SeuSegredo. Com escrita por Panda Chan


Capítulo 25
Meu Melhor Amigo


Notas iniciais do capítulo

Olá bolinhos, como estão?
Nossa, parece que eu não apareço aqui há séculos hahah Sorry, babies.
Esse capítulo está bem light pro cês, espero que gostem ♥
Boa leitura.



Apenas encaro o teto do quarto com a constelação que Lucca e eu colamos nele há tanto tempo. Os adesivos de planetas e estrelas brilhavam no escuro e quando éramos mais novos, fingíamos ser astronautas desbravando aquela galáxia particular. Agora esses adesivos estão apagados e esquecidos no teto do quarto do meu melhor amigo.

Sinto quando a cama cede com o peso do meu melhor amigo.

— Perfeito, não esqueça que eu preciso de tudo pronto pelo menos duas horas antes do início do baile.... Não acho que seja pouco tempo – ele revira os olhos de forma dramática – Estou te avisando com dias de antecedência que quero essa estrutura pronta duas horas antes do baile. Espero que não haja atrasos.

Lucca deixa o celular preso entre a orelha e o ombro enquanto me puxa para perto. Consigo ouvir a voz irritada do responsável pelo buffet do baile falando de forma rude com Lucca.

— Ok, se você acha que não tem capacidade para isso é só dizer. Meu pai vai amar saber que a empresa na qual ele confiava não é capaz de fazer algo tão simples.

As palavras “meu pai” causam o efeito que Lucca deseja e o homem passa a falar de forma suave e mansa na linha.

A discussão que estão tendo é sobre a estrutura que Ícaro nos pediu para arrumar, mesmo com os desenhos detalhados do garoto o homem encarregado do serviço não conseguia entender porque ter algo daquele tipo em um baile de escola.

Toc toc— Jullie cantarolou passando pela porta do quarto do filho com uma bandeja em mãos – Trouxe cookies.

— Só um momento – Lucca pediu para o homem no telefone – Foram feitos por você?

— Não – Jullie revirou os olhos avelã como os do filho – As empregadas me proibiram de usar a cozinha na minha própria casa!

Lucca deu um meio sorriso e se levantou voltando a falar com o homem no telefone enquanto caminhava pelo quarto. O lugar onde ele estava sentado na cama foi ocupado pela mãe com a bandeja de cookies e dois copos de leite com achocolatado em mãos.

— Está cansada? – ela pergunta com os olhos expressando preocupação.

— Um pouco – confesso – Toda essa agitação com os preparativos do baile estão me deixando... Ansiosa.

A realidade é que estou cada vez mais ausente, quando não estou resolvendo algo sobre o baile estou postando no blog ou dormindo. Esses últimos dias eu vivo no que se pode chamar de piloto automático.

— Acho que te entendo um pouco – Jullie pega um dos cookies no prato eleva até seus lábios – Eu não sou a maior fã de bailes do mundo, sabe?

Apenas assenti. O baile de Jullie no Saintine Marie tinha sido perfeito até terminar na tragédia que custou a vida do irmão dela, Lucca Daniel Way.

— Notei que você parece preocupada – ela prossegue – Está com problemas para decidir em qual faculdade vai se inscrever? Se for isso, posso ajuda-la a pesquisar as mais adequadas.

Um arrepio percorre minha espinha, já havia me esquecido de que meu último ano no Saintine significava ir para a faculdade.

— Não decidi nem mesmo o curso que irei fazer – pego um cookie da bandeja e o mordo. O sabor agradável confirma que não foram feitos por Jullie.

— Ai está uma coisa da qual não sinto falta nenhuma, o horrível peso de ter que decidir o que vai fazer pelo resto da vida e a possibilidade de terminar escolhendo errado e  se condenar para sempre.

Apenas a encarei em silêncio esperando que percebesse o quão positiva ela havia sido em suas afirmações.

— Desculpe – ela sorriu – Algumas vezes sou sincera demais.

— É, eu percebi – suspiro – Tenho receio de escolher errado e terminar em um lugar distante sem ter como voltar.

Sem ter como ser a Secret.

— Eu sei que isso não vai acontecer – ela diz de maneira sincera – Você sempre terá uma rota de escape, alguém que irá busca-la.

— Nós duas sabemos que minha mãe não me buscaria nem na padaria – brinco.

— Não falei dela – Jullie olha para Lucca e entendo o que ela quer dizer, ele realmente iria a qualquer lugar apenas para me ajudar sem pensar duas vezes – E você não precisa ter medo das mudanças que a aguardam – acrescentou – Por mais assustador que pareça agora, você pode errar uma ou duas vezes sem problemas. Você ainda é muito nova e pensar que está decidindo sua vida é uma tolice, Anna.

Olhei para Jullie e a enxerguei como realmente é, uma mulher que perdeu o irmão quando ainda era uma adolescente foi obrigada a assistir enquanto ele morria para salva-La, vive um romance capaz de deixar qualquer princesa da Disney com inveja e aprendeu a gerenciar os negócios da família. Garota, autora, mãe, apaixonada, filha, irmã, administradora... Ela não foi apenas uma coisa, ela foi várias.

Talvez eu deva dar atenção para o que ela diz.

— Acho melhor eu voltar para meus afazeres – ela deposita um singelo beijo em minha testa antes de se dirigir até a porta aberta – Antes que eu me esqueça, acho que você daria uma ótima jornalista.

— Por que? – pergunto curiosa.

— Existem alguns secrets que não se deve contar – ela apenas me olhou dizendo “eu sei de tudo”.

Acho que não sou tão boa escondendo segredos quanto imaginei que era.

Cinco minutos depois, Lucca desliga o celular se jogando na cama e pega um dos biscoitos na bandeja.

— Estou ficando maluco com esse baile – resmunga – Acho até que estão nascendo cabelos brancos em mim.

Não contenho a gargalhada e passo a mãos no cabelo preto como o breu dele.

— E tem rugas também – brinco.

— Rugas? – ele fica alarmado antes de relaxar a expressão – Não me diga que são de preocupação.

— Pode acreditar que são, está na hora de usar um rejuvenescedor facial.

— Vou roubar algum da minha mãe depois.

— E a tinta de cabelo dela também – toco a ponta do nariz dele com meu dedo indicador – Não podemos deixar esses fios brancos expostos para o mundo.

— Tem razão.

As palavras do Ícaro começam a rodar minha mente. Para mim a relação entre Lucca e eu sempre foi uma amizade, o ciúmes que senti por garotas que se aproximaram dele era apenas de amiga querendo proteger o amigo bocó, mas... Só talvez exista a hipótese de não ser.

Contudo, não cheguei a conclusão final sobre isso. Tenho medo da resposta.

— O que foi? – ele pergunta com a voz baixa e levemente rouca.

— Só estou pensando em algo que ouvi.

— Foi sobre mim?

— Pode-se dizer que foi.

— E foi algo bom?

Encaro os olhos dele refletindo a curiosidade que sente e sorrio.

— Estou tentando decidir isso.

Quando Lucca e eu conseguimos convencer os pais dele a financiarem o baile recebemos como brinde a responsabilidade de cuidar de cada mínimo detalhe referente a decoração do ginásio e afins, o diretor até se ofereceu para juntar um grupo de alunos interessados e nós recusamos.  Eu sei que você deve estar pensando que somos dois malucos por recusar ajuda quando ela é obviamente necessária, acontece que somos gênios do mal e às vezes gostamos disso.

O ginásio se tornou um lugar proibido para os alunos com exceção de nós e temos carta branca para ficar aqui quando quisermos sob o pretexto de arrumar o baile.

— Acho que já tem uma semana que não vamos a aula de química – Lucca comenta enquanto dedilha algumas notas no violão.

— Não estamos recebendo falta – comento sem deixar de digitar freneticamente uma nova postagem para o blog.

— E ainda vamos ganhar nota. Cara, devíamos fazer um baile todo mês.

— Seria legal se os seus pais topassem financiar todo mês quase 80% do gasto total com a preparação do baile.

— Do jeito que são desligados, íamos nos formar na faculdade antes que eles descobrissem.

Enquanto conversamos calmamente pelo menos uma dezena de funcionários andava de um lado para o outro pelo ginásio organizando mesas e arrumando decorações.

— Quando essa galera descobrir que o trabalho escravo está proibido, vocês vão ter que fugir do país.

A voz de Ícaro faz com que Lucca e eu paremos o que estamos fazendo para olha-lo. O hipster conseguiu autorização para entrar no ginásio e ver como está a estrutura que nos pediu.

— Oi pra você também – digo – Veio conhecer nosso monstrinho?

— Mas é claro.

Lucca apenas revira os olhos e entendo que sou a responsável por apresentar Ícaro ao seu novo amigo.

Faço um sinal para que ele me siga até o meio do salão e mostro a versão real do que ele idealizou no desenho.

— O que acha?

— Perfeito.

O sorriso dele fica tão parecido com o do Coringa que um arrepio percorre minha espinha ao vê-lo.



Notas finais do capítulo

Ué, Nana Banana está confusa??? É ISSO MESMO PRODUÇÃO?
Parece que sim, agora depende do nosso amado Foster Jr dizer se sente o mesmo ou não.
E qual será o monstrinho que o Ícaro pediu? Huuuuuuum.
Tá no tédio? Não deixe de dar uma lida na minha One-Shot yaoi https://fanfiction.com.br/historia/697931/O_que_acontece_na_Sala_de_Ciencias/
SIM, AGORA SOU DESSA SAUTORAS QUE MENDIGAM COMENTÁRIOS. RÁ!
Beijos de amora jovens bolinhos de pipoca ♥



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