Sera que um dia serei feliz-MarLili-Brutinha escrita por Sabrina


Capítulo 2
O Susto


Notas iniciais do capítulo

Gente se voces nao comentarem vai ficar dificil de saber se voces gostao da historia ou nao entao comentem por favor



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Era normal ele se atrasar um pouco das viagens que fazia, mas hoje tinha passado dos limites, iria levar uns bons tapas quando chegasse em casa, isso sim. Já tinha passado na casa de Marta no mínimo três vezes para saber se Bruno tinha chegado, e nada dele, o celular na caixa postal, ela simplesmente odiava quando ligava para alguém e caia na caixa, tinha vontade de jogar o celular no chão e pisar várias vezes.

Que ódio! Ela não parava de andando pra lá e pra cá na casa, sentia certa agonia no peito, uma coisa esquisita, queria noticias dele logo. Era quase meia noite, suas mãos não paravam de mexer nos cabelos, deixando-os desgrenhados, ela iria mata-lo só por deixa-la sem noticias, como ele ousa? Ela iria morrer de tanta preocupação. Ela não largava o celular da mão, , ela já tinha vestido um pijama, teria que trablhar amanhae no outro dia, e lá estava ela acordada uma hora dessas, amanhã estaria morrendo no trabalho, a culpa era toda dele.

Estava distraída mexendo no cabelo de novo quando a campainha tocou, ela deu um salto no sofá. Graças a Deus, pensou. Vestiu os chinelos, e correu até a porta, já pensando no que xinga-lo, quando deu de cara com Michele, seu chefe

— Michel? Que foi? Aconteceu alguma coisa pra você vir essa hora? – ela disparou milhões de perguntas, a cara dele de preocupação a alertava.

Seu peito começou a agoniar, sufocar, era uma sensação horrível, sabia que não era noticia boa, Michel sempre fora um cara alegre, e aquela cara era totalmente ao contrário.

— Fatinha...

— O que aconteceu com o Bruno?

— Calma, Fa...

— Fala! O que aconteceu com o Bruno? – seu tom de voz se alterara, assim como todo seu sistema nervoso, já começava a imaginar coisas.

— Eu tava voltando do Místurama com os caras, e teve um acidente ali na avenida....

Fatinha não o deixou terminar de falar, não ligava se estava de pijama, nem que deixou a porta escancarada. Saiu correndo pelo bairro, e aquela avenida não parecia tão perto quanto gostaria, correu o que pode, viu os rapazes que estavam com Michel acenando pra ela lhe indicando o local, correu mais um pouco e se deparou com o carro com a frente toda amassada no guardrail.

Não se lembrava de ver Bruno em um carro assim, eles estavam enganados, tomara que estejam. Ela se aproximou do carro com cuidado para não pisar nos cacos de vidro espalhados pelo asfalto, no banco do motorista tinha sim alguém, o air bag estava aberto e segurava o homem contra ele.

— Fatinha, a gente não sabe se é ele... É melhor não mexer...

Mas ela já tinha aberto a porta do carro, e empurrado o corpo do homem, ela conhecia aqueles ombros, a cor do cabelo, seu olhos começavam a marejar, até que conseguiu ver seu rosto.

— BRUNO! – ela soltou um grito, ele tinha sangue pelo rosto. Os rapazes se aproximavam. – TIREM ELE DAI!

— Fatinha, é perigoso!

— TIRA! TIRA ELE DAI!

Michel se aproximou do carro, tirou o cinto de segurança dele, e com a ajuda dos caras o colocou no asfalto longe dos pedaços de vidro. Ela sentia cada parte do seu corpo tremer.

— Bruno! Caramba! – ela se ajoelhou perto dele, passando a mão em seu corpo pra ver se não tinha nada quebrado. Michel ligava para saber onde estava a emergência que já tinha pedido a alguns minutos atrás.

— Bruno, Bruno... – ela não conseguia dizer outra coisa, sua voz quase não saia, passou a mão no rosto dele. – Acorda... Acorda, , acorda...

Ela mal tinha reparado que ele estava de roupa social, e que ela não tinha visto ele sair de roupa social hoje. O seu desespero era maior que os detalhes. Os rapazes tentavam acalma-la, mas não conseguiam, claro.

— Bruno... Bruno, pelo amor..., por favor. – a sua garganta travou. – Acorda, por favor, acorda! – ela passou as mãos no cabelo dele, e sentiu seu corpo se mover. Ele estava acordado, mas respirava muito mal, muito mal, puxava o ar com força para o peito.

— Bruno, calma, respira com calma!

Ficou ali na expectativa enquanto seus pulmões buscavam por ar, ele foi se acalmando lentamente, e abriu devagar os olhos. Fatinha suspirou de alivio.

— Bruno! – ele lhe resmungou alguma coisa.

— Não fala, não se mexe. O resgate tá chegando.

Olhou para avenida, a ambulância estava chegando, ela segurou em seu rosto mais uma vez.

— Olha pra mim, olha pra mim... – ele a olhou, ainda meio perdido. – Você vai ficar bem, eu prometo, eu juro.

Ele fechou os olhos, a emergência encostou perto deles, o ouviu gemer de dor, apertou sua mão, queria que ele soubesse que ela não ia sair dali de perto dele. Os paramédicos a afastaram enquanto começavam a cuidar dele, e ela se agarrou em Michel, suas pernas fraquejavam toda vez que olhava para o carro e o sangue no air bag branco, ouviu seu Lia chegar e lhe abraçar do outro lado, mas ela ia ser forte, ela é forte.

Foi na ambulância com ele, ele já estava sendo medicado, mas a cabeça dela chegava a doer de tanta preocupação, o segurando com força na mão esquerda.

— O que você é dele? – o paramédico perguntou.

— Noiva. – ela respondeu ríspida, sem tirar os olhos dele. Segundo o paramédico ele tinha um corte na cabeça devido a pancada, e a falta de ar foi provavelmente pela colisão do air bag contra seu peito.

Um air bag abre com tanta força que podia ter explodido uma costela dele, ou até mesmo um órgão, eles precisariam fazer os exames e o mais breve possível, assim que chegassem.

— Você quer um calmante?

— Não, eu tô bem, eu tô bem... – ela repetia mais para si mesma do que para o rapaz.

Logo, a ambulância parou e tiraram Bruno, e o levaram para a emergência a deixando ali na espera, já que não podia entrar.

Todos a olhavam, ela devia estar na pior situação, olhou para as suas mãos sujas com o sangue dele, e começou a se sentir muito mal, uma enfermeira veio e lhe ajudou a sentar, ela estava visivelmente abalada com o susto, Olavo,Marta,Ju ,Gil,Lia chegaram logo atrás, e foram direto para a recepção, tudo que a enfermeira perguntara pra Fatinha, ela não conseguia responder.

Uma hora se passara, a mais longa da sua vida, ela limpou as mãos com um álcool que a enfermeira tinha lhe oferecido, e se recusou várias vezes a tomar o calmante. Estava mais calma, se apoiando em Lia, quando o paramédico apareceu. Todos se levantaram.

— O que ele tem? É grave? Hein? – ela disparava perguntas.

— Calma.

— Calma, amiga, ele vai dizer. – Disse Lia.

— Ele está bem, o impacto que mais o prejudicou foi o do air bag que provavelmente estava com defeito, um air bag não abre em qualquer situação. Ele sofreu uma pancada forte na cabeça, mas parece estar consciente. E não quebrou nada no tórax, o que foi uma grande sorte, a falta de ar foi por conta do impacto mesmo. Nada de grave, mas ele precisava ficar aqui, claro.

Fatinha suspirava aliviada a cada palavra do médico, queria abraça-lo e lhe agradecer por cada palavra que ouvira. Sentiu seu corpo se acalmar, ele ia ficar bem, ele estava bem, não era grave.

— Só tem um problema...

— E qual é? – Lia questionou.

— No carro que ele estava tinha uma maleta com alguns pertences, os policiais trouxeram para cá, e os documentos que estavam lá não condizem com o nome que vocês deram na recepção.

— Como assim, não? – Fatinha estava aflita, ele tinha falsificado algum documento? – Ele é o Bruno Menezes, como falamos.

— Então, tem alguma coisa muito errada, porque o nome que encontramos nos documentos e Marlon Sampaio... – o paramédico disse, mas logo foi interrompido.

— Porque ele é meu irmão.

Fatinha congelou, era a voz de Bruno, se virou o viu ali, inteiro, carne, osso, sem roupa social, suas roupas de sempre, uma calça jeans, uma camiseta e uma jaqueta por cima, a barba mal feita. Saiu correndo, e o abraçou forte, muito forte. Os braços dele a envolveram com a mesma firmeza.

— Calma, minha loira... – era ele. Ela sentiu seu rosto banhar de lágrimas.

— Bruno, que susto, ! – ela começou a bater em suas costas.

— Ai, calma... Calma... Eu preciso resolver as coisas, primeiro.

Ela se afastou dele se sentindo melhor, mais completa, inteira de tê-lo ali, sentir seu perfume, aquele era o Bruno, mas e aquele que tinha encontrado?

— Seu irmão?

— Você pode me acompanhar então? - o médico pediu.

— É, depois eu te explico isso. Fica bem. – ele lhe segurou o rosto e lhe deu um beijo rápido. Passou pela mãe pai e irma lhe dando um breve abraço, e seguiu o médico pela porta.

Fatinha se sentou mais uma vez, ela estava muito confusa, sua cabeça ainda dolorida e agora meio que girava.

— É melhor a gente ir pra casa, e esperar as notícias de lá, amiga. Ele vai explicar tudo depois.

— Ele nunca me disse que tinha um irmão, Lia. Você viu, ele era idêntico ao Bruno!

— Eu vi, eu sei, amiga, mas você precisa se acalmar, os meninos vão nos dar uma carona até em casa e ficamos lá.

Ela resolveu ir com a amiga, mas não conseguia tirar da cabeça a imagem do rapaz caído no asfalto, ela podia jurar pela vida de todo mundo que amava que aquele era o seu noivo, o seu moreno. Caramba, aquilo era demais.

Bruno passou a madrugada no quarto esquisito olhar para aquele cara deitado na maca, eles eram tão parecidos que lhe assustava. E toda vez que alguma enfermeira entrava lá para verificar o soro, elas se surpreendiam com a presença do rapaz na cama e de Bruno, algumas o conheciam de vista do bairro, por isso era tão esquisito.

Ele já estava cochilando na cadeira de acompanhante, quando a enfermeira entrou de novo e o fez pular.

— Desculpa, desculpa... Mas eu preciso...

— Eu sei, à vontade.

Nunca tinha passado a noite com alguém em um hospital, e aquilo era extremamente cansativo e irritante.

— Ele tá melhor? – questionou, passando as mãos no rosto para acordar.
— Os sinais estão estáveis, como está acabando a sedação... Ele pode acordar em breve.
— Ok, muito obrigado.

Ele se levantou e se esticou, a cadeira além de desconfortável era pequena pra ele, parou do lado da cama, e ficou olhando mais uma vez pro rosto do irmão. Ele nunca tinha procurado Bruno, por que agora? Por que tinha aparecido tão de repente? Por que tinha vindo àquela hora da noite?

Já não bastava ter trabalhado o dia todo , seu celular ter acabado a bateria, e chegar em casa e todo mundo te olhar com cara de susto, pensando que você é um fantasma. E chegar a um hospital e ver todo mundo preocupado com “ele”, sendo que nada tinha acontecido com ele. Marlon. Queria saber logo porque ele tinha voltado, afinal, a vida dele era mais do que boa lá em São Paulo, e disso, ele sabia muito bem.

Sentiu a consciência voltando aos poucos, e sua cabeça latejando de novo, tinha uma sensação incomoda no braço, se mexeu devagar e era uma agulha. Merda, pensou. Permaneceu de olhos fechados, com medo que a claridade o deixasse com mais dor ainda. Tudo o que tinha acontecido começou a voltar em suas memórias, a traição, a viagem, o cachorro, a batida, Lili. Lili. Ela estava aqui? Ele abriu os olhos devagar, o branco do quarto quase o cegou, tinha alguém do lado dele na cama.

— Olá, maninho.

Ele focou sua visão no rapaz ao lado, e sentiu sua garganta seca apertar, era esquisito demais, como se olhasse para um espelho, mas ele jamais usaria aqueles tipos de roupa. Bruno. Enfim, era ele. Ele trazia um sorriso meio maroto no rosto, e lhe olhava com curiosidade.

— Olá... – ele falou, a voz saiu fraca, muito fraca. Morria de sede. – Água. – ele disse, meio rouco.

— Água. Tanta coisa pra me dizer, e você me diz água? – ele arqueou as sobrancelhas, deu uma risada e foi buscar um copo de água. – Quer ajuda?

Marlon tentou se sentar e nesse momento o mundo rodou, a cabeça doeu ainda mais, e ele não conseguiu evitar um gemido de dor que saiu da sua boca. Pegou o copo de água que Bruno lhe oferecia, e tomou de uma vez, se pudesse beberia um galão de tanta sede. Agora ele conseguiria falar.

— Nem vou perguntar se você está bem, afinal dá pra perceber que não está. – Bruno deu de ombros, debochando dele.

Marlon olhou pra ele mais uma vez, era como se fosse uma versão rebelde dele. Ele que sempre foi muito certo, no caminho certo, via nele uma versão sua ao contrário.

— Estou me sentindo horrível, na verdade. E você, como está, Bruno Menezes?

— Bruno Menezes... – ele riu de novo. – Nem meu pai me chama de Bruno Menezes, Marlon. Só Marlon, né?

— Só Marlon.

Ele se lembrou da mulher que vira quando sofreu o acidente, ele devia saber quem era.

— A Lili tá aqui?

— Quem é Lili, cara?

— Minha esposa... aliás, ex... – falar aquilo lhe doía mais do que só imaginar a situação. – Eu a vi quando eu sofri o acidente, eu estava caído...

— Ah! A filha do famoso Lc da comunidade que vocês destruirao. Não, ela não apareceu por aqui, senão esse hospital estava lotado de gente histérica pedindo autógrafos. Acho que quem você viu foi a Fatinha.

— Fatinha?

— Minha noiva. – ele sorriu, conseguia ver nos olhos de Bruno o brilho do amor, ele já teve esse olhar também.

— Mas ela é muito parecida com a Lili. Demais, eu quase...

— Pois é, né, cara. Parece coisa do destino, mas não é. Só quero saber o que você veio fazer aqui no fim do mundo do Rio de Janeiro, sendo que lá em São Paulo você tinha tudo de bom e do melhor, vinhozinho, queijo, dinheiro, apartamento de luxo. Você pode me explicar o que veio fazer aqui?

— Eu precisava fugir. – disse simplesmente, se apoiando na maca de novo.

Continua.....


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Notas finais do capítulo

Comentem pessoal quando mais rapido voces comentarem mais rapido sai cap rapido



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