Sobrevivendo ao inferno escrita por Alice Quinn


Capítulo 16
Memórias de Atlanta


Notas iniciais do capítulo

Hey, capítulo novo!! Yay. Boa leitura (; ah, e mais uma música para a playlist da fic se quiserem...
https://www.youtube.com/watch?v=Vu3n9iVqPxU




“Minha voz era um eco no escuro, é aquele tipo de situação em que tudo o que você quer fazer é gritar mas você não consegue. Eu não era capaz de me ouvir naquele momento, não havia ninguém além de mim, nada além de mim. Nem mesmo os gritos de pessoas agoniadas pela merda do apocalipse.

Minhas armas estavam muito mais do que longe de meu alcance, nem uma faca, ou uma arma de baixo calibre, era impossível pensar em algo para fazer agora,nem mesmo Daryl, principalmente Daryl, eu não encontrara ninguém. Eu estava completamente só.

A voz no meio de todo aquele eco, a única voz da qual eu conseguia me lembrar não somente neste pesadelo, mas em meu pesadelo real. Minha vida.

O único problema era que estava se afastando, eu não estava com medo por estar sozinha naquele maldito paralelo, mas por não saber se depois disso haveria alguém ao meu redor, simplesmente por estar ali por mim ou por que queriam apenas me matar, como todos têm estado desde que eu nasci.

A tortura, as cicatrizes que eu adquiri desde então, tudo isso me fez lembrar de que ninguém nunca realmente me queria por perto, na verdade nunca quis. Mas também não me orgulho de admitir que certas cicatrizes são muito mais profundas fisicamente do que nos sentidos psicológicos das mesmas. Algumas delas Daryl e eu adquirimos juntos.

Quais são elas? Talvez algum dia eu possa dizer qual é a origem de cada uma delas, mas acho que Daryl também ficaria muito puto comigo se eu contasse isso à alguém.

Parei de refletir ou pelo menos insistir nesse pensamento quando eu ouvi sua voz novamente, porém dessa vez não parecia tão distante. Pelo contrário, estava até perto demais. Sua voz se esvaiu quando ouvi o barulho tão conhecido, uma flecha. Praticamente filha única, mas aquela flecha definitivamente não pertencia a Daryl, mas sim a mim,ele estava usando as minhas flechas. Mas o estranho era que, aquela não era sua besta, e sim o meu arco.

_Daryl! O quê porra você...

_Sério mesmo que vai me perguntar o que eu estou fazendo aqui?

_Sei lá, caçando talvez? Quer dizer, achei que eu estivesse... Sozinha.”

Sol, a porra do sol, de novo! Odeio quando isso me acorda, fiquei um pouco desnorteada no momento em que foquei meu campo de visão em digamos uma “beleza superior” ao meu lado. Quando tentei reabrir meus olhos o sol praticamente me cegou. Então peguei a primeira coisa que vi em minha frente ou melhor ao meu lado, na mesa de cabeceira, uma faca, e simplesmente atirei-a na janela como se a faca fosse bloquear ou esfaquear o sol.

Minha mira não estava perfeita naquele momento, por que? Porque eu apenas joguei a faca como uma criança jogando a mochila no meio do quarto depois de chegar da escola. A faca atingiu a cortina e a mesma desabou atingindo a cômoda.

_Mas que porra! –Gritei para o nada. –

Ouvi Daryl pigarrear, eu não sei, talvez tentando dormir. Eu achei que ele ainda estivesse dormindo, mas então em questão de poucos milésimos de segundo ele estava do meu lado com a besta direcionada à janela.

­_Hey! O quê diabos você está fazendo com essa merda? – Dirigi-me à ele pegando a besta de sua mão. –

_Que porra foi essa? - Daryl me encarou tão fixamente que quase achei que ele pôde ver minha alma. –

_A culpa não é minha se quase fiquei cega com a merda do sol quase perfurando minha retina!

_E tinha mesmo que jogar a minha faca na porra da janela?!

_Acho que devíamos arrumar isso. –Falei me levantando da cama e indo em direção à janela. –

_Ally espera. Acho melhor deixarmos como está.

Encarei-o completamente confusa.

_Deixar como está? Por quê?

_Sei que você não quer ficar, então... Se sua intenção é se afastar do passado acho que seria melhor para você, não se apegar a isso, não se apegar a este lugar. Você conseguiu sair daqui viva duas vezes, e eu tenho certeza de que vai conseguir a terceira.

_Daryl...

_Eu estou com você.

_Daryl, sobre ontem a noite...

_ O que aconteceu ontem a noite foi apenas o que aconteceu. Você sabe que eu não sei lidar com essas coisas. –Eu pude jurar que ele ficou vermelho, o que me fez sorrir por alguns segundos. –Mas... –Ele riu sem querer. –Não quero deixar você sem que você saiba que eu te amo Alice.

_Quer saber de uma coisa? Merle tinha medo de que um de nós cometesse o mesmo erro que cometemos quando nos conhecemos. –Eu disse a ele, eu sabia que havia prometido a Merle nunca contar ao Daryl sobre isso, mas de alguma forma acho que ele já sabia. –

­_Ele tinha? –Perguntou rindo com curiosidade. –

_Aham. –Respondi. –

_Daryl, você lembra de como éramos estúpidos? –Questionei rindo com a lembrança. –

_O que quer dizer? –Perguntou com um meio sorriso. –

_Quero dizer que, Merle provavelmente deve ter um motivo para não querer que o passado se “repita”. Não acha? –

_Ele a paranóico, mas é. Nós éramos irresponsáveis, e bêbados. –Ele riu. –Fizemos muita coisa por impulso, mas tenho certeza que ontem a noite foi muito melhor do que qualquer outra noite de impulso .

Eu sorri. O estranho era que Daryl estava mais do que certo.

–Por que agora estamos sóbrios?

–É, também. Mas principalmente porque agora nós sabemos o que estamos fazendo.

***

Já estávamos prontos para ir procurá-los, mas acho que não íamos precisar. Tudo o que ouvimos foi uma batida na porta, não precisaríamos ir até eles. Eles tinham vindo até nós.



Notas finais do capítulo

Opiniões? Críticas? Podem me dizer! Até o próximo!! Beijos



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