The Golden Rose - A Rosa Dourada escrita por goldenmoon


Capítulo 26
Capítulo 25


Notas iniciais do capítulo

Olá, pessoal!
Primeiramente, desculpem-me pelos atrasos! Estive muito atarefada nos últimos tempos e, realmente, não tive tempo para editar a história. Trouxe esse capítulo agora com muito alivio por já estar de férias e pretendo postar bem mais nos próximos dias... Espero que não tenham desistido, pois eu não rsrrss =D Estou bem decidida a continuar!!
Boa leitura! E obrigada a todos! :)




A manhã no Submundo sempre era fria e intensa, contrastando com o jeito caloroso de seus habitantes. O céu apresentava um lilás tranquilo e as belas rosas negras do jardim eram agitadas pelo vento frio que vinham das altas montanhas das mediações da província Iriadur. Mark e Link acordaram depois de uma noite amorosa, não tiveram tempo para si depois de tantas turbulências. Desceram animados para o café-da-manhã. O dia seria agitado, seu pai daria ainda mais impulso aos planos. Não podiam acreditar que usariam seus poderes em uma batalha. Era um desejo que preservavam há tempos. Eles chegaram sorridentes à sala de refeições do castelo e encontraram Zeenon já totalmente arrumado, tomando uma xícara de café fresco.

– Bom dia, pai! – disseram os dragões, harmoniosos.

– Bom dia, garotos. – Zeenon ficou a observar os seus filhos acomodarem-se à mesa.

Mark observou a mesa totalmente posta, com todo tipo de comida que eles mais adoravam. Mas, estranhou a ausência de Freyr.

– Pai, cadê o Freyr?

– Deixei-o no quarto, ainda dormindo... Ele está um pouco estranho – o rei tomou um gole de café e, pôs a xícara sobre a mesa, pensativo.

– Como assim, pai? – indagou Link.

– Hoje pela manhã, quando acordei, ele estava com o corpo quente. Esperei alguns instantes e, a temperatura voltou ao normal. E é estranho ele acordar mais tarde.

– A aura ainda deve estar se adaptando ao corpo dele... Isso passa. – disse Mark, sem se preocupar muito.

Link balançou a cabeça, concordando com seu companheiro.

– Você se preocupa muito, papi.

Talvez. – disse o rei, seco.

Zeenon estava extremamente feliz pelo poder de Freyr, mas sabia que a adaptação não seria tão fácil como diziam os garotos. A aura dele era intensa, grande demais para um corpo pequeno como do menino. Tinha muito com o que se preocupar.

– Quando vamos ao Darkvallum, pai? – perguntou Link.

– Precisamos ir agora pela manhã. Quero ir a Vistorius, ainda. Só vou esperar o Freyr acordar e logo depois sairemos daqui. – terminou de devorar o seu bolo de amora e levantou-se rapidamente. – Vou ver se ele já acordou...

Apressado, Zeenon saiu em disparada pelos corredores do castelo, a fim de ver logo seu amado guardião. Assim que abriu a porta do seu quarto, viu Freyr sentado na borda da cama, os braços estendidos para o alto. Espreguiçava-se, perfeitamente são, o que tranqüilizou o rei.

– Bom dia, meu amor...

O guardião sombrio andou um pouco mais rápido para a cama e abraçou o jovem com força, beijando o seu pescoço.

– Ah! Bom dia!

O garoto assustou-se um pouco com o abraço repentino do rei, mas depois sorriu e acostumou-se com a força dele. Abraçou o rei de volta e beijou-o, como se sentisse falta dele.

– Vou pedir ao Claudius para trazer seu café da manhã para cá... – acariciou o rosto de Freyr, carinhosamente.

– Não precisa... Eu só vou me banhar e já desço.

Ainda sentado na borda da cama, estendeu os membros inferiores e, depois, os superiores. Sentia algo diferente em seu corpo, como se estivesse mais forte. Levantou-se e olhou para os seus pés e mãos. Não conseguia ver nada de diferente.

– Sinto que meu corpo está diferente, mas não sei muito bem o que é.

Zeenon observava os movimentos do garoto, com muita atenção.

– Freyr... Você... – coçou o queixo, pensativo.

– Sim, amor? – inclinou a cabeça para o lado, em um gesto fofo.

O rei levantou e, então, percebeu a diferença.

– Ontem você batia na altura do meu nariz. Agora, está bem na altura dos meus olhos. Enfim, cresceu repentinamente. – colocou a mão sobre os cabelos dourados de Freyr, sorrindo.

O menino arregalou os olhos e, sem pensar em mais nada, correu para o banheiro, à procura de um espelho. Zeenon o acompanhou, sem assustar-se com o fato.

Assim que encontrou o espelho, e comparou seu tamanho ao do rei, compreendeu que realmente havia crescido. Era estranho acontecer aquilo tão rápido.

– Não pode ser! – dizia, um pouco atordoado ao observar seu corpo.

– Acho que os músculos cresceram um pouco também, além de que seu rosto está com feições mais rígidas... – disse o rei, apalpando o antebraço esquerdo do garoto.

Freyr virou-se para Zeenon, os olhinhos azuis demonstravam sua confusão. Queria compreender aquilo e tinha certeza que o rei sabia alguma resposta.

– Não precisa o susto... – acariciou as mechas do garoto, confortando-o – Isso faz parte da adaptação da sua aura. Se seu corpo continuasse daquele tamanho, certamente entraria em colapso.

– Vai parar aqui?

– Acredito que não. Provavelmente, você ficará do meu tamanho ou maior, não sei ao certo.

Freyr jogou o corpo sobre o rei, o qual o abraçou, sem pestanejar. O garoto tinha muitas informações para assimilar, precisava de tempo para compreender tudo que acontecia. O crescimento era o mínimo e, na verdade, era um fator bom. O novo guardião começou a pensar sobre o encontro que faria no dia e como encararia aquilo.

– Vou vê-los hoje. – disse, entre os cabelos negros de Zeenon.

– Sabe que eu estou em oposição, não sabe?

Balançou a cabeça, afirmativo. Entretanto, sabia que necessitava do encontro.

– Vou me banhar, certo? – afastou-se lentamente do rei, mas sem soltar suas vestes.

– Sim, amor. – beijou as bochechas rosadas do menino.

Em instantes, Freyr estava despido e preparando seu banho. Zeenon saiu do quarto e, interessado em encher o companheiro de mimos, pediu que as criadas, além de prepararem o café, decorassem a bandeja com as mais belas flores do jardim do Yamisin. Suas belas e amadas rosas vermelhas.

Assim que o jovem saiu do banheiro, já completamente arrumado, encontrou uma bela bandeja posta sobre a cama, com iguarias e rosas vermelhas. Claudius entrou no quarto sem ao menos perceber. Freyr ficou maravilhado com o carinho, tinha certeza que Zeenon que mandou pôr as rosas. O rei entrou no quarto, sorridente. Freyr voou rapidamente até ele e beijou-o com força.

– Amei as flores! – à cada dia que passava, Freyr encantava-se mais com o lado mais sensível de Zeenon.

– Para alegrar um pouco a manhã... – Os dois sentaram-se sobre a cama.

Freyr começou a petiscar as frutas e bolinhos sobre a bandeja, tudo estava com uma aparência maravilhosa e cheiro delicioso, típico café da manhã das feiticeiras bem treinadas que trabalhavam no castelo. Zeenon ficou a observá-lo, enquanto o jovem se deliciava com a comida. Depois de alguns instantes, resolveu interrompê-lo.

– Iremos à Vistorius assim que você terminar.

O jovem limpou a boca com um lenço e, decidido, disse:

– Zeenon, no dia em que chegamos aqui, enquanto minha aura tentava me confortar, ela me aconselhou que eu devo enfrentar tudo de frente. Não adianta fugir deste problema, não devo deixar essa lacuna enorme... Pretendo ir falar com eles. Lá na quitanda do meu pai.

– Não mudo minha opinião – disse, firme.

– Eu sei amor.. Mas, é melhor saber de tudo. – falava com firmeza, apesar de que sua dor ainda estava estancada. O jovem tomou um gole de café para limpar a garganta.

– Assim mesmo... Quer que eu vá com você? – o rei segurou a mão do garoto loiro.

– Podem resolver tranquilos os assuntos na cidade... Eu irei lá e conversarei com eles. Os garotos te acompanharão?

– Somente Loki e Andy ficarão por aqui... Precisam preparar-se para a nossa performance. –sentia-se bastante confiante por dentro. Todos aqueles acontecimentos anteriores trouxeram vigor a sua aura.

Rapidamente, ele se levantou e arrumou seu casaco de tricô azul pastel.Por dentro, preparava-se para enfrentar sua dor. Os dois desceram e no pátio interior do castelo, Mark e Link já os esperavam sentados nos bancos da fonte, conversando despreocupadamente. Assim que pisaram no jardim do castelo, Loki e Andy apareceram juntos, sorridentes. Assim que o feiticeiro ruivo avistou o seu mestre e a “corte”, adiantou o passo e foi cumprimentá-lo.

– Bom dia, senhores. – disse o feiticeiro, curvando-se em respeito.

Andy aproximou-se e fez o mesmo gesto. Freyr não pode deixar de perceber a aura radiante dos rapazes, estavam extremamente felizes.

– Bom dia, garotos, vocês estão bem alegres hoje... – disse Zeenon, sorrindo para os jovens dragões.

Os companheiros sorriram um pouco envergonhados com os gracejos dos dragões.

– Bom... Estamos próximos de uma grande glória... Então.. – Loki soltou um sorriso torto.

– Ah sim! Mas precisamos nos preparar ainda... Loki, – Zeenon pousou sua mão no ombro do seu fiel servo e amigo, disse – Ajude o Andy com as ferramentas, que eu e os garotos iremos para Vistorius... Já avisou as criadas?

– Sim, senhor. Elas já estão no Darkvallum.

– Tudo bem... Então vamos logo para Ezra.

O rei e os garotos foram para o centro do jardim, a fim de abrirem o portal e transportarem-se para o mundo humano. O grande portal vermelho abriu-se e, logo depois, os rapazes estavam em um bosque úmido e frio do inverno, próximo a Vistorius. Freyr e Zeenon se entreolharam, compartilhando um leve sentimento nostálgico ao chegarem ali. Afinal, foi naquele bosque em que eles se conheceram e começaram o seu romance. Os dragões estabilizaram a sua aura, Freyr ficou curioso em saber se precisaria fazer o mesmo.

– Zeenon... E minha aura? Preciso estabilizar também?

– A sua aura não é agressiva como a nossa, Freyr... E, agora pela manhã feiticeiros não estão muito preocupados com isso.

– Certo... – disse o menino, não escondeu um tremor na voz. Estava nervoso, mas precisava manter a calma para encarar o seu pai.

– Freyr... Seu pai não vai estranhar sua aparência não? – disse Link, curioso.

– É verdade, meu cabelo. – O jovem pegou algumas de suas madeixas, tentando pensar em alguma maneira de escondê-lo.

*Mark posicionou-se atrás de Freyr e começou a enrolar o cabelo do jovem em uma polpa. Os fios que ficaram livres atrás, o dragão pegou e prendeu com o acessório com formato de asas de dragão que Freyr usava na orelha.

– Ainda está volumoso. Mas, assim está bom... – Ele arrumou as madeixas do jovem na frente.

– Obrigado, Mark.

O jovem dragão celeste observou a altura do garoto e, então, percebeu que ele estava maior. Sorriu, sem evitar comentários,

– Freyr, você está crescendo rápido!

Link, ao ouvir as palavras do companheiro, observou Freyr e também notou a diferença.

– Verdade. – disse.

– Foi bem repentino, Zeenon acha que crescerei mais. – disse o garoto, virando-se para seu companheiro.

– Ele vai ficar maior que vocês, filhotes. – o rei sorriu para os meninos, que se entreolharam, confusos.

Seguiram para a cidade de Vistorius. A grande cidade central do Reino de Ezra estava totalmente decorada para os últimos dias do festival de inverno. A bela festividade que atraía milhares de visitantes – os quais seriam surpreendidos com grandes acontecimentos.*

Os rapazes chamavam atenção nas ruas de pedra da cidade, não só pela beleza, mas pelo jeito como se comportavam. Zeenon e seu filho Link sentiam-se incomodados com a multidão. Mark admirava semelhante a uma criança curiosa, a decoração excêntrica e colorida das casas de blocos de pedra; luzes de diversas cores, bonequinhos de neve; cordões com folhas secas, tudo muito bem arrumado e de muito bom gosto. Freyr olhava os rostos das pessoas e conseguia adivinhar alguns de seus sentimentos mais intensos. Era estranho olhar para uma moça bonita, exibindo belos sorrisos e, por trás, sentir uma camada triste, cheia de mágoas. Seu poder realmente era incrível, mas trazia certo peso.

Quando chegaram próximos ao bairro onde se localizava a quitanda de Jude, Freyr soltou-se lentamente do braço do seu rei. Zeenon cochichou em seu ouvido o local onde deveriam se encontrar e, depois, o jovem loiro recebeu um beijo carinhoso do seu amado, bem nas bochechas rosadas. Despediu-se dos jovens dragões e dirigiu-se para a movimentada rua da quitanda.

O local continuava no mesmo ritmo de sempre. Nelly, que lhe ajudava a arrumar a loja, havia recebido um ajudante e os dois pareciam bem ocupados com as entregas e os clientes. Jude, apenas em olhar seu aspecto, percebia-se que não tinha mudado em nada – continuava o mesmo homem rude e ignorante que sempre foi.

Discreto, o jovem entrou de fininho, causando espanto a Nelly e Jude que estavam na bancada atendendo uma senhora já conhecida de Freyr, uma cliente que ele simpatizava. O menino encarou o seu pai de criação, e viu o quanto de raiva ele preservava. Sentiu ainda mais medo daquele homem, era como uma besta.

Jude veio a passadas largas até ele, a expressão nada animadora. Assim que se aproximou do garoto, agarrou seu braço, aplicado toda a sua força.

– Onde você estava, garoto? – Sua voz estava incisiva.

– Solte-me. – sem dificuldades, conseguiu soltar-se das mãos do homem. – Escutei algo de você e minha mãe e preciso falar sobre isso.

– Ah sim! – Jude sorriu, em desprezo e, cruzou os braços, já sabia do que se tratava.

– Por que não me contaram antes? – Sua voz saiu como um sussurro.

– Não sei... Pergunte à sua mãe... Deve estar indo para casa da irmã nesse momento, não morará mais comigo – Ele tinha um tom de desprezo na voz.

– Você a expulsou de casa? – Disse ele, pendendo sua cabeça para o lado.

– Claro que sim! E, se você quiser saber... Isso já tem muito tempo, foi numa época que viajei, ela engravidou dele e depois disse que era meu, mas eu acabei descobrindo. Era isso que queria saber? – disse, sem muitos detalhes. Era uma história que não gostava de relatar.

– Passei todos esses anos vivendo nessa mentira... – Freyr tentava conter as lágrimas, seus olhos marejados encararam Jude, firmes – Você... Não tem...

Esforçando-se para remover todo seu sentimento de raiva, Freyr conseguiu mergulhar um pouco mais nos sentimentos que Jude tanto retraía e viu um homem apaixonado e doente de ciúmes. Amava Mary, mas, assim mesmo, nunca conseguiu perdoá-la pela traição. Seu desejo era que Freyr fosse um filho seu, legítimo, entretanto, tinha diante de si um fruto de traição da sua amada mulher e, o pior, de seu irmão. Então, tudo o que o garoto merecia era desprezo, ainda que não tivesse culpa. Depois de tantas mágoas, o garoto o perdoou. Sem mais esforços, Freyr reteve suas lágrimas e ergueu a cabeça.

– Espero que um dia você venha conhecer o amor verdadeiro. Sinto muito por você, mas sei que conseguirá...

Jude sorriu, debochado, sem entender as palavras singelas do menino.

– Eu consegui um trabalho e vou morar sozinho. Adeus. – o garoto saiu do local de cabeça erguida sem uma lágrima sequer em seu rosto.

Freyr andou pelas ruas de Vistorius, sentindo como se um peso fosse extirpado das suas costas. Queria ver sua mãe, então partiu a caminho da casa de sua tia, Jasmin, a qual quase nunca via. Atravessou a rua da quitanda e partiu para seu antigo bairro abandonado, onde a mulher morava. Queria ver Mary, mesmo que ela nunca sequer olhou para o filho mais novo e sensível. Porém, Freyr aprendeu a amá-la e respeitá-la assim mesmo. Soltou seus cabelos e causou fascínio nas pessoas que passavam pela calçada, seus fios dourados brilhavam a luz do sol.

Assim que adentrou no bairro, viu que as pessoas o olhavam com estranheza. Conhecia todos aqueles rostos, de vista, mas não tinha muita intimidade. Morou ali durante seus 18 anos, mas era difícil sair de casa. Quando pequeno, era proibido de brincar com as crianças na rua e, em sua adolescência, tinha de ir trabalhar. Entretanto, quando começou a analisar os sentimentos de todos, viu que muitos deles sentiam certo medo e, também, ódio. Não conseguiu investigar o porquê, mas pensou que o confundiam com um nobre, odiados por todos dos bairros excluídos. Seguiu em frente, como se os olhares não o afetassem. Há poucos metros da casa de sua tia, amarrou os cabelos novamente e, partiu em direção à porteira. Mary apareceu logo à frente, com algumas sacolas em mãos, Freyr parou instantaneamente e pôs-se a observá-la. Seus cabelos loiros estavam presos e, os olhos verdes estavam abatidos. Com tamanha intensidade, Freyr viu seu sofrimento e um arrependimento profundo rodeá-la. Ela sabia o quanto errou na vida e, sofria por tudo que passava nas mãos de Jude.

Os olhos verdes da mulher encontram os do menino e, então, ela virou o rosto. O guardião percebeu que ela estava constrangida. Adiantando os passos, antes que Mary entrasse e fugisse para dentro da casa, Freyr a alcançou, agarrando seu braço. As sacolas da mulher caíram ao chão; eram suas vestes simples e alguns outros pertences.

– O que faz aqui, garoto? – disse, ríspida.

– Eu... – hesitou, mas aos poucos ganhava coragem para enfrentar – Preciso falar com você.

Ele soltou o braço dela lentamente, para que Mary não se sentisse ameaçada. Veias começaram a desenhar-se pelo pescoço da mulher, seu rosto inchava, vermelho – estava visivelmente nervosa. Mary virou-se para Freyr, fervilhando em ódio.

– Eu não tenho nada a conversar com você! – disse, quase gritando.

– Temos sim. – o garoto não se deixou abalar pelo nervosismo dela, manteve a postura. – Já sei a história, só queria esclarecer algumas coisas.

– Olha aqui – ela apontou o dedo para o garoto – a pior coisa que eu fiz foi ter você. Deveria tê-lo tirado do meu ventre antes que nascesse! Não tem ideia do quanto eu sofri por sua causa, o quanto eu ouvi!

Algumas lágrimas teimavam em escapar dos olhos dela. Ainda calmo Freyr analisava a mulher, ouvindo suas palavras. Ela negava tudo o que sentia, fingia-se de rígida, enquanto desmoronava por dentro. O garoto, ao mesmo tempo em que sentiu dó, sentiu vontade de abraça-la. Sabia o quanto aquela mulher sofria e, não era por sua causa.

Seu desejo cresceu e, assim o fez. Agarrou Mary em seus braços e ela, sem saber reagir a tamanho carinho, desabou em lágrimas. O garoto utilizando-se ainda mais de seu poder, conseguiu emanar algumas energias para ela. Fez aquilo involuntariamente, mas ouviu alguns encantamentos “Inunda esta alma, Rosen..”. Fechou os olhos e a inundou de sua aura, não sabia muito bem o efeito, mas deveria ser algo bom.

Quando soltou Mary dos seus braços, a mulher estava com o rosto límpido, respirando fundo. Os olhos estavam confusos, porém, ela nunca havia se sentido tão bem quanto naquele momento.

– Não sei se ficará por aqui, ou irá embora, mas tenha certeza que espero o melhor para você. – piscou os olhos, completamente estável.

Deu meia volta, deixando Mary para trás, observando seus passos lentos pelo bairro. Ela nunca esqueceria o mais belo de gesto do seu filho.

Depois de andar por algumas ruas chegou ao ponto de encontro, o grande castelo do rei Simun.

Em uma iniciativa ousada, Zeenon e seus filhos pisaram no castelo de Ezra, cheios de segurança. Sabiam que poderiam ser reconhecidos pelos soldados que rondavam o castelo, mesmo em suas formas humanas, mas estavam cientes que os rapazes não fariam mal a eles, depois daquela tentativa frustrada de invasão ao Endymion. Os três dragões analisaram o local, viram suas entradas e saídas e, principalmente, onde era o salão principal do local que, no último dia do festival de inverno, a reunião anual de reis aconteceria. Zeenon pensava se Simun teria coragem de comentar seu fracasso.

Freyr entrou no castelo um pouco desconfiado, toda vez que o visitava, os soldados e visitantes ficavam a olhá-lo torto por causa de suas roupas e jeito simples. Sempre evitava entrar naquele castelo, apesar de achá-lo lindo, mesmo com a extravagância em ouro e cores vibrantes. Porém, ao invés de atrair olhares de desdém, apenas deparou-se com olhos curiosos e cochichos sobre o seu cabelo e suas vestes finas. Zeenon sentiu a aura do garoto e foi, junto aos seus filhos, encontrá-lo no salão de entrada. Mesmo concentrado em seus planos, não poderia deixar de se preocupar com os sentimentos do seu amado. Ao perceber a aflição do rei, assim que Freyr o viu, abriu um sorriso tímido e andou até o trio.

– Como você está, meu amor? – acariciou os cabelos loiros do garoto.

– Estou bem... Acho que um pouco mais leve. – jogou os ombros para trás. – Vocês já resolveram as coisas por aqui?

– Já observamos o castelo... Está tudo em nossas mentes.. Não é, pai? – disse Link.

– Sim, sim... Vamos agora para o quartel... O problema é que eu não me lembro direito onde é... – o rei coçou o queixo, tentando se lembrar da última vez que passou pelo quartel do reino.

– Eu sei onde fica, posso levá-los até lá. –

Não havia erro para o menino, conhecia aquela cidade como ninguém. Diversas vezes Freyr passava por aquele local para fazer entregas. Rapidamente chegariam ao destino.

Os rapazes saíram do castelo, o quartel ficava apenas a alguns quarteirões dali. Andaram até lá e estranharam a falta de movimentação no local. Tudo estava muito calmo, não se via nem um soldado pelas redondezas. Os grandes portões do local estavam fechados, porém, Zeenon conseguiu abrir ao empurrá-las levemente com um pouquinho de magia. Eles entraram discretamente.

O grande pátio estava vazio. Ao redor, viam-se as janelas dos grandes prédios, extremamente silenciosos.

– Não entendo essa calmaria aqui... – Zeenon observou o local, os olhos semicerrados, como águia.

As sombras do rei não identificaram nenhum humano.

– Estranho mesmo... Será que Simun está tramando outra coisa? – disse Mark, procurando alguém pelos prédios do local.

– Não há ninguém aqui... Um reino não deveria ficar com uma base militar dessa maneira... – o rei começou a ficar intrigado com aquilo.

­– É melhor irmos embora... Alguém pode aparecer. – disse Link, desconfiado, a observar o local.

– Acho que isso não é problema... – disse o novo guardião, manhoso.

Freyr agarrou-se forte nos braços do namorado, sabia que não corriam perigo ali.

– Vamos embora não há nada para vermos aqui mesmo...

Depois de observar novamente as janelas e entradas, Zeenon continuava cismado, seu faro não o enganava.

Os rapazes saíram do quartel, um pouco desanimados com a situação do local. O guardião sombrio começou a cogitar uma nova ofensiva de Simun, aquele homem fanático e cheio de ganância poderia estar tramando novos planos, onde quer que estivesse. Assim que chegaram a rua em frente ao quartel, dois rapazes passaram por eles, conversando baixinho, indo para a base militar. Freyr os reconheceu. Eram antigos soldados que costumavam andar por seu bairro, prestavam serviços por lá. O jovem parou por um instante, observando os rapazes.

– Zeenon, aqueles homens são soldados. Posso perguntá-los sobre a situação do quartel.

– Isso, vá lá... – curioso sobre o caso, o rei deu um leve impulso em Freyr.

Visando mais uma oportunidade de utilizar seus poderes, o jovem andou até os rapazes, como quem não tem interessa em absolutamente nada. Manso, pediu licença, fazendo-os parar de imediato.

– Bom dia, Senhores. – disse, educado.

Os homens olharam para Freyr e, logo depois, entreolharam-se, curiosos. Os cabelos dourados do menino batiam em sua cintura e os olhos azuis brilhavam como diamantes – Ele não tinha uma aparência comum.

– Bom dia – respondeu o mais alto de cabelos morenos.

O segundo ainda parecia desconfiado, mas respondeu,

– Bom dia. – disse, seco.

Freyr percebeu a desconfiança dos homens. Eram soldados tinham razão para sempre estarem desconfiados. E, provavelmente, eram sobreviventes da pequena batalha no castelo Endymion. Tudo poderia ser uma ameaça.

Tratou de passar mais confiança, sorrindo.

– Sou visitante do reino de Skull e tenho uma dúvida, será que podem me ajudar?

– Sim... – disseram os dois, uníssono.

– Por que o quartel está vazio? Gostaria de fazer uma visita ao salão de armamentos, mas fiquei frustrado ao ver que estava fechado...

– Ah sim... – entreolharam-se novamente por alguns instantes, pareciam ter dúvidas se falariam, ou não.

O menino fixamente nos olhos dos rapazes, enquanto sentia que poderia usar sua magia naquele momento. Os homens não conseguiram tirar os olhares das esferas azuis do menino, pareciam hipnotizantes. Freyr continuava a sorrir, sem perceber o quanto emanava energia ao seu redor. Talvez, pudesse persuadia-los a dizer algo.

Então, o moreno disse:

– O Senhor Simun dispensou todos os soldados, só alguns estão na segurança do castelo e pelas ruas. Afirmou que nosso reino não precisará mais de nós. Estamos nos organizando para combater isso, mas o nosso rei está muito estranho, desde que perdeu a batalha no reino da luz.

Freyr analisava as emoções dos rapazes. Percebeu que ao mesmo tempo em que estavam indignados, também estavam bastante tristes com aquilo. Mas, o jovem ficou com algumas dúvidas sobre o motivo que eles explicaram. Pretendia continuar com suas emanações.

– Mas, por que o reino não precisará mais de soldados? – aquela decisão era bastante precipitada ao seus olhos.

– Não sabemos... Acho que... – o homem hesitou, percebendo isso Freyr expandiu um pouco mais a aura e o rapaz sentiu-se como se estivesse sendo puxado – Acreditamos que... Sejam novos planos.

Assim que ele terminou de falar, o guardião percebeu que eles não poderiam ir mais longe, realmente não tinham mais conhecimentos.

– Tudo bem... Muito obrigado.

Freyr agradeceu-os e saiu, despreocupado. Os dois homens sentiram como se uma força tivesse os sugado repentinamente e, então, eles estivessem de volta ao campo terrestre. Seguiram seu caminho ao quartel, ainda sem entender a experiência.

O garoto voltou à companhia dos dragões que o esperavam sentados em um café. Dali, eles puderam ver toda a ação de Freyr. Quando o garoto uniu-se à mesa, os três o olharam surpresos.

– O que houve? – perguntou o menino, curioso.

– Gostei da sua magia, Freyr! – disse Mark, os olhos brilhantes de admiração.

Zeenon segurou a mão do garoto, orgulhoso de seu feito.

– Espero que isso seja só o começo, certo?

– Acho que posso ajudar você com isso! – o menino sorriu, contente.

– Então, o que há? – indagou Link.

– Muitos soldados foram dispensados. Simun disse que o reino não precisará mais deles, os homens me disseram acreditar que sejam novos planos.

– Como? Ele vai agir sem seus escudos militares? – Zeenon franziu o cenho.

– Ele enlouqueceu de vez... – Mark divertiu-se com as iniciativas de Simun, começou a rir do louco rei humano.

O rei sabia que Simun já poderia estar tramando algo... Entretanto, era uma manobra arriscada agir sem soldados, na condição de feiticeiro humano. Ele devia planejar algo grande, talvez, uma vingança. Os olhos brilhavam como fogo, cheios de confiança, e guardavam seu ódio para a performance que ele tanto esperava.



Notas finais do capítulo

A rosa dourada começa a desabrochar... =)

**** Atualização 25/11/2015: Não sei se foi bug do Nyah ou algum erro meu, mas um parte pequena do capítulo estava cortada... Está marcada em asterisco, não mudava muita coisa na história, mas ficou um corte esquisito, então consertei. rsrsrrs



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