Avada Kedavra escrita por potterstinks


Capítulo 23
[1x22] Mais histórias.


Notas iniciais do capítulo

oiiiii meus strogonoffzinhos de frango com batata palha!!!!
meu deus como eu senti saudade de vcs
ok, sei que não tem justificativa a minha demora de quase um ano (literalmente!!!!) pra atualizar a história, por isso peço minhas mais sinceras desculpas. esse ano tá sendo muito corrido e, perdoem meu palavreado, muito foda -- e não no sentido bom e legal da coisa (não tá horrível mas tá quase lá).
então, como sei que vcs provavelmente tão mt putos comigo, vamos a mais um capítulo delicioso com mais de 6000 palavras!!!
boa leitura, até as notas finais :D



CAPÍTULO XXII 

 

Mais histórias.

“Três coisas não podem ser escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade.”

Nós quatro ficamos lá, paralisados. Eu não conseguia pensar direito. Como eles... Como eles puderam fazer algo deste tipo? Como Malfoy conseguiu ser tão baixo a ponto de fazer tirarem a vida de uma criatura inocente, apenas por ele ser um babaca arrogante?

— Hagrid... – murmurou Harry, logo fazendo menção de dar meia-volta, e sendo imediatamente segurado por nós.

— Não podemos – disse Rony, que se encontrava extremamente pálido, assim como eu tinha certeza de que eu tambem estava. – Hagrid vai ficar numa situação muito pior se souberem que fomos à casa dele.

— Como... Puderam... Fazer... Isso? – engasgou-se Hermione. – Como puderam? – abracei-a levemente, e pude sentir que ela tremia.

— Vamos. – murmurei, suspirando. 

Começamos a andar bem lentamente em direção ao castelo, eu e Hermione ainda abraçadas e, quando chegamos à área ajardinada, já havia escurecido. 

— Perebas, fica quieto. – sibilou Rony de repente, pressionando sua mão contra o peito, enquanto seu rato se debatia, visivelmente aterrorizado. – Que é que há com você, seu rato burro? Fica parado aí... AI! Ele me mordeu!

— Rony, fica quieto! – cochichou Hermione. – Fudge vai nos alcançar em um minuto! 

— Ele não quer ficar parado! – o garoto cochichou em resposta, tentando acalmar o animal. 

— Rony, se ele não calar a boca, não apenas nós ficaremos em apuros, mas o Hagrid também. – sussurro, arregalando meus olhos ao ver uma figura com grandes olhos amarelos vindo em nossa direção: Bichento. – Ah não. – gemi baixinho.

— Bichento! – sibilou Hermione. – Não! Vai embora, Bichento! Vai embora! – o gato não a obedeceu, se aproximando cada vez mais. 

— Perebas, não! 

Porém, o rato escapou do aperto de Rony, caiu no chão e fugiu, tendo rapidamente Bichento em seu encalço, assim como Rony, que arrancou a capa da invisibilidade e saiu perseguindo-os pela escuridão. 

— Droga. – exclamei baixinho. 

Arrancamos a capa, que logo ficou voando como uma bandeira no ar, e saímos correndo atrás de Rony. Logo ouvimos os seus passos um pouco mais à frente e os seus gritos para Bichento (“Fique longe dele! Fique longe... Perebas, volta aqui!”).

Merlin, Ronald Weasley seria um ninja terrível, pensei comigo mesma, e logo ouvimos um baque, seguido pela voz do ruivo: 

— Te peguei! Dá o fora, seu gato fedorento... 

Nós paramos diante de Rony, que se encontrava esparramado no chão, com Perebas de volta no seu bolso. 

— Rony, vamos voltar para baixo da capa! – disse Hermione. – Dumbledore... O ministro... Eles vão voltar para o castelo já, já! 

Porém, antes que pudéssemos pegar a capa novamente, ouvimos o ruído macio de patas contra o gramado. Um enorme cão negro se aproximava e deu um enorme salto contra Harry, que tentava pegar sua varinha, e suas patas dianteiras atingiram-no em seu peito, derrubando o garoto. O cachorro parecia estranhamente familiar, porém eu não poderia pensar naquilo no momento; eu e Hermione nos preparamos para ir até Harry, mas paramos logo que vimos o animal tomando impulso novamente. Fomos em passos rápidos até Harry, porém Rony acabou sendo mais rápido e, quando o cão saltou de novo, o ruivo empurrou Harry para o lado, fazendo o cão abocanhar o seu braço ao invés do braço do amigo. 

— Rony! – Hermione e eu exclamamos. – Harry, cuidado! – gritamos quando Harry jogou-se sobre o cachorro, tentando livrar Rony da mandíbula do animal, porém já era tarde demais, visto que o cão já arrastava o garoto; com uma facilidade assustadora, devo acrescentar. 

Foi então que ouvi o barulho de algo vindo em minha direção e, senti algo me atingir na barriga, com força o bastante para me derrubar no chão; o grito de dor de Hermione serviu para me confirmar que havia acontecido o mesmo com ela e Harry. Tateei o chão em busca da minha varinha, e, quando a encontrei, sussurrei “Lumus!”, assim como Harry, iluminando o local. 

A luz produzida pela varinha nos mostrou um tronco de árvore; estávamos próximos do Salgueiro Lutador, cujos ramos avançavam e recuavam para nos impedir de nos aproximarmos. Ah, pensei, por isso que ele se chama Salgueiro Lutador.

E ali, perto de onde estávamos, o cão arrastava Rony para dentro de um grande buraco entre as raízes, e logo sua cabeça e seu tronco foram desaparecendo de vista. 

— Rony. – sussurrei, com os olhos arregalados, quando ele enganchou uma de suas pernas em torno de uma raiz, tentando impedir o cão de arrastá-lo, e um som terrível cortou o ar; a perna do garoto se partiu e um instante depois, seu pé desaparecia de vista. Ouch. 

Me levantei, tentando pensar em maneiras de conseguirmos ajudar o Rony. 

— Temos que procurar ajuda! – exclamou Hermione, e foi só então que eu vi que ela sangrava na altura dos ombros. 

— Não! Aquela coisa é grande o suficiente para comer Rony; não temos tempo. – respondeu Harry. 

— Mas como a gente vai conseguir entrar sem ajuda? – indaguei. 

— Se aquele cão pôde entrar, nós também podemos. – ofegou Harry, começando a correr de um lado para outro, tentando encontrar uma brecha entre os galhos que estalavam com violência no ar. 

— Socorro, socorro... – murmurava Hermione, dançando no mesmo lugar. 

Levei uma de minhas mãos até a mão da garota que estava perto de mim, apertando-a levemente e entrelaçando nossos dedos. 

— Vai dar tudo certo, ok? – sussurrei para ela, que me olhou, com seus olhos repletos de preocupação, assentindo levemente e apertando ainda mais forte a minha mão. 

Foi então que Bichento disparou adiante, deslizando entre os galhos e colocando as patas dianteiras em um nó que havia no tronco, e instantaneamente a árvore parou de se movimentar.

Suspirei de alívio. Ninguém se machucaria mais.

— Bichento! – sussurrou Hermione. – Como é que ele sabia...? 

— Gatos são mais inteligentes que nós, meros mortais. – respondi. – Mas vamos logo, o Rony precisa de nós. 

— Fiquem com as varinhas em mãos. – disse Harry. 

Nós rapidamente fomos até o tronco; Bichento entrou antes de nós no buraco entre as raízes, sendo seguido por Harry, e logo Hermione e eu. Entramos nos arrastando e logo escorregando por uma descida de terra até um túnel. 

— Onde é que foi o Rony? – Hermione indagou baixinho, com terror na voz. 

— Por ali... – respondeu Harry, seguindo Bichento. 

— Onde vai dar esse túnel? – perguntei. 

— Eu não sei... Está marcado no Mapa do Maroto, mas Fred e Jorge disseram que ninguém nunca tinha entrado. Ele continua para fora do mapa, mas parecia que ia em direção a Hogsmeade.

Nós caminhávamos o mais rápido possível, embora a passagem parecesse não ter fim. Foi então que o túnel começou a subir, e nós três paramos para recuperar o fôlego, logo avançando cautelosamente, vendo um espaço mal iluminado por meio de uma pequena abertura.

Erguemos as varinhas para ver o que era, e logo vimos o que parecia ser um quarto, extremamente desarrumado e cheio de poeira; as janelas estavam todas fechadas com tábuas, o papel de parede descascava, o chão estava cheio de machas e cada móvel estava quebrado. Era como se aquele local tivesse abrigado um animal selvagem, que havia atacado tudo o que estava em seu alcance. 

— Isso é a Casa dos Gritos, não? – sussurrei para Harry e Hermione - esta última parecendo extremamente amedrontada -, que concordaram com um aceno de cabeça. – Se não for, parece muito. 

Harry foi o primeiro a sair, sendo seguido por Hermione e logo por mim. O quarto estava completamente vazio, mas uma porta à direita, que levava a um corredor escuro, estava aberta. Hermione tornou a agarrar minha mão, e seus olhos percorreram o quarto, parando nas janelas.

— Sim. – murmurou ela. 

— Sim o quê? – a olhei. 

— Isso é a Casa dos Gritos. – seus olhos arregalados continuavam a percorrer o local. 

— Só que fantasmas não fazem isso. – comentou Harry casualmente, e, seguindo a direção para a qual ele olhava, vimos uma cadeira de madeira bem quebrada, com uma de suas pernas faltando. 

— Um animal, talvez? – sugeri. – Ou alguém com muita raiva. 

E foi então que ouvimos um rangido no alto; algo havia se mexido no andar de cima. Nós três nos entreolhamos e, como resposta a uma pergunta não verbal, assentimos. 

O mais silenciosamente possível, saímos para o corredor e subimos por uma escada destruída. Tudo estava empoeirado, exceto o chão, onde uma larga faixa havia sido aparentemente limpa por algo arrastado para o primeiro andar. 

— Nox. – sussurramos quando chegamos ao patamar escuro, e as luzes nas pontas de nossas varinhas se apagaram instantaneamente. 

Havia apenas uma porta aberta e, quando nos esgueiramos naquela direção, ouvimos algo atrás da porta; um gemido baixo e logo em seguida um alto ronronar.

 Trocamos um último olhar e, com a varinha à frente, Harry chutou a porta, abrindo-a. 

Numa majestosa cama de colunas, com cortinas empoeiradas, estava Bichento, que ronronou alto quando nos viu. E, no chão ao lado do gato, Rony agarrava a perna, que estava estendida em um ângulo estranho. 

Logo corremos na direção do ruivo:

— Rony, você está bem?

— Ruivo, eu posso tentar te pegar no coloco pra nós irmos embora daqui.

— Onde está o cão?

— Não é um cão. – gemeu Rony.– Harry, é uma armadilha.

— Quê? 

— Ele é o cão. Ele é um animago. 

Rony olhava fixamente por cima do ombro de Harry, e nos viramos para olhar. Com um estalo, o homem nas sombras fechou a porta do quarto. 

Uma massa de cabelos sujos e embaraçados caíam até seus cotovelos. Seus olhos brilhavam em órbitas fundas e escuras, e a pele macilenta estava tão esticada sobre os ossos do rosto que ele parecia uma caveira. Os dentes amarelos estavam arreganhados num sorriso, fazendo-o parecer um maníaco - uma caveira maníaca, talvez? 

Aquele era Sirius Black. 

— Expelliarmus! – disse com a voz rouca, apontando a varinha de Rony em nossa direção. 

Nossas varinhas saíram voando de nossas mãos e Black as recolheu, logo se aproximando, com seus olhos fixos em Harry. 

— Achei que você viria ajudar seu amigo. Seu pai teria feito o mesmo por mim. Foi muita coragem não correr à procura de um professor. Fico agradecido... Vai tornar as coisas muito mais fáceis. 

Harry, ao nosso lado, começou a avançar; porém eu e Hermione o puxamos, tentando mantê-lo parado. Rony havia tentando ficar de pé, porém olhei pra ele e fiz um gesto para que continuasse onde estava; o esforço apenas aumentaria a sua dor. 

— Não, Harry! – exclamou Hermione, num sussurro petrificado. 

— Se você quiser matar Harry, terá que nos matar também! – disse Rony impetuosamente, se levantando. 

— E se você nos matar, eu juro que o meu fantasma vai habitar esse castelo e te assombrar até o dia da sua morte. Ou melhor, o meu fantasma vai ser a causa da sua morte. – acrescentei, semicerrando os olhos. 

Os cantos dos lábios de Black se curvaram levemente, como se ele estivesse sorrindo, porém o mesmo logo olhou para Rony: 

— Deite-se. – disse brandamente ao garoto. – Você vai piorar a fratura nessa perna.

— Você nos ouviu? – disse Rony com a voz fraca. – Você vai ter que matar os quatro!

— Só vai haver uma morte aqui hoje à noite – disse Black, seu sorriso se alargando. 

— Por quê? – questionou Harry com veemência, tentando se desvencilhar de nós. – Você não se importou com isso da última vez, não foi mesmo? Não se importou de matar aqueles trouxas todos para atingir Pettigrew... Que foi que houve, amoleceu em Azkaban? 

— Harry! – choramingou Hermione. – Fica quieto! 

— ELE MATOU MINHA MÃE E MEU PAI! – gritou Harry e, com grande esforço, se desvencilhou de nós, que o segurávamos, e avançou. 

Uma das mãos de Harry segurou o pulso de Black, fazendo as pontas das varinhas ficarem para baixo, e o punho de sua outra mão atingiu o lado da cabeça do homem. Os dois caíram de costas na parede, e eu olhei para Rony e Hermione, atordoada e sem saber o que fazer; os dois gritavam, e houve uma luz ofuscante quando as varinhas que Black segurava emitiram um jorro de fagulhas no ar, quase atingindo o rosto de Harry. 

Você não vai usar minha varinha pra machucar o meu amigo, ah mas não vai mesmo, pensei, olhando fixamente para Black enquanto pensava em como parar aquela briga e Harry tentava socar cada parte de Black que conseguia alcançar. Logo a mão livre de Black encontrou a garganta de Harry e ele sibilou algo que eu não entendi, e Harry parou de socá-lo, parecendo ficar sem ar a medida que Black apertava o seu pescoço; foi então que eu avancei na direção dos dois - Rony e Hermione fazendo o mesmo - e, naquele momento, tudo ficou uma confusão. Hermione chutou Black, Rony se atirou sobre a mão com que ele segurava as varinhas, e, bem... Talvez eu tenha mordido o braço de Black - mas foi uma mordida bem forte e o braço dele sangrou, então não me julguem por isso, tá? 

Harry se afastou para pegar sua varinha - pelos barulhos, provavelmente se envolvendo em uma briga com Bichento no processo -, enquanto Rony e Hermione brigavam com Black e eu pegava a minha própria varinha, que não tinha caído muito longe. 

— Saiam da frente! – Harry gritou para nós, e eu me sentei no chão, meio próxima de Black - apesar de tudo, eu não queria que Harry matasse o homem. 

Hermione, cuja a boca estava sangrando, atirou-se para o lado, enquanto recuperava a sua varinha e a de Rony. O ruivo se arrastou até a cama de colunas e se jogou sobre ela, o rosto pálido agora esverdeado, com as mãos segurando a perna quebrada. 

Black estava junto à parede, com a respiração ofegante, o nariz sangrando e um de seus olhos rapidamente inchando, enquanto observava Harry se aproximar devagar. 

— Vai me matar, Harry? – murmurou ele. 

Harry parou bem em cima de Black, com a varinha apontada para o seu coração, encarando-o. 

— Não mata ele, Harry. – sussurrei, olhando para ele. 

O garoto me olhou brevemente, seus olhos furiosos fazendo com que eu me encolhesse um pouco onde estava. 

— Ele matou meus pais, Avada. – disse Harry, a voz ligeiramente trêmula, e logo voltou a encarar o homem. 

— Não nego que matei. – respondeu Black calmamente. – Mas se você soubesse da história completa... 

— A história completa? – repetiu Harry, incrédulo. – Você vendeu meus pais a Voldemort. É só isso que preciso saber. 

— Você tem que me ouvir. – disse Black, um tom de urgência em sua voz. – Você vai se arrepender se não me ouvir. Você não compreende. 

— O cara quer que ele compreenda mas acabou de falar que matou os pais dele. Não entendo mais nada. – murmurei. 

— Compreendo muito melhor do que você pensa. – disse Harry à Black. – Você nunca a ouviu, não é? Minha mãe... Tentando impedir Voldemort de me matar... E foi você que fez aquilo. 

Porém, antes que Black pudesse dar mais uma de suas respostas brilhantes - olá, ironia -, Bichento saltou para o peito do homem e se sentou ali, bem em cima do coração. Teria sido fofo, se não fosse pelas circunstâncias em que nos encontrávamos.

 

— Saia daí. – murmurou Black, enquanto tentava empurrar Bichento para longe, mas o gato apenas enterrou suas garras em suas vestes e não saiu dali, logo encarando Harry.

Hermione soltou um soluço seco e eu olhei para ela, discretamente me arrastando pelo chão até chegar ao seu lado. Ela me olhou, seus olhos parecendo aterrorizados, e eu forcei um pequeno sorriso, segurando a sua mão novamente, logo voltando a olhar para Harry, que encarava Black e Bichento. 

Ele ergueu a varinha. 

Desviei o olhar; ver alguém ser morto não fazia parte dos meus planos e, bem, se esse alguém não fosse Voldemort, nunca iria fazer. Portanto, preferi olhar para baixo, enquanto Hermione apertava minha mão com cada vez mais força. 

Os segundos pareciam durar anos, então olhei novamente para onde os dois se encontravam; Harry parecia estar paralisado e, bem, apesar de querer, provavelmente não iria matar Black. 

— Harry? – comecei, baixinho. – Você... Você não quer ouvir o que ele tem pra dizer? 

Ele me olhou novamente, porém, ao invés de apenas fúria, vi outra coisa em seus olhos: tristeza. E aquilo foi como um soco bem no meu estômago. 

— As justificativas dele nunca vão realmente justificar o que ele fez, Avada. Nem trarão meus pais de volta. – ele disse, baixinho, antes de voltar a olhar para Black que, por sua vez, olhava para mim com um brilho estranho em seus olhos escuros, me fazendo sentir um pequeno desconforto. 

As palavras de Harry não me fizeram sentir pena dele, apenas me fizeram calar a boca e sentir uma pequena vontade de chorar. Eu entendia como Harry se sentia, e, se visse Voldemort pessoalmente, provavelmente iria querer matá-lo também; mas eu iria perguntar o porquê de ele ter feito tudo o que fez. 

O silêncio que se seguiu foi, no mínimo, sufocante, porém durou pouco; passos abafados ecoaram pelo chão - alguém estava andando no andar de baixo. 

— ESTAMOS AQUI EM CIMA! – gritou Hermione, e eu fiz uma careta. – ESTAMOS AQUI EM CIMA... SIRIUS BLACK... DEPRESSA!

Mas os passos ressoaram escada acima e, em seguida, a porta do quarto se escancarou com um jorro de faíscas vermelhas. O Prof. Lupin irrompeu no quarto, seu rosto pálido e a varinha erguida, e piscou ao ver como todos nos encontrávamos. Porém a sua confusão não durou muito, já que, logo em seguida, o professor gritou "Expelliarmus!", e todas as varinhas que segurávamos voaram de nossas mãos novamente; o professor apanhou-as agilmente e avançou pelo quarto, sem tirar os olhos de Black. Soltei a mão de Hermione e me levantei lentamente, observando a cena. 

— Professor Lupin? – tentei chamar sua atenção, porém, no mesmo momento, ele perguntou para Black: 

— Onde é que ele está, Sirius? 

Hã... Quê? 

O rosto de Black estava impassível. Muito lentamente, ergueu uma de suas mãos e apontou para Rony, que parecia confuso. 

— Mas, então... – murmurou Lupin, ainda encarando Black. – Por que ele não se revelou antes? A não ser que... – os seus olhos se arregalaram. – A não ser que ele fosse o... A não ser que você tivesse trocado... Sem me dizer? 

Com o olhar cravado no rosto de Lupin - opa, que olhares intensos são esses? -, Black confirmou com um aceno de cabeça. 

— Professor, – interrompeu Harry. – que é que está acontecendo...? 

Mas ele não terminou a frase; Lupin baixou a varinha, os olhos ainda fixos em Black - ok, isso está ficando constrangedor. O professor foi até Black e levantou-o, fazendo com que bichento caísse no chão, e abraçou Black muito, muito apertado. 

Oh my God. 

— EU NÃO ACREDITO! – berrou Hermione. 

Lupin soltou Black e se virou para ela. Ela estava de pé novamente e apontava para Lupin, com seus olhos arregalados.

— O senhor... O senhor... O senhor e ele! 

— Hermione, se acalme... 

— Eu não contei a ninguém! – gritou a garota – Tenho encoberto o senhor... 

— Hermione, me escute, por favor! – exclamou Lupin. – Eu posso explicar... 

— Eu confiei no senhor, e o tempo todo o senhor era amigo dele! – bradou Harry. 

— Você está enganado! – disse Lupin. – Eu não era amigo de Sirius, mas agora sou... Deixe-me explicar... 

— NÃO! – berrou Hermione. – Harry não confie nele, ele tem ajudado Black a entrar no castelo, ele quer ver você morto também... Ele é um – o resto de sua frase foi oculto pelo meu grito, embora aparentemente o Prof. Lupin tenha ouvido. 

— CALEM A BOCA! 

Todos me olharam.

Ok, constrangedor... 

— Eu entendo o porquê de vocês estarem agindo desse jeito, mas, se é pra ficar gritando, dá pra ser depois que o Prof. Lupin explicar tudo isso? – perguntei, um tanto quanto desesperada. – Por favor, gente! Sempre que acontece algo conosco, nós queremos que as pessoas também ouçam e entendam o nosso lado, mas quando isso acontece com os outros nós não queremos ouvir o que eles têm a dizer? Só dessa vez, dá pra pelo menos ouvirmos o Prof. Lupin? – olhei esperançosa para eles. 

— Qual é o seu nome? – perguntou Sirius, abruptamente. 

— Verônica Beauregard, senhor. – sorri levemente, vendo seus olhos se arregalarem. 

— Merlin. – murmurou, chocado, logo olhando para Lupin. – É ela...? 

O Prof. Lupin confirmou levemente com a cabeça, um pequeno e triste sorriso em seus lábios. – Sim, Sirius. 

— Do que vocês estão falando? – Hermione questionou, sua voz fria. 

— Eu já explico, só me deixe explicar algumas coisas antes. – o professor respondeu. – O que disse antes não está à altura do seu padrão de acertos, Hermione. Receio que tenha acertado apenas uma afirmação em três. Eu não tenho ajudado Sirius a entrar no castelo e certamente não quero ver Harry morto... Mas não vou negar que seja um lobisomem. 

Já que Harry e Rony não haviam escutado essa parte do que Hermione havia falado, eles ficaram extremamente chocados quando Lupin contou sobre ser um lobisomem. Rony se esforçou para se levantar outra vez, mas caiu com um gemido de dor. Lupin foi até ele para ele, parecendo preocupado, mas Rony exclamou: 

— Fique longe de mim, lobisomem! 

— Rony! – exclamei. 

Lupin ficou paralisado. Depois, voltou a se virar para Hermione e perguntou: 

— Você sabe desde a redação do Prof. Snape, presumo?

— Como o senhor sabe? – indagou Hermione. 

— Há algum tempo, a senhorita Beauregard também me contou que sabia. – respondeu Lupin. – E, como você, ela sabe desde a redação que ele passou. Ele ficará extremamente satisfeito consigo mesmo, na verdade; ele passou aquela redação na esperança de que alguém percebesse o que significavam os meus sintomas. Você verificou a tabela lunar e percebeu que eu sempre ficava doente na lua cheia? Ou você percebeu que o bicho-papão se transformava em lua quando me via? 

— Os dois. – respondeu Hermione em voz baixa. 

Ele forçou uma risada. 

— Você é a bruxa de treze anos mais inteligente que já conheci, Hermione.

— Vou fingir que meu ego não ficou ferido depois dessa. – fingi estar triste, e o professor riu levemente. 

— Vocês são as bruxas de treze anos mais inteligentes que já conheci. 

Sorri para ele.

— Não sou, não. – respondeu Hermione. – Se eu fosse um pouco mais inteligente, teria contado a todo mundo quem o senhor é! 

— Mas todos já sabem. Pelo menos os professores sabem. 

— Dumbledore contratou o senhor mesmo sabendo que o senhor é um lobisomem? – perguntou Rony. – Ele é louco?

— Rony... – semicerrei os olhos, olhando o garoto.

— Alguns professores acharam que sim. – respondeu Lupin. – Ele teve que trabalhar muito para convencer certos professores de que eu sou digno de confiança.

 — E ELE ESTAVA ENGANADO! – berrou Harry. – O SENHOR ESTEVE AJUDANDO ELE O TEMPO TODO!

Ele apontou para Black, que atravessou o quarto em direção à cama de colunas e afundou nela, o rosto escondido em suas mãos trêmulas. Bichento foi junto e subiu em seu colo, ronronando, enquanto Rony se afastava devagar dos dois, arrastando a perna. 

— Para de gritar, Harry. – resmunguei. 

— Eu não estive ajudando Sirius. – respondeu o professor. – Se você me der uma chance, eu explico. Olhe... 

O professor separou as nossas varinhas e nos devolveu. 

— Pronto. – disse ele, colocando a própria varinha no cinto. – Vocês estão armados e nós, não. Agora vão me ouvir? 

— Se o senhor não esteve ajudando Black, como é que soube que ele estava aqui? – Harry ergueu uma sobrancelha. 

— O mapa. O Mapa do Maroto. Eu estava na minha sala examinando-o... 

— O senhor sabe trabalhar com o mapa? 

— Claro que sei; ajudei a prepará-lo. Eu sou o Aluado, esse era o apelido que meus amigos me davam na escola. 

— O senhor preparou...? 

— O importante é que eu estava examinando o mapa atentamente hoje à noite, porque imaginei que você, Rony, Verona e Hermione poderiam tentar sair, escondidos, do castelo para visitar Hagrid antes da execução do hipogrifo. E estava certo, não é mesmo? 

Lupin começou a andar para cima e para baixo do quarto, com os olhos fixos em nós. 

— Você poderia estar usando a velha capa do seu pai, Harry... 

— Como é que o senhor sabia da capa? 

— O número de vezes que vi James desaparecer debaixo da capa... – fez um gesto de impaciência com a mão. – A questão é que, mesmo quando a pessoa está usando a Capa da Invisibilidade, ela continua a aparecer no Mapa do Maroto. Observei vocês atravessarem os jardins e entrar na cabana de Hagrid. Vinte minutos depois, vocês saíram e voltaram em direção ao castelo. Mas, então, iam acompanhados por mais alguém. 

— Por quem? – perguntei, interessada. 

— Eu não podia acreditar no que estava vendo – continuou o professor, proseguindo a caminhada e fingindo não ter ouvido a interrupção de Harry. – Achei que o mapa não estava registrando direito. Como é que ele podia estar com vocês? 

— Não tinha ninguém com a gente!

— Então vi outro pontinho, andando depressa em sua direção, rotulado Sirius Black... Vi-o colidir com você; observei quando arrastou dois de vocês para dentro do Salgueiro Lutador...

— Um de nós! – corrigiu-o Rony, zangado. 

— Não, Rony. Dois de vocês. – ele parou de andar, os olhos fixos em Rony. – Você acha que eu poderia dar uma olhada no rato? 

— Quê? – exclamou Rony. – Que é que o Perebas tem a ver com isso? 

— Tudo. Posso vê-lo, por favor?

Rony hesitou, antes de enfiar a mão em suas vestes e logo tirando Perebas, que se debatia desesperadamente.

Lupin se aproximou de Rony, examinando o rato atentamente.

— Quê? – repetiu Rony, com um ar apavorado. – Que é que meu rato tem a ver com qualquer coisa?

— Isto não é um rato. – disse Black. 

— Que é que você está dizendo? É claro que é um rato! 

— Não, não é. – confirmou Lupin calmamente. – É um bruxo. 

— Um Animago, – completou Black – que atende pelo nome de Peter Pettigrew. 

— Vocês dois são malucos. – disse Rony. 

— Quê. – eu estava extremamente confusa. Será que eles haviam bebido firewhisky ou algo do tipo? 

— Ridículo! – exclamou Hermione.

— Peter Pettigrew está morto! – disse Harry. – Ele o matou há doze anos! – apontou para Black. 

— Tive intenção. – vociferou Black. – Mas o Pedrinho levou a melhor... Mas desta vez não! 

Black avançou para Perebas, porém Lupin atirou-se em sua frente e afastou o homem: 

— Sirius, NÃO! – disse. – ESPERE! Você não pode fazer isso assim. Eles precisam entender! Temos que explicar. 

— Podemos explicar depois! – rosnou Black, tentando tirar Lupin de sua frente, com uma das mãos no ar, tentando alcançar Perebas, que guinchava feito um pobre porquinho e arranhava o rosto e pescoço de Rony, tentando escapar. 

— Eles têm o direito de saber de tudo! – ofegou Lupin. – Ele foi bicho de estimação de Rony! E tem partes dessa história que nem eu compreendo muito bem! E Harry... Você deve a verdade a ele, Sirius! 

— Está bem, então. – concordou Black quando parou de resistir, porém sem desgrudar os olhos do rato. – Conte a eles o que quiser. Mas faça isso depressa, Remo, quero cometer o crime pelo qual fui preso.

— Agora, vocês vão me ouvir até o fim. – disse Lupin. – Mas, por favor, mantenha Peter bem seguro enquanto me ouve.

 — ELE NÃO É PETER, ELE É PEREBAS! – berrou Rony. 

— Professor, mas não houveram testemunhas que viram Pettigrew morrer...? – questionei. 

— Eles não viram o que pensaram que viram! – respondeu Black. 

— Todos pensaram que Sirius tinha matado Peter. – confirmou Lupin acenando a cabeça. – Eu mesmo acreditei nisso, até ver o mapa hoje à noite. Porque o Mapa do Maroto nunca mente. Peter está vivo. Na mão de Rony. 

— Mas Prof. Lupin... Perebas não pode ser Pettigrew... Não pode ser verdade, o senhor sabe que não pode... – Hermione falou, em uma voz trêmula. 

— Por que não pode? – perguntou Lupin calmamente. 

— Porque... Porque as pessoas saberiam se Peter Pettigrew tivesse sido um Animago. Estudamos Animagos com a Profª. McGonagall. E procurei maiores informações quando fiz o meu dever de casa, o Ministério da Magia controla os bruxos e bruxas que são capazes de se transformar em animais; há um registro que mostra em que animal se transformam, o que fazem, quais os seus sinais de identificação e outros dados... E fui procurar o nome da Profª. McGonagall no registro e vi que só houve sete Animagos neste século e o nome de Pettigrew não constava da lista. 

— Certo, outra vez Hermione! – exclamou Lupin, rindo. – Mas o Ministério nunca soube que havia três Animagos não registrados à solta em Hogwarts. 

— Se você vai contar a história aos garotos, se apresse, Remo; – rosnou Blacks. – Esperei doze anos, não vou esperar muito mais. 

— Está bem... Mas você precisa me ajudar, Sirius. Só conheço o inicio. 

O professor parou ao ouvir um rangido alto; a porta do quarto se abriu sozinha. Ele foi até a porta e espiou o patamar, e nós nos entreolhamos. 

— Não há ninguém aqui fora. 

— Esse lugar é mal-assombrado! – comentou Rony.

— Não é, não. – disse Lupin, embora ainda observasse a porta. – A Casa dos Gritos nunca foi mal-assombrada. Os gritos e uivos que os moradores do povoado costumavam ouvir eram meus. – contou. – Foi onde tudo começou, com a minha Transfiguração em Lobisomem. Nada poderia ter acontecido se eu não tivesse sido mordido... E não tivesse sido tão imprudente... 

Observávamos atentamente o professor, e, enquanto contava, ele aparentava ser ainda mais velho do que realmente era; seu rosto demonstrava um cansaço e tristeza que pareciam o atormentar desde sua juventude.

— Eu ainda era garotinho quando levei a mordida. Meus pais tentaram tudo, mas naquela época não havia cura. A poção que o Prof. Snape tem preparado para mim é uma descoberta muito recente. Me deixa seguro, entende. Desde que eu a tome uma semana antes da lua cheia, posso conservar as faculdades mentais quando me transformo... E posso me enroscar na minha sala, um lobo inofensivo, à espera da mudança de lua. Porém, antes da Poção Mata-cão ser descoberta, eu me transformava em um perfeito monstro uma vez por mês. Parecia impossível que eu pudesse frequentar Hogwarts. Outros pais não iriam querer expor os filhos a mim. Mas, então, Dumbledore se tornou diretor e ele se condoeu. Disse que se tomássemos certas precauções, não havia razão para eu não frequentar a escola – ele suspirou. – Eu disse, há alguns meses, que o Salgueiro Lutador foi plantado no ano em que entrei para Hogwarts. A verdade é que ele foi plantado porque eu entrei para Hogwarts. Esta casa – Lupin correu os olhos pelo quarto – e o túnel que vem até aqui foram construídos para meu uso. Uma vez por mês eu era trazido do castelo para cá, para me transformar. A árvore foi colocada na boca do túnel para impedir que alguém se encontrasse comigo durante o meu período perigoso. 

— As minhas transformações naquele tempo eram... Eram terríveis. É muito doloroso alguém virar lobisomem. Eu era separado das pessoas para morder à vontade, então eu me arranhava e me mordia. Os moradores do povoado ouviam o barulho e os gritos e achavam que estavam ouvindo almas do outro mundo particularmente violentas. Dumbledore estimulava os boatos. Ainda hoje, que a casa tem estado silenciosa há anos, os moradores de Hogsmeade não têm coragem de se aproximar... Mas tirando as minhas transformações, eu nunca tinha sido tão feliz na vida. Pela primeira vez, eu tinha amigos, quatro grandes amigos. Anabella Beauregard – ao ouvir esse nome, eles me olharam; eu apenas sorri. –, Sirius Black, Peter Pettigrew, e, naturalmente, seu pai, Harry, James Potter. Agora, meus amigos não puderam deixar de notar que eu desaparecia uma vez por mês. Eu inventava todo o tipo de histórias. Dizia que minha mãe estava doente, que tinha ido em casa vê-la. Ficava aterrorizado em pensar que eles me abandonariam se descobrissem o que eu era. Mas é claro que eles, como vocês, Hermione e Verona, descobriram a verdade... E não me abandonaram. Em vez disso, fizeram uma coisa por mim que não só tornou as minhas transformações suportáveis, como me proporcionou os melhores momentos da minha vida. Eles se transformaram em Animagos. 

— Meu pai também? – perguntou Harry, espantado. 

— Minha mãe era animaga? – arregalei os olhos.

— Certamente. Eles gastaram quase três anos para descobrir como fazer isso. Seu pai, Bella e Sirius eram os alunos mais inteligentes da escola, o que foi uma sorte, porque se transformar em Animago é uma coisa que pode sair barbaramente errada, é uma das razões por que o ministério acompanha de perto os que tentam. Peter precisou de toda a ajuda que pôde obter de James, Bella e Sirius. Finalmente no nosso quinto ano, eles conseguiram. Podiam se transformar em um animal diferente quando queriam. 

— Como isso ajudou o senhor? – eu e Hermione perguntamos, confusas.

— Eles não podiam me fazer companhia como seres humanos, então me faziam companhia como animais. Um lobisomem só apresenta perigo para gente. Eles saíam escondidos do castelo todos os meses, encobertos pela Capa da Invisibilidade de James. E se transformavam. Peter, por ser o menor, podia passar por baixo dos ramos agressivos do Salgueiro e empurrar o botão para imobilizá-lo. Os outros três, então, podiam escorregar pelo túnel e se reunir a mim. Sob a influência deles, eu me tornei menos perigoso. Meu corpo ainda era o de um lobo, mas minha mente se tornava menos lupina quando estávamos juntos. 

— Anda logo, Remo. – rosnou Black, que ainda observava Perebas - Peter, tanto faz. 

— Estou chegando lá, Sirius. Bom, abriram-se possibilidades extremamente excitantes para nós do momento em que conseguimos nos transformar. Não demorou muito e começamos a deixar a Casa dos Gritos e perambular pelos terrenos da escola e pelo povoado à noite. Sirius e James se transformavam em animais tão grandes que conseguiam controlar o lobisomem. E Bella... Hum, sua forma animaga atraía, de certa forma, o lobisomem. Duvido que qualquer aluno de Hogwarts jamais tenha descoberto mais a respeito dos terrenos da escola e do povoado de Hogsmeade do que nós. E foi assim que acabamos preparando o Mapa do Maroto, e assinando-o com os nossos apelidos. Sirius é Almofadinhas, Peter é Rabicho, e James era Pontas. – ele se virou para mim. – Sua mãe era, ironicamente, Lupina. 

— Eu que escolhi esse nome, por sinal. – Black comentou. 

— Uma escolha terrível. – Lupin revirou os olhos, embora sorrisse levemente. 

— Por que o nome dela não está no mapa? – indagou Harry, curioso. 

— Bem... É uma história um tanto quanto delicada. – Lupin começou. – Creio que você já saiba o que aconteceu, Verônica. – assenti. – Apesar de ter nos ajudado, o que aconteceu foi que ela acabou se afastando completamente; além de todos os feitiços que o mapa já possui, há também um feitiço extra, posto para esconder o nome dela. Acabamos ficando extremamente magoados com as coisas que ela fez, mas ela realmente nos ajudou, então agradecemos a ela mesmo assim. Só que apenas com um feitiço somos capazes de ver o seu nome no mapa. – explicou.

— O que ela fez? – Harry perguntou, curioso. 

— Creio que essa seja uma história para outra hora, Harry. – o professor disse gentilmente. 

— Mas a coisa continuava a ser realmente perigosa! Andar no escuro em companhia de um lobisomem! E se o senhor tivesse fugido deles e mordido alguém? – indagou Hermione. 

— É um pensamento que ainda me atormenta – respondeu. – E muitas vezes escapávamos por um triz. Nós nos riamos disso depois. Éramos jovens, irresponsáveis, empolgados com a nossa inteligência. Por vezes eu sentia remorsos por trair a confiança de Dumbledore, é óbvio... ele me aceitara em Hogwarts, coisa que nenhum outro diretor teria feito, e sequer desconfiava que eu estivesse desobedecendo às regras que ele estabelecera para a segurança dos outros e a minha própria. Ele nunca soube que eu tinha induzido quatro colegas a se transformarem ilegalmente em Animagos. Mas eu sempre conseguia esquecer meus remorsos todas as vezes que nos sentávamos para planejar a aventura do mês seguinte. E não mudei. – o rosto de Lupin ficou rígido, e sua voz tinha um tom de desgosto. 

— Durante todo este ano, lutei comigo mesmo, me perguntando se devia contar a Dumbledore que Sirius era um Animago. Mas não contei. Por quê? Porque fui covarde demais. Porque isto teria significado admitir que eu traíra sua confiança enquanto estivera na escola, admitir que influenciara outros... E a confiança de Dumbledore significava tudo para mim. Ele me admitira em Hogwarts quando garoto, e me dera um emprego quando eu fora desprezado toda a minha vida adulta, incapaz de encontrar um trabalho remunerado porque sou o que sou. Então me convenci de que Sirius estava penetrando na escola por meio das artes das trevas que aprendera com Voldemort, que o fato de ser um Animago não entrava em questão. Então, de certa forma, Snape tinha razão quanto à minha pessoa. 

— Snape? – exclamou Black, olhando Lupin. – Que é que Snape tem a ver com isso? 

— Ele está aqui, Sirius. – respondeu Lupin seriamente. – É professor em Hogwarts também. – e voltou a olhar para nós. – O Prof. Snape frequentou a escola conosco. Ele se opôs fortemente à minha nomeação para o cargo de professor de Defesa contra as Artes das Trevas. Passou o ano inteiro dizendo a Dumbledore que eu não sou digno de confiança. Ele tem suas razões. Entendem, o Sirius aqui pregou uma peça nele que quase o matou, uma peça de que participei. 

— Foi bem feito para ele – desdenhou Black. – Espionando, tentando descobrir o que andávamos aprontando... Na esperança de que fôssemos expulsos... 

— Severo tinha muito interesse em saber aonde eu ia todo mês – contou o Prof. Lupin. – Estávamos no mesmo ano, entendem, e não... Hum... Não nos gostávamos muito. Ele gostava apenas de Bella, creio eu; ele não gostava nada de James. Ciúmes, acho eu, do talento de James no campo de Quadribol... Em todo o caso, Snape tinha me visto atravessar os jardins com Madame Pomfrey certa noite quando ela me levava em direção ao Salgueiro Lutador para eu me transformar. Sirius achou que seria... Hum... Divertido, contar a Snape que ele só precisava apertar o nó no tronco da árvore com uma vara longa para conseguir entrar atrás de mim. Bem, é claro, que Snape foi experimentar, e se tivesse chegado até a casa teria encontrado um lobisomem adulto, mas seu pai, que soube o que Sirius tinha feito, foi procurar Snape e puxou-o para fora, arriscando a própria vida. Snape, porém, me viu, no fim do túnel. Dumbledore o proibiu de contar a quem quer que fosse, mas desde então ele ficou sabendo o que eu era. 

— Então, basicamente, o Snape não gosta do senhor por achar que o senhor queria matá-lo? 

— Isso mesmo. – zombou uma voz vinda da parede atrás de Lupin, me interrompendo. 

Snape estava removendo a Capa da Invisibilidade e segurava a varinha apontada diretamente para Lupin.

—...Ou apenas por ser um babaca? – completei em um sussurro.



Notas finais do capítulo

então, gostaram??? comentem! ♥ (nem que seja só pra me xingar q)
eu não fiquei 100% satisfeito com esse capítulo e, apesar de revisar, tenho certeza de que devem haver alguns erros aí (meu programa de escrita só tem corretor em inglês e deu >>muitaobrigado por lerem e obrigado por não terem desistido de mim ♥ (a não ser q vcs tenham desistido, né, aí eu tô agradecendo por nada)
amo vcs strogonoffzinhos ♥

atualizaçãozinha do dia 12/10: fiz algumas mudanças nos capítulos 19 (a música) e 20 (reescrevi parte da conversa jerona) szsz



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