Desaparecendo escrita por MarcosFLuder


Capítulo 2
Capítulo 2


Notas iniciais do capítulo

Conclusão da história. Eu tive de dividir essa história em 2 capítulos, seguindo a recomendação dos administradores do site.



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NECROTÉRIO DE HUSTON

2:16 Pm

Mulder chegou ao necrotério e foi logo barrado por dois homens engravatados, ele mostrou sua credencial do FBI mas isso não pareceu intimidá-los.

– Você e sua parceira estão num caso não autorizado agente Mulder – disse um dos homens; ele era alto e bem forte, tentando nitidamente intimidar Mulder.

– Onde está a minha parceira? – ele falou num tom bem alto sendo ouvido por Scully que estava na sala de autopsia e gritou seu nome, ele invade o lugar sem tomar conhecimento dos dois armários à sua frente – tudo bem com você Scully?

– Eu estou bem Mulder, não se preocupe – havia outro homem na sala e ele tratou de falar.

– Sua parceira está bem agente Mulder – os outros agentes ficaram encostados na porta, estava claro quem era o chefe ali – e vai ficar melhor quando estiverem num avião de volta a Washington, esse caso não diz respeito ao FBI

– Por acaso você é o dono desse cartão? – Mulder mostra o cartão que Michelle deu-lhe.

– Creio que já andou falando com o outro Peter Gibson – disse o homem

– Na verdade foi com a colega dele.

– Descobri uma coisa antes deles chegarem Mulder.

– O que foi Scully?

– Esse homem estava com os dias contados Mulder, a causa da morte foi realmente suicídio, um tiro disparado por ele mesmo na cabeça, mas a verdade é que ele tinha um câncer já em estágio avançado no cérebro – ela notou o brilho no olhar de Mulder ao dizer aquilo.

– Já chega vocês dois – ele faz sinal para os dois homens encostados na porta – se ambos não estiverem amanhã em Washington eu farei uma representação junto ao chefe de vocês.

– Está tudo bem caras, nós podemos sair por conta própria – Mulder desvencilha-se dos dois sujeitos e sai junto com Scully. Eles já estão no corredor quando Scully resolve falar.

– Não quer dizer que seja um Arquivo-X Mulder, eu ainda acredito que eles possam ser gêmeos.

– Nossa Scully, você por acaso aprendeu a ler pensamentos?

– Eu conheço esse seu olhar, Mulder.

– Depois do que eu vi na NASA estou cada vez mais convencido de que temos um Arquivo-X aqui.

– Do que está falando Mulder?

– Antes de mais nada você precisa saber que o outro Peter Gibson está desaparecido, se são mesmo gêmeos então uma investigação no passado de ambos vai comprovar isso – eles ficaram frente a frente antes dele terminar de falar – uma investigação no histórico médico desse Peter Gibson que morreu pode nos dizer alguma coisa também.

– Você não ouviu o que o sujeito lá dentro disse Mulder? Ele vai fazer uma representação contra nós se continuar-mos nesse caso.

– Nós temos até amanhã pra fazer esse trabalho então.

– E o que você tem em mente Mulder?

– Vamos falar com a família do morto – disse ele – você não estranhou o fato de não terem reclamado o corpo até agora?

ACAMPAMENTOS DE TRAILERS BUFALLO BILL

3:15 Pm

O local estava abarrotado daquelas casas sobre rodas, Mulder caminhava por ali e em seus olhos via-se um certo entusiasmo pela possibilidade de ter uma vida assim, caminhando ao seu lado, Scully percebia isso e , contrariando todo o seu senso prático , ficou imaginando o tipo de vida que as pessoas desse lugar deviam levar, pensamentos que foram deixados de lado ao chegarem no trailer onde vivia a família do outro Peter Gibson, uma mulher de meia idade estava recolhendo roupas num varal quando os viu chegando.

– O que vocês desejam? – perguntou a mulher.

– Somos os agentes Mulder e Scully do FBI. A senhora é a mãe de Peter Gibson?

– Eu...sim...realmente sou a mãe dele – ela recolhe as roupas e faz um sinal para entrarem.

– Olha só pra isso Mulder.

A visão era impressionante, o lugar estava cheio de fotos onde via-se diversas missões da NASA. Mulder e Scully perguntaram sobre isso e a mulher tirou de uma gaveta vários formulários de inscrição para a Agência Espacial e cartas onde era recusado ainda no processo de seleção inicial juntamente com o crachá que o identificava como faxineiro na própria NASA. Nada mais que chamasse a atenção dos agentes, nada que indicasse a existência de uma namorada, ou mesmo uma vida pessoal que pudesse ser considerada interessante. Mulder e Scully estavam diante de alguém que parecia ser um “zero a esquerda”, nada que indicasse um astronauta da NASA ou mesmo um espião que enganou o sistema de segurança do país durante anos. Eles finalmente notaram um pôster bem grande com a foto de um condomínio de luxo.

– Ele sonhava morar nesse lugar – disse a mulher.

– Não creio que esse fosse o único sonho dele senhora.

– O seu filho parece ter um obsessão pela NASA senhora Gibson – completou Scully.

– O sonho dele sempre foi ser astronauta moça, desde criança, mas ele sempre era recusado logo nos primeiros testes.

– Mas aqui diz que ele trabalhava lá – diz Mulder, pegando o crachá.

– Como faxineiro.

– Porque não foi reclamar o corpo do filho no necrotério senhora Gibson?

– Eu não sei senhor Mulder – a resposta dela parecia sincera e ao mesmo tempo absurda.

– A senhora não sabia da morte dele?

– Não é isso senhorita, eu simplesmente não sei – ela sentou-se numa cadeira antes de voltar a falar – de um tempo pra cá é como se o meu filho tivesse deixando de existir pra mim.

– Eu não entendo – disse Scully – dá pra explicar melhor?

– Não sei como explicar, eu e Peter quase não nos falávamos nos últimos meses, na verdade ele nem estava morando aqui comigo, no começo eu tentei saber o que estava acontecendo, só que depois de algum tempo, eu simplesmente desisti.

– A senhora poderia dizer a quanto tempo isso começou a acontecer? – para qualquer outra pessoa a pergunta de Mulder poderia soar normal, mas Scully sabia o que havia por trás dela, seu parceiro havia percebido algo na fala da senhora Gibson, um fio de novelo que decidiu puxar.

– Acho que foi quando ele descobriu que estava muito doente.

– A senhora está falando do câncer que minha parceira descobriu quando fez a autópsia no corpo dele? – em vez de responder a senhora Gibson foi até outra gaveta e pegou uma série de exames.

– Olhe só pra isso Scully – Mulder mostra as fichas médicas pra Scully – isso não parece familiar pra você?

– O que quer dizer com isso Mulder?

– Um tumor no cérebro, e do mesmo tipo que afetou dois conhecidos nossos.

– Está falando de Bob Modell e da irmã dele?

– Explicaria como ele conseguiu tornar-se um dos principais astronautas da NASA mesmo sem qualificações para isso – enquanto Mulder dizia isso ele podia notar a expressão de espanto no rosto de sua parceira, quase nada na vida o divertia mais do que isso.

– Mulder você conversou à poucas horas com alguém que conviveu com o outro Peter Gibson da NASA, o que morava aqui nós dois vimos no necrotério.

– É verdade Scully, isso só prova que estamos diante de um Arquivo-X, aliás, preciso contar a você sobre o que aconteceu na NASA – Scully não estava disposta a aceitar isso facilmente.

– Senhora Gibson, a senhora pode afirmar com certeza que não teve gêmeos?

– É claro que não moça, de onde tirou essa idéia maluca? – se Scully ficou constrangida com a resposta não demonstrou, em vez disso tratou de mudar de assunto

– A senhora não conhecia nenhuma namorada que ele pudesse ter? O nome Sabrina não lhe diz nada?

– Não lembro de ninguém com esse nome moça, mas eu já ouvi o Peter falar de uma garota com bastante interesse só que eu nunca a vi e nem nunca o ouvi dizer o nome dela.

– Isso significa que pode existir mesmo a tal Sabrina – Mulder falou diretamente para Scully – nós podemos levar os exames e esse crachá? – a senhora Gibson concorda, Mulder e Scully levantam-se e caminham em direção a porta, antes de sair Mulder vira-se pra ela. – Eu creio que a senhora deveria reclamar o corpo de seu filho logo, antes que ele seja enterrado como indigente

– Eu vou fazer isso agente Mulder – eles saem em direção ao carro num silêncio enganador, tantos anos de parceria permitiu a Scully conhecer Mulder a ponto de perceber quando ele estava bolando uma de suas teorias, as idéias iam e vinham por aquela mente brilhante até formarem uma teoria que era logo lançada sobre ela, acompanhada daquele sorrido que sempre deixava Scully meio desarmada, é verdade que às vezes tinha vontade de esganá-lo pela óbvia presunção de quem se achava sempre certo, e, invariavelmente, estava.

– Você acha que só existe um Peter Gibson não é Mulder?

– Não negue Scully, você aprendeu a ler pensamentos – novamente aquele sorriso, pensava Scully, ela tratou de dar uma resposta a altura para disfarçar o quanto sentia-se afetada.

– Só os seus Mulder, e nem sempre – ela sorriu de volta enquanto entrava no carro.

– Ele era um medíocre Scully , um “homenzinho” como Bob Modell era, o câncer deu-lhe um poder que nunca imaginaria ter e ele tratou de usá-lo para realizar seu grande sonho.

– Eu não sei Mulder, controlar a vontade de uma pessoa e induzi-la ao suicídio já é uma coisa extraordinária, mas se eu levar em consideração o que você está pensando a respeito de Peter Gibson – ela faz uma pausa como se precisasse respirar – esse homem não apenas passou-se como astronauta, ele tinha esposa e dois filhos, morava num condomínio de luxo, com certeza aquele que vimos no pôster, sem falar na investigação sobre a missão anterior de que ele participou.

– Eu entendo o que você quer dizer Scully, ele não só livrou-se de ser responsabilizado por um fracasso, que certamente foi culpa dele, como criou um mundo inteiro para si, é um poder muito maior do que Modell e a irmã dele tinham.

– Vamos até o hospital onde Peter Gibson teve o seu câncer diagnosticado – disse Scully – talvez as respostas que queremos estejam lá.

HOSPITAL CENTRAL DE HOUSTON

4:48 Pm

O Dr. Harry Sanders não estava preparado para ter o seu dia ser tomado por explicações a respeito de um paciente que não via a tanto tempo, primeiro foram aqueles indivíduos que pareciam ser de alguma agência secreta pelo modo como comportavam-se, agora eram aqueles dois agentes do FBI a importuná-lo sobre esse mesmo assunto, pelo menos os dois eram mais simpáticos.

– Como eu já tinha dito antes, esse Peter Gibson só veio aqui umas três ou quatro vezes.

– Ele abandonou o tratamento? – Perguntou Scully.

– Na verdade ele nem mesmo começou apesar de eu ter garantido que o seu câncer era facilmente tratável.

– O senhor não chegou a notar alguma atividade anormal no cérebro dele e que pudesse ter sido ativada pelo câncer?

– Nada que eu tenha notado agente Mulder.

Enquanto falavam, Mulder e o Dr. Sanders não notaram Scully afastado-se deles e indo até a área onde as pessoas com câncer eram tratadas, ver aquelas pessoas fazia com que lembrasse de seu próprio sofrimento, a recuperação ainda recente mostrava-se em sua evidente magreza e o olhar fitando o vazio daquelas pessoas só confirmava o quanto aquele sentimento ainda era recente dentro dela. As pessoas ali eram de diferentes idades, mas uma delas chamou-lhe a atenção, talvez por ser a única mulher, e parecer da mesma idade que ela. A voz de Mulder chamando-a fez com que deixasse esses pensamentos de lado, ela foi de encontro ao parceiro. Mulder notou a tristeza em seu olhar, mas nada precisou ser dito entre eles, ambos caminharam em direção ao carro decididos a fazer uma nova visita até a NASA.

SEDE DA NASA

6:20 Pm

Peter Gibson vagava como se fosse um fantasma pelos corredores daquele lugar. Antes tão familiares, agora pareciam um local assombrado, as pessoas pareciam não perceber a sua presença e ele sentia como se estivesse sendo sugado da própria existência, ele precisava de uma referência algo pra saber que ainda continuava existindo, ele precisava ver Michelle Genaro, só ela podia ajuda-lo.

Quando Mulder e Scully chegaram, foram direto até o escritório de Michelle, eles não demoraram a perceber as mudanças dela em relação a Peter. Scully já havia sido informada pelo parceiro sobre o acontecido antes e começava a pensar na teoria de Mulder e na possibilidade dele estar mesmo certo sobre isso.

– Você não lembra mais dele?

– Eu não sei o que pensar agente Mulder – ela mostra a sua agenda – aqui está registrado que eu pedi a ajuda de vocês e ainda tem a investigação interna sobre o caso, mas a verdade é que eu não me lembro de nada a respeito do Peter Gibson astronauta de quem vocês falam.

– Talvez porque ele nunca tenha existido de fato – disse Mulder

– Isso tudo é muito estranho, a investigação interna da NASA descobriu que o único Peter Gibson que realmente trabalhava aqui estava de licença médica.

– Por causa do câncer.

– Exatamente agente Scully – a voz atrás deles chama a atenção dos três, é o agente da CIA – eu devia fazer uma representação contra vocês dois por desobedecerem a minha instrução pra estarem em Washington.

– Nós ainda temos algumas horas – disse Mulder com o seu inconfundível sorriso

– Eu levantei a ficha de vocês dois – ele devolveu o sorriso – e como esse caso está mais do que resolvido eu decidi não ser a milésima pessoa a fazer uma representação contra os dois.

– Porque acha que esse caso está resolvido? – Pergunta Scully.

– Nós já comprovamos que não houve vazamento de informações importantes e se não há espionagem então não há um caso.

– E quanto ao Peter Gibson astronauta?

– Não existe qualquer vestígio de ele tenha existido agente Mulder, ninguém lembra dele – ele lança um olhar irônico para Michelle – não é minha cara?

– E como você explicaria isso tudo?

– Como eu vou saber agente Scully, talvez um caso de alucinação coletiva

– Só que você também falou com ele

– Eu não sei como explicar como eu também fui afetado, mas o fato é que não existe nenhum caso de espionagem aqui e é isso que importa afinal.

– Eu não acredito que você vai ignorar o que aconteceu aqui.

– Pouco me importa o que você acredita agente Mulder, eu já fiz o trabalho que me compete, o resto não diz respeito a CIA e creio que nem ao FBI – ele vai embora sem dizer mais nada.

– Acho que isso encerra tudo agente Mulder.

– De jeito nenhum Michelle, existiu um Peter Gibson astronauta, mesmo que por pouco tempo, mesmo tendo sido a criação de alguém doente

– Ainda acho muito difícil de acreditar Mulder, a idéia de que alguém pudesse criar um mundo inteiro para si me parece absurda demais, tudo isso não parece fazer sentido

– Eu entendo Scully, mas lembre-se que nós usamos apenas uma pequena parte de nosso cérebro.

– Não creio que isso ainda explique a sua teoria agente Mulder – Michelle também recusava-se a crer em tudo isso.

– Eu acredito que o câncer ativou alguma atividade desconhecida no cérebro dele, só não entendo o que levou esse homem a suicidar-se após ter realizado o sonho de sua vida.

– Talvez o preço dessa realização tenha sido alto demais Mulder – Scully fica pensativa por alguns segundos antes de dirigir-se a Michelle – você sabe se existe alguém chamado Sabrina trabalhando aqui Michelle?

– Só tem um jeito de saber agente Scully

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A ajuda de Michelle foi fundamental para que fosse levantada a ficha dos funcionários da agência, eles vasculharam até encontrar o nome que procuravam

– Sabrina Palmer, parece ser quem procuramos – disse Mulder

– Porque acha isso agente Mulder? – pergunta Michelle.

– Ela trabalhava no setor de inscrições da NASA – Scully olha pra Mulder naquela comunicação muda deles, e ambos começam a ligar os fatos

– Veja se ela também estava de licença médica – Michelle digita alguns comandos e aparece na tela do computador a informação de que Sabrina também estava de licença médica, mas é quando aparece uma foto dela que Scully começa a entender tudo.

– Ela também tinha câncer no cérebro.

– Como pode saber disso agente Scully? A doença dela não está especificada aqui

– Eu a vi lá no hospital – ela e Mulder olham um para o outro.

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– Sabrina Palmer? Pode nos ouvir? – a voz de Scully era calma e suave, a mulher deitada na cama abre os olhos com dificuldade, ela tenta mas não consegue falar nada – tudo bem calma, não faça esforços desnecessários

– Sabrina – Mulder aproxima-se dela – não precisa falar, só mexa com a cabeça. Você conheceu um homem chamado Peter Gibson? – ela mexe com a cabeça afirmativamente

– O que está acontecendo aqui? – a voz do Dr. Sanders chama a atenção de Mulder e Scully, fazendo os dois irem para o corredor do hospital – vocês não têm o direito de estar ali, ainda mais importunando aquela moça.

– Como ela está Dr.? – pergunta Scully.

– É pouco provável que ela passe de hoje.

– Posso fazer só mais uma pergunta a ela Dr.? – o Dr. Sanders já ia protestar ao pedido de Mulder, pra ele absurdo, quando Scully resolveu intervir.

– Não creio que uma simples pergunta vá interferir no estado dela Dr. Sanders.

– Está bem, mas apenas uma pergunta – eles voltam até a onde está Sabrina, Mulder aproxima-se dela.

– Só me responda mais uma pergunta Sabrina; você amava Peter? – ela fechou os olhos e quando os abriu eles estavam cheios de lágrimas, Mulder ainda quis fazer outra pergunta, mas a mão em seu ombro e uma nova troca de olhares com Scully o impediu, não havia mais o que perguntar.

– Vamos embora Mulder , não há nada mais pra fazer aqui.

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A verdade foi se impondo aos poucos e por mais que ele tentasse não havia mais como resistir a ela, desde que acordara naquela manhã, dias atrás, ele sentia que sua vida escorria diante de si, como água em suas mãos. Ele nunca tivera filhos, nunca poderia ter morado naquele condomínio de luxo com que sempre sonhou, e jamais foi capaz de realizar o sonho de ser astronauta. Tudo fora uma mentira, exceto ela.

Nos últimos dias ele caminhou como um fantasma e agora sabia porque, na verdade ele sempre soube, mas não queria aceitar. Como aceitar que ele era apenas fruto da mente de uma mulher apaixonada, uma mulher que durante anos testemunhou os esforços inúteis de um medíocre para realizar um sonho que ele não tinha capacidade de tornar realidade. A afinidade surgida tornou-se maior quando ambos descobriram sofrer da mesma doença; ela não tinha maiores sonhos além de encontrar alguém a quem se dedicar e ele foi o escolhido para isso. O que ela viu nele nunca iria saber, mas agora não importava mais. Tudo o queria saber era porque o poder não se manifestou nele, porque só ela podia fazer o mundo ser como ele queria.

Ele queria tanto realizar o seu sonho que nem notou que isso a enfraquecia cada vez mais até ser muito tarde. Enquanto olhava pra essa mulher em seu leito de morte as coisas iam clareando em sua mente, ele já havia estado ali antes, poucos dias atrás na verdade, foi quando se deu conta do que tinha feito a ela, dali ele foi pra casa, não no condomínio de luxo, mas no acampamento de trailers, ele encontrou a mãe que passara meses ignorando , enquanto vivia uma outra vida, uma vida que Sabrina criara para ele, esperou a mãe sair, pegou a arma que havia comprado e se matou, ele se matou, esse pensamento deixou-o perturbado, como ele poderia estar aqui afinal? Ela é claro! Mesmo nessa cama ela ainda teimava em realizar seus sonhos, em moldar o mundo conforme o desejo dele, mas isso não duraria muito, pois o som do aparelho que monitorava as condições de Sabrina Palmer começou a dar sinais de que a agonia dela estava terminando, ele manteve os olhos no monitor enquanto as linhas iam baixando lentamente até tornar-se uma linha reta, ela estava morta, e Peter soube que tudo tinha acabado, e nada mais pôde fazer além de dar um grito.

A enfermeira do turno não demorou em chegar, ela chamou o Dr. Sanders, ele deu uma olhada rápida, destacou a hora do óbito e instruiu a enfermeira para cuidasse dos preparativos, nenhum dos dois notou nada de anormal, não havia nada mesmo para notar.

FIM


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