer coisa pode procurar a mim ou ao meu filho Stiles. Vamos ter o prazer de ajudar.

 – Obrigada, xerife.

 – Agora vou descansar, trabalhei a noite toda. Até mais, Emily.

 O xerife entrou em casa e eu continuei o meu caminho até a lanchonete. Quando cheguei o lugar ainda estava bastante vazio, então fui atendida rapidamente. Após pegar as sacolas de papel e bandeja com os copos de café voltei para o hotel e entrei no quarto.

 Papai estava de pé em frente ao espelho ajeitando a gravata e tio Dean fazia sua versão de “Eye of the Tiger” enquanto tomava banho. Depois de fazer a matrícula na escola, provavelmente eles iriam investigar alguma coisa.

 – Cheguei. – disse pondo as coisas sobre a mesa.

 – Trouxe a torta!? – gritou meu tio do banheiro.

 – Trouxe! – respondi no mesmo tom.

 – Seu tio não tem mais jeito. – falou enquanto mexia na gola da camisa social.

 – Eu ouvi isso, Sammy!

 Nós dois rimos feito bobos. Aquele sem dúvidas era o nosso passatempo preferido, rir de tio Dean. Estivesse sóbrio ou bêbado, ele era a pessoa mais engraçada do mundo. Meu pai me deu um beijo na testa, então foi arrumar a mesa para o café da manhã.

 – Vocês vão investigar hoje? – perguntei sentando-me em uma das cadeiras.

 – Vamos ao Hospital Memorial de Beacon Hills procurar pistas sobre o sumiço de corpos.

 – E o que vocês acham que está roubando os corpos?

 – Kitsune, metamorfo, wendigo... Não sabemos. – disse se sentando e pondo a mão sobre a minha logo em seguida. – Mas não vamos falar disso, ok? Vamos falar do seu primeiro dia de aula. Como acha que vai ser?

 – …And he's watchin's us all in the eye of the tiger. The eye of the tigeeeeeeeeeeeer! – cantou tio Dean saindo do banheiro usando a mão como microfone, a blusa branca ainda desabotoada. A única coisa que nós três conseguimos fazer foi rir novamente.

 – Dean, você não presta! – disse papai não se aguentando de rir.

 – Eu sou um artista! Come on baby! – falou rindo enquanto abotoava a camisa. – E tu, garota? Tá rindo do que?

 – Naaada, tio. – respondi segurando o riso.

  O café da manhã foi maravilhoso, de um jeito que não era há muito tempo. Nós três conversávamos, tio Dean fazia palhaçadas, nós ríamos. Parecia até que os Winchesters eram uma família comum, o que estava muito longe de ser.

 Às sete horas saímos do hotel que em breve deixaríamos, pois teríamos que arrumar uma casa ou apartamento para morar já que iríamos ficar bastante tempo na cidade, e entramos no Impala 67. Meu tio deu a partida no carro e assim seguimos para a Beacon Hills High School.

 Quando chegamos, tio Dean estacionou o Impala em uma vaga em meio a dezenas de carros de professores e alunos que já haviam chegado. Subimos as escadarias e entramos pela porta principal. Confesso que os dois homens que me acompanhavam pareciam meus seguranças particulares, o que não deixava de ser verdade.

 Pedimos informação a uma garota de cabelos verdes que mexia em seu armário, e logo seguimos para a diretoria da escola. A secretária pediu que esperássemos um pouco e foi até a sala do diretor avisar nossa chegada. Nós três nos sentamos nos bancos e ficamos esperando a mulher gordinha voltar.

 – Com licença. – disse a mulher. – O diretor Argent irá recebê-los.

 – Obrigado. Vamos. – falou meu pai e logo em seguida nos levantamos. Porém tio Dean foi parado pela secretária.

 – Nos vemos na saída, bonitão. – disse o segurando pela gravata e em seguida piscando para ele.

 Papai e eu nos entreolhamos e nos seguramos para não rir. Tio Dean ficou parado sem entender nada por alguns segundos, depois olhou para a mulher e chacoalhou a cabeça, vindo para perto de nós dois. Meu pai bateu na porta e em seguida a abriu.

 – Com licença. – disse e nós três entramos na sala do tal Argent.

 O diretor era um homem de quarenta anos, cabelos grisalhos e olhos verdes. Vestia uma camisa social preta e uma gravata azul toda desenhada. Estava sentado em sua cadeira com os braços apoiados sobre os papéis que tendo estavam sobre a mesa, que provavelmente estava assinando antes de nossa chegada.

 – Bom dia, senhor Argent. Gostaria de matricular minha filha...

 – Espera, vocês são Sam e Dean Winchester? – interrompeu o homem. Nós três nos entreolhamos, mas o diretor continuou. – Prazer, Christopher Argent, diretor de Beacon Hills High School e caçador nas horas vagas. Sentem-se, estão em família.

 Nós estávamos surpresos. Existiam tantas escolas naquele país e tínhamos que cair exatamente na que o diretor também era um caçador. Mundo pequeno, não? Enfim, papai e eu nos sentamos nas cadeiras e tio Dean ficou de pé atrás de nós com os braços cruzados. Não sei por que, mas o ambiente parecia escolar deixá-lo meio incomodado.

 – Então, o que os traz a Beacon Hills? – perguntou interessado. – Não vieram só matricular a mocinha na escola, certo?

 – Como você deve ter notado, tem coisas muito estranhas acontecendo nessa cidade. – respondeu tio Dean. Argent riu.

 – Aqui é Beacon Hills, sempre tem coisas estranhas acontecendo.

 – Como assim? – perguntou meu pai.

 – Sabem o bosque próximo a cidade? Nele há uma árvore mágica adorada na antiguidade pelos druidas. Seu nome é Nemeton e funciona como um tipo de imã para criaturas sobrenaturais. A cidade está cheia delas. Lobisomens, wendigos, kitsunes... Até a Besta de Gévaudan já esteve por aqui.

 – Besta de Gévaudan? – perguntei.

 – Foi uma criatura que aterrorizou a França no final do século dezoito.– respondeu papai. – Mas eu pensei que estivesse morta há séculos.

 – Longa história. – disse o homem dando de ombros. – Mas eu, meu pai acabamos dando um fim nela com a ajuda de uma matilha.

 – Matilha? – perguntou tio Dean.

 – Pois é, havia uma matilha que agia na cidade anos atrás comandada por um lobisomem alfa. Scott era seu nome, mas ele foi para a faculdade agora a matilha está meio desfalcada.

 – Espera, deixa eu entender isso direito. – tio Dean parecia estar um tanto confuso com aquela história toda. – Você caça com lobisomens?

 – Não só lobisomens. – disse bastante sério. – A matilha de Scott era bastante diversificada. Tinha lobisomens, uma kitsune, uma banshee, werecoyote e até um Cão do Inferno.

 – Cão do Inferno? Com licença, preciso tomar um ar. – disse saindo da sala sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.

 – Seu irmão é sempre tão engraçado assim?

 – É, na maioria das vezes. Mas acho que o ambiente também o incomoda um pouco. Dean nunca gostou muito de escolas.

 – Entendo. – falou Argent deslizando com a cadeira para trás. – Mas o que eu quero que vocês saibam é que nem todas as criaturas da cidade são ruins, na verdade, a maior parte delas são pessoas boas. Então, por favor, tomem cuidado com o que estão caçando, podem ser pessoas inocentes. – disse Argent em tom de conselho. – Mas vamos ao que interessa. Qual o nome dessa moça?

 – Emily. Emily Winchester.

 – Emily? É um belo nome. – disse anotando meu nome na ficha. – Sabe, Sam. Posso te chamar assim né? Sabe, Sam, eu também tive uma filha.

 – Teve? O que aconteceu com ela?

 – Allison foi morta por um nogitsune há alguns anos depois de salvar um amigo.

 – Meus sentimentos, senhor Argent.

 – Pode me chamar de Chris. – disse fazendo uma breve pausa. – Foi o dia mais triste da minha vida, mas eu tive que seguir por Allison e pelos amigos que ela tanto gostava. Idade?

 Continuamos preenchendo a ficha e conversando durante algum tempo até que o sinal bateu. Escolhi as aulas que queria fazer e em cinco minutos minha matrícula estava salva no sistema.

 – Muito bem, senhorita Winchester, já pode ir para a aula. Os seus horários você pega na saída com a secretária, ok?

 – Ok. – concordei me levantando.

 – Sam, foi um prazer enorme conhecer você e seu irmão. Aliás, diga que o mandei um abraço.

 – Pode deixar. – disse meu pai levantando também. – Até mais, Chris. E obrigado.

 – Nada. – e nós dois deixamos a sala do diretor.

 – Carinha esquisito esse Argent. – disse papai.

 – Nem me fale. Espera, ele falou que aquela tal árvore, Nemeton, atrai criaturas sobrenaturais. Será que a gente veio parar aqui por causa disso?

 – É uma boa teoria, mas agora vamos procurar seu tio e pegar seus horários, ok?

 Fomos andando até a recepção e começamos a ouvir barulhos esquisitos. Tio Dean e a secretária não estavam em lugar nenhum, então logo deduzimos que...

 – Dean? – perguntou meu pai.

 – Eu! – disse ele levantando do chão assustado cheio de marcas de batom pelo rosto e pescoço. A secretária levantou em seguida com o batom borrado toda sorridente.

 – Ninguém merece. – disse papai levando a mão até a testa.

 Assim que as coisas se normalizaram eu consegui pegar meu horário com a secretária. A minha primeira aula seria Economia, na sala 13. Meus “guarda-costas” me levaram até a porta da sala.

 – Boa aula, filha. – meu pai me deu um beijo na testa.

 – Obrigada, pai.

 – Boa sorte, baixinha. Se um cara vier te encher o saco você sabe onde chutar. – brincou, ou não, meu tio.

 – Pode deixar. – falei rindo. – Amo vocês.

 Pus minha mão na fechadura da porta e a girei. Estava nervosa com aquela situação e, ainda por cima, estava atrasada. Esperava que o professor fosse alguém legal e não se importasse muito com aquilo. Dei uma última olhada nos dois homens e entrei na sala.



Notas finais do capítulo

E aí? Riram muito do Dean? Ele estava demais nesse capítulo UASHASUHSA
Imaginem a cara que ele fez quando o Argent disse que era amigo de um Cão do Inferno!
Então, senhores fantasminhas, vou mandar os Winchesters atrás de vocês u-u'



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