30 Day OTP Challenge escrita por Kaline Bogard


Capítulo 11
Capítulo 11 - Seja forte


Notas iniciais do capítulo

Autor: Kaline Bogard
Day 11 Wearing kigurumis
Genero: romance, humor leve, angst leve
Aviso: spoiler
Link do desafio: http://30dayotpchallenge.deviantart.com/journal/30-Day-OTP-Challenge-LIST-325248585

O mesmo de sempre: mais um capítulo sem betar blablabla desculpem os erros blablabla



Após ouvir a explicação da recepcionista Derek balançou a cabeça em agradecimento e afastou-se do balcão em direção as cadeiras da recepção. Ele estava ali para ter notícias do tio que passava por uma nova intervenção. A terceira desde que o homem saíra da UTI.

Peter era um dos três últimos Hale, sobrevivente do incêndio que dizimara sua família. Mas não escapara ileso: tinha queimaduras profundas e terríveis deformando seu rosto, um ferimento tão profundo que nem o fator de cura sobrenatural ajudara a curar. E o homem estava em um estado de catatonia. Talvez nunca superasse o trauma.

Laura Hale, a mais velha, fora chamada a delegacia novamente, para saber detalhes do andamento das investigações. A prova definitiva de algo que já desconfiavam: o incêndio ter sido um ato criminoso.

Derek não queria pensar nisso agora. Não queria pensar na família assassinada covardemente, humanos e lobisomens, nem imaginar a dor que sentiram em seus derradeiros momentos. Se começasse a pensar demais seu coração adolescente não agüentaria.

O importante era estar ali e dar apoio para Peter, quando ele saísse da sala de cirurgia. Laura estava ocupada e não sobrara mais ninguém da até então numerosa família...

Ele se sentara na primeira fila das cadeiras desconfortáveis. O lugar estava vazio e silencioso. Com exceção dele e da mulher da recepção. Um tanto incomodado olhou para ela, que continuava concentrada preenchendo formulários.

Alguma coisa no local estava deixando seu lobo inquieto. Primeiro pensou que fosse o cheiro de tristeza e desesperança que as pessoas deixavam em uma sala de espera, mesmo que já tivessem partido.

Ainda era jovem e não controlava os sentidos sobrenaturais muito bem, mas para surpresa de Derek ele percebeu que não era a sensação deixada por alguém que passara por ali. A sensação era de alguém que ainda estava ali! Alguém faminto, ficou bem claro e não vinha da mulher na recepção.

Curioso e confuso, olhou ao redor. Estreitou os olhos concentrando-se ao máximo. A sensação vinha direto do fundo da sala, da última fileira de cadeiras. O lobisomem hesitou brevemente, mas acabou levantando-se e indo até lá verificar.

Encontrou um garotinho deitado no banco, com as mãos cruzadas sobre a barriga. Os grandes olhos castanhos voltaram-se para Derek observando-o com a mesma curiosidade com que era observado. Ele usava um curioso traje amarelo, que parecia um pijama. Porém de um estilo que Derek nunca vira antes.

– Oi! – o menino sorriu e Hale viu que faltava um dente de leite na fileira de cima.

– Oi – respondeu de volta – Está perdido?

– Não! – a criança respondeu se sentando direito na cadeira – Meu pai vem me buscar eu. Ele é o xerife. Mas ele ta atrasado.

– Ah...

– Eu veio visitar a mamãe. Ela ta internada aqui. Minha mamãe ta com câncer. Eu não sabe o que é isso de câncer. Acho que o câncer tira a energia, porque a mamãe ta fraquinha. Por isso hoje eu sou o Pikachu e vim dar energia pra mamãe.

Derek ergueu as sobrancelhas, surpreso com a enxurrada de palavras. Não compreendeu a última parte, mas sentiu-se penalizado pela situação do menino. Tão jovem e passando por algo tão doloroso, ainda que a inocência infantil amenizasse um pouco e o protegesse da cruel realidade. Acabou sentando-se ao lado dele, assim fazia companhia até que o pai chegasse.

– Não encosta! – o garotinho arregalou os olhos e se afastou para o lado – Eu sou o Pikachu! Se você encostar vai levar um chocão assim. O Pikachu é o Pokemon mais melhor de todos, ele nunca perde. Ele é forte. O papai diz que eu tem que ser forte para ajudar a mamãe. Então eu vai ser forte que nem o Pikachu.

– Ah, obrigado pelo aviso, Pikachu – a frase clarificou um pouco as coisas, claro que Derek já ouvira falar sobre aquele desenho. Conseguiu até associar o pijama que o menino usava com o personagem fictício – Como se chama quando você não é o Pikachu?

– Stiles! – respondeu e brindou Derek com o sorriso janelinha iluminando o rosto salpicado de pintinhas.

– Prazer, Stiles. Eu sou o Derek.

– Prazer. Mas não conta para ninguém que eu é o Stiles.

– Pode confiar em mim – o lobisomem analisou a criança ao seu lado. Por um segundo uma dor esmagadora atravessou-lhe o coração. Flashes aleatórios do passado vieram a mente do jovem. Cenas de jantares em família, feriados, reuniões cheias de vida e alegria, com crianças da idade daquele menino, enérgicos... inocentes.

Naquele momento Derek se deu conta de que conviver com aquela ausência, com aquelas preciosas lembranças seria o preço a se pagar por ter sobrevivido. Talvez o tempo amainasse o sofrimento, porém nunca o afastaria por completo.

– Derek...? – o banguelinha perguntou intrigado pela expressão distante do rapaz.

– O que foi?

– Sua mamãe também ta com isso de câncer? Eu pode ir até lá no quarto dela e dar um pouco de energia. Ela vai melhorar se eu fazer isso!

Foi impossível não sorrir.

– Obrigado. O problema não é minha mãe – sua voz soou distraída. Então lembrou-se do motivo que o incomodara a princípio – Você está com fome?

– Um pouco! Meu papai ta atrasado. Ele é o xerife e prende os bandidos. Eu acho que ele vai prender quem roubou a energia da mamãe e deixou ela com isso de câncer. Aí ninguém no mundo todo vai ficar com câncer. Meu papai é o Raichu! Eu vou ser o Raichu quando mim crescer. Você também é um Pokemon? Derek pode ser o Charizad. Não, não pode. O Charizard me da um pouquinho de medo, mais só um pouquinho. E o Derek não me dá medo.

O lobisomem balançou a cabeça diante da tagarelice, como se acreditasse seriamente em tudo o que ouvia. Ele não tinha pretensões de destruir a ilusão do garotinho.

– Não sou um Pokemon.

Stiles girou os grandes olhos castanhos e respirou de forma ruidosa.

– É de mentirinha, Derek! Eu não sou o Pikachu de verdade! Mas nem conta pro câncer, senão ele num vai embora. Promete?

– Prometo. Espere aqui que eu vou pegar algo para você comer, está bem?

– Oba!

Derek levantou-se e foi pedir informações para a recepcionista sobre um lugar onde pudesse comprar guloseimas e ela lhe indicou a cantina que tinha acesso contornando o prédio. O rapaz até que foi rápido, mas quando ele voltou com duas barras de chocolate e uma garrafinha de suco, o Pikachu banguela não estava mais ali. A funcionária explicou que o xerife tinha acabado de sair dali com o filho.

Hale ficou triste por sequer ter tido a chance de se despedir, voltou a sentar-se numa das cadeiras e aguardou por horas. O procedimento de Peter foi bem sucedido e ele recebeu alta no dia seguinte, saindo do hospital direto para uma casa de repousos. Derek foi embora para viver com Laura e a vida entrou nos trilhos. Beacon Hills passou a ser parte do passado e ali ficou. Ainda que vez ou outra as imagens de um sorriso faltando um dente e de pijamas japoneses flutuasse em sua mente, fazendo um sorriso suave bailar por seus lábios.

D&S

Anos depois, quando Derek veio investigar o Alpha que rondava Beacon Hills um cheiro conhecido de inocência e juventude o envolveu. Um aroma que o lembrou de sorrisos com janelinha e pijamas do Pikachu, o Pokemon mais forte de todos.

Ele soube perfeitamente quem encontraria. E como o encontraria. Não apenas pelo que revelava aquele cheiro tão peculiar, mas pela forte intuição que o acompanhara todos os dias dos últimos anos. Derek nunca encontrara outra pessoa com uma alma tão pura quanto a daquele garotinho e tão iluminada criatura não mudaria fácil.

Por isso sequer tentou lutar contra o sentimento que carregava no fundo coração e que explodiu ao confirmar suas suspeitas: Stiles continuava aquele menino lindo, maravilhoso por dentro e por fora. O humano que conseguira algo impossível até então, fazer Derek abrir as portas do coração e permitir que alguém entrasse sem ressalvas.

Fim



Notas finais do capítulo

Gostou? Não gostou? Deixa um review!!

Eu achei que esse ia ser estupidamente chato! Afinal...é um kigurumi... mas até que eu gostei do resultado final. Espero que vocês gostem também. Ah, os erros na fala do Stiles foram propositais, é claro xD

Próximo da lista:

12- Making out

Para esse eu já tenho uma leve idéia! 8D



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