O Herdeiro - Interativa escrita por newsome


Capítulo 4
Capítulo 3


Notas iniciais do capítulo

Hey, hey!
Passaram bem de fim de ano? Eu sim, engordei uns 10 quilos. E mal posso acreditar que minhas férias já estão quase acabando. Ugh voltar pra escola é algo que eu realmente não quero fazer...
Bom, como eu disse no último capítulo A Seleção se inicia mais ou menos nesse capítulo ( YAY! ). Claro que não temos 35 fichas interativas, mas eu acho até melhor. Ficará mais fácil escrever e dar uma atenção especial a cada personagem individualmente. Tenho por volta de 13 personagens interativas, cada qual com suas qualidades e defeitos. Tenho que dizer que todas as fichas estão impecáveis o que tornará essa Seleção bastante acirrada. Como expliquei no último capítulo, a eliminação será feita por mérito. Não quero ser injusta com nenhuma por isso quero levar em conta as vontades de cada uma, e o empenho que colocarem nas tarefas.

Como já falei demais vou só dar uns avisos para não embaralhar vossas cabecinhas.

As donas de algumas fichas devem ter percebido que eu alterei suas províncias. Como A Seleção é constituída de 35 moças cada uma vem de uma província diferente em Illéa. Como algumas fichas repetiam províncias eu troquei. Mas isso não altera nada na personagem, só o local de onde vem mesmo.

No primeiro livro America comenta sobre o uniforme das selecionadas: calça preta, camisa branca e flor da pronvícia.
Bem, neste livro America também comenta sobre a flor que Celeste usava: uma margarida.
America também usava uma, o lírio. Então sabemos que o lírio é a flor de Carolina e a margarida é a flor de Clermont.
Como essa era a única informação que eu tinha sobre as flores eu acabei por escolher uma flor para cada personagem conforme sua aparência/personalidade. Então só queria esclarecer que essas não são as flores “oficiais” de cada província.

Gente, como eu falo né? Olha o tamanho dessa nota inicial! Okay, agora me calei.
Aproveitem o capítulo!



Elisabeth Black

Dei mais uma olhada na garota que se refletia sobre o espelho. Com uma rosa musk contrastando aos cabelos escuros e uma expressão no mínimo assustada.

Eu estava bonita, me sentia bonita. Mas estava um pouco assustada também. Não sabia o que esperar por trás dos muros espessos do palácio.

A pergunta infeliz daquele funcionário da família real voltou a minha mente em um instante de distração. Tive vontade de rir, um riso puramente vazio e sem humor.

“Sim, eu sou virgem.”

Era quase cômico. Dizer tais palavras na frente de seu irmão mais velho para funcionários do rei. Agora até a minha virgindade era assunto real, que bacana!

Ajeitei mais uma vez os fios curtos que pegavam meus olhos por cima da testa e suspirei desta vez me lembrando que as despedidas estavam mais próximas do que eu gostaria. Despedir-me, mesmo que temporariamente de meus irmãos era uma coisa que me causava um aperto no coração.

Com um longo suspiro, chequei meu reflexo mais uma vez e fiz meu caminho à sala.

–Você está linda. - comentou Mark assim que me viu.

–Obrigada. - sorri. - Agora, venham aqui, preciso dar um abraço em vocês antes de irmos pra aquela multidão.

Edward, Louis e Mark se juntaram ao meu redor e me abraçaram. Logo um sentimento de que aquele era o meu lar me atingiu. Onde eles estivessem ali seria o meu abrigo.

Nos separamos por um breve instante e preparei-me para me despedir de cada um individualmente. O primeiro foi Edward, o mais novo.

–Venha cá. - sorri abrindo meus braços e me abaixando para que pudéssemos ter a mesma altura.

–Se comporte certo? - disse apertando-o em meus braços.

– Sentirei sua falta Elily. - disse com sua voz adquirindo um tom manhoso.

– Eu sei, também sentirei muito a sua falta. Mas logo nos veremos de novo, prometo. - finalizei ao dar um beijo em sua bochecha.

Louis se aproximou como se não ligasse muito para tal despedida. Ele tinha apenas 11 anos, mas era maduro como se tivesse o dobro.

– Se cuide. - disse ele me abraçando.

– Você também. Tome conta desses dois. - brinquei indicando Edward e Mark com a cabeça.

– Eu sempre tomo. - riu.

Me levantei enquanto Mark se aproximava para sua despedida. Ele tomou-me em seus braços fortes enquanto eu guardava o momento.

– Tome cuidado lá. Sei que acontecem muitos ataques rebeldes sem que contem para nós. - disse entre um suspiro.

– É… Me cuidarei, prometo. - respondi.

– Certo, então vamos. Não quer se atrasar ao se despedir de seus fãs né? - mudou de assunto mascarando a preocupação que tinha com um tom brincalhão em sua voz.

– Não. - sorri fraco. - Vamos.

Depois das despedidas saímos de casa e pegamos um carro até a praça da cidade, que por sinal estava absolutamente lotada! Podia sentir as palmas de minhas mãos suarem enquanto encarava toda aquela gente.

Com minha mão sendo segurada fortemente por Mark, atravessamos aquela multidão até o palanque.

Respirei fundo enquanto ficava ali de pé observando a multidão que se apertava na praça para me dizer adeus. Eu sabia que era muito querida em Hansport, mas ver aquele afeto em uma massa humana deixava meu coração alegre. As pessoas acenavam, mandavam beijos, gritavam por meu nome e algumas até mesmo levantavam cartazes.

Tentava retribuir a cada gesto acenando e sorrindo, mas eram muitas pessoas para que eu pudesse retribuir à todas.

– Senhoras e Senhores, Elisabeth Black nossa querida filha de Illéa e candidata a rainha! - gritou o prefeito ao microfone enquanto me empurrava para frente.

A gritaria foi geral e naquele momento pude perceber que eles realmente esperavam que eu ganhasse. A cada palavra do prefeito os gritos vibravam ainda mais animados. Não prestava muita atenção no que o prefeito dizia, mas continuava a sorrir como se estivesse muito grata por palavras tão belas.

Poucos minutos depois, quando o discurso finalmente terminou, sorri aos cidadãos que aplaudiam e gritavam e me preparei para dizer o adeus temporário a Hansport.

Morgan, minha assistente até então, me puxou pelo braço e disse para que me despedisse rapidamente de minha família, pois o carro já estava apostos e ela me esperaria lá. Concordei rapidamente com a cabeça enquanto pensava no quão esperta fui ao me despedir deles em casa.

Me aproximei de cada um e os abracei apertado deixando bem claro que os amava muito e que sentiria muita falta deles.

Ainda sorrindo para meus irmãos entrei no carro e acenei até que os perdi de vista. Os gritos animados agora ficavam cada vez mais longe chegando a um momento em que já não era possível ouvi-los mais. Quando já não restava nada a não ser o barulho suave do carro e as respirações presentes no ambiente, sabia que estávamos bem próximos ao aeroporto.

Morgan me acompanhou até o aeroporto me desejando boa sorte e me deixando logo depois. Caminhei em direção a duas garotas que aparentemente seriam minhas companheiras de voo.

A primeira que notei foi uma garota um pouco mais alta que eu com olhos que se assemelhavam um pouco aos meus em tom azul acinzentado. Seus cabelos eram de uma cor que eu nunca havia visto antes, um loiro meio avermelhado, não era comum, porém achei uma cor bastante bela. Eles ficavam ainda mais belos com uma flor de um violeta vivo presa aos seus cabelos. Não sabia muito sobre flores, mas aquela me parecia uma daisy.

A segunda me chamou atenção por seus olhos, eles eram castanhos no tom mais claro de tal cor. Seus cabelos eram loiros, mas não loiros como o a primeira garota, eles eram mais claros e mais vivos, um loiro meio platinado. Ela levava em seus cabelos um hibisco que começava em um tom rosa bem claro e terminava em branco deixando sua aparência bastante delicada.

Tentei parecer indiferente enquanto as duas conversavam baixo. Não me dei ao trabalho de dizer “oi” ou “olá”. Não sabia com quem estava lidando ainda…

A segunda garota, a de olhos castanhos, ao perceber que eu me aproximava abriu um pequeno sorriso e me estendeu a mão.

– Oi, sou Rosangela.

– Elisabeth. - respondi apertando sua mão e retribuindo seu sorriso.

– Sou Sarah. - disse a outra garota também apertando a minha mão.

Depois das apresentações não sabia bem o que dizer uma vez que não conhecia nenhuma delas.

– Você é de onde? - perguntou Rosangela simpática tentando quebrar o clima que começava a se instalar.

– Hansport, não fica muito longe daqui.

– Sou de Ottaro e Sarah é de Waverly. - respondeu.

– Tenho a sensação que conheço você de algum lugar… - comentou Sarah.

– Talvez. - ri baixo. - Sou atriz.

– Ah! Explicado então. - riu também.

– Falta só mais uma. Quem vocês acham que é? - perguntou Rosangela curiosa se referindo à candidata que faltava para que embarcássemos.

– Não faço a mínima ideia… - disse Sarah.

– Eu também não, não prestei muita atenção nas candidatas. - comentei.

Não demorou muito para que logo descobríssemos quem era a selecionada que faltava. Ela tinha cabelos lisos e olhos azuis. Era bastante bonita, tinha que admitir. Mas aquela altura eu devia saber que estaria sempre ao redor de mulheres bonitas.

Seus cabelos castanhos tinham uma orquídea azul que fazia com que seus olhos se destacassem ainda mais.

Ela nos cumprimentou simpaticamente, seu nome era Gabriella e isso foi tudo o que ouvimos dela até o fim da viagem.

Lyra Vasch

Toquei o cravo nos meus cabelos para ter certeza de que não havia caído durante aquela loucura na praça, enquanto tentava não me preocupar muito com o que viria adiante. Uma competição onde 35 garotas lutam por um príncipe. Isso não é nada com o que estou acostumada. Que eu saiba é o príncipe quem varre o reino atrás da Cinderela…

Meus pensamentos foram interrompidos por uma risada melodiosa e passos em sincronia. Me virei para encontrar duas garotas caminhando juntas, uma delas ria e a outra parecia contar algo bastante engraçado com certa malícia em seu olhar.

Pareciam amigáveis, e eu realmente esperava que fossem.

A garota que ria era realmente bonita, uma beleza intrigante. Não estava muito próxima para vê-la claramente, mas ela possuía olhos bicolores, um deles era de um azul límpido e o outro uma cor enigmática, uma mistura de castanho e verde. Seus cabelos batiam um pouco abaixo dos ombros e seu nariz era um pouco empinado.

Ela ajeitou a petúnia púrpura que estava presa em seus cabelos quase que inconscientemente quando viu que eu a encarava.

Me repreendi mentalmente por ficar encarando as pessoas, mas logo esqueci de tal repreensão na hora de analisar a outra garota.

Ela tinha cabelos escuros e olhos claros contornados por um tracejado escuro que contrastava com o vermelho aceso da prímula que tinha nos cabelos. Seus lábios eram desenhados e rosados. A um olhar de primeira vista, sua aparência se assemelhava à uma garota delicada e frágil, mas, basta que observe mais algum tempo e perceberá que é o completo oposto. Seu jeito de andar como se não se importasse muito, seu sorriso irônico, seu olhar malicioso e a expressão engraçada como se a situação fosse completamente hilária denunciava que ali estaria uma das maiores diversões do palácio.

– E aí? - disse ela assim que me alcançaram.

– Oi! - disse a primeira garota.

– Oi - sorri cumprimentando as duas. - Sou Lyra.

– Hazel. - sorriu em retribuição.

– Meu nome é Angelita. -também sorriu.

– Então, já estamos prontas pra finalmente ir para aquele palácio? - perguntou Hazel parecendo meio entediada em ter de esperar.

– Acho que não, somos três. Falta uma. - disse Angelita olhando ao redor.

– Lá vem a quarta. - disse olhando para um ponto atrás de Hazel.

Uma garota com um casaco rosa caminhava em passos apressados. Ela tinha cabelos longos que batiam em sua cintura em um tom de loiro que não me interessei em identificar. Seus lábios estavam cobertos por uma camada grossa e gritante de batom rosa.

Não demorou muito para que chegasse a mim e a as outras garotas.

– Quem são vocês três? - perguntou torcendo o nariz.

– Quem é você? - perguntou Hazel fazendo uma careta ao tom inquisitivo esganiçado da tal garota.

– Ugh, devia saber que lidaria com esse tipo de gente. Sou Penelope Monroe, não que você não sabia por que todos sabem quem eu sou. - gemeu em descontentamento.

– Ei, você! - apontou para o piloto. - Vamos logo com essa joça, eu não tenho o dia todo!

– Bem vindas à seleção. - cochichei para as outras meninas que riram.

Annaliese Silverette

Andava de um lado pro outro esperando que alguém desse sinal de vida. Havia 40 minutos desde que deixei a praça de Allens e até agora nenhuma das minhas companheiras de voo chegou. E se elas fossem completas chatas? E se elas fossem fúteis? E se fossem Dois e me esnobassem por conta de serem ‘maiores’ do que eu? E se me odiassem e fizessem da minha vida no palácio um inferno? Tinha tantas dúvidas sobre o que iria acontecer…

Uma de minhas dúvidas ambulantes finalmente chegou ao aeroporto. Uma loira de olhos esverdeados caminhava silenciosamente e olhava para os lados vez ou outra.

–Oi. - disse baixo.

– Oi. - sorri.

E foi isso. Nenhuma palavra a mais.

Encarava o nada esperando pela próxima selecionada que parecia se arrastar junto com o tempo. Dei uma checada rápida na minha colega de voo. Ela roía as unhas casualmente a medida que os minutos se passavam. Ela estava… nervosa?

– Está nervosa? - perguntei tentando puxar assunto.

– Um pouco. - admitiu com um riso baixo. Ufa! Pelo menos não era só eu. - E você?

– Também estou. Na verdade mais ansiosa do que nervosa. - respondi sincera.

– Entendo. - sorriu em cumplicidade. - Não saber o que nos aguarda é algo que deixaria qualquer um no mínimo frustrado.

– Nem me fale. - suspirei.

– Uau, que linda! Qual o nome? - perguntou ela se referindo à flor da minha província.

– Ah, é uma espécie de murta. Esta é a minha favorita, acho ela delicada.

– Realmente, é maravilhosa. Pensava que murtas eram menores… - comentou.

– Sim, essas são as murtas mais comuns, as murtas de cheiro. São as de jardim. Essa é a murta branca. - expliquei.

– Ah, então talvez seja por isso que nunca havia a visto por aí. - riu.

– E quanto à essa em seus cabelos? - perguntei voltando minha atenção a flor rosa que ela tinha presa aos cabelos.

– Calandiva. É a flor de Dakota.

– Dakota? É muito longe?

– Um pouco. - admitiu. - Você é de onde?

– Allens. - sorri ao lembrar de minha província.

– Já ouvi falar. - sorriu.

– Ei, ainda não sei o seu nome! - constatei o fato.

– Annabella. Annabella Hansen Tudor. - disse rindo divertida fazendo uma reverência.

– Annaliese. - ri retribuindo a reverência.

– Encantada. - respondeu como se fosse uma rainha me provocando risadas.

– Do que estamos rindo? - ouvi uma voz anasalada perguntar. Me virei para encontrar uma loira sorrindo alegremente como se eu fosse sua pessoa favorita.

– Ham… Quem é você? - perguntei.

– Ah! Me desculpe, nem me apresentei. Sou Sidney Lewis de Sumner.

– Sou Annabella. - se apresentou.

– Annaliese.

– Ah, é ótimo conhecer vocês! Mal posso esperar para quando formos para o palácio. Seremos melhores amigas e faremos uma festa do pijama todas as noites! Tenho certeza que seremos as finalistas da Seleção, portanto seremos amigas para sempre, claro, porque ouvi dizer que depois da Seleção as competidoras se tornam amigas. Já imaginou? Seremos madrinhas de casamento uma das outras, vai ser tão divertido! - disparou Sidney animadamente batendo palminhas.

Olhei para Annabella que devolveu o meu olhar rindo de tudo. Dei de ombros e comecei a rir também. E eu aqui pensando que a Seleção era uma guerra onde todas as competidoras se odiavam e era cada uma por si, como eu sou boba!

Mas de repente a razão pela qual eu estava tão atordoada sobre o que esperar de minhas concorrentes se tornou física.

Uma morena com botas de salto alto que pareciam valer mais do que a minha casa, ondas castanhas impecavelmente longas e olhos felinos caminhava em nossa direção. Seus passos confiantes ecoavam com um som de “eu vim para vencer” que me estremecia. Aquilo era A Seleção afinal.

– Uau… Ela parece que acabou de sair da capa de uma revista. - comentou Sidney acompanhando os passos da tal garota com os olhos.

– Ela é a revista inteira Sidney. - disse Annabella também encarando.

A morena finalmente fez seu caminho até nós e se fez ouvir.

– Olá! - disse docemente contrariando todas as ideias de personalidade que eu havia associado à sua aparência intimidadoramente “perfeita”.

– Oi! - exclamou Sidney voltando a sua forma aparentemente “normal”.

– Sou Fawn, é um prazer conhecer vocês. Annaliese, Sidney e Annabella, certo? - perguntou me deixando surpresa por saber nossos nomes.

– Isso! - riu Sidney.

– Como sabe os nossos nomes? - perguntou Annabella.

– Ah, eu assisti o Jornal Oficial e como fui a última a ser anunciada meio que gravei os rostos e nomes. - disse meio sem graça.

E foi assim que entramos em uma conversa animada a fim de saber mais sobre cada uma. Fawn não era tão ruim como pensava. Na verdade ela não tinha nada de intimidador, após alguns minutos de conversa se mostrou bastante brincalhona até. Acho que no fim das contas não devo me preocupar tanto.

Melanie Brouillette Albuquerque

Suspirei olhando as terras ficarem pequenininhas a medida que o avião decolava. Aquele era o adeus oficial à minha vida antiga. Mesmo que eu fosse a primeira a sair (pensamento este que chegava a apertar o meu coração) sabia que tudo seria diferente a partir do momento em que eu entrasse naquilo.

Na verdade outra coisa me preocupava mais desde o momento em que cheguei ao aeroporto.

Quando cheguei Evellyn e Amélia conversavam animadamente como se fossem amigas de infância, meio que fiquei sem graça e sem espaço para me entrosar. Logo depois chegou Hannah que a única coisa que fez foi reclamar o tempo todo sobre como colocaram ela com um grupo de meninas sem classe enquanto ela podia estar com Penelope sei lá quem no outro avião. E pra melhorar a minha situação ela se sentou no assento mais próximo ficando de frente para mim enquanto as outras meninas se divertiam nos outros assentos. Pelo menos ao invés de ficar reclamando a viagem inteira ela fez algo de “útil” e se ocupou em lixar suas unhas.

Basicamente as “panelinhas” estavam se formando e eu estava sendo deixada de fora e isso era o que me preocupava. Ninguém gosta de ficar sozinho…

Resolvi então que a melhor distração para mim seria ler. Busquei meu exemplar de Romeu e Julieta na bolsa em que levava junto à mim e mergulhei nas palavras de um dos melhores romances já inventados.

Quem sabe Ahren não fosse o meu Romeu? Os pensamentos fantasiosos enchiam a minha cabeça enquanto em uma realidade paralela Ahren me dizia suas mais belas juras de amor.

Fawn Angeline Bright

Respirei fundo me preparando para um dos momentos que eu considerava o mais importante dessa jornada. O meu primeiro contato com o público.

Annaliese, Annabella, Sidney e eu éramos escoltadas por guardas reais enquanto os portões do terminal se preparavam para abrir.

– É agora. - sussurrei para mim mesma ajeitando o lírio em meus cabelos e colocando o meu melhor sorriso em ação.

As portas se abriram revelando um mar de gente contido por cordões de isolamento, me admirava que aquilo segurava tantas pessoas. Eles gritavam ainda mais do que as pessoas na praça de Carolina o que fez meu coração se acelerar. As palmas de minhas mãos suavam e meus membros começavam a ficar cada vez mais frios.

– Você consegue, vamos lá! - sussurrei angustiada enquanto meu coração batia cada vez mais descompassado.

No tapete dourado estendido pelo terminal percebi que Sidney começou a caminhar acenando e mandando beijos parando para dar alguns autógrafos e tirar algumas fotos, logo atrás Annaliese parecendo maravilhada com a multidão fazia um contato maior com as pessoas até mesmo abraçando algumas, Annabella levava gritos e gritos animados de todas as partes enquanto sorria agradecida parecendo ter o melhor momento de sua vida ali, e por fim ali estava eu empacada ainda nos portões. O tremor em minhas mãos indicava que o que eu mais temia estava prestes à acontecer.

– Senhorita? - ouvi uma voz firme, mas com uma ponta de preocupação.

– Preciso de um minuto. - murmurei sentindo o tremor que antes se apossava de minhas mãos começar a se estender por todo o meu corpo.

Ao longe vi Annabella que era a última a ter entrado olhar para trás preocupada por não me ver caminhando pelo tapete. Assim que me viu percebi um vinco de preocupação se formar em sua testa.

Levantei meu olhar mais uma vez àquela multidão, má ideia. Fui atingida por uma forte tontura que me fez cambalear até ser amparada pelos braços de um dos guardas.

– Isaac, acho que ela vai desmaiar. - ouvi o mesmo guarda de antes dizer.

Era cada vez mais difícil puxar o ar para dentro de meus pulmões enquanto sentia uma imensa necessidade de sair dali logo. Eu ia morrer se não saísse daquele lugar.

– Preciso sair daqui ou vou desmaiar. - avisei com certo desespero.

– Como iremos tirá-la daqui? O público não pode vê-la nesse estado! - ouvi outra voz masculina.

As vozes discutindo sobre o que fazer diante de tal situação só me deixava ainda mais nervosa. Os tremores se tornavam cada vez mais fortes e o ar se tornava denso. Eu estava em pânico. Já aconteceu duas ou três vezes antes quando tinha que encarar grandes massas de pessoas ou quando fico exposta a muito estresse.

Minha mente não funcionava, eu não conseguia pensar. Tentava dizer a mim mesma para se acalmar, mas era inútil e ainda mais frustrante.

– Senhorita, - um guarda me agarrou pelos ombros. - Respire!

– Não consigo! - disse chorando desesperada. Eu ia morrer! Oh meu Deus, eu vou morrer!

– Olhe para mim. - pediu. - Olhe para mim.

Encarei o guarda que me segurava fortemente pelos ombros tentando achar um ponto em seu rosto para distrair-me do pânico.

– Muito bem, agora respire devagar. - ele disse fazendo uma respiração compassada para que eu o acompanhasse.

Puxei o ar para dentro de meus pulmões e o soltei pela boca enquanto fitava os olhos claros do guarda.

– Está indo bem, não pare. - sorriu ligeiramente.

Em pouco tempo minha respiração estava estabilizada e os tremores haviam desaparecido quase que por completos. Meu coração continuava descompassado, mas se eu estivesse com sorte talvez logo ele voltaria ao normal. Estava mais calma e agora conseguia ver claramente que não iria morrer enquanto me estivesse calma e respirasse.

– Se sente melhor? - perguntou o guarda procurando por resquícios de pânico em mim.

– Sim, estou bem melhor. Obrigada Soldado... Mooney.– disse localizando o seu nome na plaqueta de identificação presa ao seu uniforme.

– É o meu trabalho mantê-la segura. - sorriu. - Acha que consegue andar até o carro?

– Terei que atravessar o tapete? - perguntei receosa.

– Creio que sim. Mas faremos o possível para que seja rápido.

– Se isso aconteceu só de olhar para aquela multidão, não gosto nem de imaginar o que poderia acontecer se eu atravessasse aquele tapete. - respondi com medo.

– Tem que pensar que eles não farão mal à Senhorita. Todas aquelas pessoas estão vibrando pela sua vitória, não irão machucá-la.

– Pensando assim é fácil, mas sei que quando chegar lá as coisas serão diferentes em minha cabeça.

– Estaremos o tempo todo ao seu redor a escoltando, não se preocupe. - me assegurou.

– Vou tentar. - suspirei.

Assumindo posição de sentido, fui cercada lado a lado por guardas. Assim que dei meus primeiros passos eles me acompanharam.

Ignorei o frio na barriga e pus-me a caminhar da forma mais confiante que pude. Mesmo com toda aquela multidão me assustando cada vez mais eu tentava acenar aqui e ali enquanto praticamente corria para chegar logo ao carro.

– Entregue. - ouvi o Soldado Mooney dizer assim que entrei no carro. A porta foi rapidamente e logo eu estava “segura”.

– O que aconteceu? Você demorou, estávamos preocupadas! - disse Annaliese.

– Passei mal. - respondi baixo. - Mas os soldados me ajudaram. Me desculpem por nos atrasar.

– Tudo bem, o importante é que está melhor certo? - perguntou Annabella.

– Sim. - sorri. - Estou melhor.



Notas finais do capítulo

Esse capítulo foi um pouco mais focado em apresentar as personagens que ainda não apareceram e fazerem vocês finalmente se encontrarem com as suas amiguinhas (ou talvez não).
Bom, próximo capítulo vocês irão para o meu lugar favorito no palácio: O salão das mulheres! Yay!
Como vocês acabaram de chegar no palácio vai rolar uma makeover com tudo o que tem direito, então SE quiserem (não é obrigatório) mudar a cor do cabelo, o corte, ou qualquer coisa do tipo me avisem nos comentários e eu darei um jeito no próximo capítulo.
Então é isso, até o próximo!