Sobrevivendo ao inferno escrita por Alice Quinn


Capítulo 17
A queda


Notas iniciais do capítulo

Faltam apenas três capítulos... Alguma sugestão para o final??




Fiquei pensando em tudo o que poderia estar acontecendo na prisão agora, me lembrei de Maggie imediatamente, eu estava preocupada. Digo, nós precisávamos voltar! Mas antes tinhamos que enfrentar o demônio batendo novamente em nossa porta.

Encarei Daryl por um segundo, procurava por respostas, mas foi aí que notei que aquela situação estava o torturando. Era como se ele estivesse cego, ou em algum tipo de transe. Eu sabia o que era, eu sabia que ele não queria ver o pai novamente.

Mas eu também tinha certeza de que Will e Merle não iriam esperar a nossa decisão. Arrombariam a porta muito antes de decidirmos de iríamos ou não deixá-los entrar e destruir nossas vidas novamente.

–Daryl? –Reconheci a voz de Merle vindo do outro lado da porta. –

–O que você quer? Acho que já fez o suficiente. –Daryl respondeu. Pude reconhecer seu tom de voz, soava sombrio e cruel, porém também parecia magoado e doloroso. –

–Tudo o que seu irmão fez foi reunir nossa família. –Ouvi a voz de Will de novo, e senti nojo. Repulsa. Sabia exatamente o que Daryl estava sentindo agora . –

–Não somos uma família. –Daryl fez questão de responder, achei que ele fosse gritar ou apenas tentar abrir a porta, mas foi bem o contrário. Sua resposta soou assustadoramente calma. –

–Não se importa mais com seu irmão Daryl? –Will questionou com deboche eminente em sua voz. –

–Eu não estava falando de Merle quando disse que não somos uma família, quis dizer que nós somos o que restou dessa família, e que você não faz parte dela.

A risada repulsiva de ambos provavelmente ecoou pelo corredor do prédio.

–Alice... Merle me contou tudo sobre você... É uma pena. Uma garota tão bonita como você ter sofrido tanto. –Will se dirigiu a mim, no mesmo momento em que um arrepio gélido correu minha espinha. –

Daryl abriu a porta naquele mesmo segundo, assim que deu o primeiro passo agarrei a faca em meu cinto e vi que Daryl fez o mesmo com a dele.

–Finalmente o casal resolveu abrir as portas!

–Merle como você pôde ser tão repugnante a este ponto? –Perguntei quando Merle se aproximou com seu clássico sorriso cínico. –

–Então vocês dois ainda estão juntos? Depois de tanto tempo.

A voz daquele homem me deixava com raiva, me fazia querer esfaqueá-lo, cortá-lo em pedaços e jogar para os cadáveres lá fora. Mas eu sabia que se fosse fazer isso, eu faria com Daryl ao meu lado.

–Quando Merle chegou até mim, fiquei surpreso. Sabe Daryl, voltei até lá, nossa casa. Assim que vi a garagem vazia eu tive certeza de que vocês dois tinham sobrevivido. Mas quando vi Merle parado à minha frente, eu soube que a única coisa que vocês queriam de mim era me ver morto, sendo devorado pelos cadáveres repulsivos lá fora.

No mesmo instante eu soube que Merle estava ali para me matar. Por isso, eu sei que vocês dois devem estar pensando o porquê eu ainda não estou morto. Simples.

Fiz um pedido ao meu filho antes que ele tirasse minha vida. Daryl, eu queria ver você, queria ter certeza de que todos estes anos que passei tentando fazer com que você se tornasse um homem capaz de resolver seus problemas sozinho. E agora eu já tenho minha resposta. –

***

Não fui capaz de formular um pensamento se quer antes de ver Daryl lançar um gancho de direita no nariz de Will, que cambaleou para trás, segundo depois o sangue começou a escorrer de seu nariz fraturado.

–Porra! O que diabos pensa que está fazendo seu moleque vagabundo?!

–Espero que isso torne sua resposta ainda mais clara... pai. –Daryl disse sem emoção ou remorso. –

Encarei Merle por um único segundo e percebi que ele e Daryl trocavam olhares por meros segundos. Foi quando entendi, Merle estava do nosso lado, quando Daryl se virou para mim, notei, que ele também havia desvendado o dilema sobre a lealdade de seu irmão.

–Então... –Will começou a frase ridiculamente estúpida. – Alice, soube que você e Daryl finalmente se acertaram, depois de anos de brigas e desculpas. –

Fuzilei Merle com os olhos por alguns segundos, sabia que ele tinha o senso de humor perfeito quando queria se meter na vida de alguém, e logo pude me lembrar o quanto aquilo me irritava. Com um sorriso discretamente sínico ele se voltou a mim como se me guiasse à uma resposta mais do que óbvia.

–Você é um homem extremamente repulsivo, sabia disso? –Retruquei Will, com extremo desgosto e nojo em minha voz. –

–Não faça isso Ally. –Estremeci ao ouví-lo pronunciar meu apelido. –Somos uma família agora, não somos? –

–Família? Com você? Por favor me poupe.

–Vejo que ela se tornou uma boa lutadora, e uma atiradora ainda melhor desde que a vi pela última vez. –Ele comentou ignorando-me, se dirigindo diretamente à Merle. –

Merle riu. E Daryl, continuava impassível à situação assim como eu.

–Não pensem que eu estou aqui para causar mais problemas, afinal...O passado não se repete. Pelo contrário, estou aqui para me despedir . –

Até mesmo Merle pareceu surpreso com a “revelação” de seu pai. Daryl que mantinha seu foco no chão abaixo de si, levantou o olhar, surpreso, porém ainda muito desconfiado. Eu não estava muito diferente.

Antes que pudéssemos dizer algo, Will, simplesmente levantou a bainha da calça jeans e então mostrou o arranhão profundo na perna esquerda, perto de seu tornozelo.

Will estava condenado.

–Você... –Daryl tentava inutilmente continuar a frase. –

–Sim, não estou aqui para que sintam pena de mim ou nada parecido. Eu mereço isso, tenho certeza de que merecia uma punição maior do que uma porra de um arranhão dessas coisas.

–Will, espera mesmo que isso aconteça? –Perguntei me referindo ao “perdão”. –

–Não, mas queria que vocês três soubessem que me arrependo, de tudo.

–Pai... –Daryl sussurrou aquela palavra com um leve tom de enjôo em sua voz. Chamar aquele homem de pai parecia ferí-lo de uma maneira tão profunda que não sei se um dia serei capaz de ajudá-lo a superar. –

Olhei para Daryl por um instante, que permanecia com a cabeça baixa e sem manter contato visual com Will. Quando eu estava prestes a me pronunciar, o homem a nossa frente caiu, parecendo sofrer de uma convulsão violenta. Em questão de segundos ele começou a suar frio e seus olhos pareciam saltar das órbitas;

–Mas o quê?! –Merle se virou tentando fazê-lo levantar. –

–Não! –Exclamei. – Não o mova, deixe.

–O quê? Como assim deixá-lo?! –Daryl esbravejou. –

–Não podemos movê-lo, até que a convulsão pare! Mas que droga! –Respondi. –

Realmente não faço ideia do que aconteceu mas, Merle foi mais rápido, e agarrou a Magnum 22 de seu cinto, e mirando diretamente na cabeça de Will, ele apenas hesitou em atirar no momento em que fitou o irmão esperando por uma permissão silenciosa.

–Daryl...

Ele não respondeu apenas foi até Merle que mantinha a arma pronta, pegou a sua própria e então, tudo o que pude fazer foi fechar os olhos e esperar, depois foi o disparo de ambas as armas, como um estrondo no silencio impiedoso do apocalipse.

Não sabia se era o certo, mas isso não cabia a mim decidir. A razão, pela qual havíamos vindo à Atlanta, estava finalmente fora de nossas vidas.



Notas finais do capítulo

É isso, estou esperando opiniões, e suas expectativas para o final perfeito...
Beijos, até o próximo!! (;



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Sobrevivendo ao inferno" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.