The Son Of Cruella De Vil escrita por Apple White


Capítulo 9
Capítulo nove – A festa nunca morre


Notas iniciais do capítulo

Esse é sem dúvida, o meu capítulo preferido ♥
Tem um grande mistério nesse capítulo, assim como momentos fofos entre alguns personagens e revelações sobre personagens.
Espero que gostem :3



Meu desempenho escolar na manhã seguinte não foi um dos melhores. Meus pensamentos não estavam na sala de aula, muito menos na escola. Eu apenas pensava nas coisas que a minha mãe disse.

— CARLOS!

Assustei-me ao ouvir Jay gritando em meu ouvido.

— O que foi?

Jay riu ao assustar-me, e Mal com o seu ótimo temperamento revirou os olhos devagar. Era o intervalo, e eu nem havia notado.

— Você parece bem distraído — Evie disse com um sorriso malicioso. — Aconteceu alguma coisa para você ficar assim?

— Aconteceu...

Disse baixinho sem que nenhum deles me escutasse. Eu comia um hambúrguer (no qual a carne estava quase queimada) e de sobremesa um pudim de leite que era sem um pingo de dúvidas a melhor coisa que havia naquele refeitório.

Mais cedo tentei agir como se nada tivesse acontecido, como se eu não tivesse ouvido que Úrsula e Cruella haviam ressuscitado a mãe de Mal, se é que isso era possível. Acho que Mal deveria saber que Malévola estava viva, e certamente, em busca de vingança.

Terminei de comer e levantei sem nem ao menos dizer para onde ia. Percebi olhares confusos de Jay e Evie sobre mim, mas nem mesmo me importei com isso, queria ficar sozinho.

Sei que Mal não achou estranho esse meu comportamento, ela sabia que de vez em quando eu gosto de ficar sozinho para pensar sobre tudo o que está acontecendo.

Mas é uma pena que dessa vez isso não se refira somente a mim, mas sim a todos que moram nessa cidade pacata. Malévola viva não era uma coisa muito boa, na realidade, isso era muito ruim! Pensar em que mamãe veio aqui fazer algo ruim ao invés de me procurar me deixava pra baixo, mas seja lá o que ela esteja planejando eu vou impedi-la, nem que isso resulte numa rivalidade minha contra minha própria mãe. Abri meu armário e tirei meu caderno. Faltava cerca de vinte minutos para o início da próxima aula, então fiquei desenhando.

Com base em meus sentimentos, desenhei minha mãe e ao seu lado, eu. Estávamos um de costa para o outro...

A minha expressão era decepcionada, já a de Cruella era vingativa e um pouco de tristeza por estar perdendo o seu único filho.

Senti algo me encostar, e ao olhar para o lado quase tenho um ataque cardíaco ao ver Diana ao meu lado com um sorriso no rosto e observando meu desenho. Essa garota ainda me mata!

— Está faltando as suas sardas no desenho...

Observou. Olhei para o desenho e realmente faltava as sardas.

— Se você for tão bom pintando quanto é desenhando, creio que se colorir o desenho vai ficar bem realista.

Novamente olhei para o desenho e me obriguei a concordar com Diana. Admito que algumas vezes ela é suportável.

— Mas, por Deus! Como você veio até aqui sem eu perceber? Meus ouvidos são tão bons quanto o de um cachorro, como não...

Ela deu uma risadinha no qual eu achei até que fofa e bonitinha. Ela olhou para seus pés e vi que ela estava descalça.

— Acho que isso é coisa da minha mãe, sabe?

— Isso explica eu não ter ouvidos seus passos! — Sorri.

Eu sempre tentava ser o mais legal possível com Diana, mesmo que quando ela está incrivelmente chata eu tenho vontade de lhe dar um soco no rosto e obriga-la a ser igual a DI. Mas como uma pessoa normal, eu seguro essas minhas emoções e apenas dou um meio sorriso para ela enquanto a garota fala sobre como eu não sou como ela achava e em como sua festa seria legal.

Sua festa sendo legal ou não, eu não estava nem aí! Eu apenas iria para ajudar Mal a descobrir quem a protege e tentar colocar essa mimada em seu devido lugar.

— Você vai para a minha festa amanhã à noite?

— Sim, claro que vou!

— Você e os seus amigos? — Assenti. — No momento em que convidei vocês, achei que não iriam, pareciam tão desinteressados.

E mesmo sem saber, ela estava certa. Dei novamente um meio sorriso enquanto Diana olhava para o desenho.

— É sobre coisas que estão acontecendo — Disse ao perceber que ela estranhava o desenho. — Isso é mais ou menos o que eu prevejo do meu futuro com a minha mãe daqui a alguns meses. Ela não sabe, mas eu sei de um segredo dela e que sabendo disso possa ser a ruína da família De Vil.

— É uma coisa ruim? — Perguntou.

— Eu não sei — Respondi. Diana ficou em silêncio durante um tempo, me deixando pensar em paz. Gostava disso nela, ela sabia me respeitar quando eu queria pensar.

— Bom... Eu te vejo na festa? — Assenti. — Até lá!

Foi somente ela sair que o sinal para a próxima aula começou. Era aula de química e Evie estaria comigo. A encontrei dois corredores antes da sala de aula e fomos juntos. Ela me perguntava sobre o que havia acontecido para eu ter saído daquela maneira e o que eu tanto conversava. Apenas disse que eram coisas pessoais.

Percebi que falar isso foi um erro. A mente de Evie era muito maliciosa, mas maliciosa num bom sentido. Ela deu aquele seu sorriso e eu bufei, entrando na sala sem nem ao menos esperá-la.

— Carlos...

— O que é? — Tentei parecer o mais aborrecido possível.

Evie fazia dupla comigo, o que a dava a chance de tagarelar a vontade.

— Sei que você não vai muito com a cara dessa garota, mas você pareceu gostar dela quando a viu no seu primeiro dia de aula. Eu observei como você a olhava, e você estava quase babando.

— O quê?

Evie riu e deu um tapa em minhas costas.

— Você estava quase babando quando a viu.

Ao chegar, a professora logo nos disse que faríamos fazer uma experiência sobre um cristal caseiro, acho. Não havia entendido direito. Coloquei meu jaleco, luvas e óculos. Por falar em óculos, tenho que lembrar a Lucy... Correção! Cruella de que preciso fazer um exame de vista, eu não tenho enxergado muito bem.

Enquanto fazia o que a professora mandava, ouvia os conselhos de Evie sobre a quantidade de tal produto químico na experiência caso eu quisesse ver as estrelas da noite de hoje.

— O que isso quer dizer? — Perguntei.

— Isso significa explosão e morte, meu caro amigo!

— Então se eu colocar isso — Mostrei a ela algo no qual não fazia a mínima ideia do que seria. — ...Demais eu posso explodir a sala?

Assentiu.

— Está andando muito comigo, Carlos. Muito em breve você será um Einstein da química e eu serei o Newton — Ela sorriu. —A festa é a fantasia, certo? — A encarei. — Antes das aulas começarem eu conversei com a Diana e ela informou a todos que a festa seria a fantasia. Eu sei, muito em cima da hora!

— Como vou arrumar uma fantasia para amanhã?

— Para a sorte de todos nós, amanhã é um sábado e na noite de hoje eu não tenho nada de importante para fazer. Posso começar a fazer as fantasias e terminar amanhã uma hora antes da festa, só preciso de um pouco de magia para isso.

— Magia?

— Mamãe pode estalar os dedos e quatro fantasias aparecer num piscar de olhos — Sorriu. — E até já sei do que nós vamos. Você vai de dálmata, eu de Branca de Neve, Mal de Aurora e Jay de Alladin — Riu. — Irônico, não acha?

Evie continuou falando sobre as fantasias e em como a sua ideia tinha a poupado do trabalho que teria hoje à noite. Escolher as fantasias.

— Sobre o que é a conversa aí atrás?

Sra. Davis chamou nossa atenção, fiquei envergonhado.

— Algo que claramente não é nem um pouco da importância da senhora — Evie deu um sorriso sínico e movimentou a cabeça um pouco para o lado, como fazia quando era sínica.

Olhei para Sra. Davis e para Evie, ambas se encaravam.

— Você é uma ótima aluna, Evie Mills! Mas o seu comportamento infelizmente não é aceito nesta escola. Para a diretoria, os dois!

Abri a boca para falar algo, mas nada saiu. Evie me olhou e baixinho disse “Desculpe!”. A olhei um tanto aborrecido e devagar sai da sala de aula com ela ao meu lado.

— Muito obrigado... Evie!

Evie me puxou para o corredor oposto ao da coordenação e foi lentamente para a porta da escola, no qual ao abrir foi em direção ao ginásio que ficava ao lado do prédio. Eu apenas a deixava guiar-me.

— Diana Illea merece saber que o mundo não gira ao seu redor. Pelo que pesquisei sobre ela, ela terá aula de educação física nesse exato momento, o que nos dá a liberdade de observá-la como reage a exercícios físicos, atividades e, principalmente em como ela reage com a derrota.

Evie abriu a porta do ginásio e pude ver um grupo de meninas se aquecendo e prontas para jogar uma partida de futebol. Até um tempo atrás, seus uniformes eram rosas, mas acabou mudando para laranja.

Nos escondendo no meio das arquibancadas, e logo pude ver Diana fazendo abdominais. Tinha que admitir, ela era meio bruta quando se tratava de exercícios. Contei cinquenta abdominais desde que cheguei, e em seguida a professora apitou dizendo que a partida iria começar. Ela estava na equipe laranja, enquanto outras estavam na equipe verde, elas estavam vestidas como cenourinhas. Abaixei-me quando notei que a professora quase me viu.

Diana deu uns pulinhos e se colocou em sua posição, ela era capitã.

— Como ela conseguiu ser capitã tão rápido?

Evie perguntou e eu dei de ombros. O apito soou novamente e o jogo começou. Diana logo estava com a bola e em cinco minutos de jogo fez um gol. EM CINCO MINUTOS!

Abri a minha boca, e logo notei que Evie fez o mesmo. Ela era rápida com as pernas, e corria que era uma beleza! Uma garota da equipe verde a derrubou, e o jogo parou por uns instantes.

Lembrei da primeira vez que a vi comer no refeitório. Um garoto do terceiro ano esbarrou nela de propósito e eu jurava ter visto os seus olhos ficarem vermelhos. Esse pensamento veio na minha cabeça novamente quando vi a forma como ela olhava para a garota que a derrubou.

— Qual o seu problema? — Diana a perguntou e logo a empurrou, mas a garota não caiu. Uma confusão começou, e as meninas seguravam Diana para que a mesma não avançasse mais sobre a outra garota que simplesmente pedia desculpas. Ótimo! Uma DI que gosta de confusão! — QUAL O SEU PROBLEMA? — Gritou. E novamente eu vi aqueles olhos vermelhos, menos intensos do que na primeira vez. O vermelho desapareceu, mas logo em seguida algo aconteceu.

Uma das luzes explodiu e soltou-se do teto, caindo perto das garotas.

— Você viu isso?

Olhei para Evie assustado e ela assentiu com a cabeça.

Algumas meninas haviam sido machucadas por uma das cordas que segurava a lâmpada. Elas estavam arranhadas, e a mais afetada era a garota que derrubou Diana. Por sorte, elas não foram tão atingidas a ponto de serem mortas, mas isso podia acontecer.

— Carlos, procura!

Olhei para todo o ginásio, e não vi ninguém de estranho.

A única coisa de diferente que vi foi Diana sair do ginásio correndo.

— Viu algo?

Demorei para responder, ainda tentava entender.

— Não — Respondi. — Isso não é nada bom! E se aquela garota tivesse morrido? Essas cordas podiam cortá-la ao meio...

— E-eu sei!

(...)

Quando as aulas terminaram, fui imediatamente para casa onde encontrei Úrsula conversando com alguém ao telefone. Pelo pouco que pude ouvir sabia que era sobre o que mamãe e ela estavam aprontando. Ainda não havia comentado nada com ninguém sobre isso, e tão cedo comentaria.

No outro dia, acordei ás cinco da manhã com a imagem do que havia acontecido no ginásio. Eu só conseguia pensar em como a garota não foi cortada ao meio tamanho as cordas vinham em sua direção?!

— DI?

Eu a chamei, mas ela não veio. Como ela podia ter sumido? DI sempre aparecia quando eu a queria por perto, por qual motivo ela me deixou? Isso não fazia sentido algum! Levantei da cama e tomei um longo banho enquanto pensava sobre as coisas estranhas que começaram a acontecer. Outras coisas ruins ainda iriam acontecer?

Passei o dia todo em meu quarto lendo o primeiro livro de Assassin's Creed, e nem sequer almocei junto de Úrsula e Cruella. Mamãe pareceu perceber que faz um tempinho que estou me distanciando dela, o que é algo ruim já que não quero que ela descubra que sei de algo. Marquei a página em que estava e desci para a cozinha. Não vi Úrsula, apenas minha mãe que assistia um episódio de Grey’s Anatomy.

Ela abriu um grande sorriso ao me ver finalmente fora do quarto. Dei um beijo no topo da sua cabeça e fui na cozinha e peguei um pacote de salgadinhos. Sentei ao seu lado e por implicância coloquei para um episódio de Teen Wolf. Era o último episódio que eu tinha assistido, o penúltimo da terceira temporada. Vi minha mãe revirar os olhos, mas nem sequer reclamou. Abri o pacote e começamos a comer enquanto assistíamos juntos, como há muito tempo não fazemos.

Eu gostava do Void Stiles, mas se ele permanecesse assim acabaria com a comédia da série, já que ele é o personagem mais engraçado. A campainha tocou e eu revirei os olhos, pausando o episódio e indo atender a porta. Era Jay e ele estava com a minha fantasia.

— Evie não pode vir, ela se disponibilizou para ajudar Diana em sua maldita festa! — Ele empurrou a fantasia contra mim e sorriu. — Você vai gostar! Parece as roupas que usava em Auradon!

Dito isso, ele deu as costas e foi embora.

— Quem era? — Mamãe perguntou. Fechei a porta e sentei-me de novo no sofá, colocando o episódio de volta.

— Jay — Respondi. — Ele me entregou a minha fantasia!

Mamãe pegou a roupa e colocou num cabide, logo a olhando um pouco.

— É uma fantasia bonita!

(...)

Regina havia se oferecido para levar-nos para a festa e de imediato aceitamos (menos a Mal, mas ela foi mesmo assim). A casa de Diana ficava do outro lado da cidade, nem longe e nem perto da floresta. Durante todo o caminho ficamos em silêncio, e o único barulho era do rádio e de quando Evie e Regina conversavam.

Pelo visto Regina estava mesmo disposta a ser a família da Evie.

Quando chegamos, abri a boca ao ver a decoração. Era tipo uma festa de Halloween, só que mais atrasada.

Luzes de neon estava por todos os lados.

É, era isso o que Evie fazia! Ela sabia decorar uma festa como ninguém, e o que seria uma festa muito mal organizada e terrível, acabou se tornando uma das melhores festas em que já fui.

Entrei na casa e logo já vi todos da escola. As pessoas dançavam, bebiam e devo dizer que no canto alguns casais estavam se pegando. Passei meus olhos por toda a sala de estar e vi Diana conversando com Henry.

Ele parecia querer ter uma conversa agradável com ela, que diferente dele não estava muito afim de conversar. Nos aproximamos dos dois e os cumprimentamos. Jay disse que a festa, até o momento, estava uma maravilha, e eu apenas concordei.

— Esse é só o começo, rapazes!

Empurrando Henry, ela foi em direção a cozinha quando falou com uma garçonete que ela havia contratado. Vi a moça assentir com a cabeça e ela logo nos ofereceu uma bebida azul. Hesitei em aceitar, mas ao ver que os outros haviam pegado eu fiz o mesmo. Bebi o liquido azul e fiquei feliz em sentir que não tinha álcool. Parecia mais uma vitamina. A melhor vitamina que já bebi!

Bebi o resto da bebida de uma vez e notei que os outros também fizeram isso. Sorri para eles e Evie puxou-me para o meio da pista de dança, o mesmo Jay fez com Mal.

Tocava Starships. Não era uma das minhas preferidas, mas...

— O que tinha naquela bebida? — Evie se aproximou e gritou no meu ouvido, o som estava muito alto. Dei de ombros, dizendo-lhe que não sabia. — Mas estava bom, não estava?

Eu assenti e continuei dançando. Eu e Evie éramos bons amigos, e creio que passar disso não passaria. Ela havia começado a sair com Doug, e eu só tinha olhos para DI.

— Quer mais uma bebida? — Perguntei e Evie assentiu. — Vou pegar! — Ela continuou dançando, enquanto eu me direcionava a cozinha.

Quando cheguei, uma mulher ainda estava preparando o restante das bebidas. Eu fiquei aguardando e olhava para as pessoas que haviam vindo para a festa. Diana havia convidado tanto os populares quanto os mais esquisitos da escola, isso seria bom?

Quando estavam prontas, peguei dois copos com o liquido azul. Já estava a dez passos de distância de Evie quando senti uma mão macia me tocar. Quando olhei para a pessoa, não acreditei.

— Você tem que ir embora daqui!

— DI? — Com cuidado para não derramar a bebida, eu a abracei. Algo estava estranho, ela não correspondeu meu abraço.

Ela segurou em meus braços e me puxou.

— Não temos tempo para conversas, Carlos! Essa é uma das poucas vezes que irei poder tocar tanto em você como estou tocando agora. Não importa os seus amigos, não importa a sua DI nova, o que importa é você!

— Do que é que você tá falando?

Doce Imaginação não me respondeu, apenas ficou calada.

Ela olhou ao seu redor e eu fiz o mesmo, e então eu percebi que havia gritado com ela e que algumas pessoas me olhavam curiosamente.

Ótimo! Agora as pessoas irão pensar que eu sou louco! Mas... O que ela fazia aqui? Pensei que tinha ido embora!

Não recebendo nenhuma resposta, virei-me e entreguei a bebida para Evie que também me olhava. Eu ignorei a sua expressão confusa e olhei para DI que encarava Diana com um certo desdém. Diana, diferente de alguns, ela estava sentada numa mesa comendo babata-frita, e parecia pensar em alguma coisa. Eu optaria pelo o que aconteceu ontem mais cedo.

Certo, Carlos! Foco! Saí do meio daquela multidão e fui em direção a piscina com DI. Bebi a bebida e a encarei.

— Eu achava que você não precisava mais de mim Carlos, mas eu estava errada! As coisas começarão a dar errado para você e todos a sua volta, e isso começará aqui, nessa festa! Melhor dizendo, já está acontecendo!

Não disse nada a respeito, eu simplesmente não conseguia me permitir acreditar em suas palavras depois que DI foi embora.

Não havia ninguém ali, apenas eu e ela. Me aproximei da garota e segurei em seus ombros o que a fez fechar lentamente os olhos e abrir da mesma maneira que os fechou. Eu olhei bem fundo nos seus olhos, e com toda a sinceridade do mundo, disse:

— Eu não consigo acreditar mais no que você diz — Seus olhos demonstraram decepção, e nenhum pingo de arrependimento me veio. Eu estava sendo sincero com ela, e isso era o importante. Ela me abandona e depois volta? Não, não aceitaria! — Me desculpe.

Eu a soltei e no mesmo momento Doce Imaginação desapareceu.

(...)

Ao voltar para a festa, parecia que nada daquilo havia acontecido. As pessoas estavam dançando, e sempre pegavam mais e mais copos daquele liquido azul. Comecei a sentir minha cabeça doer, mas não me preocupei com isso, deveria ser o estresse. Me juntei num sofá com os meus amigos e observamos Diana.

Geralmente os donos da festa são os que mais ficam felizes, mas Diana não parecia bem. Ela dançava com um cara no qual eu não fazia a mínima ideia de ser quem era, mas nós sabíamos que a sua mente não estava na festa.

As luzes começavam a piscar, o que deveria ser normal numa festa, mas não era. O líquido dos copos começava a subir do nada, e as pessoas nem sequer se importavam com isso. Eles pareciam drogados, e de algum modo, eu também me sentia assim. Olhei mais para o lado e pude ver Ben e Audrey, eles estavam...

Mal levantou-se imediatamente em direção a Ben e Audrey que se beijavam na pista de dança. Mal estava com raiva, e eu podia ver isso em seus olhos. Tentei segurá-la, mas a mesma me empurrou e logo suas mãos seguravam os cabelos de Audrey.

— O que você pensa que está fazendo? — Perguntou.

— Beijando — Audrey respondeu com um sorriso sínico. — O que eu previa aconteceu. Ben cansou de você e voltou pra mim.

Ouvi um estalo e logo Audrey estava no chão.

— Pensava que vilãs vadias se acovardavam e usavam magia.

No minuto em que Audrey disse aquilo, Mal não se aguentou e as portas do lugar abriram, deixando o vento furioso entrar na mansão. Tentei pará-la, mas ela me empurrou com a sua magia e me fez ficar preso na parede.

— Eu passei todos esses trinta anos tentando ser legal com você. Mas até mesmo sem memórias você continua insuportável...

Mal fez uma bola de fogo e se preparou para acertar em Audrey, mas antes que atirasse, a bola congelou-se e em seguida quebrou. Todos na festa olhamos para a pessoa que fez isso, e me surpreendi. Vestida de viking, Diana esbanjava seus olhos no qual não conseguia identificar a sua cor. A cada milésimo ele mudava de cor.

Ela se aproximou de Mal e Audrey, e logo fez a filha de Aurora cair no chão com um estalar de dedos. Mal parecia assustada, nunca nós havíamos pensado que na realidade quem protegia Diana Illea era ela mesma. A dor em minha cabeça se intensificou, e logo fui solto por Diana que me olhava séria.

Ninguém falava nenhuma palavra, apenas ficavam olhando tudo o que estava acontecendo. Diana levantou sua mão direita e no mesmo instante um pó rosa foi liberado por toda a mansão.

Tossi um pouco e meus olhos ardiam um pouco, e quando eu os abri todos estavam dançando e se divertindo como se nada houvesse acontecido, como se nada de ruim estivesse acontecendo.

Diana olhou para mim e Mal e deu um pequeno sorriso.

— Isso é uma festa, porque não se divertem sem bagunça?

Quando se virou, Mal a segurou e logo, perguntou:

— O que você é? Como pode ter poderes sem nem mesmo herda eles de alguém? — Diana se soltou e olhou para nós dois.

— Segredo — E então ela me puxou para dançar.

Chegando sem anunciar

Arrastando minhas unhas no chão

Eu apenas segui o seu cheiro

Você pode apenas seguir meu sorriso

Todas as falhas estão vivas

Com esse meu humor

Travado na necessidade de um corcunda

Para aprender a deixar você para trás

Você deve manter isso escondido

Apenas como se eu fosse uma arma

Eu não vim para uma luta

Mas vou lutar até o final

E essa pode ser uma batalha

Que pode não terminar bem

Você sabe, você parece tão Seattle

Mas tem tanta sensação de LA

Hey, hey, heey, heey

Hey, hey, heey, heey

E eu amo a maneira que você me machuca

Isso é irresistível, whoa, oh, sim

Whoa, whoa, oh, sim

Eu amo a maneira, eu amo a maneira

Eu amo a maneira que você me machuca, amor

Eu amo a maneira, eu amo a maneira

Eu amo a maneira que você me machuca, amor

Junto com a dor de cabeça, veio a tontura. As pessoas pareciam ter esquecido o ocorrido, até mesmo Mal se divertia com Audrey e Ben. Jay beijava Lonnie mais ao canto e Evie conversava com Doug, tudo parecia ótimo. Até que as pessoas ao meu redor começavam a cair, uma por uma, lentamente.

Diana parecia tão tonta quanto eu, e acredito que logo ela caíra também. As pessoas nem se quer se importavam que todos estavam desmaiando por motivo nenhum, elas simplesmente continuavam dançando e rindo pro nada. Diferente delas, eu tentava resistir a dor e a tontura, mas parecia ser forte demais. Me encostei numa parede enquanto Diana ria e tentava me puxar para dançar mais um pouco.

— Diana, o que está acontecendo?

Fraco, eu tentei pergunta-la. Ela pareceu querer dizer alguma coisa, mas no minuto em que ousou a falar, caiu numa mesa que quebrou no mesmo instante por causa da agressividade de sua queda. Eu fui o último a desmaiar, resisti até o último segundo.

Quando quase estava fechando os olhos, ouvi passos.

— E a festa morreu...



Notas finais do capítulo

A música citada acima é Irresistible do Fall Out Boy, música essa no qual estou viciada.
Espero que tenham gostado, demorou porque foi um capítulo IMENSO como podem ver, hehe.
O próximo será um bônus, no qual contará algo no qual ainda está no ar e que poucos devem ter se dado conta disso.
Abraços!

PS: AINDA TERÁ CAPÍTULO ANTES DO FINAL DE SEMANA!!