Sobrevivendo ao inferno escrita por Alice Quinn


Capítulo 15
Uma noite de volta ao passado


Notas iniciais do capítulo

Esse sem dúvida é um capítulo muito especial, e com certeza importante para a história em geral, muito obrigada pela espera, espero que gostem. Beijos, boa leitura.




Estava tudo de ponta a cabeça, era óbvio que alguém já havia estado ali além de mim. Mas isso não me impediu de pensar que não tínhamos nada o que fazer ali, quero dizer... Não mais.

Tudo o que realmente me lembro deste apartamento, eu geralmente costumava associar à pesadelos sem fim, mas não importa, sinceramente, não importa agora. Eu podia jurar que Daryl nunca tinha estado ali sem ser expulso sendo espancado com uma vassoura ou uma garrafa de cerveja barata, como minha mãe ou meu pai costumavam expulsar tanto ele quanto Merle.

Ele estava logo atrás de mim, observava tudo ao seu redor com extrema cautela, como sempre fazia, mas dessa vez por algum motivo que eu desconhecia ele parecia diferente, como se estivesse pensando o mesmo que eu, ambos podíamos sentir que aquele lugar não era nem de longe onde realmente queríamos estar. Queríamos estar na prisão, com o resto do grupo, fazendo de tudo para viver nossas vidas em paz, se é que podemos considerar esse inferno um lugar pacífico.

–Daryl? –Sussurrei ainda sem olhar para trás para encará-lo. –

–O quê? –Respondeu. –

–Está pensando o mesmo que eu?

–Sobre... Tudo isso? Acredito que sim.

–Então sabe tão bem quanto eu que não suporto estar neste lugar, que tudo o que está ao meu redor neste momento me trás lembranças que eu lutei ao máximo para esquecer. Sei que não bom para você também, mas como você já me disse não temos outra escolha.

–As coisas mudaram Ally, nós mudamos. Sei que se estivessem aqui, iriam estar arrependidos ou já teriam se matado. –Daryl disse. –

–Vamos ver se sobrou alguma coisa dessa merda que podemos aproveitar. –Finalizei a conversa me dirigindo ao corredor para checar os outros cômodos. –

Pude sentir e ouvir os passos de Daryl atrás de mim, mas assim que parei em frente a uma porta cinza minhas pernas tremeram e pareciam não obedecer mais aos meus comandos, simplesmente fiquei parada em frente a porta de meu antigo quarto, minha mente também parecia estar em algum tipo de dilema entre adentrar aquele quarto ou ficar ali e acabar com toda aquela agonia apenas correndo para fora daquele maldito prédio.

Mas o fato que eu deveria encarar, era que eu não podia correr. Eu não podia correr, não como fiz antes. Eu apenas precisava acabar com isso, enfrentar meus demônios e continuar sobrevivendo ao inferno.

Assim que fiz a menção de girar a maçaneta, senti a mão de Daryl se fechar ao redor do meu pulso.

–O que houve? –Sussurrei para ele me sentindo um pouco confusa. –

–Você não precisa fazer isso. –Ele respondeu me encarando diretamente nos olhos. –

Tentei soltar meu pulso e girar a maçaneta novamente, encarei Daryl e ele pareceu me entender, assim, me deixou abrir a porta. Finalmente abri a porta com um pouco mais de força do que o necessário. E ela se escancarou, batendo com um baque na parede.

Forcei-me a dar um passo a frente, contra minha vontade me dirigi até o centro do cômodo, tudo ainda era como eu me lembrava, minha cama, a escrivaninha, o guarda-roupa, as paredes pintadas de branco, que agora já estavam com rachaduras e a tinta já estava descascando e quebradiça.

Daryl permaneceu parado ao pé da porta apenas me observando , como um falcão. Isso, de alguma forma estranha me fez sentir segura, porque eu tinha certeza de que ele sabia que naquele momento haviam milhares de conflitos sendo desenterrados em minha mente, e o que realmente me fazia sentir melhor era o fato dele respeitar isso, o fato dele saber que eu precisava pensar, que eu precisava de espaço, pelo menos naquele momento.

Foi quando passei meus olhos pelo cômodo rapidamente percebi um envelope cuidadosamente dobrado em cima da cama, fui até lá e peguei o envelope com as mãos trêmulas.

Letras cursivas muito bem escritas formavam meu nome na parte de trás do envelope. A curiosidade me invadiu e assim o fiz, minhas mãos automaticamente de forma que nem eu mesma fui capaz de compreender, abriram o envelope quase rasgando-o.

Desdobrei a folha calmamente, uma parte do meu cérebro havia bloqueado a curiosidade dando lugar ao medo. Enquanto isso, percebi que Daryl já se encontrava atrás de mim, analisando a folha de papel em minhas mãos, ele não estava lendo, só estava esperando para que eu lesse, ele estava esperando a minha reação.

“Querida Alice ,

Eu sei que não fomos a família que deveríamos ter sido para você e isso me faz sentir uma mãe horrível, eu costumava achar que tudo o que estávamos fazendo com você era apenas para protegê-la. Mas percebi que estávamos errados, seu pai e eu queríamos que soubesse que nós te amamos filha, só estávamos assustados pelo modo como você estava se aproximando das pessoas que achávamos ser má companhia para você, mas quando você partiu, eu pude ver que tudo o que você fez para não afastá-los de sua vida não era besteira.

O jeito como você se aproximou de Daryl , fiquei muito surpresa na verdade, mas depois de um tempo, tentando me acostumar com sua ausência, forcei-me a lembrar de tudo aquilo . Foi neste momento que vi como ele olhava para você, e principalmente o modo como você correspondia à aquele olhar.

Alice, querida. Eu sei que estava errada, só quero que saiba que agora eu entendo o seu lado meu amor. Você o ama , posso ver isso. Você nunca foi boa em expressar seus sentimentos , mas pude notar em seus olhos que com ele estava sendo diferente , talvez pelo fato dele poder compreender o que você estava passando.

Se ele te faz feliz , tudo bem. Então vá em frente, seja feliz . Apenas gostaria de estar com você agora, tenho certeza de que você está bem , você sempre foi forte , sempre foi capaz de fazer tudo sozinha sem depender de ninguém, e tenho muito orgulho disso em você Ally.

Quero que tenha certeza de que se você estiver lendo isso, quero que tenha certeza de que eu e seu pai estamos cuidando de você, mesmo não estando mais presentes nesta vida . E diga ao Daryl que nós o devemos desculpas, até mesmo para o Merle, pode dizer também que estamos felizes por vocês dois.

Beijos meu amor, Nós te amamos muito Ally. Seja feliz, eu te amo filhinha , com muito carinho, sua mãe “

Quando acabei de ler a carta, pude sentir as lágrimas rolarem pelo meu rosto. Não conseguia mais controlar as lágrimas, tentei chorar em silêncio mas não fui forte o suficiente para isso, deixei a carta cair sobre a cama, me virei para Daryl com a visão turva por causa das lágrimas, apenas fechei os olhos deixando-o me abraçar, me agarrei à ele o máximo que pude, sufocando o choro e enterrando meu rosto em seu peito.

***

Já estava realmente tarde, eu estava deitada em minha cama, agarrada aos cobertores, as lágrimas me impediam de dormir, não conseguia focar minha mente em nada a não ser no conteúdo daquela carta.

Parei de chorar por um momento quando senti Daryl se deitar ao meu lado, sentindo seus braços se enlaçarem ao redor do meu corpo me virei para ele deixando minha cabeça repousar em seu peito, ele começou a acariciar meu cabelo, o que me fez sorrir brevemente.

–Não consegue dormir não é? –Ele questionou retoricamente. –

Respondi que não com um aceno de cabeça.

–Se você não quiser mais ficar, nós podemos dar um jeito de voltar para a prisão. –Ele sugeriu.-

–Não, eu quero ficar, eu preciso. –Respondi secando as lágrimas e fazendo minha voz voltar ao normal. –

–Okay. –Ele sussurrou. –

–Daryl...

–O que?

Ergui meu corpo o suficiente para poder encará-lo totalmente, apoiando-me em seu ombro, e o beijando intensamente.

–Eu te amo. –Respondi finalizando o beijo. –

Agora, foi a vez dele me beijar me fazendo corresponder instantaneamente. Depois disso tudo aconteceu tão rápido, mas por um momento tive a sensação de que o mundo parou, que naquele momento não existia mais nada além de nós dois.

Me sentia em estado de puro êxtase a cada toque que conseguia me lembrar, meu cérebro simplesmente se desligou dos pensamentos lógicos e se concentrou em meus sentimentos, todas as sensações que eu estava sendo capaz de sentir naquele momento. A tristeza ou nostalgia que me invadiam minutos antes se esvaíram completamente. Tudo o que eu podia sentir pelo resto da noite era prazer.

E agora eu finalmente tinha uma recordação daquele lugar, uma das poucas, que não me fazem querer desistir de tudo.

Tudo isso só tinha um motivo, um nome... Daryl Dixon.



Notas finais do capítulo

Hey, o que acharam?? Me digam por favor! Realmente espero que tenham gostado, beijos e até o próximo.



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