Where flowers grow wild escrita por Marie


Capítulo 7
Capítulo 7 – Gabriele Dashwood


Notas iniciais do capítulo

Queria começar agradecendo por todos os comentários do capítulo anterior, especialmente a Amanda Flower por favoritar a história. Vocês fizeram meu dia!



Enquanto esperava pacientemente na sala de visita dos Dashwood, Dorian não pode deixar de se sentir muito contrariado. Estava fazendo um esforço enorme para se manter controlado, segurar a língua e o que era ainda mais desagradável: o orgulho.

Procurava em seu arsenal particular algum flete que tivesse sido irresistível em outra ocasião e ficou tão distraído com a tarefa que não pôde deixar de se assustar quando uma garotinha de cabelos castanhos quase loiros entrou correndo dentro da sala.

—Oh!— a garota deixou escapar uma exclamação de surpresa quando viu aquele homem estranho sentado no sofá. Mas se recompôs tão depressa que Dorian ainda mantinha a expressão surpresa quando ela voltou a falar.

— O senhor por acaso não viu Anthony por aí, viu?

—Quem?— perguntou Dorian, sem entender e a garotinha revirou os olhos.

—Anthony— ela repetiu com calma— o garoto da cozinha. Mais ou menos desse tamanho... Ele está trapaceando de novo! Eu disse para ele só se esconder no jardim!

Dorian ficou olhando para ela. Tinha algo de estranhamente familiar naquela criança toda vestida de branco e de cabelos lisos, decorados por uma fita cor-de-rosa. Aparentava ter 7 ou 8 anos, bochechas coradas e aqueles olhos... Não precisava de mais nada para saber que a menina se tratava de uma Dashwood também.

— Como o senhor se chama?— perguntou ela, depois de se certificar que não havia nenhum Anthony escondido por lá.

—Dorian— respondeu ele simplesmente, sem ter certeza do porque deixara seu título de lado. Algo na criança o deixava confortável e em seu intimo ele inexplicavelmente simpatizara com suas feições meigas e rechonchudas. Quase nunca estava na presença de crianças e quando estava, elas despertavam nele certo fascínio. Principalmente aquelas que pareciam ser particularmente alegres.

— O meu nome é Gabriele — a menina sorriu fazendo uma reverência um tanto desengonçada e depois pareceu se lembrar de alguma coisa— Oh! Então o senhor é o homem!

Dorian ficou confuso novamente.

— O tal homem que Nancy disse que ia se casar com a Nic!—ela explicou animada.

— Nancy? — ele perguntou e Gabriele revirou os olhos novamente.

—Nancy, a governanta! O senhor não sabe muito das coisas, não é Mr. Dorian?— ela perguntou dando uma risada infantil e sonora — Ainda bem que o senhor vai casar com Nic então. Ela pode ensinar muitas coisas ao senhor também...

—é mesmo? — perguntou Dorian inclinando-se para frente interessado— que tipo de coisas?

—Tudo— explicou Gabriele sorrindo radiante— ela ensinou a mim e ao Anthony a ler e escrever. E sabe tudo sobre flores. Tudo mesmo! Mamãe que ensinou para ela. E depois tem todas aquelas lições dos livros grossos e ainda há aquela coisa que ela e papai chamam de política, mas disso eu não gosto muito... é difícil...Mas ela e papai estão sempre falando sobre isso por isso sei que um dia vou aprender também.

Dorian ficou estarrecido. Não era comum, nem sequer sabia se era adequado, uma mulher tratando sobre política.

— Deve ser terrível, eu suponho— comentou Dorian e a garotinha deu outra risada leve e infantil como se acabasse de ouvir uma boa anedota. Ri dele deveria ser um traço comum nas mulheres daquela família.

—Como o senhor é engraçado, Mr. Dorian! Não é terrível. Nada que Nic faz é terrível. — ela explicou— ela é muito boazinha.

“não consigo nem imaginar isso” Dorian se pegou pensando.

—Ela lê sempre para nós e também sabe brincar muito melhor que os outros. Ela até fica descalça comigo! Nancy nunca me deixa ficar descalça — continuou tagarelando a pequena andando de um lado para o outro mexendo em tudo que estava ao alcance de suas mãozinhas— Nancy é a governanta. Esqueci que tinha que explicar tudo para o senhor.

Dorian passou a mão nos cabelos reprimindo uma enorme vontade de rir. Até mesmo uma criança o estava chamando de tolo. Aquela família era mesmo extraordinária.

— O senhor vai se casar mesmo com ela? Vai levar minha irmã para muito longe? Lá onde o senhor vai tem muitos jardins? Nic jamais seria feliz sem jardins... Nós vamos ao centro da cidade amanhã ouvir o reverendo. O senhor vai também?

A criança não parava um minuto sequer, tagarelando sem parar e fazendo um milhão de perguntas sem nem esperar pelas respostas.

— O senhor está apaixonado por ela, não é?

Ao ouvir aquela pergunta, Dorian quase engasgou.

— Isso acontece o tempo todo, mas ela nunca quer casar com ninguém— suspirou Gabriele se sentando em uma cadeira em frente a Dorian— Mas Nancy disse que houve um rapaz das cartas...

Mas Gabriele não pode terminar sua história porque neste momento a porta se abriu e Nicole entrou na sala. Os cabelos presos exibindo um pescoço alongado e delicado.

—Perdoe-me se o deixei esperando— desculpou-se Nicole a Dorian que havia levantado para cumprimenta-la, sem deixar de notar que embora seus modos fossem educados eram também bastante frios— Vejo que já conheceu minha irmã Gabriele. Espero que ela não o tenha importunado muito.

—De modo algum. Na verdade foi uma conversa muito instrutiva.

Sob as instruções de Nicole, Gabriele se despediu da irmã e de Dorian e saiu correndo alegremente da sala da mesma maneira que entrou.

— Não imaginava revê-lo tão cedo, Milorde_ Nicole falou assim que a irmã saiu.

— Eu confesso que não tinha essa pretensão no inicio, é verdade. Mas então quando avaliei melhor a situação, pude notar que julguei mal a senhorita. Compreendi que sua reação na outra tarde havia sido somente resultado da surpresa e de recato natural, típico das damas...

—Posso lhe assegurar que não sou esse tipo de dama, senhor— interrompeu Nicole sorrindo com desdém— o senhor se tem mesmo em alta conta, não é?

—Certamente— respondeu Dorian— é justamente por essa razão que vim aqui hoje. Quero refazer-lhe meu pedido. A senhorita me daria uma imensa felicidade se me aceitasse...

—Sinto muito, Milorde— ela o cortou novamente— me sinto honrada com vosso pedido, mas me vejo obrigada a declinar.

— Se forem os boatos que ouviu a meu respeito que a fazem me repelir, posso garantir que terei tempo de lhe explicar um por um, se for do seu desejo, e a senhorita verá que nenhum deles foi justo comigo — replicou Dorian rapidamente quase como se não a estivesse ouvindo— A senhorita será condessa. A minha condessa...

—Não me entenda mal, milorde, mas não estou interessada em vosso título.

Dorian já estava se sentindo contrariado novamente com toda aquela frieza cortante. Ele queria gritar para ela toda a frustração que estava sentindo. Quase sentia dor por ter que controlar a língua. Mas sabia que tinha que ficar frio. Ele precisava dela.

—Posso então saber o que leva você a declinar meu pedido tão efusivamente?— questionou-a deixando um lampejo de raiva escapar.

Nicole olhou para ele por alguns estantes como se estivesse decidindo responder ou não.

—O motivo de minha recusa é muito simples— ela falou finalmente— eu não gosto nem um pouco de você.

Dorian ficou olhando para ela perplexo. Estava tão supresso com a resposta que nem sequer notara que ela não estava lhe tratando pelo seu título como de costume.

—Não gosto de sua arrogância, de sua prepotência, de seu preconceito, de seus modos egocêntricos, de sua vaidade e nem mesmo do jeito como olha para mim... —listou ela— e não entendo porque a insistência nessa história sem sentido nenhum de se casar comigo. Nosso casamento não irá acontecer e isso é tudo o que tenho a lhe dizer. Ficarei grata se não insistir nisso, pois minha resposta não mudará. Nunca.

Os dois ficaram se encarando em um silencio belicoso pelo que pareceu uma eternidade.

— Não sou o tipo de homem que desiste das coisas que quer...— Dorian falou por fim.

—O senhor é o tipo de homem que não sabe ouvir uma não. O que me faz ter ainda mais um motivo para não gostar de vossa senhoria. Agora se isso é tudo o que tem a me dizer... Pedirei ao mordomo que o conduza para fora.

E então ela levantou-se, fez uma reverencia fria e saiu, deixando-o só e com um estranho desejo de espremer aquele pescoço fino e bonito.



Notas finais do capítulo

Desculpem a demora para postar! fiquei meio empacada nesse capítulo, que apesar de parecer enrolação da minha parte era necessário para o desenrolar da história. (juro, juradinho hahaha)
Espero que tenham gostado e até a próxima!



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