Dépendance escrita por KarenAC


Capítulo 19
Capítulo 19 - Pedido


Notas iniciais do capítulo

Quero agradecer a todo mundo que sempre tem lido e comentado a fanfic, e principalmente pra quem viu que era meu aniversário há uns dias e me deixou parabéns por aqui *---------*
Vocês são os melhores leitores do mundo, muito obrigada! ^___^
Aí vai capítulo novo! :D



Nem toda mudança é crescimento; nem todo movimento é para frente.

Ellen Glasgow

 

Após o final da aula de História, Adrien retornou ao seu lugar e Marinette tentou segurar os pensamentos incertos dentro da cabeça. Sabia que aquele era o momento menos propício possível para se preocupar com Adrien ou qualquer coisa relacionada a ele, mas haviam coisas na vida de Marinette que ela já entendera que não controlava, que simplesmente a invadiam como um navio em um porto que procurava abrigo da tempestade. O perfume pós-banho de Adrien ainda infestava sua volta e ela se amaldiçoou por ser tão fraca às coisas relacionadas a ele.

Quando o sinal para o intervalo soou, Marinette suspirou em alívio como se um peso tivesse saído de suas costas.

“Vou pegar algo pra comer, quer algo?” Adrien ofereceu e Marinette sacudiu a cabeça negativamente. Sabia que se abrisse a boca para dizer qualquer coisa, gaguejaria, então se resumiu a acenar.

“Vou pegar algo para comer, quer algo?” Alya erguia o queixo e jogava o cabelo para trás enquanto deixava a voz mais grave, imitando o tom de Adrien em uma pose sedutora.

“Xiu, Alya!” Marinette franziu a testa, mas riu “E se ele te escuta?”

“O Adrien tá careca de saber que eu tiro sarro dessa pose de garanhão dele, não sou que nem você que me derreto toda!” Alya riu de volta.

“Eu não me derreto toda!” Marinette torceu o rosto em uma expressão furiosa.

“Claro, claro.” Alya sacudiu a mão no ar, mostrando que obviamente não acreditava em Marinette “Falando sério, vou pegar algo pra gente comer, quer?”

“Pode ser um pacotinho daqueles biscoitos de queijo e um refrigerante.” Marinette sorriu ao pensar na comida e Alya andou até a porta da sala de aula, gritando antes de sair “Aproveita pra terminar o trabalho de História!”

Quando Marinette grunhiu e virou o rosto para acenar para a amiga que já havia saído, viu Chloe se aproximando em uma marcha rápida. Parecia que a tranquilidade na sua vida realmente durava muito pouco.

“Era só o que me faltava.” Marinette murmurou entre dentes e baixou a cabeça, fingindo estar distraída com o livro que fechava.

“O que você tá pretendendo, Marinette?” Chloe bateu as duas mãos na classe de Marinette, inclinando-se sobre ela.

“Não sei do que você tá falando.” Marinette guardou o livro na bolsa e fez menção para se levantar, mas Chloe colocou as mãos nos ombros dela e a empurrou para baixo, forçando-a a sentar de novo “Mas o quê-“

“Ouve bem o que eu vou dizer, Cheng” a voz de Chloe soava mais irritada do que o normal, os dedos cravando os ombros de Marinette “Eu acho bom você dar o fora da vida do Adrien, ele não quer nada com você.”

“E quem disse que eu quero algo com ele?” Marinette semicerrou os olhos na direção da loira.

“Eu conheço o seu joguinho, Marinette. Você se faz de coitadinha pra atrair o Adrien porque sabe que ele tem um bom coração.” Chloe murmurava entre dentes “Mas não vai funcionar dessa vez, garota. Eu vi vocês hoje e eu sei que ele foi na sua casa há uns dias atrás, você anda na volta dele de novo.”

“Parece que você tem bastante tempo livre se tem se preocupado em nos espionar. Não devia estar gastando ele com coisas mais úteis? Tipo pintar as unhas ou arrumar o cabelo?”

“Meu cabelo e minhas unhas estão ótimos, obrigada. Eu cuido muito bem do que é meu, Marinette, assim como do Adrien.” Chloe respondeu em um tom arrogante, inclinando-se na direção de Marinette, os dedos de unhas longas pressionando-lhe os ombros “Porque ele é meu.”

“Tá na hora de você largar do meu pé, Chloe! E do Adrien também! Ele não é um objeto pra você se apossar, e já é bem grandinho pra saber o que quer da vida, assim como eu sei o que eu quero pra minha.” a irritação crescia dentro do peito de Marinette “E tira as mãos de mim!” Marinette crispou os lábios no meio das palavras.

“Eu tô falando sério, Cheng. Ou você cai fora ou vou fazer da sua vida um inferno.” Chloe sussurrou as últimas palavras, soltando Marinette e endireitando a coluna.

“Como você pode dizer essas coisas, Chloe?” Marinette ergueu o rosto na direção da loira com uma expressão de nojo “Depois de tudo que eu fiz por você, depois de tudo que te ajudei?”

Você me ajudou? Você deve estar delirando, garota.” Chloe riu em escárnio, fazendo Marinette franzir as sobrancelhas.

“Você é mesmo muito ingrata, Chloe.” Marinette murmurava, vendo algumas pessoas retornarem à sala e mirarem na direção das duas “Ou esqueceu o que aconteceu quando seu pai deixou de ser prefeito, que você andava pelos corredores dessa escola parecendo que tinha caído de um caminhão de mudança?”

“Como ousa falar assim-“

“Falar assim como? A verdade?” Marinette começava a alterar a voz, estava ficando cada vez mais difícil se controlar.

Após o pai de Chloe ser demitido da função de prefeito, todas as pessoas à volta de Chloe desapareceram. Não que fossem muitas antes, mas ela também não precisava delas, e quando realmente precisou, não havia ninguém lá. Até Sabrina, melhor amiga de Chloe, sumira ao ver a mudança de comportamento da loira. Marinette via Chloe abandonada e sozinha, e via algo no olhar dela que reconhecia toda vez que se olhava no espelho depois de Adrien ter ido embora. Desamparo. Solidão. Desesperança. Mesmo após todos os pedidos de Alya para que não se envolvesse com Chloe, Marinette não conseguiu resistir.

Chloe e Marinette começaram a conversar mais seguido, fazer trabalhos em dupla e até mesmo Marinette havia sido convidada uma meia dúzia de vezes para ir à casa de Chloe. Por alguns meses, Chloe quase virou uma garota normal. Seu jeito de conversar era mais calmo, sua maneira de se vestir ficou menos extravagante e seus rompantes de personalidade não foram mais assim tão visíveis, porém Marinette volta e meia precisava engolir um ou dois sapos das teimosias e arrogâncias de Chloe. Tinha esperanças de que um dia ela perceberia o quanto estava sendo infantil e machucando as pessoas à sua volta, mas vendo a loira ali, de volta ao que era, percebeu que estava enganada.

“Você se acha muito esperta, né Marinette?” Chloe cruzou os braços com um sorriso debochado nos lábios, olhando-a de cima para baixo, como se Marinette fosse inferior “Você acha que ficando com o Adrien vai poder sair dessa miséria que é a sua vida, daquela padariazinha medíocre. Acha que ficando com ele vai ficar também com o dinheiro dele.” Marinette começou a sentir o sangue ferver dentro das veias conforme Chloe ia falando “Eu já saquei você, Marinette. Você é uma interesseira.”

Marinette atirou o corpo para o alto, levantando-se abruptamente, a classe sendo empurrada para a frente enquanto ela agarrava os dedos na madeira da mesa com força para conter os impulsos que cresciam dentro de si. Era aquilo que Chloe queria. Queria tirá-la do sério, testá-la, provocá-la. E estava conseguindo.

“Eu acertei, não acertei?” Chloe riu “E sabe o que mais, Cheng?” a loira se aproximou de Marinette novamente, os dentes à mostra “Talvez ele tenha notado isso, e por isso foi embora. Por isso te abandonou.”

Mais rápido do que planejava, Marinette ergueu a mão e desceu-a com força no rosto de Chloe, girando-lhe o pescoço. Adrien nunca pensaria aquilo dela, nem de ninguém, e Marinette não deixaria Chloe sujar a personalidade dele daquele jeito. Porém, mesmo com esse pensamento, sentiu os olhos marejarem de arrependimento e de dor por ter cogitado, por um segundo sequer, que Chloe estaria falando a verdade.

Chloe virou a cabeça de volta, o ódio crescendo no olhar como se estivesse prestes a dar o troco, até que uma voz soou atrás das duas.

“O que tá acontecendo aqui?”

De todas as pessoas que poderiam ter aparecido naquele momento, ele era quem Marinette menos queria ver. Baixou a cabeça ao ouvir a voz de Adrien e permaneceu olhando descrente para a classe, anestesiada com a situação, ainda sentindo formigar a mão que havia acertado Chloe.

“Adrien!” Chloe choramingou jogando os braços no pescoço dele, as palavras alcançando um tom muito mais agudo do que o normal “Olha o que ela fez comigo! Ela me bateu!”

Lágrimas desciam pela bochecha vermelha de Chloe e Adrien arregalou os olhos em direção ao ferimento e depois em direção à Marinette. Ele não imaginava que ela seria capaz de machucar alguém, muito menos de propósito. Marinette, mais do que ninguém, deveria saber que não poderia usar violência física contra pessoas comuns. A força dela era muito maior do que o normal devido aos treinamentos recebidos como Ladybug, e aquilo o enfureceu.

“É verdade isso, Marinette?” Adrien perguntou, e Marinette sentiu o coração falhar uma batida.

Ele ia ficar do lado dela. Obviamente ele ia ficar do lado dela, como sempre ficava, e seu peito gelou com a sensação de estar mais uma vez, sozinha naquele mundo. Marinette passou a mão das costas no rosto para conter uma das lágrimas que corria. Adrien a olhava sério, a sobrancelha franzida em sua direção, enquanto Chloe a mirava com um dos cantos dos lábios erguido em provocação.

“É verdade.” Marinette respondeu “Mas Adrien, ela-“

“Eu esperava mais de você, Marinette.” ele não a deixou terminar.

Ele não iria escutar quaisquer motivos que saíssem da boca de Marinette. Aquela era a pior hora possível para ela arranjar confusão na escola, e Adrien se irritou por ela não estar pensando nas consequências dos seus atos. Se o diretor soubesse do ocorrido os pais dela seriam chamados, e todo o plano de Tikki iria por água abaixo. Marinette era muito impulsiva, e aquele simples tapa em Chloe poderia colocar em risco todos à sua volta.

“Eu vou ir até a diretoria!” Chloe disse e virou nos calcanhares, mas Adrien a segurou do braço quando ela tentou sair.

“Não, Chloe. Não precisa aumentar o problema. Acho que a Marinette entendeu onde errou.” Adrien repreendia sem olhar diretamente para Marinette, como se ela fosse uma criança que cometera uma traquinagem “Vem, vamos.” Adrien ainda segurava do punho de Chloe, que foi levada enquanto fuzilava Marinette com um olhar triunfante.

“Mari, meu Deus, o que aconteceu?” alguém a sacudia dos ombros, mas ela não conseguia tirar os olhos incrédulos das costas de Adrien que se afastavam “Foi ele? Foi ele de novo?” Marinette então desviou o olhar na direção da voz e viu Nathanaël e seus olhos turquesas agitados na direção dela. Claro que seria ele, era sempre ele.

“Eu tô bem.” Marinette respondeu em uma voz robótica e puxou a classe de volta na sua direção, sentando-se.

“Nath, o que foi?” Alya chegou com pacotes de biscoitos e refrigerantes nas mãos, e encontrou Marinette com os olhos baixados para a classe e Nathan à sua frente, inclinado sobre a mesa.

“Aquele desgraçado.” Nathan disse entre dentes “Toda maldita vez, é aquele desgraçado.”

“Ele quem? Calma, Nath.” Alya largou rapidamente as coisas sobre a própria classe e se abaixou ao lado de Marinette “O que houve, Mari?”

“Eu bati na Chloe.” Marinette murmurou e Alya levou às mãos à boca.

“Mas por quê? Quer dizer, não que alguém precise de um motivo pra isso, mas o que aconteceu?” Alya perguntou, vendo uma lágrima descer pelo rosto de Marinette.

“Ela disse que o Adrien me acha uma interesseira.”

“Ai, meu amor, e você acreditou nela?” Alya abraçou o pescoço de Marinette, sentindo a amiga abafar soluços contra o seu peito “Essa garota é uma víbora, eu falei que se envolver com ela era problema.”

“E se ele pensa mesmo isso de mim, Alya?”

“Mari, como qualquer pessoa no mundo pode pensar isso de você? Ela tava só te provocando!” Alya afagava a cabeça de Marinette, juntando-a contra o peito enquanto fazia sinal com a mão para que as pessoas curiosas se afastassem dali.

“Ela mereceu aquele tapa.” a voz de Nathanaël ressoou nos ouvidos de Mari.

“Você viu acontecer?” Alya perguntou com a voz alterada e o silêncio caiu sobre eles, indicando que Nathanaël concordara com um movimento de cabeça ao invés de palavras “E não fez nada?”

“Eram duas garotas brigando, o que eu ia fazer?” ele grunhiu e Marinette segurou um sorriso. Sabia o quanto Nathanaël tinha dificuldade em lidar com as pessoas, ainda mais se tratando de garotas.

“Pra começar, não deixar as coisas chegarem a esse ponto!” Alya ainda xingava Nathan, que gemeu sem saber o que responder “Você não pode ficar aqui nesse estado.” ela secou as lágrimas no rosto de Marinette com as próprias mangas da blusa, abaixando-se ao lado da classe “Vamos embora daqui.”

“Eu não queria ter vindo pra aula, Alya. Não queria.” Marinette murmurava, segurando as lágrimas que insistiam em cair pelo rosto.

“Eu sei, eu que insisti.” Alya gemeu arrependida “Vamos, vou levar você pra casa.” a ruiva começou a juntar seus materiais, mas sentiu uma mão pousar sobre seu ombro.

“Deixa que eu vou, Alya.” Nathan ainda tinha a testa franzida de raiva, mas seu olhar preocupado predominava “Pode ficar, eu cuido dela.”

“Tem certeza? Você vai perder as aulas.” Alya pegou o pacote de biscoitos e o refrigerante que havia comprado para Marinette e alcançou para Nathananël.

“Não tem problema, ela é mais importante.” ele respondeu, baixando os olhos para Marinette.

Alya ficou observando o olhar de Nathanaël sobre Mari e suspirou pesadamente. Aquela situação estava se tornando ainda mais complicada. Ela sabia o quanto Nathan se preocupava com Marinette, e diversas vezes havia visto os dois juntos se ajudando e se divertindo, a amizade crescendo e se aprofundando com o passar do tempo, mas o que ela começava a notar no olhar de Nathanaël estava longe de ser apenas amizade. Alya viu Nathan abaixar-se e murmurar algo para Marinette, que assentiu com a cabeça e se levantou da classe.

Ele juntou as coisas dela dentro da bolsa com cuidado, colocando-as sob o braço esquerdo enquanto no braço direito puxava Marinette em um abraço e a ajudava a caminhar até a saída da sala de aula. Atrás deles, Alya sacudiu a cabeça negativamente. Estava tudo realmente ficando complicado, e ela não sabia se aquilo era muito bom ou muito ruim.

Nathanaël e Marinette caminharam até a saída da escola, os passos sincronizados batendo no concreto em um ritmo lento de quem não tinha pressa de chegar a lugar algum. O ruivo baixou o olhar e fitou Marinette, o perfil cansado de olhos semicerrados focado à frente.

“Sinto muito por tudo o que aconteceu.” Nathanaël disse, mas Marinette não desviou o olhar da frente.

“Não é sua culpa.” ela explicou, e os dois seguiram o resto do percurso até a casa de Marinette em silêncio.

Quando chegaram à casa dela, Nathan lhe entregou a bolsa escolar e ficou esperando até que ela acertasse a chave para abrir a porta, mas suas mãos tremiam tanto que ela não acertava a fechadura. Ele então suspirou pesadamente e colocou a mão sobre a dela, firmando o movimento, até que a chave girou em um estalo baixo e a porta se abriu.

“Lar, doce lar.” Nathanaël disse, vendo o perfil imóvel de Marinette “Eu vou voltar, tá? Não é bom eu ficar se seus pais estão viajando.” ele fez menção de virar o corpo, mas sentiu algo segurar a manga do seu casaco.

“Fica.” Marinette pediu, ainda com os olhos baixos para o chão “Por favor, fica.”

Nathanaël olhou as pontas dos dedos de Marinette presos em seu casaco e franziu as sobrancelhas, vendo a figura frágil de Marinette se despedaçando ao pé da porta da própria casa, as palavras trêmulas pedindo para que ele não a deixasse sozinha.

“Fico sim.” ele respondeu enquanto entrava na casa logo atrás de Marinette e fechava a porta atrás de si.

Marinette adentrou a sala e largou suas coisas sobre o sofá da sala, jogando o corpo sobre a superfície macia e se deixando afundar no conforto e no silêncio. Nathanaël sentou-se no sofá ao lado, repousando o olhar sobre Marinette que respirava devagar e olhava para o teto com uma expressão exausta.

“O que você tá sentindo?” Nathanaël perguntou e Marinette quase sentiu um sorriso subir pelos lábios.

Toda vez que ela passava por um problema, uma crise de ansiedade ou qualquer dificuldade lhe afligia, Nathan pedia para que ela descrevesse exatamente o que sentia. Fosse dor ou sofrimento, ele queria saber cada pouco do que estava acontecendo com ela, e aquilo a fazia sentir importante.

Pensou em sua vida como Ladybug e quis contar tudo para Nathanaël, cada pouco do que estava passando, mas diferente de seus problemas com Adrien no passado, dentro dela tinha uma cesta cheia de complicações que não podia dividir com Nathan, então fechou os olhos e tentou resumir os sentimentos que pulsavam dentro de seu coração.

“Eu tô triste e decepcionada.”

“Eu posso imaginar.” ele murmurou “Quer me contar o que aconteceu?”

“Eu não sei.” ela expirou, passando a mão no rosto.

“Pode ser que ajude a esclarecer o que tem na sua cabeça. Se piorar, você para e a gente sai pra tomar um sorvete, o que acha?” Nathan se inclinou para frente no sofá, os antebraços apoiados nos joelhos e as mãos cruzadas à frente enquanto sorria.

“Eu odeio quando você dá uma de terapeuta pra cima de mim.” Marinette franziu o nariz.

“Mas funciona.” Nathan sacudiu os ombros e Marinette sentiu o canto de um dos lábios subir em um meio sorriso.

“Eu reagi mal.” ela começou a explicar “Chloe veio me provocar e falar um monte de coisas sem sentido e eu entrei na onda dela.” Marinette gemeu quando terminou de falar. Quando colocava em palavras, ficava ainda mais claro que fora manipulada e perdera no exato instante em que não fora forte o suficiente para resistir às provocações de Chloe.

“Mas não foi isso que te deixou assim.” Nathanaël inclinou-se para trás no sofá “Você já brigou com a Chloe um milhão de vezes, e nunca chegou nem perto de ficar tão mal. Eu te conheço, Mari. Só uma coisa consegue te deixar pra baixo desse jeito.”

Marinette olhou para Nathanaël que a fitava com o olhar decidido. Ele queria que ela confessasse o que realmente lhe deixava mal. Queria que ela dissesse, palavra por palavra, que só Adrien Agreste tinha aquele efeito sobre ela, mas ela apenas baixou a cabeça e afundou o rosto nas mãos.

“Foi ele de novo, não foi? Você esperava que ele ficasse do seu lado, e ele não ficou.”

As palavras de Nathanaël atingiram o coração de Marinette como uma lança de gelo e ela teve que segurar a respiração para não começar a chorar novamente. Como era possível que depois de tantos anos Adrien ainda fosse capaz de mexer com ela daquele jeito, mesmo depois de ter quebrado seu coração em mil pedaços?

“O seu silêncio diz mais do que eu quero saber.” Nathanaël soprou as palavras em um tom exausto enquanto via Marinette com o rosto escondido nas mãos espalmadas. Ele havia prometido para si mesmo que não deixaria Adrien destruí-la novamente, e estava disposto a ir até os confins do mundo para manter sua promessa.

“Posso te perguntar uma coisa?” ele murmurou.

Marinette ergueu os olhos para Nathanaël que a fitava de uma forma diferente do que ela normalmente estava acostumada a ver. Tinha algo ali que ela não reconhecia, e franziu a testa tentando descobrir enquanto respondia.

“Pode sim, claro.”

“Você ainda ama ele?”

Marinette sentiu os lábios entreabrirem e as pálpebras caírem sobre os olhos, semicerrando-os enquanto olhava para o chão. Não conseguia responder, não sabia o que responder, e aquilo a assustou mais do que qualquer coisa. Em qualquer dos últimos quatro anos teria dito com facilidade que não, que não sentia absolutamente nada por Adrien a não ser ódio e repulsa, mas bastou um livro dividido e um sorriso para sacudi-la novamente.

Quando começou a se afundar no turbilhão de sensações que a tomavam, sentiu algo segurar seu queixo e erguer seu rosto delicadamente, então encontrou os olhos turquesa de Nathan olhando-a seriamente.

“Me deixa mudar isso, Mari.” o pedido pegou Marinette de surpresa, e ela abriu os olhos como se o visse pela primeira vez de verdade.

“O q-que você quer dizer?” ela gaguejou tentando compreender o que estava acontecendo.

“Eu você comigo, Marinette.” Nathanaël cerrou os punhos sobre o colo, os olhos fixos nos dela “Eu sei que você ainda gosta dele, e sei que esse não é um sentimento que a gente apaga porque quer, mas eu estou cansado de ver você sofrer. Estou cansado de ver você de longe, desejando algo que só te machuca.” as palavras de Nathanaël eram certeiras como tiros, e ele não fraquejou uma vez sequer no meio das frases.

“Nathan, eu-“

“Eu sei que você não me vê assim.” uma sombra de dor atravessou os olhos dele, e Marinette sentiu um aperto no coração com a visão “Eu sei que você só me vê como um amigo que está por perto.” ele suspirou, medindo as palavras “Mas eu não tenho pressa, Mari. Nenhuma. Eu passei todo esse tempo do seu lado, e passo quanto mais for preciso se for o suficiente pra te ver feliz de verdade.”

Marinette não desviou o olhar de Nathan, e viu que ele engoliu a seco, ansioso pela resposta dela. Sentiu a cabeça latejar com tudo que ele falou, mas algo dentro de si encaixou como uma peça de quebra-cabeças. Talvez ele fosse mesmo o que acalentaria toda a dor no coração dela e a ajudaria a seguir em frente, deixando para trás um sentimento que só a consumia e lhe machucava, sem lhe dar nada de bom em troca.

“Não quero me aproveitar de você, Nathan.” ela murmurou, sentindo os próprio dedos gelados entrelaçarem uns nos outros quando viu ele se ajoelhar à frente dela.

“Você não entendeu.” um sorriso triste fez os lábios dele subirem levemente quando ele colocou a mão sobre as dela “Eu estou pedindo pra que você se aproveite de mim, Mari. Que você use as forças que eu tenho pra seguir em frente, porque eu sou capaz de mover montanhas pra te fazer feliz.” ele ajeitou-se sobre os joelhos antes de prosseguir “Eu sei o que você sente pelo Adrien, mas estou pedindo pra me deixar entrar no seu coração, mesmo que ele ainda esteja aí dentro, até o dia que isso possa mudar. Eu te quero do meu lado, Mari, do jeito que for. Você pode ficar do meu?”

Marinette sentia os batimentos pularem em seu peito como um pássaro preso em uma gaiola, e os dedos de Nathanaël entrelaçaram nos seus, aquecendo suas mãos, assim como as palavras dele aqueciam seu coração. Ela olhou para o rosto dele e percebeu que o turquesa dos olhos dele haviam mudado um pouco de cor por causa da luz que entrava pela janela, e agora tinham um leve círculo azulado em volta. Ali estava o Nathanaël que ela conhecia e não conhecia, mudando e se transformando na frente dela, disposto a se tornar qualquer coisa que ela precisasse. Assim, deixando a dor responder por ela, abriu os lábios e murmurou.

“Posso.”



Notas finais do capítulo

Tomatinho caindo nas graças de Marinette, será esse é o fim de Adrinette? :o
Não esqueçam de comentar e favoritar, me faz muito feliz saber o que vocês estão achando, eu sempre leio todos os comentários, mesmo que esteja com pouco tempo pra responder ainda amo vocês ;___;
Até o próximo capítulo ♥