Where flowers grow wild escrita por Marie


Capítulo 6
Capítulo 6 – Necessidade




Não conseguira dormir. Passara a noite inteira afogado nas correspondências que não paravam de chegar. Só era conde a poucas semanas, mas sentia-se exausto como se o fosse a anos. Estava consumido de preocupação, pois não tinha a menor ideia do que faria para quitar todas aquelas dividas que pareciam multiplicar-se mais rápido do que ele capaz de contabilizá-las.

Além disso, havia o salario dos empregados a ser pago, já que ele, ao contrario do que exigia a necessidade, não havia diminuído a quantidade deles pois ainda desejava que sua mãe nada soubesse sobre a situação financeira esmagadora que pairava sobre eles.

Havia ainda as obrigações que deveria assumir junto a Câmara dos Lordes, e também as outras incumbências administrativas na propriedade Kenwood, que pelo visto possuía muito mais empregados e trabalhos do que Dorian se lembrava.

Sempre odiara política e apesar da ajuda de Dobson, o advogado franzino que herdara de seu pai juntamente com todos aqueles problemas, se sentia sufocado e devastado. E ainda havia aquela mulher! Deus do céu, mas que criatura mais desagradável! Aqueles olhos azuis e o sorriso debochado não saiam de sua mente. “Estava rindo de mim! Pois então muito bem!” pensava Dorian todas as vezes que se pegava lembrando do que se passara. Nunca em toda sua vida uma mulher o tratara daquele modo.

Foi pensando nisso e se servindo da oitava dose de conhaque da manhã que se viu interrompido por uma batida na porta, seguido pela entrada de uma senhora elegante vestida inteiramente de preto.

— Vejo que não dormiu esta noite— Lady Margarete avaliou o filho com seriedade ao vê-lo vestido apenas de suas calças e uma camisa aberta mostrando o peito alvo e liso, mas de musculatura delineada. Os cabelos fartos e escuros do filho estavam bagunçados, fazendo-a lembrar de quando ele ainda era apenas um garotinho.

— A senhora acordou bastante cedo...

— Eu precisarei sair— ela explicou caminhando até a janela do escritório.— Você está parecendo seu pai quando nós nos casamos...

Dorian sentiu o estomago revirar e não só por causa de todo o álcool que ingerira durante a madrugada, mas sim por causa da comparação. Ele não era o conde Kenwood e não seria nunca. Nunca, sob nenhuma circunstância. Não queria nem de leve ser parecido com aquele homem.

Lady Margarete sorriu ao ver a expressão contrariada do filho.

—Goste ou não Dorian, você tem muito mais do seu pai do que imagina. Está no seu sangue e não há nada que possa fazer sobre isso.

Ele queria replicar aquilo, mas ela ergueu a mão enluvada de negro num gesto que indicava que ela não estava disposta a ouvir mais nada sobre aquele assunto.

— Estou indo até a modista. Preciso encomendar mais alguns vestidos pretos.

—A senhora não precisa guardar luto por ele.

—Eu quero guardar luto por ele— respondeu a nobre senhora com firmeza— ele era meu marido por pior que fosse. E como condessa viúva é meu dever guardar luto para sempre. Agora que assumiu o lugar de seu pai, espero que passe a compreender que para pessoas como nós o dever está muito acima dos nossos desejos.

Dorian esperou calado. Lady Margarete caminhou até ele e acariciou lhe o rosto bonito como ela fazia quando ele era criança.

—Tão jovem e tão bonito— ela suspirou.— mas tão cheio de coisas para aprender, não é Dorian?

Ele não respondeu. Apenas ficou sentindo o cheiro reconfortante de hortelã que vinha da velha condessa.

— Agora eu precisarei ir— disse se afastando do filho como se tivesse sido pega fazendo algo errado— Pedirei que a modista encaminhe as contas para cá. E também aproveitarei e mandarei os criados encomendarem algumas coisas para um jantar. Está na hora de rever nossos amigos, não é mesmo? Preciso que saibam que eu também não estou morta.

Dorian gelou, mas não disse nada até a condessa se despedir, não antes de ter recomendado ao filho que se vestisse adequadamente. Dorian sentia um frio cortante na espinha somente em pensar nos outros débitos que estavam para chegar. Lady Margarete continuava a viver conforme o seu padrão habitual, é claro, e ele custava caro. Mas não havia a menor possibilidade de contar a ela sobre o que estava acontecendo. Ele a amava e não lhe daria mais um desgosto.

Foi nesse momento que lembrou-se mais uma vez daqueles olhos azuis e revoltantes que o atormentavam desde alguns dias atrás.

“Eu preciso dela” pensou olhando para a pilha de correspondências ainda fechadas e espelhadas sobre sua escrivaninha.

E ele a teria.



Notas finais do capítulo

Olá! Desculpem por ter demorado um pouco mais para postar esse capítulo. (tive alguns problemas com meu computador, mas já está tudo resolvido - assim espero).
O capítulo de hoje foi um pouco mais curto, mas espero que tenha ficado legal mesmo assim. :)
Um beijo para todas e até o próximo!



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