Burned Soul escrita por Kaline Bogard


Capítulo 8
Capítulo 08


Notas iniciais do capítulo

Olá!!

Mais uma semana se inicia aqui. Mas essa é curta, rsrs, trabalho até quarta-feira, depois volto só na terça! E vocês? Tem folga também?

Mais um capítulo para vocês. Queria agradecer a Brennda2 e G A Gontijo pelas idéias super gatas. Me deixaram pensativa com elas... de verdade!

Acho que é isso.

Boa leitura.



Burned Soul

Kaline Bogard

Capítulo 08

– Por favor... – Stiles sussurrou sem forças. Pensilvania? Aquilo era tão longe. Do outro lado do país! Foi como se um buraco se abrisse sob seus pés e ele perdesse o chão. Inglaterra?! Estaria perdido!

– Tudo isso pode ser evitado – Francis colocou o copo vazio sobre a pia – Basta me aceitar como companheiro oficial. Aceite que seja eu a mudar o seu cheiro e alterar a sua essência, meu jovem. E poderá voltar para casa.

– Mas... mas... – o garoto abria e fechava a boca sem conseguir nada além de balbuciar.

– Ter a posse de um parceiro é o suficiente para meu lobo. Você não precisaria ficar o tempo todo próximo. Levaria uma vida normal.

Stiles balançou a cabeça.

– Não pode me pedir para tomar uma decisão sob tanta pressão – sussurrou – Me deixe pensar... só quero... refletir um pouco...

Aberline estreitou os olhos e se concentrou nos sentimentos que captava de seu hóspede forçado. Reconheceu estresse, insegurança, medo, indecisão, preocupação e alguns outros que seria esperado em tal situação. Não percebeu nenhum traço de mentira.

– É um pedido justo – consentiu – Lamento que não possa lhe oferecer melhores acomodações, mas creio que seja oportuno ficarmos aqui até amanhã de manhã. Pedirei que meu servo lhe consiga roupas melhores e algum mantimento.

– Você tem um servo? – Stilinski perguntou.

– Tenho muitas coisas, jovem. Caso aceite minha proposta não precisará se preocupar com mais nada na vida. Eu o cuidarei e o protegerei. Terá todos os meus bens a sua disposição.

O garoto pensou em dar uma resposta malcriada sobre certas coisas não terem preço e que se Aberline achava que podia comprar seu afeto se enganava redondamente. Mas mudou de idéia. Tudo o que acontecera de repente veio a ele de uma vez: a confusão no ônibus, o medo, a dor, a tensão da terrível madrugada sob vigília do lobisomem, a conversa que aparentemente calma causara um alto nível de desgaste mental... Stiles sentiu-se exaurido.

Aberline, que ficara surpreendido com a reação silenciosa, porém cheia de raiva à menção de suas posses, reconheceu em seqüência o cansaço nas feições delicadas de seu jovem interesse amoroso.

– Pedirei que volte ao aposento em que estava, apesar de ser um lugar desagradável é um dos mais seguros. Assim que meu servo tiver algo que ajude em seu conforto te levarei imediatamente.

O menino apenas meneou a cabeça em concordância. Ganhara pelo menos mais um dia. Se Derek e os outros fossem espertos e rápidos o bastante, poderiam salvá-lo antes de a loucura piorar.

oOo

– SOS? – Scott leu a tela do celular de Derek – Bem a cara dele.

– Mas podia ter mais detalhes! – Isaac pontuou. Logo descartou a própria reclamação – Talvez ele não tivesse muito tempo, não é?

– Exato – Peter respondeu e virou-se para o sobrinho – Aquela vez no hospital, foi através de uma mensagem que vocês me descobriram, não foi?

Derek concordou.

– Conseguimos localizar a origem da mensagem. Mas... não sei se é o caso aqui. Nós sabemos o celular de origem da mensagem, mas não o local.

– Melhor falar com Danny – McCall decretou – Derek, eu vou com você, talvez o Danny sabia o que fazer.

– E eu conversarei com meu pai – Allison decidiu – Para ver o que ele sabe sobre Digammas. Eu apostaria em um padrão de comportamento que nos ajude a achá-los.

– Vou com você – Isaac se ofereceu.

Aquele foi o sinal para que se separassem. Facilmente conseguiram contato com Danny, apesar da confusão. Ele os chamou para ir até a casa dele, onde poderiam conversar melhor. E o rapaz estava de castigo, já que seus pais descobriram que ele tinha matado aula, apesar do alívio do filho não ter se ferido no acidente.

Derek seguiu no próprio carro, orientando-se por Scott que ia na moto. Assim que estacionaram na residência dos Mahealani não perderam tempo e bateram à porta, sendo logo atendidos. Parecia que o rapaz estava aguardando a chegada deles.

– Danny, precisamos de um favor – Scott foi logo dizendo.

O goleiro abriu passagem para os visitantes.

– McCall... primo Miguel... – cumprimentou com certa diversão. Ele já sabia a verdade sobre Derek, mas não perdia a chance de dar uma alfinetada – Vamos para o meu quarto.

Subiram as escadas e só após Danny fechar a porta e indicar que sentassem na cama, o assunto foi retomado.

– O que aconteceu? Espero que Stiles esteja bem. Ouvi que o acidente de ontem foi feio.

– É. Foi feio – McCall acomodou-se na cama e trocou um olhar com Derek, que permanecera em pé – Sobre o favor...

– Do que se trata?

Scott e Derek se entreolharam de novo. Não tinham combinado nada para engambelar o garoto, por isso o Alpha teria que se virar no improviso.

– Nó temos uma mensagem de texto e... bem... seria possível saber onde a pessoa estava quando o SMS foi enviado?

Danny sorriu.

– Claro. As empresas de telefonia operam com torres de distribuição de sinal. Sempre que acontece transição de dados a posição inicial fica gravada no sistema.

A informação deixou Scott e Derek esperançosos.

– Danny... – o jovem Alpha não sabia como fazer o pedido, mas foi logo cortado.

– Nem começa, McCall. Isso envolve invasão de rede e é totalmente contra a lei. Não vou pagar o resto da vida por um erro que cometi quando tinha treze anos!

– Por favor! Não posso dar muitos detalhes disso, mas é importante! Acredite, pode envolver a segurança de Stiles!

O goleiro franziu as sobrancelhas e olhou de um para o outro. Alguma coisa nas feições de Derek deixou o rapaz incomodado. Era como se ele fizesse um esforço titânico e em vão de esconder a preocupação.

– O que está acontecendo?

– Confie em mim, Danny. É complicado...

– Scott, o sistema não é exatamente preciso. Se o Stiles enviou uma mensagem aqui da cidade não vai aparecer um endereço num passe de mágica. Em geral as torres se redistribuem em regiões.

Derek descruzou os braços e puxou o celular do bolso, estendendo-o para Mahealani.

– Temos motivos para crer que Stiles não esteja em Beacon Hills.

Danny olhou do aparelho para Derek e de novo para o aparelho telefônico. Acabou respirando fundo e pegando-o.

– Isso vai me meter em encrenca... – resmungou caminhando em direção ao computador.

Scott soltou o ar em uma golfada, mal tinha reparado que o prendera. Até a postura de Derek ficou menos tensa. Estavam diante de uma chance real de encontrar o raptado. Mesmo que o menino não estivesse mais lá, era um ponto de partida para continuar as investigações.

oOo

Stiles estava sentado no chão, encostado na parede. Tinha cansado de testar a porta. Era praticamente inquebravel. Fora feita para resistir aos ataques do lobisomem proprietário do lugar. E fazia todo sentido do mundo. Um monstro daqueles a solta faria um estrago inimaginável.

Perdeu a noção de quanto tempo ficou ali, no silêncio, inquieto sem que as idéias descansassem um segundo sequer. Apesar de cansado não conseguia sair do estado de tensão. E, é claro, dentre tudo que passava por sua mente o único pensamento que não estava ponderando era sobre aceitar a proposta de Aberline. Jamais concordaria!

Só precisava de tempo! Enrolar o cara o máximo que pudesse. Dar uma chance a Derek e aos outros de encontrá-lo.

A porta abriu-se e ele voltou os olhos para a figura de seu captor que entrava na sala. O inglês, já adequadamente vestido, segurava um grande saco de batatas Ruffles, uma latinha de Coca-Cola e duas barras de chocolate. E uma embalagem que o prisioneiro não reconheceu.

– Não tenho muita experiência com o que crianças gostam de se alimentar. Meu servo disse que isso seria apropriado.

Apesar de tudo a visão fez Stiles salivar e se dar conta de que estava faminto. Sua última refeição ocorrera no almoço do dia anterior! Depois disso comera basicamente nada.

Francis entendeu o silêncio como concordância, colocou os petiscos no chão ao lado do garoto e virou-se para ir embora. Ia saindo quando Stiles o chamou.

– Espera!

– Diga...? – o adulto parou sob o batente de metal.

Stiles sentou-se a moda dos índios, sem tocar no que lhe fora levado para comer.

– Só queria perguntar uma coisa... qual a diferença entre sexo e requisição? – essa era uma dúvida que realmente lhe perturbou a mente nas últimas horas. Sabia que Derek fizera sexo com mulheres antes e mesmo Scott mantivera relações com Allison. Agora o Alpha parecia interessado em Kira, a Argent e Isaac davam uns pegas e Derek Hale... bem, Derek era seu namorado. Obviamente nenhum dos lobos mencionados na bagunça acima fizera qualquer tipo de requisição.

O dono da casa sorriu. Fora atingido por uma forte onda de curiosidade real emanando de seu convidado. Acreditou que o menino realmente levava em consideração o pedido feito e que havia chances dele acabar cedendo sem precisar recorrer a mais chantagem.

– Toda requisição é um ato sexual, mas nem todo ato sexual é uma requisição, meu jovem. Nós somos parte humanos e parte lobos. Em um momento, a parte humana está no controle de nossas emoções. O sexo que ocorre nesse momento é um ato carnal que pode envolver emoções ou não – foi explicando com paciência, notando como a face do menino se tingia de vermelho – Quando o lobo assume o controle, bem, pode presumir sem ajuda que tudo pode acontecer: morte, destruição, tragédia... menos sexo de qualquer tipo.

– Eca, homem. Péssima imagem mental, obrigado por isso – Stiles lutou para se livrar da cena do monstro no qual Francis se transformava envolvido em atos eróticos. Péssima, totalmente péssima mentalização. Tentou não parecer tão embaraçado quanto se sentia.

– A requisição acontece quando não tem uma parte no controle, mas ambas entram em harmonia pelo mesmo objetivo. É o corpo do homem e a essência do lobo. Por tal motivo o parceiro também sofre mudanças. É um ato poderoso, criança. Mesmo seres normais influenciam uns aos outros durante o ato de amor. Por isso o seu cheiro não seria esse, caso não fosse mais...

– Não diga! – Stiles cortou meio amargurado. Começava a se cansar de levar sua condição virginal na cara com tanta freqüência – Está totalmente proibido mencionar a palavra humilhante que começa com “v”.

Aberline sorriu e balançou a cabeça.

– Mais perguntas?

– Não – o menino esticou o braço e pegou o pacote de Ruffles, abrindo-o – Só isso.

– Não hesite em me chamar, caso queira tirar qualquer dúvida.

Ia saindo de novo, mas Stiles o parou a segunda vez.

– Espera!!

– Sim...? – o interesse do menino parecia transformar o homem em um poço de paciência. Seu lobo se deliciava secretamente com a atenção.

– O que eu faço se precisar ir ao banheiro?! – tentou não soar desesperado.

– Basta me chamar – suspirou – Não estarei longe e te escutarei com certeza.

Stiles só balançou a cabeça jogando umas batatas na boca e aquela foi a deixa derradeira para que Francis abandonasse o cárcere.

O filho do xerife sentia-se satisfeito consigo mesmo. Enrolara o homem um pouco mais! Esperava que os amigos estivessem fazendo alguma coisa!!

Só então seus olhos caíram sobre o pacote que não tinha reconhecido. Era uma blusa ainda dentro da embalagem. Pelo menos podia tirar a sua, que estava rasgada. Depois que comesse a trocaria.

oOo

– Caras, tentei localizar pelo numero do GPS, mas não deu certo – a voz hesitante de Danny atraiu os olhares de Derek, que estava andando em círculos pelo quarto e de Scott, sentado na cama com os braços apoiados no joelho – Então cruzei as referencias na prestadora e identifiquei um ponto de envio. Só que... não faz muito sentido...

Continua...



Notas finais do capítulo

Esse lance do Digamma fui eu quem inventou, rsrsrsrs, assim como as demais informações que não constarem em Teen Wolf. A única coisa que eu estou usando de O Lobisomem é o fato de ser um lobo solitário (usado em outras obras) e o personagem Francis Aberline.

Ah, é. Essa sde virgens cheirarem como virgens também saiu da minha cabeça. Ainda bem que só lobisomens podem sentir, hum?

Até mais!

Boa páscoa e guardem um pedacinho de chocolate para mim, poxa!