Desapegado escrita por AyalaOM


Capítulo 4
Capítulo 04 – Escute seu coração


Notas iniciais do capítulo

A ligação problema.



“Seu pedacinho do paraíso torna-se escuridão.” – Roxette

─ Eu te ligo. – Disse-lhe tranquilamente, saindo de sua casa.

─ Eu vou esperar, então. – Ela respondeu-me sorrindo.

A ligação que ela provavelmente esperou, eu não fiz. Nunca fiz um movimento em sua direção. Nunca tentei ver se daria em algo. Por que não? A resposta não vinha e depois de um longo tempo, percebi que eu já a sabia, mas eu mesmo era incapaz de aceitá-la adequadamente.

Eu sempre gostei da Camila. Ela é jovial e com certeza tem o melhor frango frito da cidade, mas nada disso importava nos anos da faculdade. Certamente que não. Era a inteligência e a inocência quase cálida que me faziam hesitar? Talvez um pouco dos dois.

Pensar nessas questões deixava-me um pouco irritado ainda mais diante do aviso “Estamos fechados para reforma” em sua loja. Eu vim aqui ontem e antes de ontem e sucessivamente desde que a reencontrei, então por que “estamos fechados” agora?

Talvez seja a simples rejeição? Um não que me deixou esperançoso no passado e que me frustra no presente? O que é essa sensação de perda estranha? O que eu fiz para recebê-la?

Ta, eu não liguei de volta, mas…

O vibrar do meu celular me acorda para a realidade o restaurante ainda está fechado, mas alguém de número estranho está ligando e…

E pode ser ela. Mas pode não ser. Atendo ou não? Por que estou agindo como uma garotinha virgem do colegial apaixonada pelo garanhão? Eu com certeza não sou a garotinha virgem de colegial e apesar de linda, Camila não é, nem de longe, o garanhão.

Seguro o botão verde e o puxo, mas antes que eu possa concluir a ação, a ligação cai. Praguejo baixinho e encosto-me à parede pintada de roxo com bolinhas amarelas gigantes, cogitando retornar.

Eu deveria então? Mas o que eu diria? E se for ela? O que eu diria que não fosse tão completamente constrangedor que mostrasse meus sentimentos adormecidos? Espera, sentimentos? Oh não, dessa vez não.

E percebendo o perigo das minhas ações, deixei-me esperar mais cinco minutos. Ela não retornou a ligação. Espero que seja ela. Realmente espero.

Acesso a parte das chamadas perdidas e retorno a ligação. Um toque. Dois toques. Três toques. Vou desligar. Quatro toques. Vou esperar apenas mais um ou dois. Cinco toques. Seis toques. Estou quase desligando…

─ Alô?

Desligo.

Era ela. Por que mesmo que desliguei? Eu não devia dizer algo e desligar? Por que eu estou me sentindo tão nervoso? É só uma antiga amiga que me deu um bolo na hora do almoço. Era só isso. Era… uma mentira.

─ O senhor está bem? – Uma mulher perguntou-me passando na calçada. – Parece transtornado.

─ Transtornado deve estar o seu marido para casar com uma fuxiqueira. – Retorno-lhe a resposta malcriada.

─ Oras! Mas que grosseria! – Ela diz antes de bater em mim com o guarda-chuva e sair a passos duros.

Balanço a cabeça desaprovando a minha própria ação. Desde quando torno-me tão mal-humorado por cometer um singelo errinho? Desde quando volto a ficar tão nervoso por uma garota? Uma garota do passado, mas uma garota?

Então, assim, de repente, como uma ligeira dor de barriga me ocorre que… simplesmente que… pode ser ela.

Camila pode ser a garota que tenho procurado todos estes anos.

Oh-oh.

Continua!



Notas finais do capítulo

Pequenininho – ainda menor do que os outros –, mas ainda assim revelador e fixador, quase um spray de cabelo XD

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Beijinhos ^-^



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