Estrada para o outro lado escrita por slytherina


Capítulo 1
Pepsi-cola e outras coisas


Notas iniciais do capítulo

"Todos os dias quando acordo, não tenho mais o tempo que passou, mas tenho muito tempo. Temos todo o tempo do mundo. Todos os dias antes de dormir, lembro e esqueço como foi o dia. Sempre em frente, Não temos tempo a perder. Nosso suor sagrado é bem mais belo que esse sangue amargo. E tão sério e selvagem." Tempo perdido - Legião Urbana




Sam Winchester caminhava pela calçada. Ele teve aulas pela manhã toda e até almoçou na escola. Ele se arrependia disso, pois agora uma náusea constante e insidiosa ameaçava derramar todo o conteúdo do seu estômago na via pública. Maldita merenda escolar estragada.

O mal estar ameaçava transformar a sua caminhada para casa em martírio. Se ao menos ele estivesse com Dean no Impala já teria chegado em casa. Em dado momento, antes de atingir seu destino, ele perdeu o controle sobre seu estômago. Só teve tempo de desviar a cabeça para o lado, e despejar todo o almoço ao pé de uma árvore próxima à calçada.

Não tinha orgulho de si mesmo. Andar por aí vomitando no meio da rua era algo que desprezava. Ele se apoiou na árvore e limpou a boca. Esperou que o mal estar passasse, o que demorou a acontecer. Ele praticamente teve que se arrastar para casa.

"O que houve com você?" Dean perguntou assim que o viu.

"A comida dada pelo governo para almoçarmos na escola ... não estava muito boa." Sam respondeu de olhos fechados, tentando reunir o que restava de suas forças para ao menos chegar ao sofá.

Ele sentiu as mãos fortes de Dean amparando-o. Dean ajeitou almofadas no sofá e até colocou uma manta sobre si. Sam sabia o que vinha em seguida e tentou impedir que Dean prosseguisse com o ato de mãe-gansa, mas os sons que saíam de sua boca se pareciam mais com grunhidos ininteligíveis. Logo mais, Dean trouxe uma xícara do remédio de família dos Winchesters.

"Não, Dean! Tudo menos isso!" Sam ainda conseguiu reclamar de maneira coerente.

"Vamos, pare de manha! Você sabe que esse é o remédio sara-tudo. Vai ficar novinho em folha." Dean o repreendeu, enquanto levantava sua cabeça para poder beber o chá pau-pra-toda-obra.

"É, isso é bom pra ressaca e ferimentos, mas não para estômago sensível, após comer comida estragada". Sam pensou, incapaz de proferir palavra, enquanto ingeria goles do chá amargo e detestável.

Sam dormiu logo e acordou mais disposto, duas horas depois, a despeito da queimação que o chá produziu no seu interior. Uma vozinha racional na sua cabeça o alertava que a beberagem não era milagrosa, mas apenas o resultado natural de uma soneca no sofá, após seu estômago ter expelido o alimento deteriorado.

Ele conseguiu se sentar, e retirou o casaco que ainda vestia sobre as duas blusas, que o clima daquela cidade o obrigava a usar diariamente. Estava suado. Suas blusas estavam coladas em seu corpo, e isso o incomodou demais. Grudento, fedido, e com bafo de bode, devido o chá horrível que fora obrigado a beber. Resolveu tomar um banho.

Mais tarde, já banhado e de roupa trocada, ele se sentou à mesa para jantar com seu pai e irmão.

"Como foi na escola hoje, Sam? Dean me disse que você passou mal". John Winchester começou o interrogatório rotineiro.

"Não foi nada demais, apenas passei mal devido à comida do almoço".

"Pois deveríamos ir na escola e reclamarmos com a diretora. Quem sabe quantos alunos também passaram mal?" O patriarca exasperou-se.

"Papai! Acalme-se! A última coisa que você quer é atrair a atenção pra gente. Se houve outros casos de alunos que passaram mal, as família deles já devem ter se queixado. Não precisamos fazer nada". Dean contemporizou.

"Está bem! Você tem razão, Dean. E você, Sam, nada de comer na escola novamente, está me ouvindo?" O velho homem falou, apontando a colher para Sam.

"Sim, papai! Como queira". Sam falou sem emoção. No fundo ele não se importava mais com todo o episódio. Ele olhou de Dean para seu pai, e concluiu que no fim das contas, os dois mandavam em sua vida, e a ele não era dado o poder de decisão ou escolha.

As coisas voltaram ao normal depois disso, e nenhum outro aluno na escola passou mal com a merenda escolar estragada. Nem foi preciso tomar satisfações com a diretora. Vai ver tudo não passara de uma grande coincidência. Quem sabe não foi a pepsi-cola que estava estragada?

A semana ia transcorrendo muito bem na escola, e Sam tinha certeza que ele concluiria o ano letivo com excelentes médias, isto é, se seu pai não teimasse em viajar para outra cidade, obrigando-o a pedir transferência para outra escola. Dean havia desistido de cursar regularmente o ensino médio, preferindo apelar para o EJA para obtenção do certificado. Sam até o entendia. Afinal de contas, Dean carregava muita responsabilidade nas costas, tomando conta de Sam, arranjando um emprego para sustentarem-se na ausência do pai, que persistia em suas caçadas a entidades sobrenaturais, numa eterna busca por vingança pela morte da esposa.

Sam passava grande parte do tempo sozinho, e se não fosse pelos colegas da escola, que o convidavam para passear, ir ao cinema, ou simplesmente jogar video-games com eles, Sam praticamente vegetaria em casa. Nesse ponto, as viagens com o pai até serviam para quebrar o marasmo de sua existência.

Como dizia anteriormente, a semana ia muito bem, obrigado, até o incidente da aula de Educação física. Vergonha! Só essa palavra resume bem o que aconteceu.

O professor de Educação física mandou os alunos correrem na quadra da escola, até completarem 10 voltas. Moleza! Foi isso que Sam pensou. Ele estava acostumado a fazer esse percurso durante os treinamentos de seu pai, para adquirirem resistência física. E isso no inverno, subindo morros, com pesos amarrados na cintura. E embora Dean sempre o vencesse, o tempo de Sam era de dar inveja a atletas profissionais.

Então que diabos acontecera? Após a quinta volta, Sam viu tudo escuro e não sentiu mais os membros. Sua respiração falhou e o chão o atraiu com toda força. Acordou na enfermaria da escola, com seu irmão ao seu lado. O professor de Educação Física e o enfermeiro da escola também estavam lá, muito nervosos e preocupados.

Sam olhou para eles e tentou falar, mas sua língua estava pesada e tinha … cabelos nela. Ele levou os dedos à língua, mas Dean segurou sua mão para que não fizesse isso.

"Não, Sam! Sua língua foi costurada. Você a mordeu quando desmaiou e caiu. Acho que dessa vez terei que levá-lo ao médico". Dean falou sério.

Sam sabia que isso não era nada bom.





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