Avada Kedavra escrita por potterstinks


Capítulo 24
[1x23] Barracos, gritos e feitiços.


Notas iniciais do capítulo

FELIZ NATAL/ANO NOVO MEUSAMÔ!!!!
(nossa eh dia 27 e esse animal dando feliz natal e feliz ano novo, que burro, dá zero pra ele)

quero começar pedindo desculpa por ter atualizado só 1 fcking vez esse ano, mas 2016 foi bem hard (ainda tá sendo) e não consegui ser produtivo, então is it too late now to say sorry?
segundo, 2017 talvez seja tão improdutivo quanto 2016, mas juro juradinho que vou me esforçar pra atualizar mais!!!
enfim, não vou prolongar isso; espero que vocês tenham um ótimo fim de ano e que 2017 seja repleto de coisas boas ♥ (e sem nenhum disband, amém)

AGORA VAMO PRA ESSE MONSTRO DE 5k+: NÃO TÔ 100% SATISFEITO ENTÃO ELE TÁ SUJEITO A ALTERAÇÕES MAS TAMO AI AMO VCS
ahh, o cap não foi 100% corrigido então caso vocês encontrem erros gritantes PFVR ME AVISEM



CAPÍTULO XXIII

Barracos, gritos e feitiços.

Wish we could turn back time to the good old days.”

 

As reações com a chegada de Snape foram diversas; Hermione gritou, Black se levantou, Harry estremeceu, e eu fiz uma careta ao pensar que, se Snape tivesse ouvido minha última frase, eu provavelmente ganharia algumas noites de detenção – mas ele nem me olhou, fato pelo qual agradeci mentalmente.

— Encontrei isso ao pé do Salgueiro Lutador. – disse o morcegão, seu rosto expressando contido triunfo, atirando a capa para o lado, mas mantendo sua varinha apontada diretamente para o peito de Lupin. – Muito útil, Potter, obrigado.

Ah, merda.

— Vocês talvez estejam se perguntando como foi que eu soube que estavam aqui? – disse, com um brilho estranho em seus olhos. – Acabei de passar por sua sala, Lupin. Você esqueceu de tomar sua poção hoje à noite, então resolvi lhe levar um cálice. E foi uma sorte. Sorte para mim, quero dizer. Encontrei em cima de sua mesa um certo mapa. Bastou uma olhada para me dizer tudo que eu precisava saber. Vi você correr por essa passagem e desaparecer de vista

— Severo…— começou Lupin, sendo interrompido por Snape.

— Eu disse ao diretor várias vezes que você estava ajudando o seu velho amigo Black a entrar no castelo, Lupin, e aqui tenho a prova. Nem mesmo eu poderia sonhar que você teria o topete de usar este lugar antigo como esconderijo…

Teria o topete”.

Tive que fechar os olhos, tentando controlar a vontade de rir que surgiu ao ouvir estas palavras do professor.

— Severo, você está cometendo um engano. – respondeu Lupin com urgência na voz. – Você não sabe de tudo, posso explicar, Sirius não está aqui para matar Harry…

— Mais dois para Azkaban esta noite. – disse Snape, seus olhos ainda brilhando maniacamente. – Vou ficar curioso para saber como Dumbledore vai encarar isso… Ele estava convencido de que você era inofensivo, sabe, Lupin… Um lobisomem manso…

— Seu tolo – disse o Prof. Lupin brandamente. – Será que um ressentimento de criança é suficiente para mandar um homem inocente de volta a Azkaban?

Uh-oh.

Cordas finas, parecidas com cobras, jorraram da ponta da varinha do Prof. Snape e se enrolaram ao redor da boca, punhos e tornozelos do Prof. Lupin, fazendo-o perder o equilíbrio e cair no chão. Apertei a varinha em minha mão, continuando a observar a cena; Black avançou contra Snape, sua expressão repleta de cólera, mas o morcegão apontou a varinha para Black, bem entre os seus olhos.

— É só me dar um motivo. – sussurrou o professor. – É só me dar um motivo, e juro que faço.

Olhei atentamente a cena, até que Hermione, com a respiração irregular, resolveu se pronunciar:

— Professor… Não faria mal ouvirmos o que eles têm a dizer, faria?

— Senhorita Granger, a senhorita já vai enfrentar uma suspensão. – bufou Snape. – A senhorita, Riddle, Potter e Weasley estão fora dos limites da escola em companhia de um criminoso sentenciado e de um lobisomem. Pelo menos uma vez na sua vida, cale a boca.

Filho da mãe, pensei, encarando o homem.

— Mas se… Se houve um engano…

— FIQUE QUIETA, SUA BURRINHA! – berrou Snape. – NÃO FALE DO QUE NÃO ENTENDE! – saíram algumas fagulhas de sua varinha, ainda apontada para o rosto de Black.

Hermione se calou. Eu não.

— Não grita com ela! – exclamei, olhando-o furiosamente. – Não desconte as suas frustrações em alguém que não tem nada a ver com elas!

O seu olhar de ódio agora era direcionado a mim.

— Não me fale o que eu devo ou não fazer, Riddle. – disse, com contida raiva. – Você, assim como esses seus amiguinhos, — ele praticamente cuspiu a palavra. – já tem uma suspensão certeira a sua espera… Acho que não gostaria de enfrentar uma expulsão, certo?

Semicerrei os olhos.

— Você não pode me expulsar. Você não é o diretor. E nunca vai ser, por falar nisso. — sorri.— O senhor nem consegue ser professor da matéria que tanto deseja, afinal.

Hermione me olhou, seu olhar mandando-me um claro recado: cale a boca. Apenas balancei a cabeça, voltando a olhar para o professor.

— Você, Riddle, — começou, sua voz fria em um tom estranhamente calmo. — aproveite suas últimas horas em Hogwarts.

Sorri novamente.

— Pode deixar, professor. — respondi, e ele logo voltou sua atenção à Black.

— Avada, você é louca?! — Hermione, que havia vindo discretamente para o meu lado, sussurrou. — Ele vai te expulsar… E com motivo!

— O motivo é ele ser um babaca, Hermione. — respondi, no mesmo tom de voz.— Ele se acha o dono da razão, que tudo gira ao redor dele e de suas vontades. E agora ele tá fazendo isso — gesticulei para onde ele e Black se encontravam, ainda conversando de maneira super amigável. — por vingança.

— Nós nos metemos em uma briga que nem é nossa. — lamentou a garota.

— Nós nos metemos em uma briga que, de certa forma, envolve o Harry. — encolhi os ombros. — Acho que é justificável.

— De qualquer forma, você está correndo riscos desnecessários. Tenta não ser expulsa, por favor. — pediu baixinho.

Sorri para ela, levando uma de minhas mãos até seu rosto e acariciando levemente.

— Não se preocupe. — então, acrescentei: — Mas, se eu for expulsa, peça aos gêmeos para que eles infernizem o Snape por mim.

— Se você for expulsa, eu mesma os ajudarei a infernizar o Snape. — me garantiu, com um pequeno sorriso.

Voltamos a prestar atenção na conversa entre Snape e Black – da qual aparentemente perdemos certas partes importantes, já que, no mesmo momento, Snape estalou os dedos, fazendo as cordas que amarravam o Prof. Lupin voarem de volta para suas mãos.

—… Eu puxo o lobisomem. Talvez os dementadores tenham um beijo para ele também.

Até que Harry interferiu, bloqueando a porta, e eu quis ir lá e dar um grande abraço nele, mas me contive.

— Saia da frente, Potter, você já está suficientemente encrencado. – rosnou Snape. – Se eu não estivesse aqui para salvar sua pele…

— O Prof. Lupin poderia ter me matado cem vezes este ano. – disse Harry. – Eu e Verona estivemos sozinhos com ele várias vezes, tendo aulas de defesa contra dementadores. Se ele estava ajudando Black, por que não me liquidou logo?

— Não me peça para imaginar como funciona a cabeça de um lobisomem. – retrucou Snape. – Saia da frente, Potter.

— O SENHOR É PATÉTICO! – gritou Harry. – SÓ PORQUE ELES FIZERAM O SENHOR DE BOBO NA ESCOLA, O SENHOR NÃO QUER NEM ESCUTAR!

Sim. Mil vezes sim.

— SILÊNCIO! NÃO ADMITO QUE FALEM ASSIM COMIGO! – respondeu Snape, no mesmo tom de voz. – Tal pai, tal filho, Potter! Acabei de salvar seu pescoço; você devia me agradecer de joelhos! Teria sido bem feito se Black o tivesse matado! Você teria morrido como seu pai, arrogante demais para acreditar que poderia ter se enganado com um amigo… Agora saia da frente, ou eu vou fazer você sair. SAIA DA FRENTE, POTTER!

Snape, acho que o senhor gostaria de conhecer um antigo amigo meu: o significado da palavra limites, pensei encolerizada, apontando minha varinha diretamente para ele.

Expelliarmus— gritei, logo percebendo não ter sido a única a fazê-lo; Hermione, Rony e Harry também tinham suas varinhas em punho e apontadas para Snape.

Houve uma forte explosão; Snape foi atirado contra a parede, logo escorregando por ela até o chão, um filete de sangue escorrendo por baixo de seus cabelos. Sua varinha voou no ar e caiu ao lado de Bichento, que apenas a olhou com descaso.

— Você não devia ter feito isso. – disse Black para Harry. – Devia tê-lo deixado comigo…

— Aí o senhor ficaria com o dobro de problemas. – comentei.

— Mas teria valido a pena. – fez um gesto displicente.

— Atacamos um professor… Atacamos um professor… – choramingou Hermione. – Ah, vamos nos meter numa confusão tão grande.

— Ele mereceu. – dei de ombros.

Black se abaixou para desamarrar Lupin, que lutava para se livrar das cordas; o professor se ergueu, agradecendo e esfregando os braços onde as cordas tinham o machucado.

— Não estou dizendo com isso que já acredito no senhor. – disse Harry.

— Então está na hora de lhe apresentarmos alguma prova. Você, garoto… Me dê o Peter, por favor. Agora.

— Nem. – disse Rony, apertando Perebas mais junto ao peito. – O senhor está tentando dizer que Black fugiu de Azkaban só para pôr as mãos em Perebas? Quero dizer, tudo bem, vamos dizer que Pettigrew pudesse se transformar em rato, há milhões de ratos, como é que Black vai saber qual é o que está procurando se estava trancafiado em Azkaban?

— Sabe, Sirius, a pergunta é justa. – o professor se virou para Black com a testa levemente franzida. – Como foi que você descobriu onde estava o rato?

Black – Sirius, tanto faz, – enfiou uma de suas mãos dentro das vestes e tirou um pedaço de papel bem amassado, que ele desamassou e nos mostrou.

Um pequeno sorriso surgiu nos meus lábios ao ver a foto; diante de uma enorme pirâmide, se encontravam nove ruivos – ok, a foto estava em preto e branco, mas sei que eles são ruivos –; reconheci Percy, Rony, Fred, Jorge e Gina, e os outros eu tive uma breve ideia de quem fossem. Perebas – Peter, tanto faz – estava no ombro de Rony.

— Onde foi que você arranjou isso? – perguntou Lupin, perplexo.

— Fudge.— respondeu Black. – Quando ele foi inspecionar Azkaban no ano passado, me cedeu o jornal que levava. E lá estava Peter, na primeira página, no ombro desse garoto. Reconheci-o na mesma hora. Quantas vezes o vi se transformar? A legenda dizia que o menino ia voltar para Hogwarts, onde Harry estava…

— Meu Deus – exclamou o professor baixinho, olhando entre Perebas e a foto. – A pata dianteira…

— Que é que tem a pata? – indagou Rony, em tom de desafio.

— Tem um dedinho faltando. – contou Black.

— Claro. – murmurou Prof. Lupin. – Tão simples, tão genial… Ele mesmo o cortou?

— Pouco antes de se transformar. – afirmou Black. – Quando eu o encurralei, ele gritou para a rua inteira que eu havia traído Lily e James. Então, antes que eu pudesse lhe lançar um feitiço, ele explodiu a rua com a varinha escondida às costas, matou todo mundo em um raio de seis metros, e fugiu para dentro do bueiro com os outros ratos…

— Você já ouviu falar, não, Rony? O maior pedaço do corpo de Peter que acharam foi o dedo.

— Olha aqui, Perebas com certeza brigou com outro rato ou coisa parecida! – ah, claro, ratos selvagens que arrancam os dedinhos uns dos outros. — Ele está na minha família há séculos, certo…

— Doze anos, para sermos exatos. – começou Lupin. – Você nunca estranhou que ele tenha vivido tantos anos?

— Nós… Nós cuidamos bem dele!

— Mas ele não está com um aspecto muito saudável no momento, não é? – continuou o professor. — Imagino que esteja perdendo peso desde que ouviu falar que Sirius fugiu…

— Ele tem andado apavorado com aquele gato maluco! – exclamou Rony, indicando Bichento, que ronronava na cama.

— O gato não é maluco. – disse Black, rouco, estendendo a mão para acariciar a cabeça de Bichento. – É o gato mais inteligente que já encontrei. E muito similar a um gato da nossa época de estudantes, também. Reconheceu na mesma hora o que Peter era. E quando me encontrou, percebeu que eu não era cachorro. Levou um tempinho para confiar em mim. No fim eu consegui comunicar a ele o que estava procurando e ele tem me ajudado.

— Como assim? E como assim Bichento é similar a um gato que vocês conheciam? — indagou Hermione.

— Bella tinha um gato idêntico a ele. – contou Lupin. – Quando ela chegou no Expresso de Hogwarts no início do último ano, no entanto, ela já não estava mais com ele; disse que ele havia sumido. Não acreditamos, porém nunca descobrimos o que havia acontecido com ele.

Hermione franziu a testa, porém não disse nada.

— Ele tentou trazer Peter a mim, mas não pôde, então roubou para mim as senhas de acesso à Torre da Grifinória. Pelo que entendi, ele as tirou da mesa-de-cabeceira de um garoto. Mas Peter soube o que estava acontecendo e se mandou. – disse Black. – Este gato... Bichento, foi o nome que lhe deu? Me disse que Peter tinha sujado os lençóis de sangue. Suponho que tenha se mordido. Ora, fingir-se de morto já tinha dado certo uma vez…

— E sabe por que é que ele se fingiu de morto? – perguntou Harry veementemente. – Porque sabia que você ia matar ele como tinha matado os meus pais!

— Não, – começou Lupin. – Harry…

— E agora você veio acabar com ele!

— É verdade, vim. – disse Black, olhando maldosamente Perebas.

— Então eu devia ter deixado Snape levar você! – gritou Harry, escandaloso como sempre.

— Harry – disse Lupin.— você não está vendo? Todo este tempo pensamos que Sirius tinha traído seus pais e que Peter o perseguira… Mas foi o contrário, você não está vendo? Peter traiu sua mãe e seu pai, Sirius perseguiu Peter...

— NÃO É VERDADE! – berrou o menino, logo apontando para Black.— ELE ERA O FIEL DO SEGREDO DELES! ELE DISSE ISSO ANTES DO SENHOR APARECER. ELE CONFESSOU QUE MATOU MEUS PAIS!

— Harry… Foi o mesmo que ter matado. – começou Black, rouco. – Convenci Lily e James a entregarem o segredo a Peter no último instante, convenci-os a usar Peter como fiel do segredo, em vez de mim… A culpa é minha, eu sei… Na noite em que eles morreram, eu tinha combinado de procurar Peter para verificar se ele continuava bem, mas quando cheguei ao esconderijo ele não estava. Mas não havia sinais de luta. Achei estranho. Fiquei apavorado. Corri na mesma hora direto para a casa dos seus pais. E quando vi a casa destruída e os corpos deles… Percebi o que Peter devia ter feito. O que eu tinha feito.

Okay, ouch.

A voz dele se partiu e ele virou as costas, e eu tive que controlar a vontade de ir até lá e abraçar o homem.

— Basta. – disse Lupin, sua voz inflexível. – Tem uma maneira de provar o que realmente aconteceu. Rony, me dê esse rato.

— Que é que o senhor vai fazer com ele se eu der? – perguntou Rony.

— Obrigá-lo a se revelar. – respondeu. – Se ele for realmente um rato, não se machucará.

Rony hesitou, então estendeu a mão e entregou o rato a Lupin, o animal logo começando a guinchar sem parar, se contorcendo em desespero.

— Bem, se esse rato fosse apenas um ratinho inocente, ele não estaria com tanto medo. – murmurei.

— Está pronto, Sirius? – perguntou Lupin.

Black, que havia apanhado a varinha de Snape na cama, aproximou-se de Lupin e do rato, que parecia cada vez mais desesperado.

— Juntos?

— Acho melhor. – confirmou o professor, segurando Perebas em uma mão e sua varinha na outra.— Quando eu contar três. UM… DOIS… TRÊS!

Lampejos branco-azulados irromperam das duas varinhas; por um instante, Perebas parou no ar, revirando-se alucinadamente, antes de cair e bater no chão. Seguiu-se outro lampejo ofuscante, logo surgindo uma cabeça no chão e brotando membros, e, um instante depois, havia um homem inquieto onde antes estivera Perebas, apertando e torcendo as mãos. Era um homem baixo, com cabelos finos e malcuidados, e parte da cabeça era careca. Tinha a aparência flácida de um homem gordinho que perdeu muito peso em um período curto de tempo; sua pele estava enrugada, meio parecida com a pelagem de Perebas, com olhos muito pequenos e lacrimejantes. Ele olhou para todos ali presentes, sua respiração extremamente irregular, até que seus olhos passaram pela porta e voltaram.

— Ora, ora, olá, Peter. – cumprimentou-o Lupin. – Quanto tempo!

— S… Sirius R… Remo. – Seus olhos passaram pela porta outra vez.— Meus amigos… Meus velhos amigos…

Black ergueu sua varinha, porém Lupin segurou o seu pulso, censurando-o com o olhar, antes de voltar a olhar para Pettigrew.

— Estávamos tendo uma conversinha, Peter, sobre os acontecimentos da noite em que Lily e James morreram. Você talvez tenha perdido os detalhes enquanto guinchava na cama… — disse, em um tom displicente.

— Remo. você não acredita nele, acredita…? Ele tentou me matar, Remo… — ofegou Pettigrew.

— Foi o que ouvimos dizer. – o seu tom tornou-se frio. – Eu gostaria de esclarecer algumas coisas com você, Peter, se você quiser ter…

— Ele veio tentar me matar outra vez! – guinchou o homem, apontando para Sirius com o seu dedo médio, já que lhe faltava o indicador. – Ele matou Lily e James e agora vai me matar também! Você tem que me ajudar, Remo…

— Ninguém vai tentar matá-lo até resolvermos umas coisas. – disse o professor.

— Resolvermos umas coisas? – disse Pettigrew, olhando desesperadamente para os lados, como se buscando uma maneira de fugir. – Eu sabia que ele viria atrás de mim! Sabia que ele voltaria para me pegar! Estou esperando isso há doze anos!

— Você sabia que Sirius ia fugir de Azkaban? – indagou Lupin, franzindo o cenho. – Sabendo que ninguém jamais fez isso antes?

— Ele tem poderes das trevas com os quais a gente só consegue sonhar! – sua voz aguda já estava começando a me irritar. – De que outro jeito fugiria de lá? Suponho que Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado tenha lhe ensinado alguns truques!

Sirius começou a rir, porém não havia humor algum em sua risada.

— Voldemort me ensinou alguns truques? — Pettigrew se encolheu ao ouvir Sirius. — Que foi, se apavorou de ouvir o nome do seu velho mestre? Não o culpo, Peter. O pessoal dele não anda muito satisfeito com você, não é mesmo?

— Não sei o que você quer dizer com isso, Sirius… – murmurou o homem, parecendo ainda mais nervoso.

— Você não andou se escondendo de mim esses doze anos. Andou se escondendo dos seguidores de Voldemort. Eu soube de umas coisas em Azkaban, Peter… Todos pensam que você está morto ou já o teriam chamado a prestar contas… Ouvi-os gritar todo o tipo de coisa durante o sono. Parece que acham que o traidor os traiu também. Voldemort foi à casa dos Potter confiando em uma informação sua… E Voldemort perdeu o poder lá. E nem todos os seguidores dele foram parar em Azkaban, não é mesmo? Ainda há muitos por aí, esperando a hora, fingindo que reconheceram seus erros… Se chegarem, a saber, que você continua vivo, Peter…

— Não sei… Do que está falando… – respondeu Pettigrew, mais esganiçado que nunca, enxugando o rosto extremamente suado na manga e olhando para Lupin. – Você não acredita nessa… Nessa loucura, Remo…

— Devo admitir, Peter, que acho difícil compreender por que um homem inocente iria querer passar doze anos sob a forma de um rato.

— Inocente, mas apavorado! – guinchou novamente. – Se os seguidores de Voldemort estivessem atrás de mim, seria porque mandei um dos seus melhores homens para Azkaban, o espião, Sirius Black!

O espião.” Seria Sirius Black o novo James Bond?

— Como é que você se atreve? – rosnou Sirius, parecendo furioso. – Eu, espião do Voldemort? Quando foi que andei espreitando gente mais forte e mais poderosa do que eu? Agora você, Peter, jamais vou entender por que não reparei desde o começo que você era o espião; você sempre gostou de amigos grandalhões que o protegessem, não é mesmo? Você costumava nos acompanhar… A mim e ao Remo… E ao James…

— Eu, espião… Você deve ter perdido o juízo… Nunca… Não sei como pode dizer uma… — Pettigrew enxugou o rosto outra vez, parecendo quase sem ar.

— Lily e James só fizeram de você o fiel do segredo porque eu sugeri – sibilou Black em um tom tão venenoso que fez Pettigrew dar um passo para trás. – Achei que era o plano perfeito… Um blefe… Voldemort com certeza viria atrás de mim, jamais sonharia que os dois usariam um sujeito fraco e sem talento como você… Deve ter sido a hora mais sublime de sua vida infeliz quando você contou a Voldemort que podia lhe entregar os Potter.

— Prof. Lupin – olhei para Hermione, que havia falado timidamente. – Posso… Posso dizer uma coisa?

— Claro, Hermione. – disse Lupin.

— Bem… Perebas… Quero dizer, esse… Esse homem… Ele dormiu no quarto de Harry durante três anos. Se está trabalhando para Você-Sabe-Quem, como é que ele nunca tentou fazer mal a Harry antes?

— Taí! – exclamou Pettigrew, apontando para Hermione. – Muito obrigado! Está vendo, Remo? Nunca toquei em um fio de cabelo de Harry! Por que iria fazer isso?

— “Muito obrigado”? Não fale com ela, babaca. – encarei ele, semicerrando os olhos. Ela pareceu conter um sorriso.

— Vou lhe dizer o porquê. – começou Sirius. – Porque você nunca fez nada, nem a ninguém nem para ninguém, sem saber o que poderia ganhar com isso. Voldemort está foragido há doze anos, dizem que está semimorto. Você não ia matar bem debaixo do nariz de Alvo Dumbledore, por causa de um bruxo moribundo que perdeu todo o poder, ia? Não, você ia querer ter certeza de que ele era o valentão do colégio antes de voltar para o lado dele, não ia? Por que outra razão você procurou uma família de bruxos para o acolher? Para ficar de ouvido atento às novidades, não é mesmo, Peter? Caso o seu velho protetor recuperasse a antiga força e fosse seguro se juntar a ele…

Pettigrew abriu a boca e tornou a fechá-la várias vezes. Parecia ter perdido a capacidade de falar.

— Hum… Sr. Black… Sirius? – começou Hermione novamente, e Sirius encarou-a com uma expressão de surpresa e susto ao ser tratado com tanta educação.

Esse homem precisa de um abraço, pensei.

— Se o senhor não se importar que eu pergunte, como… Como foi que o senhor fugiu de Azkaban, se não usou artes das trevas?

— Muito obrigado! – exclamou Pettigrew outra vez. – Exatamente! Precisamente o que eu…

— O que eu disse? – o encarei novamente. – Fala com ela de novo e eu enfio esse dedo no seu– Hermione pôs a mão sobre minha boca, me fazendo ficar quieta.

Black franziu a testa, parecendo considerar a pergunta.

— Não sei como foi que fugi. Acho que a única razão por que nunca perdi o juízo é porque sabia que era inocente. Isto não era um pensamento feliz, então os dementadores não podiam sugá-lo de mim. Mas serviu para me manter lúcido e consciente de quem eu era. Me ajudou a conservar meus poderes quando tudo se tornava… Excessivo. Eu conseguia me transformar na cela, virar cachorro. Os dementadores não conseguem enxergar, sabe… – engoliu em seco. – Aproximam-se das pessoas se alimentando de suas emoções. Eles percebiam que os meus sentimentos eram menos… Menos humanos, menos complexos quando eu era cachorro… Mas achavam, é claro, que eu estava perdendo o juízo como todos os prisioneiros de lá, por isso não se incomodavam. Mas eu fiquei fraco, muito fraco, e não tinha esperança de afastá-los sem uma varinha… Mas, então, vi Peter naquela foto… E compreendi que ele estava em Hogwarts com Harry, perfeitamente colocado para agir, se lhe chegasse a menor notícia de que o partido das trevas estava reunindo forças novamente, pronto para atacar no momento em que se certificasse de que contava com aliados, e para entregar o último Potter. Se lhes entregasse Harry, quem se atreveria a dizer que traíra Lord Voldemort? Peter seria recebido de volta com todas as honras. Então, entendem, eu tinha que fazer alguma coisa. Era o único que sabia que ele continuava vivo…

Alguém por favor abraça esse homem, pensei, prestando atenção no que ele dizia.

— Era como se alguém tivesse acendido uma fogueira na minha cabeça, e os dementadores não pudessem destruí-la… Não era um pensamento feliz… Era uma obsessão… Mas isso me deu forças, clareou minha mente. Então, uma noite quando abriram a porta para me trazer comida, eu passei por eles em forma de cachorro… Para eles é tão difícil perceberem emoções animais que ficaram confusos… Eu estava magro, muito magro… O bastante para passar entre as grades. Ainda como cachorro, nadei até a costa… Viajei para o norte e entrei escondido nos terrenos de Hogwarts, como cachorro. Desde então vivi na floresta, exceto nas horas em que saía para assistir ao Quadribol, é claro. Você voa bem como o seu pai, Harry. — ele se virou para o garoto.

— Pera aí, – interrompi, e ele me olhou. – o senhor disse que viveu na floresta, certo? – assentiu. – Então não era você aquela vez em Hogsmeade?

Os outros ficaram com expressões confusas em seus rostos, porém Sirius abriu um pequeno sorriso.

— Eu estava procurando comida. – admitiu. – E, bem… Você tem um coração bom como o da sua mãe.

— Do que vocês estão falando? – Hermione e o Prof. Lupin indagaram ao mesmo tempo, parecendo intrigados.

Ele olhou para o professor.

— Eu fui em uma das visitas à Hogsmeade. Estava faminto. Me escondi em um beco e procurei comida, mas não encontrei nada. Até que eu vi ela. – acenou com a cabeça em minha direção. – Ela parecia tão familiar…

Sorri triste.

— Então, por algum motivo, ela entrou no beco; falou comigo, – riu. – e fez um feitiço convocatório para me conseguir um prato de comida. Até agora não sei se ela foi gentil ou simplesmente estúpida.

— Eu vou ignorar essa última parte. – revirei os olhos.

— O que a mãe dela fez? – perguntou Hermione, repentinamente. – Quando estava contando sua história, o senhor disse que ela havia feito algo, professor.

Lupin suspirou.

— Essa não é minha história para contar, Hermione. – disse gentilmente.

— Bem, – começou Sirius, parecendo desconfortável. – acho que eu posso contar pelo menos alguma coisa. – ponderou por um instante. – Bella se afastou de nós e começou a andar com pessoas que não devia, fazer coisas que não devia; nós apenas entendemos tudo o que aconteceu algum tempo depois, e, bem… Não havia mais volta. Voldemort a matou antes mesmo de matar James e Lily. A perda de uma pessoa tão próxima foi a coisa mais dolorosa que eu havia sentido em toda a minha vida. Isso contribuiu para Peter se tornar o fiel do segredo, já que eu acreditava que isso evitaria que James e Lily tivessem o mesmo destino que Bella teve. – virou-se para Harry outra vez. – Acredite em mim, Harry. Nunca traí James e Lily. Teria preferido morrer a traí-los.

Harry acenou afirmativamente com a cabeça, e Pettigrew caiu de joelhos, gritando “Não!”, como se aquela houvesse sido a sua sentença de morte.

Ele se arrastou de joelhos, com suas mãos juntas diante do peito como se estivesse rezando.

— Sirius, sou eu, Peter… Seu amigo… Você não…

— Já tem sujeira suficiente nas minhas vestes sem você tocar nelas. – exclamou o homem.

— Remo! – esganiçou-se, virando-se para o professor. – Você não acredita nisso… Sirius não teria lhe contado se eles tivessem mudado os planos?

— Não se pensasse que eu era o espião, Peter. Presumo que foi por isso que você não me contou, Sirius? – questionou Lupin, por cima da cabeça de Pettigrew.

— Me perdoe, Remo. – disse Sirius.

— Tudo bem, Almofadinhas, meu velho amigo. – respondeu o professor, enrolando as mangas das vestes. – E você me perdoa por acreditar que você fosse o espião?

— Claro. – ele, também, começou a enrolar as mangas. – Vamos matá-lo juntos?

— Acho que sim. – concordou Lupin.

— Vocês não me matariam… Não vão me matar… – exclamou Pettigrew, correndo para Rony. – Rony… Eu não fui um bom amigo… Um bom bichinho? Você não vai deixá-los me matarem, Rony, vai… Você está do meu lado, não está?

— Eu deixei você dormir na minha cama! – exclamou o ruivo, olhando para Pettigrew com nojo.

— Bom garoto… Bom dono… – ele se arrastou até Rony. – você não vai deixá-los fazerem isso… Eu fui o seu rato… Fui um bom bicho de estimação…

— Se você foi um rato melhor do que foi um homem, não é coisa para se gabar, Peter – disse Black asperamente.

Uau.

Rony puxou a perna quebrada para longe do alcance de Pettigrew, que, ainda de joelhos, se virou e agarrou a bainha das vestes de Hermione.

— Garota meiga… Garota inteligente… Você… Você não vai deixar que eles… Me ajude.

— Parceiro, vê se entende que não é pra você falar com ela, muito menos encostar. – fui para a frente de Hermione - que havia puxado suas vestes para longe de Pettigrew e recuado contra a parede – protetoramente, cruzando meus braços e o encarando.

— Você é tão parecida com a sua mãe… Ela era tão gentil… Escolheria sempre os amigos… Não deixaria eles me matarem…

— Fala comigo de novo e quem vai te matar vai ser eu. – o interrompi, sorrindo gentilmente.

Ele arregalou comicamente os seus olhos e, tremendo muito, foi virando lentamente a cabeça para Harry.

— Harry… Harry… Você é igualzinho ao seu pai… Igualzinho…

— COMO É QUE VOCÊ SE ATREVE A FALAR COM HARRY? – rugiu Black. – COMO TEM CORAGEM DE OLHAR PARA ELE? COMO TEM CORAGEM DE FALAR DE JAMES NA FRENTE DELE?

— Harry – sussurrou Pettigrew, arrastando-se até o moreno. – Harry, James não iria querer que eles me matassem… James teria compreendido, Harry… Teria tido piedade…

Sirius e o Prof. Lupin avançaram ao mesmo tempo, atirando Pettigrew no chão; ele ficou ali, contorcendo-se aterrorizado e encarando os dois.

— Você vendeu Lily e James a Voldemort – disse Black. – Você nega isso?

Pettigrew começou a chorar, parecendo um bebezão careca extremamente esquisito.

— Sirius, Sirius, o que é que eu podia ter feito? O Lorde das Trevas… Você não faz ideia… Ele tem armas que você não imagina… Tive medo, Sirius, eu nunca fui corajoso como você, Remo, Anabella e James. Eu nunca desejei que isso acontecesse… Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado me forçou…

— NÃO MINTA! – berrou Black. – VOCÊ ANDOU PASSANDO INFORMAÇÕES PARA ELE DURANTE UM ANO ANTES DE LILY E JAMES MORREREM! VOCÊ ERA ESPIÃO DELE!

— Ele estava assumindo o poder em toda parte! – guinchou Pettigrew. – Que é que eu tinha a ganhar recusando o que me pedia?

— Que é que você tinha a ganhar lutando contra o bruxo mais maligno que já existiu? – indagou Black, furioso. – Apenas vidas inocentes, Peter!

— Você não entende! – choramingou Pettigrew. – Ele teria me matado, Sirius!

— ENTÃO VOCÊ DEVIA TER MORRIDO! – rugiu o homem. – MORRER EM VEZ DE TRAIR SEUS AMIGOS! COMO TERÍAMOS FEITO POR VOCÊ!

— Você devia ter percebido que se Voldemort não o matasse, nós o mataríamos. — disse Lupin, que estava ombro a ombro com Sirius, ambos com suas varinhas erguidas. — Adeus, Peter.

— Vocês não podem matar ele! — gritei sussurrando (?), enquanto Harry berrava o mesmo. — Quero dizer, tecnicamente todo mundo pode matar quem quiser, mas a questão é se deve ou não. — ponderei.

Os dois fizeram caras de espanto.

— Harry, esse verme é a razão por que você não tem pais. – rosnou Sirius. – Esse covardão teria olhado você morrer, sem levantar um dedo. Você ouviu o que ele disse. Dava mais valor à pele nojenta do que a toda sua família.

— Eu sei. – disse Harry. – Vamos levar Peter até o castelo. Vamos entregar ele aos dementadores. Ele pode ir para Azkaban… Mas não o matem.

— Harry! – exclamou Pettigrew, abraçando os joelhos de Harry— Você… Obrigado… É mais do que eu mereço… Obrigado…

— Tire as mãos de cima de mim – vociferou, empurrando Pettigrew. – Não estou fazendo isso por você. Estou fazendo isso porque acho que meu pai não ia querer que os melhores amigos dele virassem assassinos… Por sua causa.

Sirius e Lupin se entreolharam, e então baixaram suas varinhas. Quebrei o silêncio falando “Eles crescem tão rápido” e secando lágrimas imaginárias, fazendo Harry revirar os olhos e os cantos de seus lábios se curvarem em um pequeno sorriso.

— Você é a única pessoa que tem o direito de decidir, Harry. – disse Sirius. – Mas pense… Pense no que ele fez…

— Ele pode ir para Azkaban. – repetiu Harry. – Se alguém merece aquele lugar é ele…

— Muito bem – disse Lupin. – Saia da frente, então. Vou amarrá-lo.

Assim que Harry saiu do caminho, cordas finas saíram da varinha do professor, amarrando Pettigrew.

— Mas se você se transformar, Peter, nós o mataremos. — rosnou Sirius. — Concorda, Harry?

Ele concordou com a cabeça.

— Certo – começou Lupin – Rony, não sei consertar ossos tão bem quanto Madame Pomfrey, por isso acho melhor só imobilizar sua perna até o entregarmos na ala hospitalar.

Ele foi até o ruivo, se abaixou, tocou a perna dele com sua varinha e murmurou “Férula!”; logo a perna de Rony estava envolta em ataduras, e o professor ajudou-o a se levantar.

— Está melhor. Obrigado. — disse Rony.

— E o Prof. Snape? – perguntou Hermione.

— Ele não tem nenhum problema sério – respondeu, se curvando sobre Snape e vendo seu pulso. – Vocês só se entusiasmaram um pouquinho. Continua desacordado… Talvez seja melhor não o reanimarmos até estar a salvo no castelo. Podemos levá-lo assim… Mobilicorpus!

O professor inconsciente foi posto e pé, flutuando a alguns centímetros do chão, sua cabeça pendendo molemente; o Prof. Lupin então apanhou a Capa da Invisibilidade, guardando-a no bolso.

— E dois de nós devemos nos acorrentar a essa coisa. — Sirius cutucou Pettigrew com o pé. – Só para garantir.

— Eu faço isso – disse o Prof. Lupin.

— E eu – disse Rony decidido, mancando até o prisioneiro.

Sirius conjurou algemas do nada, e logo Pettigrew estava de pé, preso a Lupin e Rony.

— Ah, eu também queria fazer alguma coisa. – murmurei.

— Eu preciso falar com você e com Harry. – foi o que Sirius respondeu, antes de sairmos.



Notas finais do capítulo

that's all folks
comentem o que acharam pfvr amo vcs!!!


(to triste
rip george michael, rip carrie fisher, rip time da uganda, rip ricky harris)



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Avada Kedavra" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.