Paixão Caipira escrita por Milena Aguiar


Capítulo 3
Capítulo 3


Notas iniciais do capítulo

Eii *-*
Boa leitura!



‘’ Eu trenei viver sem você. De tanto treinar me acostumei. ‘’

Acordei naquela manhã levando o maior susto da minha vida. Alguém esmurrava a porta, alguém muito estupido por sinal. Me levanto calço meus chinelos e ando em direção a postar. Á abro era papai, que me olha de cima a baixo e diz:

– Não está pronta?

– Pra que?! – Pergunto com um pouco de curiosidade.

– Para ir á escola. – Diz papai sério com de costume.

Eu havia me esquecido completamente de que além de morar naquele lugarzinho eu teria que ir a escola. Eu iria tirar o terceiro ano naquela cidadezinha, o meu último ano como estudante. Olho para papai e balanço a cabeça concordando. Entro para meu quarto de novo, fecho a porta atrás de mim. Tiro meu pijama e, coloco uma calça jeans, uma camisa de malha, calço um tênis. Pego um bolça, coloco um caderno dentro dela e saio do meu quarto.

Papai após me fazer tomar um café ‘ reforçado ‘ como diz ele. Mas que na verdade só tinha coisas que engordavam, como leite, café, bolos variados, bolachas, entre outras coisas que engordam. Me leva até a frente da casa onde Tio Marcelo conversava com uma cara que estava em frente a uma charrete. Tio Marcelo pega minha mão esquerda, me levando para mais perto dele e diz:

– Lucas essa é a minha sobrinha Helen, filha do meu irmão Alexandre e sua esposa Ingrid. – Titio faz uma pausa e, continua em seguida. – Ele é filho do senhor Zé e da Creusa. Os únicos que continuaram a trabalhar aqui depois que eu quase fali a fazenda.

– E será ele quem vai te levar e buscar todos os dias na escola. – Diz papai.

Charrete? Fala sério era muita coisa ruim para uma pessoa só.

– De charrete? – Digo. Aquilo era demais. Poxa ter que ir de charrete todos os dias para escola era muito mico. – Ah não! Isso não vale, além de morar nessa espelunca, eu ainda tenho ir de charrete para escola? – Digo com muita raiva.

– Sim. – Diz papai. – Agora vai logo, por que se não vai chegar atrasada no seu primeiro dia de aula na escola nova, querida.

Olho para eles com muita raiva. Acho que nunca havia sentido tanta raiva. Vou andando em direção á charrete. E para subir naquilo, nem equilíbrio eu tinha. Aquele cara caipira de mãos grossas veio me ajudar a subir na charrete. Eu deixo pra lá, para não ser mal educada e deixar ele com má imagem minha. Me assento na charrete e ele se assenta ao meu lado e, depois começa a fazer aquele negócio andar, balançar melhor dizendo. Até aquele caipira era mais ou menos, só precisava mudar um pouquinho aquele visual ridículo dele. Aquele macacão jeans surrado com aquela camisa larga por baixo, aquele chapéu na cabeça, sem contar naquelas botas toda suja de lama e outras coisas sujas, até que ele era bonitinho. Claro que sem aquilo tudo que o deixava caipira e brega.

Após alguns minutos que pareciam mais horas, ele para a charrete em frente a tal escola que parecia mais um cabana que uma escola. Eu desço da charrete com um pouco de cuidado para não cair e, assim que coloco meus pés no chão ouço alguém dizer:

– Olha moça senhora não precisa pensar que é feio chegar nós lugares de charrete aqui não. Porque aqui são só as pessoas, que tem condições que andam de charrete. Muitas das pessoas que a senhora você aí na escola só tem acesso á ela porque ganham bolça de estudos e vão andando de suas casas até a escola. – Diz Lucas que nem espera a minha resposta saia com aquela charrete.

Começo a andar em direção aquela cabana e entro. Fico a procura de minha sala que não demorou muito para achar. Ela ficava a direita de um curto corredor. Entro na sala. Nunca havia sentido tanta vergonha em toda a minha vida como naquele momento, todos me olhavam de cima a baixo parecendo curiosos. Deveriam estar me achando diferente, pois, todos usavam roupas simples e eram muito humildes pelo meu ponto de vista. E eu ali com o meu nariz em pé, minha metideza e minha impotência.

Ando até uma carteira perto da janela, por que estava fazendo muito calor e, aquele lugar muito pequeno e abafado, nem ventilador lá tinha. O lugar eram tão simples que tudo era de madeira. Janelas, porta, meses, cadeiras e não tinha quadro negro.

Entra na sala uma mulher bem simples. Usava um vestido xadrez e os cabelos presos em um rabo de cavalo bem no alto da cabeça, ela era a professora. A única professora que eu teria naquela escola, porque pela cidade ser muito pequena era dó um professor por turma. Ela se chamava Maristela, e com certeza ela seria uma ótima modelo, era alta, magra e tinha uma boa postura. Ela começa a dar sua aula, que era muito boa. Não tinha como não prestar atenção, ela sabia deixar seus alunos entretidos com sua aula descontraída. As horas foram passando sem que eu percebesse, até a professora dizer:

– A aula acabou pessoal.

Só naquele momento vi que não tínhamos intervalo. Junto minhas coisas que não eram muitas só um caderno, caneta, lápis, borracha e saio da sala andando rápido. Paro em frente ao portão principal e vejo que o Lucas não havia chegando ainda. Fico parada ali esperando a caipira até escutar alguém dizer:

– Oi! Meu nome é Cláudiara, e o seu?!

Olho para a garota que estava ao meu lado. Ela sorria com os dentes cheios de ferro e com uma das mãos estendida em minha direção. Ela usava óculos fundo de garrafa, tinha os cabelos com duas traças uma de cada lado, usava uma saia rodada e uma blusa larga.

– O meu nome é Helen. – Digo pegando na mão dela.

Ela era muito simpática. A nossa conversa estava boa, tínhamos nos dado muito bem. Ouço cascos de cavalo se aproximando, era o Lucas. Ele para a charrete em frente á escola e eu o olho. Desta vez ele estava um pouco melhor sem aquele chapéu deixando seus cabelos pretos livre e aquela camisa larga. Só usava o macacão, que mostrava seu corpo definido e sua pele bronzeada por aquele sol escaldante que fazia naquele lugar. Me despeço da Cláudiara e saio andando até a charrete. Subo naquele troço com um pouco de dificuldade. Me assento e ele coloca aquele negócio para balançar de novo, como aquilo sacudia. Não via a hora de chegar em casa para descer aquela espelunca e, para comer eu estava com muita fome. O que era novidade por que eu não era de sentir muita fome.

Chego em casa e desço daquele trem. Vou andando rápido para meu quarto precisava guardar minhas coisas e ver como a Amora estava. Coloco minha bolça no sofá em baixo da janela, pego a Amora e á faço um carinho. Logo depois desço para comer alguma coisa a fome estava quase me matando. Todos já estavam na mesa, como sempre me esperando. Me assento e, começo a me servir. Mas desta vez não comi pouquinho, comi muito até de mais iria engordar uns três quilos só com aquele almoço. E Creusa seria a culpada de tudo. Ninguém a mandará fazer um comida tão gostosa como aquela.



Notas finais do capítulo

Comentem por favor!
Beijinhos :*