O Olho Vermelho escrita por Igor L S C Oliveira


Capítulo 107
Estratagema




Segundo Andar do Pandemonium, “Labirinto Eterno”

 

SENJUR ESTAVA DE JOELHOS NO CHÃO, COBERTO PELO SEU PRÓPRIO SANGUE. Marcas deixadas por garras podiam ser vistas por praticamente todo o seu corpo, cortes profundos e violentos que sangravam intensamente. Um de seus olhos tinha de se manter constantemente fechado devido ao sangue que teimava em escorrer para cima dele de uma ferida em sua testa, mas com o que conseguia manter aberto ele encarava firmemente seu irmão, rangendo os dentes a cada minuto que via o sorriso imundo nos lábios dele.

— O que diabos aconteceu com você? – Murmurou Senjur entre uma respiração e outra, com certa dificuldade. – Eu me lembro de você, Presas. Lembro-me de como você era quando éramos crianças. Você era bom, nobre! Você era aquele que sempre me protegia quando alguém tentava fazer alguma coisa contra mim, e era um dos mais prestativos do vilarejo! O que aconteceu para que alguém como você acabasse se juntando a um grupo como o Olho Vermelho?

— Aconteceu o mundo, maninho – respondeu Presas, divertido. – Diga, você realmente acredita nessa visão idealista sua? Talvez sim, não é? Não acho que posso te culpar realmente por isso. Quero dizer, você sempre foi mimado a vida toda. Sempre teve alguém que te protegia enquanto era criança, e assim que começou a crescer um pouco o Pai arranjou para que você fosse ao Salão Cinzento, treinar com os melhores dos cavaleiros! Você nunca viu o mundo como eu vi, nunca experimentou na pele o que eu senti. É normal que alguém mimado dessa forma não tenha a menor noção de como as coisas realmente funcionam!

— Como as coisas funcionam? – Pelo simples tom da sua voz já era possível dizer que Senjur estava confuso. – O que você quer dizer com isso?

— Quero dizer que, ao invés de como você e os cavaleiros pensam nas suas cadeiras confortáveis, o mundo não é um conto de fadas, maninho. Ele é cruel, muito cruel. Para colocar em termos que você entenda, pense no mundo como um monstro feio e grotesco, que come a sua carne e palita os dentes com os seus ossos. Quando você sai pelo mundo sozinho, sem o apoio de mais ninguém, você se fode meu irmão, e com força. Você cai, e cai, e cai, quase como a economia, mas com mais força ainda. E quando você pensa que as coisas estão começando a melhorar, o mundo te dá uma rasteira, só pra te lembrar que você não tem o direito de ter esperanças. – Os braços de Presas se abriram e suas garras reluziram, ganhando novamente o brilho azulado que Senjur havia visto nelas várias vezes, sempre antes dos ataques de seu irmão. – Mas, ei, de que adianta eu te explicar essas coisas? Afinal de contas, você é só um garoto mimado!

Senjur ainda tentou reagir. Ele sacou rapidamente a sua espada e começou a avançar contra seu irmão em um único movimento, mas tudo que ele conseguiu com isso foi colocar-se ainda mais vulnerável ao ataque, pois por mais rápido que ele pudesse ser, Presas também não era lento. As garras do lobo de prata dilaceraram através da sua carne como se seu corpo fosse feito de papel, e sangue se espalhou para todos os lados.

Os olhos se arregalaram, e então sua pupila pareceu encolher. Seu corpo todo tremeu, e a espada escapou das suas mãos. Seu corpo pendeu na diagonal e caiu, bem ao lado de Presas, que sorria imensamente enquanto via isso.

Mas então ele se surpreendeu. Enquanto o corpo dele caia, Senjur de alguma forma conseguiu tirar forças o suficiente para se apoiar em cima de uma de suas pernas – o que foi mais do que o suficiente para que ele apanhasse sua espada enquanto ela caia com uma de suas mãos e movesse-a rapidamente, pegando seu irmão desprevenido. A lâmina cortou pelo pescoço dele, e o sorriso de Presas foi perdido ao mesmo tempo em que sangue esguichou da sua nova ferida.

— Mas, o quê...?! – Ele saltou rapidamente para o lado afim de evitar novos golpes, e seus olhos dispararam para seu irmão, furiosos. Uma de suas mãos cobriu a ferida; embora ela não fosse fatal para alguém como ele, ainda doía demais, e o sangue que estava perdendo com ela não era brincadeira. – Seu miserável... como?! Como você ainda tem forças para lançar um ataque como esse?!

— Arr... arf... haa... haaa... – seu irmão arfava como se seus pulmões pudessem parar de funcionar a qualquer momento. Ele havia apoiado também a ponta de sua espada no chão para tentar se manter de pé, mas mesmo assim era óbvio que ele estava tendo dificuldades. Ainda assim, seus olhos se ergueram para fitar Presas. Tanto o que estava completamente bom quanto o que sangue caia sobre ele; ambos se abriram, e ambos fitaram o homem-lobo com nada menos do que puro desprezo. – Monstro. Você... você é um monstro. Não é meu irmão... seu monstro... seu monstro maldito e asqueroso...!

Em sua fúria, Senjur tentou avançar contra Presas, e isso foi um erro. No momento em que ele começo a fazer seu movimento, seus olhos perderam o brilho. Seu corpo desabou, e ele não teve a chance de fazer nada mais do que jogar a espada de lado antes que caísse inconsciente ao chão.

De onde estava, Presas fitou seu irmão com uma ira quase que ardente nos olhos. Aquele bastardo... ele tirou forças sei-lá-de-onde só pra lançar um último golpe contra mim?! Aquilo havia sido perigoso, muito perigoso. Eu pensei que o miserável não era capaz de me matar, mas se ele tivesse um pouco mais de força ou tivesse cortado um pouco mais alto, eu seria um corpo no chão a essa hora. Pensar daquele jeito lhe deixava revoltado, fazia com que ele tivesse vontade de esmagar a cabeça dele com seus pés. Maldito... quem você acha que é, pirralho? Você é só um garoto mimado! Acha que tem algum direito de fazer algo contra mim? De ser mais forte do que eu? Você faz alguma ideia do que eu sofri para que você tivesse a sua vidinha privilegiada?! Não, não, era óbvio que não. Afinal de contas, Senjur era só uma criança mimada. Para ele o mundo era feito de fadas e arco-íris, preso numa primavera sem fim. Uma criança mimada como ele... não tem direito de viver nesse mundo!

Suas pernas se dobraram e sua boca se abriu, mostrando seus dentes afiados. Travou sua visão sobre Senjur e estava prestes a saltar contra ele quando sentiu algo vindo em sua direção. Por puro instinto ele ergueu seu braço para bloquear o que quer que vinha, e com suas garras ele bloqueou a lâmina de uma espada empunhada por ninguém menos do que Enderthorn, o Vampiro, que encarava Presas com olhos sérios e o queixo cheio de sangue.

Ficou surpreso ao ver que alguém como ele havia conseguido lançar um ataque como aquele, mas só por um momento. Logo notou o sangue no seu queixo, e então sorriu. Ah. Então, o Vampiro fez o que se espera dele, não é? Considerando o que havia feito com a cavaleira e que estava enfrentando Senjur durante todo aquele tempo, só era possível que uma pessoa tivesse servido como lanchinho de Enderthorn, e foi justamente ela que ele viu correndo. Bryen Hardying... abandonando seu companheiro? Pelo que os relatórios haviam dito, Bryen era uma jovem brava e valente que nunca recuava. Pelo chute que ela havia lhe acertado antes, não negava que ela era brava. Mas talvez ela não fosse tão valente assim. Hum. Uma menina que vem para um campo de batalha e acha que sabe lutar por poder balançar uma espada. É uma pena que eu não tenha a matado antes.

— Ah, Enderthorn! Eu ouvi tanto sobre você! Tenho que admitir, é lisonjeante que você esteja se dando ao trabalho de me enfrentar, principalmente considerando que eu não esperava isso. Certamente não depois que você chegou aqui daquele jeito, semimorto. – Colocou força por trás de suas garras e com um movimento conseguiu afastar Enderthorn, forçando o cavaleiro a recuar e criando alguma distância entre eles. – Mas, ei, você tem certeza que quer perder tempo comigo aqui? Sua amiguinha ruiva está indo embora... – comentou ele, movendo seus olhos em direção a Bryen de forma provocativa.

— Eu sei disso – retrucou Enderthorn, e só pelo tom de voz dele já foi capaz de dizer que isso o irritava bastante. Teve que se conter para não gargalhar abertamente ao ouvir aquilo. Excelente. — Ela que faça o que quiser. Eu já tenho o que precisava.

Oh, sim? Aquele comentário podia ser pouco, mas somado ao que havia visto, conseguia tirar algumas conclusões dele. Vejamos... o que será que aconteceu? Será que o casalzinho brigou e ela correu pra casa da mãe? Ou talvez ela tenha cortado o cabelo e ela não notou, e ela fugiu com o coração partido? Ou, meu preferido, talvez ele tenha decidido que precisava voltar a se juntar a batalha, e para fazer isso ele bebeu do sangue dela a força. Como ela é uma aliada, ele não a matou, mas isso foi o suficiente para fazer com que ela fugisse correndo, cheia de raiva e rancor dele, enquanto ao mesmo tempo ele está irritado por ela não compreender o seu lado. Uma clássica briga de casal. Aquilo seria meigo, se não fosse hilariante. Bom, isso não faz diferença de qualquer forma. Senjur era o único ali que representava alguma ameaça para ele, e agora que havia o derrotado, todos os outros estavam destinados a morte.

Ainda segurando seu pescoço com uma das mãos, Presas avançou contra Enderthorn brandindo suas garras. Elas rasparam pelo ar em um zunido antes de irem contra o rosto dele, mas quando estavam prestes a atingi-lo o cavaleiro ergueu a lâmina de sua espada e colocou-a no caminho do golpe, bloqueando-o com sucesso, ainda que tivesse de colocar um tanto de dedicação por trás disso. Hehe, por mais que você possa ter usado o sangue para se recuperar, você não está curado. Havia lido sobre a habilidade de Enderthorn, e as informações que o Olho Vermelho colheu eram bem úteis. Beber sangue lhe fornecia um aumento considerável dos atributos físicos, permitia com que ele ignorasse dor e a maior parte dos ferimentos por um certo período de tempo e também lhe concedia uma regeneração um pouco acelerada, apesar de não ser nada comparada a regeneração de criaturas como os demônios. Considerando como as coisas tem acontecido, acho que o mais certo é dizer que ele ainda não teve tempo para se curar adequadamente de todas aquelas feridas. O que significa que, por mais que ele esteja de pé, ele ainda está em um estado bem fragilizado. E isso era simplesmente perfeito para Presas.

Afastou sua garra um pouco, apenas para que pudesse movê-la em um novo golpe contra ele, dessa vez com mais força ainda. O cavaleiro foi esperto o suficiente para não tentar bloquear esse; ao invés disso ele se agachou o suficiente para que sua garra passasse sobre ele, e aproveitou-se da sua posição para mover sua lâmina contra o estômago de Presas. A lâmina de aço passou inofensivamente por ele, sem lhe arranhar, sem sequer conseguir lhe tocar. Depois de verem isso tantas vezes, você acharia que esses idiotas já teriam entendido que algo assim não vai funcionar, mas não vou ser eu que vou reclamar por insistirem no mesmo erro. Não havia nada que eles pudessem fazer quanto a isso, e tinha de admitir que era hilariante ver as tentativas falhas deles de causar algum dano. Ergueu uma de suas pernas e chutou em direção ao queixo dele com todas as forças, mas Ender não era lento e parecia prever aquilo, girando para o lado tão rápido quanto pôde e conseguindo criar novamente uma certa distância entre eles.

 Novamente, foi Presas que tratou de encurtá-la. Avançou novamente contra Enderthorn, decidido a não dar tempo para que seu oponente reagisse, e desceu sua garra contra ele com tudo. Enderthorn viu aquele movimento e tentou se esquivar, mas quando ele começou a se mover o seu corpo parou bruscamente e uma expressão de dor cruzou seu rosto, e então Presas soube que por mais que ele tivesse bebido sangue para tentar se recuperar, os seus ferimentos não podiam ser simplesmente ignorados. Suas garras se cravaram no ombro direito de Enderthorn, e assim que conseguiu fazer isso Presas não perdeu tempo em puxá-las com força, arrastando-as pelo ombro de seu inimigo tanto quanto pôde e rasgando a carne por onde ela passava. A ferida que criou com seu golpe foi grotesca e violenta, fazendo com que o sangue de Enderthorn escorresse livremente ao chão e forçando o cavaleiro a morder seus próprios dentes com força descomunal para que não gritasse de dor. Mas não parou só com aquilo. Um golpe desses é capaz de ferir, mas não de matar. E francamente, eu já estou de saco cheio desses malditos cavaleiros! Liberou a mão que segurava a ferida em seu pescoço para movê-la contra Enderthorn em um golpe final, e por um momento ele pareceu prestes a atingi-lo com aquilo, mas então os olhos do cavaleiro brilharam com faíscas e ele desapareceu da sua vista.

O que diabos?! Suas garras rasgaram nada mais do que o ar, o que deixou claro que ele não havia feito algo tão simples como usar uma magia para se deixar invisível. Mas isso só deixam duas opções... e nenhuma das duas faz sentido. Os relatórios que li sobre ele mencionaram que ele era um mago-guerreiro, mas pelo que eles diziam, ele era apenas alguém com algumas habilidades mágicas relacionadas a eletricidade. Mesmo que ele tivesse mais magias do que essas ao seu dispor, é impossível que ele tenha uma magia de transporte instantâneo ou coisa do tipo – esse tipo de coisa é avançado demais para que ele tenha algo assim no arsenal sem que tenhamos conhecimento disso. E com essas feridas é quase absurdo pensar que ele poderia ter simplesmente saído correndo por aí ou coisa do tipo. Isso não faz sentido!

Foi então que sentiu o ataque. Sentiu uma lâmina afiada passar pelo seu peito, abrindo um corte do umbigo até a base do pescoço, fazendo com que seu sangue esguichasse para frente. Seus olhos se arregalaram, e antes que conseguisse se controlar, Presas caiu de joelhos no chão. Isso... isso é... absurdo... Aquele havia sido um ataque frontal, mas um que ele não havia visto e que não havia tido a menor chance de bloquear. Mas mesmo assim, mesmo sabendo disso, ele também sabia quem era o responsável por aquilo.

Seu rosto se virou lentamente, com certa dificuldade, e seus olhos fitaram as costas de Enderthorn com fúria e ferocidade quase que indomáveis.

Você...! — Graças aquele golpe ele sentia uma dor imensa, mas fez o seu melhor para ignorar essa dor enquanto se apoiava em suas mãos para sair mover suas pernas e sair daquela patética posição ajoelhada. – Como...? Como você...?!

— Como eu te ataquei? ... Mais simples do que parece. – A voz de Enderthorn veio entrecortada, marcada por golfadas de ar. Olhando para ele, era óbvio que a situação do cavaleiro também não era muito boa. Sua postura não tinha firmeza, fazendo com que ele tremesse constantemente e pendesse para um lado e para o outro, como se pudesse ir ao chão a qualquer instante. – Existe um limite de até o que o olho humano pode acompanhar, e os olhos de guerreiros são treinados de forma a conseguirem ir além desse limite, mas até mesmo esses olhos possuem o seu próprio limite, dependente diretamente do nível do guerreiro em questão. Movimentos que superam esse limite simplesmente não podem ser acompanhados por esses olhos, e se a velocidade for grandes o suficiente, é possível que até mesmo uma série de movimento passe despercebida. – Enquanto falava, Enderthorn ainda mantinha a mesma posição que tinha quando o viu; de costas para Presas, em posição de batalha, segurando sua espada com ambas as suas mãos. Mas a medida que ia falando ele lentamente ia também se voltando em direção ao lobo e abandonava a sua postura guerreiro, segurando desleixadamente sua espada com sua mão direita enquanto encarava seu oponente com seu clássico olhar seco e frio, mantendo uma postura imponente mesmo enquanto tão exausto. Foi no momento em que Ender se virou totalmente que notou algo; vez ou outra, faíscas elétricas eram visíveis correndo ao redor dele, e isso já foi o suficiente para lhe dar uma boa ideia do que havia acontecido. – Em outras palavras... desde que eu me mova rápido o suficiente, posso te cortar sem que você sequer perceba os meus movimentos. E para fazer com que eu me mova rápido, a minha eletricidade é bem prestativa.

Maldito... miserável...! Já tinha suas suspeitas, mas aquilo havia explicado tudo. Ele envolveu seu corpo com eletricidade par aumentar a sua velocidade a um nível que meus olhos não conseguiram acompanhar. Mas como?! Dentre os membros do Olho Vermelho, Presas era reconhecido como o quinto mais forte. Ele deveria estar no mesmo nível de alguém como aquele cavaleiro, e mesmo deixando isso de lado, Enderthorn estava muito ferido, e já havia ficado claro que o seu sangue não lhe permitia ignorar completamente as suas feridas. O que significa que-

— Hunf. Seus pensamentos são tão transparentes que é quase como se estivesse os escrevendo para mim, Presas – resmungou o cavaleiro, interrompendo o raciocínio do homem-lobo e fazendo com que ele ficasse ainda mais irritado com a implicação por trás daquelas palavras. – “Como eu consegui me mover com essas feridas”, não é? Uma resposta simples para isso; depois de beber sangue eu me torno insensível a dor por algum tempo, dependente da quantia de sangue consumida por mim e pela qualidade desse sangue. Em outras palavras, eu não sinto dor nenhuma nesse momento, e as minhas feridas não me atrapalham em nada. E antes que você pergunte, sim, isso implica exatamente no que você deve estar pensando agora. Eu fingi que a dor me atrapalhou de me mover antes e deixei que você me acertasse. Um ombro rasgado em troca de um peito dilacerado... acho que essa é uma troca justa. – Ouvir que ele estava lhe fazendo de trouxa daquela forma fez com que a fúria de Presas ganhasse ainda mais força, fazendo com que ele rangesse seus dentes uns nos outros, ansioso pela chance de cravar seus dentes no pescoço do miserável, mas ele não havia acabado ainda pelo que parecia. – Quanto a sua outra pergunta... creio que você estava pensando em algo como “como ele conseguiu se mover tão rápido”, certo? Bem, a resposta para essa é bem simples também. A eletricidade aumenta a minha velocidade, fazendo com que eu me mova bem mais rápido do que de costume, mas francamente, embora isso seja o suficiente para me dar uma vantagem sobre meus oponentes, está bem longe de ser o bastante para que eles não sejam capazes de me acompanhar, ou ao menos que eles não sejam capazes de acompanhar uma sequência de movimentos como essa que eu fiz: saltar para trás, sacar a espada, avançar, cortar você e seguir em frente. Ninguém que está em um nível relativamente parelho com o meu é lerdo a esse ponto, o que nos leva a resposta: você não é tão bom quanto acha que é, Presas. Verdade seja dita, você é um fracassado, um fracote que não é um décimo do que o seu irmão é, seja como homem, seja como guerreiro. A única coisa que faz com que você seja razoavelmente formidável é a sua Aloeiris problemática, mas acredite em mim, esse é o seu único trunfo.

Aquelas palavras foram a última gota. Rugiu com força o suficiente para que sua voz ecoasse pelas paredes do Pandemonium, e avançou contra Enderthorn de forma agressiva, focado em nada mais do que fazer o mais estrago possível naquele miserável. Para alguém que falava tanto, ele falhou miseravelmente em reagir a isso. Seu punho atravessou o peito de Enderthorn até emergir sangrento do outro lado, no meio das costas dele, e o olhar que viu quando olhou para os seus olhos foi de pura surpresa e descrença – algo que normalmente faria com que Presas sorrisse pela ironia daquilo, mas estava irritado demais naquele momento para expressar qualquer tipo de alegria. E por isso, tudo que fez foi puxar seu punho de volta com força, arrancando mais sangue e deixando que o corpo do cavaleiro fosse ensanguentado ao chão.

— Você fala demais, Vampiro. – Disse o lobisomem, enquanto via com seus olhos o cavaleiro cair sobre uma poça do seu próprio sangue, seus olhos ainda arregalados naquela perpétua expressão surpresa.

Desferir aquele golpe não havia sido o suficiente para acalmar a sua ira, no entanto, não havia sido nem de longe o suficiente. Ainda sentia-se furioso, furioso o suficiente para esmagar o crânio de Enderthorn, e era exatamente isso que estava decidido a fazer. Ergueu um de seus pés até que ele repousasse acima da cabeça do cavaleiro, respirou fundo e desceu-o com todas as forças... apenas para que ele fosse bloqueado. No último instante, quando ele estava prestes a esmagar o rosto presunçoso e arrogante do cavaleiro, as mãos de Enderthorn se ergueram em sua defesa, e de alguma forma ele conseguiu segurar seu golpe com força o suficiente para que falhasse em tocá-lo. Você tem de estar de sacanagem comigo!, pensou Presas, frustrado. Como?! Como?! COMO?! Como esse filho da puta continua fazendo isso?! De onde diabos ele tira todo esse poder?! Qualquer um já deveria estar morto a essa altura, seja pelos danos sofridos, seja pela exaustão. Mas Enderthorn se recusava a morrer e insistia em ficar vivo, se agarrando a vida como um homem faminto se agarra a um pouco de comida. Isso é possível? Isso é sequer fodidamente possível?! Não conseguia entender toda aquela persistência, e isso lhe deixava cada vez mais irritado.

E a risada que veio da garganta de Enderthorn logo em seguida só mexeu ainda mais com os seus nervos.

O QUE É TÃO ENGRAÇADO?! — Esbravejou o lobo, gritando com toda a força dos seus pulmões, com suas feições retorcidas em uma máscara hostil e selvagem graças a toda a sua fúria. – Você está fodido, Enderthorn, fodido! Seus companheiros estão mortos, derrotados ou te abandonaram! Seu corpo está quebrado! Você está enfrentando a mim, um oponente que você nem sequer consegue tocar! Essa é praticamente a pior situação possível, mas ainda assim, você insiste em rir! O QUE PORRA É TÃO ENGRAÇADO?!

— O fato de que até agora você não se deu conta disso – retrucou Enderthorn, mostrando um sorriso ensanguentado com ar de vitória para Presas. – Você perdeu, lobo.

Por algum motivo, aquelas palavras foram além da fúria de Presas. Elas tocaram mais fundo, bem em sua consciência. Eu... perdi...? Não entendeu o que aquilo significava, o que lhe deixou confuso, e Enderthorn aparentemente viu isso, pois ele logo começou a se explicar.

— A sua habilidade de se tornar incorpóreo é um pé no saco. Ela é uma habilidade bem problemática, principalmente para alguém que não sabe usar o Espírito em batalha. Mas ela não é perfeita, não é? Sua habilidade possui pontos fracos, pontos que podem ser explorados. Pontos como, por exemplo... o fato de que você precisa ativá-la conscientemente para que ela entre em efeito. O que significa que você precisa estar ciente de um ataque para poder usá-la para se defender dele, do contrário esse ataque consegue atingir o seu corpo normalmente. É por isso que, apesar da sua habilidade, conseguimos atingir o seu corpo real em vários momentos. Quando Bryen te chutou, quando minha espada colidiu com as suas garras, agora há pouco quando eu te cortei... todos esses ataques conseguiram acertar o seu corpo real, porque eles foram ataques surpresa, ataques pelos quais você não esperava. Estou certo, não estou?

Sentiu-se suar frio ao ouvir aquela declaração, e engoliu em seco na tentativa de tirar o bolo da sua garganta. Mi-miserável. Como foi que ele descobriu? Ele realmente conseguiu entender a minha habilidade com tão pouco? Aquilo era... problemático.

— Sim... o seu rosto me diz que acertei, heh. – O sorriso de Enderthorn se alargou um pouco mais ao dizer aquilo, e sua postura relaxou um pouco mais, repousando sua cabeça no chão. – Isso dito, eu devo dizer que essa fraqueza da sua habilidade é muito pouco. Não é necessariamente viável buscar te fazer dano apenas por meio de ataques surpresa. Tem que ter alguma outra coisa, algum outro ponto fraco. Isso é algo necessário. Se existe algo que eu aprendi nesse mundo é que não existe poder perfeito. Não importa qual seja a sua Aloeiris ou o quão poderosa ela possa ser, ela sempre terá um ponto fraco, algo que seus inimigos podem e vão usar contra vocês. Enquanto via você lutando contra Senjur eu pensei no que poderia ser o seu... e cheguei a uma conclusão.

Ergueu uma sobrancelha ao ouvir aquilo, mas Enderthorn não ofereceu resposta imediata. Ao invés disso, ele afastou uma das mãos com as quais segurava o pé de Presas do seu posto e a moveu até seu cinturão, alcançando uma adaga nele. Em uma situação normal, Presas iria se aproveitar disso para colocar mais peso sobre seu pé e esmagar logo o crânio de seu oponente, mas simplesmente não estava em um estado de raciocínio que lhe permitisse fazer isso naquele momento. Estava tão surpreso, confuso e embasbacado por tudo que estava acontecendo que essa possibilidade nem passou pela sua mente. Ele apenas observou passivamente enquanto a mão de Enderthorn voltou a se erguer, girou a adaga entre os dedos, e então a arremessou contra ele. A lâmina perfurou seu peito pouco acima do mamilo esquerdo, fazendo com que o lobo jogasse sua cabeça para trás e uivasse em dor.

— E isso acaba de comprovar a minha teoria – comentou Enderthorn com um riso amargo enquanto observava o sangue fluir do novo ferimento de seu oponente. – Você não é capaz de se tornar incorpóreo agora, não é? Você não é capaz de se tornar incorpóreo quando tem alguém segurando alguma parte do seu corpo, e isso vale para o seu corpo inteiro, certo? Eu chutei que essa poderia ser uma possibilidade, e você comprovou ela para mim. Em uma situação normal você nunca seria atingido por essa adaga. Você pode parecer um bocado lerdo agora, mas aposto que você já está usando isso a tempo o suficiente para ter algum tipo de instinto em relação a esse tipo de coisa. O que significa que, se você pudesse usar a sua habilidade para tornar o seu corpo incorpóreo, você teria usado ela. Mas, claro, você não teve esse luxo, não é? Não, não, claro que não. Afinal de contas, eu estou segurando o seu pé.

Aquilo lhe tirou da espécie de transe na qual ele havia ficado preso. Colocou imediatamente mais peso sob o seu pé, forçando-o contra Enderthorn, e isso fez com que o cavaleiro tivesse de rapidamente dedicar novamente ambas as suas mãos à sua defesa, apenas para que não tivesse seu crânio esmagado.

E O QUE TUDO ISSO SIGNIFICA AGORA?! — Questionou Presas, furioso. – Sim, você descobriu as minhas fraquezas. Meus parabéns. Quer uma medalha de “maior idiota do mundo” agora? Porque isso não muda nada! Mesmo que você saiba dos meus pontos fracos agora, você não está em condição alguma de se aproveitar de nenhum deles, e eu não vou deixar que você saia vivo daqui para abrir a boca para ninguém! Se quer dar tapinhas nas próprias costas por essa descoberta, então sinta-se à vontade, mas mantenha em mente que isso é completamente inútil para você!

— E até agora você não entendeu a situação na qual se encontra, não é? Eu já disse, Presas: você perdeu – afirmou Enderthorn, encarando firmemente o lobo mesmo enquanto se defendia do pé dele. – Você já deixou claro que não é muito esperto, então permita-me colocar as cartas na mesa para você. Você provavelmente achou que eu tinha brigado com Bryen antes e que por isso ela tinha ido embora, não é? Bom, novidades: isso foi uma atuação. Nós queríamos que você pensasse assim, porque isso era parte do plano. Eu nunca briguei com Bryen, eu planejei com ela. Nós planejamos tudo: a fuga dela, a minha luta contra você, e acredite ou não, planejamos até a duração da luta e os acontecimentos dela. Por que você acha que eu fiquei parado antes enquanto você perfurava o meu peito? Porque estava na hora disso acontecer. Eu precisava ser atingido por você para te dar confiança, tal como precisava ir ao chão para me posicionar corretamente. Nós te tocamos como um piano por toda essa luta, Presas. Cada movimento foi previsto, cada postura foi planejada. Nós tínhamos desde o início tudo em mente de forma a de manipular de acordo com as nossas necessidades, tudo isso para um único e último golpe. O nosso supremo estratagema!

Foi o tempo de Enderthorn declarar aquilo para que começasse a ouvir algo com seus ouvidos avançados. O som de algo se movendo rapidamente em sua direção. O som de passos, cada vez mais rápidos, cada vez mais próximos.

— Se você tivesse prestado um pouco mais de atenção nas coisas, você poderia ter entendido o nosso plano e reagido a ele. Mas claro, você não fez isso, fez? Não, não. Você sofre o mesmo problema que inúmeros guerreiros e magos com Aloeiris superpoderosas sofrem: você é confiante demais na sua habilidade. Você sabe que ela é poderosa, e isso faz com que você seja arrogante e se julgue inalcançável, e isso é algo que volta contra você. Diga-me, Presas... você sabia que, ao contrário do corredor pelo qual entramos, o corredor pelo qual Bryen correu daqui é reto? Uma longa linha reta que leva até a porta que dá para essa sala; isso é algo que eu observei enquanto você lutava com Senjur, e algo que é tremendamente útil para o que está por vir. Afinal de contas, para um ataque como esse, Bryen precisa de velocidade, de momento para o seu impacto!

O som dos passos pareceu se tornar ainda mais forte ao soar daquelas palavras, e Presas não hesitou; mesmo com Enderthorn lhe segurando ele se virou em direção a porta pela qual Senjur havia chegado, certificando-se de mover seu pé com mais força ainda na tentativa de desgarrar o cavaleiro dele. Não teve sucesso com isso; se tinha algo que alguém podia dizer sobre Enderthorn, era que esse era um homem persistente; ele insistiu em segurar o pé de Presas, e por mais que o desejo do lobo não fosse nada mais do que chutá-lo para longe dali, ele não teve a chance de fazer isso, pois naquele momento ela apareceu.

Bryen veio da porta subitamente já em um salto, brandindo sua espada com força pelo ar, seus olhos fixos em Presas. O avanço dela era rápido demais para que pudesse tentar dar um fim a Enderthorn de novo ou para que tivesse alguma chance de desviar enquanto tinha um peso como aquele cavaleiro, e com sua habilidade inutilizada pelo contato com aquele homem, Presas não tinha muitas opções. Merda... MERDA! Cruzou seus braços a frente do seu corpo na melhor defesa possível e, sabendo que não tinha mais nada que podia fazer, dedicou todos os seus esforços a tentar se defender do golpe que estava por vir.

Diante da lâmina da espada de Bryen, seus braços podiam muito bem serem feitos de papelão. A espada cortou através de ambos facilmente sem se deter por um momento sequer, passando direto para atingir o peito de Presas. O aço rasgou o homem-lobo do ombro esquerdo ao abdômen direito, fazendo com que ele jogasse sua cabeça para trás e uivasse de dor enquanto o sangue quente espirrava em Bryen, mas ela ainda não havia acabado. Aquele golpe havia sido brutal, mas desferi-lo havia sido apenas uma necessidade para que ela usasse a sua própria habilidade – a carta-trunfo com a qual Enderthorn estava contando. Existe também uma coisa da qual muitos guerreiros com essas Aloeiris poderosas se esquecem. O fato de eles terem essas Aloeiris poderosas implica na existência de outras pessoas pelo mundo, com Aloeiris tão ou até mais poderosas do que as deles! A habilidade de Presas fazia com que ele fosse praticamente intocável, e essa era sem dúvidas uma grande vantagem, mas a habilidade de Bryen garantia que ela só precisasse de um bom golpe para ganhar aquela luta.

Selamento! — Gritou ela, seus olhos brilhando, e então aquilo aconteceu. Veias surgiram por toda a parte superior do corpo de Presas, e os olhos ferais dele se arregalaram no que Enderthorn identificou imediatamente como sendo puro medo. Seu rosto se contorceu um pouco, voltando para frente com alguma dificuldade, e ele olhou para Bryen com olhos brancos dignos de dó, como se estivesse implorando para que ela lhe poupasse. Em resposta a isso ela apenas moveu novamente sua espada, golpeando e rasgando o rosto de Presas em um golpe que não era fatal, mas apenas feito para causar tanta dor e humilhação quanto possível ao homem-lobo. Ele abriu a boca para gritar em resposta a isso, mas nenhum som veio da sua garganta. Seus pulmões já estavam selados, e sem pulmões era impossível que alguém falasse.

Tal como, sem coração, era impossível que alguém vivesse.

Não demorou muito para que o corpo do seu inimigo caísse ao chão. Ele quase desmoronou sobre Ender, fazendo com que o cavaleiro tivesse de rolar para não ter o corpo dele sobre o seu, mas conseguiu evita-lo bem a tempo. Fortalecido pelo sangue que havia bebido antes, não teve muitas dificuldades em começar a se reerguer mesmo com um buraco no peito, e enquanto se levantava ele mantinha seus olhos sobre Presas, contemplando o estado final daquele oponente problemático. Seus braços haviam sido cortados pela metade pelo golpe principal de Bryen, fazendo com que eles estivessem agora apenas esguichando sangue enquanto um pedaço de osso saia de cada um. Seu peito havia sido retalhado tanto pelo corte de Enderthorn quanto pelo de Bryen, e nenhum dos dois havia sido bonito, o que fazia com que o buraco em seu ombro da adaga de Enderthorn parecesse ridiculamente pequeno. O corte em seu pescoço que Senjur havia lhe causado tinha sido bem violento também, e outras marcas das várias feridas que os golpes de seu irmão tinham lhe deixado eram claramente visíveis aqui e ali. Mas o pior de todos era o último ferimento, o que Bryen havia causado com esse último golpe. Ela havia cortado da metade da bochecha esquerda, passando pela boca até sair pelo lábio inferior direito e seguir pelo queixo do homem, tudo isso em um golpe violento que havia sido feito às presas e visando causar o maior dano possível, o que significava que aquele único ataque havia desfigurado tanto a metade inferior do rosto de Presas quanto todos os outros golpes haviam desfigurado o seu peito. Ele havia regredido a sua forma humana depois da sua morte, e isso só fazia com que a visão que tinha fosse mais brutal, o suficiente para que até mesmo alguém como Enderthorn não se sentisse bem olhando aquela cena. Bem, um fim brutal para um homem brutal. Valery... eu não sei se existe um mundo dos mortos ou coisa do tipo, mas se existir, espero que você possa tirar algum conforto em saber que demos a esse miserável uma morte tão brutal quanto a sua.

— Você está bem? – Demorou alguns instantes para que se tocasse que era Bryen que estava falando com ele, tão absorto que estava em seus pensamentos. A ruiva agora tinha o rosto e as roupas respingadas de sangue, fruto de todas as batalhas na qual havia se envolvido, mas ela não parecia se importar nem um pouco com isso. Eu tenho que admitir... essa mulher pode não ser uma cavaleira, mas ela certamente é alguém que poderia ensinar uma coisa ou duas a maioria das cavaleiras. Embora não discriminassem, os Cavaleiros do Salão Cinzento eram compostos quase que completamente por homens, e mesmo entre as mulheres que os integravam eram poucas as que tinham a verdadeira fibra que se esperaria de um cavaleiro, como Gwynevere ou Titânia. Bryen certamente seria somada a esse pequeno grupo seleto, se um dia se juntasse a eles. – Seu ferimento parece grave, e Senjur também está ferido. Venha comigo. Se não me engano, a médica do Coração Negro está cuidando dos feridos no Primeiro Andar. Ela vai cuidar de vocês.

— Posso ir até lá sozinho, e posso levar Senjur também – respondeu Ender calmamente, balançando negativamente sua cabeça quando Bryen estendeu uma mão para ele. – Você não está realmente ferida ao ponto de necessitar de cuidados, e existem coisas mais importantes nas quais você deve se focar, não concorda?

— Você é um companheiro – retrucou ela, um pouco ríspida, soando como se a possibilidade de que ela tivesse alguma coisa mais importante a fazer do que ajuda-lo lhe ofendesse. – Não há nada mais importante para mim do que ajudar um companheiro. Eu não vou simplesmente te abandonar, Enderthorn.

— Eu sei, mas existe um outro companheiro seu que precisa da sua ajuda, não? Um que tem um lugar mais especial no seu coração. – Era irônico: pelo que havia visto dela até agora havia chegado a conclusão de que Bryen era uma mulher dura, focada e muito mais madura do que sua aparente juventude podia sugerir. Mas ao ouvir aquelas palavras ela demonstrou pela primeira vez sua idade, corando e desviando o olhar rapidamente como uma garota encabulada. Isso foi irônico o suficiente para fazer com que Ender liberasse uma curta gargalhada seca que lhe conquistou um olhar furioso dela, mas ele ignorou esse completamente. – Relaxe. Não há nada de errado com isso, e se isso serve de consolo, eu sempre achei que vermelho e azul combinam mais como um casal do que como os rivais opostos que todos veem. – Pela forma como o olhar irritado dela se ampliou com aquilo, não achou que suas palavras lhe tranquilizaram muito. – Irritada, Hardying? Ótimo. Guarde essa sua raiva, só por um tempo. Guarde ela para o momento em que você salvar Kastor e dar um fim a essa guerra cortando a cabeça de Balak. Agora, vá lá. Eu cuido das coisas por aqui. Seu líder precisa de você.



Notas finais do capítulo

Primeiro Andar – O Mundo de Pedra

Ylessa VS Piromaníaco (Vencedora: Ylessa)
Bokuto VS Shiva (Vencedor: Bokuto)
Soulcairn VS Kong (Vencedor: Soulcairn)
Duke VS Bertold (Vencedor: Duke)
Breath, Denis, Zetsuko e Blair VS Alcatraz e Zumbis (Vencedores: Quarteto)
Jane VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Syd VS Cleus (Vencedor: Cleus)
Bokuto VS Cleus (Luta Interrompida)
Bokuto e Syd VS Ibur (Vencedores: Bokuto e Syd)

Segundo Andar – O Labirinto Eterno

Maoh VS Zaniark e Byron (Vencedor: Maoh)
Kyanna VS Steelex (Vencedora: Kyanna)
Teigra VS Behemoth (Vencedora: Teigra)
Mefisto VS Zumbi de Zephyr (Vencedor: Mefisto)
Hozar VS Reivjak (Vencedor: Hozar)
Enderthorn VS Octo Gall (Vencedor: Octo Gall)
Bryen VS Octo Gall (Vencedora: Bryen)
Goa VS Saber (Vencedora: Saber)
Anabeth VS Saber (Vencedora: Saber)
Cleus VS Saber (Em andamento)
Valery e Bryen VS Presas (Interrompida; Valery morta)
Senjur VS Presas (Vencedor: Presas)
Bryen e Enderthorn VS Presas (Vencedores: Bryen e Enderthorn)

Terceiro Andar – O Deserto de Ossos

Hozar VS Gunlamar (Luta Interrompida)
Trevor e Marco VS Gunlamar (Vencedores: Trevor e Marco)
Trevor e Marco VS Dokurei (Vencedor: Dokurei)
Ex VS Dokurei (Em andamento)

Quarto Andar – A Catedral

Hozar VS Tristah (Em Andamento)

Quinto Andar – Elísio

Kastor, Ekhart e Shell VS Balak e o Anjo de Sangue (Fragmentada)
Kastor e Ekhart VS Balak (Em andamento)
Shell VS Anjo de Sangue (Em andamento)

Primeiro Andar Subterrâneo – Terra das Bestas

Odin e Soulcairn VS Hashmaul e zumbis de Gwynevere e Ezequiel (Em andamento)

Segundo Andar Subterrâneo – Terras Úmidas

Titânia, Vaen, Chappa e Dayun VS Retalhador (Em andamento – Vaen e Chappa mortos, Dayun inconsciente)



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