Avada Kedavra escrita por potterstinks


Capítulo 5
[1x4] As garras do hipogrifo.




Capítulo IV

As garras do hipogrifo.

“Eu aprendi que a coragem não é a ausência de medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas aquele que conquista por cima do medo.”

Eu era a única aluna que restava na sala, e estava quase saindo quando ouvi a voz da professora me chamando:

– Senhorita Riddle, a senhorita está bem? – perguntou, - Porque você parecia meio... Irritada, quando chegou aqui.

Virei-me e olhei para ela, que me olhava curiosa.

– É que eu acho uma idiotice todos ficarem assim só por causa de um agouro de morte babaca! – exclamei, e ela me fitou surpresa, - Ela me falou que eu vou ser salva por um amor, que um defunto dos infernos vai mudar minha vida, e que eu vou renascer das cinzas! E nem por isso todos ficaram me olhando que nem umas antas idiotas que não tem nada para fazer. – bufei, revirando os olhos, e a professora deu uma gargalhada, - Mas foi demais a sua transformação, professora! – sorri, e os olhos dela brilharam.

– Obrigada, Srta. Riddle. – sorriu.

– Por favor, me chama de Verona. – ela assentiu, - Tchau professora, até depois.

– Até, Verona. – deu um sorriso amável.

Saí da sala e fui caminhando calmamente até o salão principal. Cheguei alguns minutos depois, e fui alvo de olhares curiosos. Revirei os olhos e fui até a mesa da Grifinória, sentando-me perto de Harry, Rony e Mione sem falar nada. Servi-me de carne, arroz e salada, e comia calmamente enquanto ouvia o trio conversar.

– Não houve nada confuso com o Sinistro naquela xícara! – disse Rony.

– Você não me pareceu tão confiante quando disse ao Harry que era um carneiro. - respondeu Mione.

– A Profª. Sibila disse que você não tinha a aura necessária! Você não gosta é de ser ruim em uma matéria para variar!

Eu tenho a leve impressão que ele acabou de tocar em um ponto bem fraco da garota, já que Hermione bateu com o livro que segurava na mesa com tanta força que voaram pedacinhos de carne e cenoura para todo lado.

– Se ser boa em Adivinhação é ter que fingir que estou vendo agouros de morte em borras de folhas de chá, não tenho certeza se quero continuar a estudar essa matéria por muito mais tempo! Aquela aula foi uma idiotice completa se comparada à minha aula de Aritmancia! - há! Se deu mal Rony.

– Do que é que ela estava falando? - perguntou o ruivo a Harry. - Ela ainda não assistiu a nenhuma aula de Aritmancia.

– O que te garante que ela não assistiu? – ergui as sobrancelhas, e eles me fitaram surpresos.

– A garota do Valentim! – exclamou Rony, risonho, mas eu não acompanhei a risada, apenas olhei para ele com a sobrancelha erguida e voltei a comer, - O que há com você, Verona?

– É da sua conta? Acho que não. – eles ficaram extremamente surpresos com minha resposta ácida, mas eu não liguei.

– É por que a gente se esqueceu de você? Desculpa, mas... – interrompi Harry, antes que ele completasse a frase.

– Mas vocês estavam ocupados demais se preocupando com um agouro de morte idiota. – revirei os olhos, - Na boa Harry, tem tanta gente que quer te matar por aí, não é nenhuma surpresa você ter um Sinistro. Não é você que possivelmente vai ser salva por um amor, não é a sua vida que um defunto dos infernos vai mudar, e não é você que vai renascer das cinzas! Você não é o único que teve agouros, ok? – peguei minha mochila e saí dali, deixando dois garotos estáticos para trás.

Fiquei um tempo observando o tempo lá fora, quando vi que já estava quase na hora da próxima aula. A chuva do dia anterior parara; o céu estava claro, cinza-pálido e a grama parecia elástica e úmida sob os meus pés enquanto eu rumava para a primeira aula de Trato das Criaturas Mágicas. O tempo estava nublado e perfeito, eu simplesmente amava dias assim, acinzentados.

Somente quando vi três costas onhecidas à frente é que me dei conta de que era uma aula dupla com a Sonserina. Draco falava animadamente com Crabbe e Goyle, que riam feito Trasgos. Eu já imagino qual seja o assunto, mas deixa quieto.

Hagrid já estava à espera dos alunos à porta da cabana. Vestia o casaco de pele de toupeira, com um grande e belo cão nos calcanhares, e parecia impaciente para começar.

– Vamos, andem depressa! - falou assim que todos os alunos se aproximaram. - Tenho uma coisa ótima para vocês hoje! Vai ser uma grande aula! Estão todos aqui? Certo, então me acompanhem!

O meio-gigante contornou a orla das árvores e cinco minutos depois nós estávamos diante de uma espécie de picadeiro. Não havia nada ali.

– Todos se agrupem em volta dessa cerca! - mandou ele. - Isso... Procurem garantir uma boa visibilidade... Agora, a primeira coisa que vão precisar fazer é abrir os livros...

– Como? - perguntou uma voz fria e arrastada, que eu reconheci imediatamente.

– Que foi? - perguntou Hagrid.

– Como é que vamos abrir os livros? - repetiu o garoto.

Ele retirou da mochila seu exemplar de O Livro Monstruoso dos Monstros, amarrado com um pedaço de corda. Outros alunos fizeram o mesmo, alguns tinham fechado o livro com um cinto; outros os tinham enfiado em sacos justos ou fechado os livros com grampos.

– Será... Será que ninguém conseguiu abrir o livro? – perguntou Hagrid, com ar de desapontamento.

Todos os alunos sacudiram negativamente as cabeças. Menos eu, que apenas revirei os olhos.

– Eu consegui, Hagrid. – ele sorriu animado, e os alunos me fitaram incrédulos.

– Como? Poderia demonstrar, por favor? – perguntou com entusiasmo.

– É só fazer carinho neles. – peguei meu livro da mochila e passei o dedo indicador pela lombada, o livro estremeceu e produziu um ronronar, se abriu e permaneceu quieto em minha mão.

– Ah, mas que bobeira a nossa! - caçoou o loiro. - Devíamos ter feito carinho no livro! Como foi que não adivinhamos!

– Eu... Eu achei que eles eram engraçados. - disse Hagrid, meio inseguro.

– Ah, engraçadíssimos! - comentou Draco. - Uma idéia realmente espirituosa, nos dar livros que tentam arrancar nossa mão.

Eu não aguentei, me virei fula da vida e me aproximei do Sonserino.

– Seu babaca! Se ele tentou arrancar sua mão é porque você é tão otário a ponto de não saber abrir um livro! E se você está com algum problema, é só você começar a dar aulas, se é tão ‘bonzão’ assim. Mas pelo visto não é, então cala a merda da boca antes que eu meta um soco na tua cara. - todos, inclusive Draco, me olhavam de olhos arregalados. - Que foi? Eu estava irritada ué. - dei de ombros e voltei para onde estava antes, e Hagrid, que parecia melhor, lançou um grande sorriso para mim, que retribuí.

– Certo, então. - continuou Hagrid,- Então vocês já têm os livros e agora faltam as criaturas mágicas. Então vou buscá-las, esperem um pouco. - ele se afastou na direção da floresta e desapareceu de vista.

– Nossa, essa escola está indo para o brejo! - falou Draco em voz alta, parecendo estar ignorando meu aviso/ameaça. - Esse pateta dando aulas, meu pai vai ter um acesso quando eu contar...

– Cala a boca, Malfoy. - rosnou Harry.

– Cuidado, Potter, tem um dementador atrás de você...

– Aaaaaaah! - guinchou Lilá, apontando para o lado oposto do picadeiro.

Trotava em nossa direção mais ou menos uma dezena dos bichos mais belos e bizarros que eu já havia visto na vida. Tinham os corpos, as pernas traseiras e as caudas de cavalo, mas as pernas dianteiras, as asas e a cabeça de uma coisa que lembrava águias gigantescas, com bicos cruéis cinza-metálico e enormes olhos laranja-vivo. Ai meu Merlin! Hipogrifos!

As garras das pernas dianteiras tinham uns quinze centímetros de comprimento e um aspecto letal. Cada um dos bichos trazia uma grossa coleira de couro ao pescoço engatado em uma longa corrente, cujas pontas estavam presas nas imensas mãos de Hagrid, que entrou correndo no picadeiro atrás dos bichos. Cada animal de uma cor diferente: cinza-chuva, bronze, rosado, castanho brilhante e nanquim.

– Upa! Upa! AÍ! - bradou ele, sacudindo as correntes e incitando os bichos na direção da cerca onde estávamos agrupados.

– Hipogrifos! – exclamei, maravilhada - lembrava-me de ter lido sobre eles no livro Monstruoso dos Monstros.

Todos se afastaram quando ele amarrou os bichos na cerca, eu ao contrário, me aproximei.

– Hipogrifos! – repetiu Hagrid sorrindo para mim. - Lindos, não acham?

Todos ficaram admirados para aqueles fantásticos animais.

– Então... - Hagrid continuou. - Se quiserem chegar mais perto.

– Não precisa falar duas vezes. – eu sorri.

Notei Harry, Rony e Mione se aproximando cautelosamente junto comigo.

– Agora, a primeira coisa que vocês precisam saber sobre os hipogrifos é que são orgulhosos. – Hagrid começou a explicar. - Se ofendem com facilidade, os hipogrifos. Nunca insultem um bicho desses, porque pode ser a última coisa que vão fazer na vida.

Porém, Malfoy, Grabbe e Goyle não estavam prestando atenção; cochichavam, e eu tenho o leve pressentimento que estavam bolando uma maneira de estragar a aula.

– Vocês sempre esperam o hipogrifo fazer o primeiro movimento. - continuou Hagrid. - É uma questão de cortesia, entendem? Vocês vão até eles, fazem uma reverência e aí esperam. Se o bicho retribuir o cumprimento, vocês podem tocar nele. Se não retribuir, então saiam de perto bem depressa, porque essas garras machucam feio. Certo, então quem quer ser o primeiro?

Em resposta, a maioria dos alunos recuou mais um pouco – puta que pariu, sério mesmo que têm Grifinórios ali no mesmo? Porque o que mais se preza na Grifinória é a coragem, coisa que eles não estão demonstrando.

Até Harry, Rony e Hermione, que também haviam se aproximado, pareciam se sentir apreensivos. Os hipogrifos balançavam as cabeças de aspecto feroz e flexionavam as fortes asas; não pareciam gostar de estar presos daquele jeito, acho que nenhum bicho gostaria.

– Ninguém? – questionou Hagrid, com um olhar suplicante.

– Eu vou. – disse, mas ao mesmo tempo outra voz masculina também dizia aquilo: Harry.

Ouviu-se gente ofegar atrás dele e Lilá e Parvati murmuraram a mesma coisa:

– Aaah, não, Harry, lembra das folhas de chá!

Virei para elas, que estavam bem distantes, e falei:

Calem a boca, por favor.– eu sou a sutileza em pessoa, admitam.

Virei-me, então Harry pulou a cerca - o Harry andou pulando a cerca é? Hm - e me ajudou a pular também.

– É assim que se faz! - Hagrid exclamou contente. - Certo então, vamos ver como vocês se entendem com Bicuço. Qual de vocês dois vai primeiro?

– Eu. - dissemos ao mesmo tempo, em seguida nos olhamos e rimos. Me afastei, lançando a Harry um olhar encorajador, que ele retribuiu com um sorriso.

– Calma, agora, Harry. – disse Hagrid. – Você fez contato com os olhos, agora tente não piscar. Os hipogrifos não confiam na pessoa que pisca demais.

Bicuço fixava um de seus belos e cruéis olhos laranjas em Harry.

– Isso mesmo. – disse Hagrid. – Isso mesmo, Harry... Agora faça a reverência.

Harry fez o que lhe era mandado; curvou-se e ergueu os olhos.

O hipogrifo continuava a fitá-lo sem se mover. Ih...

– Ah! – exclamou Hagrid, parecendo preocupado. – Recue agora, Harry, devagarinho...

Mas naquele instante, para enorme surpresa de todos, o hipogrifo dobrou os joelhos dianteiros e afundou seu corpo em uma reverência.

Sorri. Hipogrifos são legais.

– Muito bem, Harry! – aplaudiu Hagrid. – Certo... Pode tocá-lo! Acaricie o bico dele!

Apesar de estar um pouco – talvez muito – hesitante, o moreno avançou devagarinho para Bicuço, estendendo a mão. Acariciou o bico do hipogrifo várias vezes; Bicuço fechou os olhos demoradamente, como se estivesse gostando do carinho que estava recebendo.

A turma toda aplaudiu, com a exceção de Draco e os gorilas, que pareciam profundamente desapontados com o fato de Bicuço não ter arrancado a cabeça de Harry.

– Certo então, Harry. – disse Hagrid. – Acho que ele até deixaria você montar nele!

Não acho uma ideia muito boa, Hagrid...

– Isso, suba ali, logo atrás da articulação das asas! – ordenou Hagrid. – E cuidado para não arrancar nenhuma pena, ele não vai gostar nem um pouco... – isso é realmente reconfortante.

Harry pisou no alto da asa de Bicuço e se içou para cima das costas do animal.

– Pode ir, então. – disse Hagrid, dando uma palmada no hipogrifo.

Sem aviso prévio, as enormes asas se abriram a cada lado de Harry; ele só teve tempo de se agarrar ao pescoço de Bicuço e já estava voando para o alto. Uau.

Alguns minutos depois, Harry e o hipogrifo voltaram.

– Bom trabalho, Harry! – exclamou Hagrid enquanto todos, exceto os três retardados, aplaudiam. – Muito bem, quem mais quer experimentar? Avada, venha você com o Bicuço agora.

Foi muito agradável a experiência com o hipogrifo, devo admitir. Não voei como Harry, mas fiz a reverência, ele retribuiu e acariciei ele.

Alguns minutos depois, o loiro platinado mais irritante de toda Hogwarts veio interagir com Bicuço, junto do Gorila 1 e 2. Me afastei, porém fiquei observando. Ele estava com um ar de quem iria fazer merda.

Ele acabara de retribuir a reverência do sonserino, que agora lhe acariciava o bico, com um ar desdenhoso.

– Isso é moleza. – disse Draco com a voz arrastada, porém suficientemente alta para todos ouvirem. – Se o Potter conseguiu fazer... Aposto que você não tem nada de perigoso, tem? – comentou, se dirigindo ao hipogrifo. – Tem, seu brutamontes feioso? – oh, droga.

Em um rápido movimento das garras, Draco soltou um berro agudo e, no momento seguinte, Hagrid estava pelejando para enfiar a coleira no hipogrifo, enquanto o bicho fazia força para avançar no loiro, que caíra dobrado na relva, com sangue em suas vestes.

– Estou morrendo! – gritou Draco. – Estou morrendo, olhem só para mim! Ele me matou! – hã?

– A grande quantidade de água oxigenada do seu cabelo deve ter afetado seu cérebro, Draquinho. – disse, sarcástica, enquanto alguns alunos seguravam o riso, porém ainda estavam visivelmente nervosos.

– Você não está morrendo! – disse Hagrid, pálido. – Alguém me ajude... Preciso tirar ele daqui.

Nossa amiga sabe-tudo correu para abrir o portão, enquanto Hagrid erguia, sem esforço algum, Draco em seus braços. Quando os dois passaram, pude perceber o grande e fundo corte no braço do sonserino; seu sangue pingava no gramado e Hagrid, com o garoto em seu colo, subiu correndo em direção ao castelo.

Nós os seguimos, caminhando normalmente, enquanto os alunos da Sonserina gritavam contra Hagrid.

– Deviam despedir ele, imediatamente! – disse a sonserina com cara de buldogue, que estava às lágrimas.

– Foi culpa do Draco, sua lambisgoia! – repliquei com rispidez.

Subimos os degraus de pedra para o saguão, que estava deserto.

– Vou ver se ele está bem! – disse a garota, e fiquei observando-a enquanto ela subia correndo a escadaria de mármore. Os sonserinos, ainda murmurando coisas contra Hagrid, rumaram para sua sala comunal; Harry, Rony e Hermione subiram as escadas para a Torre da Grifinória.

E eu?

Bem, eu fui caminhar por aí.





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