O Canto da Fénix Negra escrita por Morgana Bauer


Capítulo 7
O Começo de Uma Nova Vida


Notas iniciais do capítulo

Sétimo capítulo on.
Leiam e comentem...



Capítulo VII

O Começo de Uma Nova Vida!


O dia 1 de Setembro marcou o regresso de todos os alunos a Hogwarts. Ron e Ginny reencontraram-se com os amigos já no castelo. Hermione e Ron tinham sido postos a par do plano de Dumbledore, mas Ginny nem sequer desconfiava de que algo se passava. Harry e Hermione tinham esperado os amigos no exterior do castelo e agora caminhavam com eles para o banquete de recepção.

Ao entrarem no Grande Salão puderam ainda ouvir as exclamações de surpresa dos alunos do primeiro ano que viam pela primeira vez o magnífico tecto encantado. Aqueles que tinham sido educados como bruxos, certamente que já teriam ouvido falar naquilo, mas vê-lo era sempre impressionante.

Sentaram-se juntos, na mesa dos Gryffindor e puseram a conversa em dia enquanto aguardavam que Dumbledore iniciasse o habitual discurso. A professora McGonagall iniciou a selecção e assim que o último aluno do primeiro ano se sentou na mesa da sua respectiva casa o director levantou-se:

-Meus jovens, antes de mais, quero dar-vos as boas vindas para mais um ano de aprendizagem! Antes de nos deliciarmos com o maravilhoso banquete que nos espera, existem algumas palavras que gostaria de vos dizer! – Todos os alunos se calaram imediatamente e olharam para o director. Este parecia bastante sério o que não era hábito nos discursos de início de ano. - Nos tempos que correm é importante mantermo-nos unidos! A união faz a força. Juntos, seremos capazes de enfrentar todas as adversidades que apareçam no nosso caminho! É certo que vocês estão divididos por casas, mas não deixem que isso vos impeça de confraternizar uns com os outros.

Alguns cochichos começaram a fazer ouvir-se por todo o salão. O que é que o director pretenda dizer com aquilo? Harry, Hermione e Ron trocaram um olhar cúmplice que não passou despercebido a Ginny. Aqueles três sabiam mais do que diziam! Pensou a ruiva para consigo. Eles sabiam algo que não lhe estavam a dizer. E ela ia tentar descobrir o que era!

O director voltou a chamar a atenção dos alunos.

-Existe ainda outra coisa que tenho de vos comunicar antes que se possam “atirar” à comida! Apresento-vos três alunos, que vêm estudar para Hogwarts vindos de Salem! Eles irão frequentar o 7º ano. Vamos agora proceder à selecção deles.

Três rapazes de dezassete anos entraram naquele momento no salão. Colocaram-se lado a lado, em frente do chapéu seleccionador esperando ser chamados. A professora McGonagall tirou de novo a sua lista de dentro de um dos bolsos do seu vestido. Com um pequeno sorriso no canto dos lábios, que passou despercebido a todos os estudantes, foi chamando aqueles três “novos” alunos que, no fim de contas, conhecia tão bem.

-Jayden Powel! – Um dos rapazes caminhou até ao banquinho. Tinha o cabelo castanho-claro e olhos azuis escondidos por detrás de um par de óculos, como puderam reparam as raparigas que estavam mais próximo.


------------------------------------------------------------------

-“Ora, ora, ora, quem temos nós aqui!” – A vozinha do chapéu fez-se ouvir no interior da cabeça de Jayden. – “Estou a ver que estás numa missão, mas…tu já foste seleccionado! Aquilo que te disse há tantos anos, mantenho-o agora, James Potter!” GRYFFINDOR! – Gritou por fim o chapéu para a multidão de alunos que esperava pela selecção.

A mesa referida irrompeu em aplausos. O rapaz deixou a cadeira, com um sorriso estampado no rosto e foi até à mesa, sentando-se junto de Hermione. A rapariga, que sabia perfeitamente quem ele era sorriu-lhe e ele devolveu-lhe a simpatia.

-Ryan Lewis! – De novo, a voz de Minerva McGonagall fez-se ouvir e, desta vez, quem se pôs em frente da escola foi um rapaz de cabelos loiros e olhos cor de mel.

-Olha para os olhos dele! – Comentou uma garota sentada perto de Ginny para as amigas, mas alto o suficiente para que a ruiva pudesse ouvir – São mesmo giros!

Aquelas raparigas continuaram com os murmúrios mas Ginny deixou de lhes prestar atenção. O chapéu não precisou de muito tempo para deliberar e gritou:

-GRYFFINGOR!

Mais aplausos e vivas vindos da mesa da equipa vermelha e dourada. Nesse momento o último dos rapazes transferidos caminhava para o banco ao ouvir a professora de transfiguração dizer o seu nome:

-Samuel Blackheart!


------------------------------------------------------------------

-“Bem! Outro aluno que já foi seleccionado anteriormente! Diz-me lá Sirius Black, que motivos te trazem de novo aqui? Uma missão como aos teus amigos, estou certo! Vejo que te alegra estar aqui de novo. Sim, eu posso ver as vossas mentes, mas também os vossos corações. Tu mais que ninguém devias saber isso! Foi pelo que vi no teu coração, que há 20 anos atrás te coloquei em Gryffindor. E é pelo mesmo motivo que hoje também te coloco lá! Mas toma cuidado: as aparências iludem!” – Uma pausa e – GYFFINDOR! – Gritou por fim o chapéu para a multidão que aguardava ansiosamente.

Nova explosão de palmas ecoou por todo o salão. Samuel caminhou para a mesa e foi sentar-se junto aos amigos com o aviso do chapéu a ecoar-lhe na mente. “As aparências iludem! O que raios quis ele dizer com isto?!”


------------------------------------------------------------------

Lily Potter sorriu ao ver Sirius juntar-se aos amigos na mesa dos Gryffindor. Por momentos desejou juntar-se a eles mas logo se animou com a perspectiva da sua tarefa.

-Muito bem, Gryffindor recebe três novos alunos! – Dumbledore tomava de novo a palavra. – Vamos agora deliciar-nos com o banquete pois estou certo que vocês já devem estar desejosos disso.

Por todo o lado se viram e ouviram pessoas a concordar com as palavras do director. As mesas encheram-se dos mais diversos manjares e por momento apenas o som dos talheres a baterem uns nos outros se pôde ouvir. Mas as conversas logo voltaram. As vozes animadas daqueles que se julgavam seguros no castelo, apesar de este já ter sido atacado, fizeram-se ouvir. “Na altura o director não estava cá. Foi por isso que eles conseguiram entrar!”Pais e filhos convenciam-se desta forma a si mesmos e aos outros. Mas seria isso verdade? Dumbledore era certamente um bruxo muito poderoso, fora ele que derrotara Grindwald, mas teria ele o poder para proteger a escola se ela fosse atacada? “Eles estão muito melhor protegidos lá do que em casa!” Diziam os pais. “Lá têm os professores e o próprio Dumbledore! Aqui, só nos têm a nós! Contra um ataque não teriam hipóteses!”

Por isso se ouviam tantas vozes animadas durante a refeição: porque ali era mais seguro!


------------------------------------------------------------------

-Oi, o meu nome é Samuel Blackheart. – Disse o rapaz de cabelos escuros para Hermione, estendendo-lhe a mão.

Ela sorriu e respondeu-lhe:

-Eu sou Hermione Granger! Estes são o Ron Weasley, - apontou para o ruivo – Harry Potter, - apontou para o outro amigo – e Ginny Weasley. – Apontou para a ruiva sentada junto a Ron.

-Encantado! – Disse ele enquanto lhe pegava a mão. Para evitar levantarem suspeitas, tinham combinado que se relacionariam como alunos normais, daí que se tivessem de apresentar uns para os outros. – Estes são o Ryan e o Jayden.

-Muito prazer! – Disseram os outros dois em coro.

-Então vocês vieram de Salem? – Perguntou Ron como quem não quer a coisa.

A partir daí, enquanto Ron conversava com Ryan, Sirius com Hermione e Ginny, Harry ia falando de Quidditch com Jayden. As conversas entre todos decorreram amenas, à medida que o jantar decorria.

Uma vez terminada a refeição, todos os professores se ergueram. Os alunos mais desatentos puderam então notar que havia alterações no corpo docente.

-Tal como podem reparar, existem algumas alterações no quadro de professores. É com prazer que vos apresento a professora Lys Everet. Ela será a vossa professora de Poções! – Dumbledore fez uma pausa para deixar os alunos processar a informação. – Sendo assim, o professor Severus Snape irá leccionar a disciplina de Defesa Contra as Artes das Trevas! – De novo o burburinho encheu o salão. – Estas são as alterações que existem! Monitores, encaminhem os vossos colegas às Salas Comuns! Desejo-vos a todos uma boa noite, e que tenham um bom ano lectivo!

Os alunos começaram a levantar-se. Hermione e Ron chamaram os alunos do primeiro ano e lideraram o grupo pelas escadas até ao retrato guardado pela Dama Gorda.

-Raízes de Mandrágora! – O retrato cedeu a passagem permitindo a todos os alunos entrarem na Sala Comum.

Jayden, Samuel e Ryan seguiam junto de Harry e Ginny.

-Os dormitórios dos rapazes são em cima à esquerda. As raparigas vão para a direita. – Puderam ouvir Hermione dar as últimas indicações aos mais novos. – Agora vão todos para os dormitórios!

Ginny separou-se de Harry após desejar boa noite a todos e seguiu com Hermione para a camarata.

-Vamos Harry! – Chamou Ron já no início das escadas. O dormitório onde eles os cinco iriam ficar era o mesmo onde já estavam Neville, Seamus e Dean.

-Olá Harry! Oi Ron! – Disse Neville ao ver os amigos entrarem. – Então, como foram as férias?

-Boas! – Disse Harry olhando para o amigo que concordou com um aceno de cabeça enquanto sorria.

-Não sabia que Hogwarts aceitava alunos transferidos! – Comentou Seamus.

-Pelos vistos foi um pedido especial feito pelo director deles! – Disse Ron.

-E cá estamos nós de regresso! – A voz de Neville fez-se ouvir. – Harry, este ano vai voltar o ED?

-Hum? – O moreno pensou por uns momentos. – Não sei! Mas podemos ver isso depois!

-Tudo bem! – Disse o outro rapaz enquanto se deitava na cama.

-ED? – Perguntou Jayden olhando para Harry. Este sorriu para o pai. Sentou-se na cama que estava junto da janela e esperou que o outro se sentasse na cama do lado.

-A ED é um grupo secreto que nós formámos há dois anos para praticar DCAT. Nessa altura, o ministério tinha resolvido que nós devíamos ter uma educação à base da teoria!

-E então vocês decidiram que o melhor era formar um grupo secreto! – Exclamou o outro com um sorriso.

-Bem… - Disse Harry baixando a voz – digamos que o Sirius também teve culpas no cartório.

A expressão no rosto de Jayden indicou que ele não percebera o que Harry queria dizer. Deitou um olhar ao amigo para lhe poder pedir esclarecimentos mas este já dormia a sono solto. Decidido a esclarecer aquele assunto no dia seguinte, também ele se deitou.

Pensado em tudo o que estava para a acontecer, Harry deixou-se ficar acordado. Quando por fim não conseguiu resistir ao sono, já era tarde, mas tinha um sorriso no rosto: afinal de contas já tinha passado por tantas coisas, e desta vez tinha a sua família consigo!


------------------------------------------------------------------

-Harry, acorda! – Ron tentou despertar o amigo.

-Jayden, Si… Samuel! Acordem! – A voz de Ryan uniu-se à do ruivo.

Tentaram durante mais alguns minutos até que o loiro resolveu adoptar medidas mais drásticas. Lançando um sorriso a Ron e a Harry que tinha por fim acordado, conjurou dois pequenos jarros com água que fez pairar sobre a cabeça dos amigos. Ergueu três dedos no ar e começou a contagem decrescente. Ao perceberem o que estava prestes a acontecer, os outros dois controlaram-se para não se rirem.

Quando a água caiu sobre o rosto dos dois e ambos pularam das camas não conseguiram resistir mais. Ron sentou-se na cama do amigo para poder recuperar o fôlego enquanto ouvia os outros dois a resmungar.

-Muita graça, sim senhor! Muita graça mesmo! Não podias ter simplesmente chamado? – Disse Samuel enquanto lançava um feitiço para secar os lençóis e o pijama.

-Tentar, eu tentei, mas vocês nem se mexiam! – Desculpou-se o autor da brincadeira com um sorriso de divertimento no rosto.

-Pois sim! – Resmungou Jayden pegando no uniforme e indo para a casa de banho.


------------------------------------------------------------------

A professora Lys Everet chegou cedo nessa manhã ao Grande Salão. Apenas uns poucos alunos se encontravam lá àquela hora e muitos deles puseram-se a olhar a nova professora de poções.

-Graças a Merlin que não temos o Snape a poções! – Comentou um Hufflepuff do 4º ano.

-Sim! Mas vamos aturá-lo em DCAT. Não sei o que será pior! – Respondeu-lhe uma colega de casa.

-O Snape já foi um Death Eather, toda a gente sabe isso, acham que ele nos vai ensinar alguns feitiços…

-Só se for para os usar em nós! – A rapariga tremeu com a perspectiva. – E a nova professora? Como achas que será ela?

-Temos de esperar para ver! Não é?!

Os comentários sobre a nova professora de Poções e sobre Snape como professor de DCAT continuaram durante um bom tempo. De facto, ainda ocorriam quando algum tempo depois Harry, Ron, Hermione, Ginny, Ryan, Jayden e Samuel chegaram ao Salão.

Durante o pequeno-almoço, foram distribuídos os horários o que provocou mais comentários dos alunos.

-Eu não acredito que vamos começar a quarta-feira a aturar o Snape! – Disse Seamus em tom de lamento chegando ao pé de Harry e Ron.

Parvatti Patil, Dean e Neville aproximaram-se também já com os seus horários nas mãos.

-Isto parece impossível! – Dizia Parvatti – Estamos no último ano e resolvem dar-nos um professor que nos odeia!

-Eu é que estou completamente feito! – Comentou Neville. – Definitivamente eu não me devia ter inscrito nesta disciplina! Ele vai dar cabo de mim!

Ryan, Samuel e Jayden entreolharam-se.

-Ele não está a exagerar? – Comentou o último para Harry. Mas Neville ouviu e retorquiu-lhe:

-Ai, não estou a exagerar não! Ele já me perseguia em poções. Agora nesta disciplina nem quero ver! – A expressão do rapaz era de medo. Os amigos riram-se. Seamus pôs-lhe uma mão no ombro e disse:

-Nós sabemos, Neville! Mas… bem, a esperança é a última a morrer não é? Ele pode sempre ter um ataque cardíaco antes da aula.

Quem ouviu riu-se da ideia. Muitos acenaram com a cabeça em concordância. Um rapaz que vinha num grupo de alunos do 6º ano que ali passava acrescentou depois da piada:

-Pode ser que resolvam mandar outra vez o ‘stor Lupin! – Disse num tom esperançoso. Os colegas concordaram. – Vocês já viram que, há tantos anos que andamos aqui e ele foi o único professor decente que tivemos?

-Estou de acordo! – Disse uma rapariga de cabelos loiros e olhos castanhos - Um era um idiota que nem sabia convocar um pano, - a rapariga começou a enumerar os professores que haviam tido – o outro era um Death Eather disfarçado, depois tivemos uma maluca do ministério que nos queria ensinar fazendo cópias, o ano passado já tivemos o Snape! Meu Merlin!

Ainda a discutir sobre professores de DCAT aquele grupinho afastou-se. Parvatti também os deixou para ir ter com Lavender. Terminaram de comer lentamente e quando se levantaram fizeram-no calmamente como se tivessem todo o tempo do mundo. Nessa manhã começariam com transfiguração, indo portanto ter aulas com Minerva McGonagall. Com aquela professora não havia tempo a perder com disparates e logo estavam todos a trabalhar. Tinham sido dispostos em duplas, ao acaso, e a tarefa daquela aula seria fazerem algumas transfigurações em animais. Era essa a primeira matéria que seria leccionada: transfigurar um animal noutro diferente. A partir daí partiriam para a animagia, embora desta só aprendessem a teoria.

Os Gryffindor tinham Transfiguração em conjunto com os Ravenclaw e formavam uma turma pequena onde geralmente não havia muita confusão.

-A arte de transfigurar um animal num outro, – começou naquela manhã a professora – exige da parte de quem a pratica, um maior nível de concentração e de magia, do que a maioria das outras transfigurações que vocês possam fazer! Creio que aqui todos serão capazes de atingir os objectivos pretendidos desde que se empenhem e se esforcem! Mas, comecemos! É importante que mantenham na vossa mente, aquilo em que pretendem que o animal se transforme. Concentrem-se e quando acharem que estão preparados digam as palavras certas. Como vocês já sabem, é importante que pronunciem as palavras clara e distintamente, caso contrário poderão levar à morte do animal!

O silêncio imperava na sala. Alguns alunos tentavam tirar apontamentos daquilo que a professora dizia enquanto outros achavam que era um crime começar logo a dar matéria no primeiro dia.

-Vamos agora praticar! Vocês já formaram duplas, que em princípio se manterão até ao fim do ano, procurem perceber como devem fazer o feitiço e trabalhem em conjunto!

Alguns frascos que continham um conjunto variado de insectos e outros bichos pequenos começaram a circular pela sala. Cada par ia escolhendo o “bichinho” que iria tentar transformar numa borboleta. As opções iam desde lagartas e outras larvas até moscas e centopeias, passando por algumas aranhas. Depois de algumas expressões de nojo por parte de uma Ravenclaw e de um “Não sejam criancinhas!” da professora, todos deitaram mãos ao trabalho.

Harry, cujo par que lhe tinha sorteado era Dean, começou a trabalhar depois de ver uma expressão de terror no rosto de Ron. O amigo tinha ficado com Neville e parecia estar com dificuldades em ligar com o insecto que este último escolhera.

-Uma aranha, Neville? Com tantos outros bichos, e tu tinhas de escolher uma aranha? – Dizia em surdina o ruivo indignado.

-Mas o que é que tem a aranha? É um bicho como os outros! – Respondia o rapaz sem perceber porque motivo o outro estava tão chateado.

-Afasta esse bicho de mim! Isso, mantém-no bem longe de mim! Vá, agora tenta lançar o feitiço para ver se essa coisa horrível desaparece.

Enquanto isso, algumas mesas atrás, Hermione dava-se bem melhor. Tinha calhado com Ryan Lewis, portanto Remus Lupin, o que significava que sempre podia contar com alguém que já se tinha formado para a ajudar. Se bem que isso não fosse muito necessário. Após algumas tentativas e de uma dica para que mudasse a posição da varinha por parte do ex-professor, ela começou a apanhar o jeito e a centopeia que ela tinha escolhido começou a parecer-se cada vez mais e mais com a borboleta que pretendiam.

Como estava com alguém que sabia realmente quem ele era, Remus não teve de disfarçar muito, mas tanta sorte não tiveram Sirius e James. O primeiro ficou com Lavender Brown que só depois de ter passado metade da aula a falar com a rapariga da fila da frente acerca de como lhe tinham corrido as férias e de quais os tipos mais giros que tinham saído nos semanários bruxos é que resolveu começar a trabalhar. Durante algum tempo, ele foi abanando a varinha ao acaso, e murmurando uma ou outra palavrita, seria de desconfiar que conseguisse fazer logo aquilo à primeira! Aceitou algumas sugestões da rapariga (quando ela por fim se fartou de elogiar os músculos do tipo que aparecera na capa da semana anterior) e ele próprio lhe deu algumas sugestões. No fim de contas nem se deram muito mal e quando mais tarde a aula terminou, ambos tinham completado a tarefa.

James, por seu lado, ficou a fazer dupla com a Ravenclaw que tinha feito os comentários no início da aula. A miúda era uma convencida de primeira, pensou o Auror enquanto a ouvia elogiar-se a si própria por algum trabalho que tinha feito no ano anterior. Procurou Sirius, ou melhor, Samuel, com o olhar e encontrou-o a abanar a varinha para um lado e para o outro. Riu. Aquele feitiço não era muito difícil de se fazer depois de apanhado o jeito, por isso ele soube que o amigo estava apenas a disfarçar.

-Ele não está a fazer bem! – Comentou Jaquelynne, a sua parceira naquele trabalho. – O movimento da mão deve ser assim! – Jayden quase se riu quando a rapariga tentou exemplificar. Ela estava tão empenhada no que estava a fazer que não reparou que, sem querer, tinha batido no frasco dele e solto o pequeno animal que lá estava.

A pequena aranha ao ver-se livre aproveitou para se tentar esconder e começou a correr sobre a mesa. Encontrou o braço da rapariga e subiu por ele a cima, sem que ela se apercebesse. Quando atingiu o topo do braço, a pobre e inocente aranha achou por bem esconder-se no cabelo dela. Jaquelynne sentiu por fim alguma coisa estranha e levou uma mão ao pescoço para perceber o que era. Temendo que a rapariga se pusesse a gritar por encontrar ali a aranha, Jayden apontou-lhe a varinha discretamente e murmurou o feitiço. Por entre os compridos cabelos da rapariga, esvoaçou uma linda borboleta monarca que foi pousar no cimo do frasco.

A rapariga olhou para a borboleta questionando-se acerca de onde esta pudesse ter surgido e o rapaz disse:

-Deves ter-lhe apontado a varinha e transformaste-a sem te dares conta!

Ela abriu um sorriso e disse:

-É, deve ter sido isso! Tenho a certeza que foi! Bem, agora é a tua vez. Vamos lá ver se consegues transformar a lagarta!

“Esta vai ser uma longa aula!” Pensou James enquanto se começava a concentrar. “Vai ser uma aula muito longa!”


------------------------------------------------------------------

Deixaram a sala um pouco mais tarde, já com uma composição para fazer (“Isto é impossível! Ainda estamos no primeiro dia e já nos estão a mandar trabalhos!”).

-Qual é a próxima aula? – Perguntou Samuel a Hermione.

-Vamos ter Herbologia Avançada na estufa 3.

-Herbologia Avançada? – Os três “novos” alunos entreolharam-se. – Que disciplina é essa? – Perguntou Jayden.

-Vocês não conhecem? – Hermione olhou para eles e pareceu pensar por uns instantes. – Pois… acho que esta disciplina só foi implementada à 8 ou 9 anos, se calhar é por isso que não conhecem!

-Herbologia! Vocês lembram-se alguma coisa disso? – Samuel, Jayden e Ryan deixaram-se ficar para trás.

Os outros dois negaram.

-Eu nunca me interessei particularmente por Herbologia! – Desculpou-se Ryan encolhendo os ombros.

Seguiram até à estufa 3 onde teriam aulas. Quando lá entraram viram vários alunos de Hufflepuff e um ou dois Slytherins.

-Pelo menos não tenho a “Jacky” para fazer par comigo! – Disse Jayden depois de confirmar que não existia nenhum Ravenclaw por perto.

-Porquê, Jay? Ela pareceu muito simpática! – Os outros perguntaram inocentemente. A cara de poucos amigos que o outro lhes lançou foi o suficiente para que caíssem na gargalhada. A professora demorou alguns minutos a chegar, carregada com um grande vaso com uma planta que estava coberta por um pano negro. Isso foi colocado de lado e ela voltou-se para os alunos dizendo:

-Apesar de este ser o primeiro ano em que têm esta disciplina, no final do ano lectivo irão realizar também os NEWTS. Espero que se empenhem para obter bons resultados! – Rodeou as mesas em que os alunos estavam sentados e continuou – Por hoje, iremos começar por fazer um pequeno teste para que eu possa ver como estão os vossos níveis de conhecimentos. Eu falei com a professora Sprout, a vossa antiga professora de Herbologia, e ela esteve a pôr-me a par daquilo que vocês aprenderam. Vou agora começar a distribuir os testes. Têm até ao final da aula para o resolver, individualmente, é claro. Vamos lá, ao trabalho!

As folhas foram passando de mão em mão até estarem todas entregues. Em breve o som das penas era o único som que se ouvia, embora por vezes se pudessem escutar algumas respostas murmuradas.

Uma a uma, as perguntas foram sendo respondidas por todos os alunos, alguns com a certeza de estar a fazer as coisas bem, outros não com tantas certezas assim!

Quando deixaram aquela aula, o único que parecia realmente feliz era Neville. Ele sempre gostara de Herbologia, e naquele ano parecia estar excepcionalmente bom. Quando lhe perguntaram porquê ele respondeu que era pelos Newts. “Esta é a única disciplina em que eu sei que sou mesmo bom! Então tenho de ter uma grande nota!” Explicou ele aos amigos.

O resto do dia correu normalmente. James, Sirius e Remus começaram apensar no verdadeiro motivo de estarem ali, e procuraram saber junto de Harry, Ron e Hermione se existia alguém que se estivesse a comportar de forma diferente naquele início de ano.

-Que tenhamos visto, não. Mas também não costumamos andar a reparar muito nisso! – Hermione falou e o ruivo e o moreno concordaram.

-Se calhar vocês deviam tentar observar as pessoas nos próximos dias, em especial as de Gryffindor!

-O Harry tem razão! – Concordou Remus pensativamente.

-Gryffindor?! Vocês acham que o espião pode estar nos Gryffindor? – Perguntou Ron enquanto ajeitava um Puff e se sentava. Estavam os 6 reunidos na Sala Precisa, que se tinha transformado numa sala grande com alguns sofás, Puffs, uma mesa ampla e uma grande lareira.

-Faz sentido! – Disse Hermione. Vendo que o ruivo olhava para ela, esclareceu – Quando o director os escolheu para esta missão, ele já devia saber que eles iam ficar nos Gryffindor. Se ele não quisesse que eles aqui ficassem, ele tinha feito alguma coisa em relação a isso.

-Ok, mas o que é que isso tem que ver com o espião?

-Pensa, Ron, pensa! Se o director não fez nada a respeito disso é porque ele deve ter alguma suspeita! E bem forte diria eu!

-Achas que sim? – Perguntou Harry. – Quero dizer, eu também acho que o Dumbledore acha que o espião está, ou estará, em Gryffindor, mas por que é que dizes que essa suspeita é assim tão forte?

-O motivo é simples, Harry! – Remus olhou para o rapaz – Se o Dumbledore não tivesse assim tão seguro, nunca nos teria posto aqui aos três! Ele ter-nos-ia separado pelas diferentes casas!

“É uma boa lógica!” Pensou Ron “Mas um espião nos Gryffindor, sei lá, parece tão inconcebível!”

-E, infelizmente não seria a primeira vez que isso ocorreria! – Foi James quem disse estas palavras como se estivesse a ler os pensamentos do ruivo. Nos olhos azuis daquele corpo que por enquanto era o seu, havia reflectida uma certa mágoa. Mas também não era para menos: dezasseis anos antes a sua vida havia sido virada do avesso não só por um louco, com também por culpa de um Gryffindor que julgara seu amigo.

-Vamos manter a calma, e não tirar conclusões precipitadas! – Disse sabiamente Sirius. – Até pode ser que isso seja verdade mas vamos precisar de provas para poder agir! E isso inclui-vos também aos três. – As últimas palavras foram dirigidas a Ron, Harry e Hermione que com uma expressão séria nos rostos assentiram.

-Já é tarde, e amanhã temos de acordar cedo! – Remus falou no seu tom de professor. – É melhor irmos!

Deixaram a divisão e fizeram o que o rapaz de olhos cor de mel dissera. Deitados cada um na sua cama, os pensamentos de todos vaguearam pelas memórias daquele dia.

“Gostei deste dia” Pensou Harry sonolento. “Espero que apesar de tudo o que aconteça, este ano corra bem, e que toda esta maldita guerra termine!”

“Acho que vai ser divertido tê-los connosco! O Harry parece feliz!” Hermione também não demorou a cair no sono.

“Este ano promete!” Foi a única coisa que passou pela mente de Ron, que mal pôs a cabeça na almofada adormeceu.

“Foi um começo de ano diferente! Este ano vai trazer muitas surpresas, tenho a certeza disso!” Remus Lupin, agora Ryan Lewis pensou antes de se deixar levar por Morfeu.

“As aparências iludem! O que é que ele terá querido dizer com isto? Será que se estava a referir ao espião?” A cabeça de Sirius andou às voltas com esta dúvida até que, por fim, também ele caiu no sono.

Dando voltas atrás de voltas na cama, James era o único que teimava em não adormecer. Cruzavam-se-lhe pela mente, imagens daquele dia, misturadas com lembranças do dia que, há vários anos atrás marcara o seu primeiro dia no sétimo ano em Hogwarts. Lembrava-se do quão feliz se sentira nessa altura. Podia estar na escola, ter muitas aulas para assistir, muitos trabalhos para fazer, exames no fim do ano, e uma Guerra a travar-se fora das paredes do Castelo, mas na altura todo lhe parecera tão… Nem ele próprio conseguia descrever. Aulas, trabalhos, exames, ele era um bom aluno e sabia-o, não precisava de se preocupar muito. Quanto à guerra, ela parecia-lhe tão distante, embora estivesse a ocorrer tão próximo.

Nos olhos do filho, ele não conseguia ver aquela alegria que ele mesmo tivera. Parecia que o peso do mundo estava sempre sobre os seus ombros. “O que é verdade!” Pensou com amargura. “Ele tem o peso do mundo nos ombros. Mas agora eu e a Lily estamos com ele! Vamos ajudá-lo e protegê-lo!” Aquela confiança típica de um legítimo Gryffindor falou mais alto no seu interior.

A lua já ia bastante alta no céu quando ele, por fim, adormeceu.


Notas finais do capítulo

Aqui está o sétimo capítulo. Espero que gostem e... comentem =)

Beijos
Morgana Bauer



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "O Canto da Fénix Negra" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.