Jean e a história de Garolf, O Pirata escrita por EnmaHilder


Capítulo 1
Capítulo único


Notas iniciais do capítulo

Não tive tempo de revisar a fanfic. Por isso, caso achem algum erro, informem por favor.

Fanfic escrita para o concurso Summer Time Fic&Design, tema: Férias.



Em uma cidade em algum lugar do mundo, vivia Jean.

Jean é um garoto comum, com gostos comuns, amigos comuns e morava em uma casa comum. O que Jean tinha de incomum, era o seu avô. Um senhor de idade avançada não identificada, que lhe contava as mais interessantes histórias e dizia que todas eram verdadeiras. O problema era que o garoto podia visita-lo apenas em uma determinada época do ano... As férias de julho.

Assim que o sinal tocou, o garoto de cabelos pretos curtos saiu correndo da sala de aula como se sua vida dependesse disso. Não se importou com a bronca da professora, ou com as pessoas que o olhavam com aquele olhar interrogatório. Tudo o que mais queria era chegar em casa, acordar o pai e fazer com que este o levasse para a casa de seu avô. As férias haviam começado e ele não podia perder um minuto se quer.

Abriu a porta de casa e foi logo gritando pelo pai, se quer viu a mãe na cozinha que lhe disse bem vindo. Ela por outro lado, nem se importou com a euforia do filho, já estava mais do que acostumada com os hábitos do garoto, ainda mais quando chegava essa época do ano.

- PAIIIIIIIIIIIII! – Jean entrou no quarto onde seu pai descansava e pulou em cima da cama. – Vamos pai! Já está na hora! – começou a sacudir o homem que acordou.

- Leva suas coisas para carro então. – O homem bagunçou o cabelo do menor e bocejou entre uma palavra e outra. Sem esperar mais um segundo sequer, o pequeno peralta correu para o seu quarto pegou a mala que não estava nem leve nem pesada e foi para fora de casa. Colocou ela no chão, encostou-se no carro e começou a contar. Sabia que o pai iria demorar, então iria se distrair. Quando chegou ao numero 217, o homem apareceu na porta. Vestia uma camisa social branca que estava com os primeiros botões abertos, a calça jeans apertada no corpo e o tênis era preto.

-Anda pai!

- Tchau querido. Comporte-se! – a mãe do menino apareceu logo atrás do pai com um sorriso gentil no rosto.

- Tchau mãe! – Jean entrou no carro, sentou, colocou o sinto e fechou a porta. Seu pai apenas suspirou, era melhor se apressar ou era capaz do menino passar para o banco do motorista e sair dirigindo até a casa de seu avô.

A viagem durou pouco mais de 2 horas. Jean não parou de falar um minuto se quer, ficava enchendo os ouvidos do pai com as antigas histórias que ouvira de seu avô. Depois de 5 minutos que o carro saiu de frente a sua casa, começou a perguntar se já estavam chegando, fez isso por todo o percurso, com intervalos de 7 minutos. Parecia que o garoto tinha um relógio no lugar do cérebro, seu pai cronometrou, eram 7 minutos certinhos e a pergunta vinha: “Já estamos chegando pai?”. Quando entraram na área rural, o menino passou a perturbar mais ainda, pois sabia que agora sim, estavam chegando.

- Chegamos filho. – O mais velho desligou o carro e desceu para pegar a bagagem de Jean, pois este saiu em disparada na direção da pequena casa de cor alaranjada. Abriu a porta vermelha e chamou pelo seu avô, que logo apareceu. Um senhor com mais de 50 e menos de 100 anos de idade, cabelos grisalhos e uma barba branca comprida. Assim que viu o neto na porta o abraçou.

- Suas coisas. – o pai do menino colocou a mala em frente à porta, pois aqueles dois pareciam ter se grudado com chiclete! Não desfaziam o abraço. – Oi para o senhor também pai e até mais. Venho busca-lo quando as férias acabarem. – disse antes de voltar para o carro e voltar para a sua casa e sua bela esposa.

- Ele já foi? – Jean perguntou baixinho para o avô.

- Já! – O senhor sorriu e soltou o neto do abraço. Eles trocaram um olhar cheio de significado, ao menos para eles, e começaram com o cumprimento habitual. Bateram as mãos uma na outra, estalaram o dedo, juntaram as palmas e fizeram uma série de coisas estranhas.

- Vejo que não se esqueceu vovô! – o garoto disse todo empolgado.

- Minha memória é melhor do que a de um elefante moleque! Não me esqueço das coisas tão fácil assim! – O senhor deu um passo para trás e o menino entrou na casa carregando a mala, seguindo o neto logo em seguida.

- Vovô, o senhor não fechou a porta! – o garoto disse entre risos. – Não esquece nada hein?

- Ainda lhe conto minhas histórias, não? – O homem velho disse encarando o menino nos olhos, desafiando ele a dizer que não.

- Por isso estou aqui! – ele sorriu e se jogou no sofá bege de três lugares da sala. A mala? Essa foi largada em um canto qualquer da casa.

- Banho primeiro seu fedido e depois a história. Anda! – Acatando a ordem do avô, Jean foi para o chuveiro e tomou banho. Colocou uma roupa confortável e foi para a sala de estar onde seu avô o esperava sentado na grande poltrona de couro preto. – A dona Mary trouxe biscoito, está na cozinha. Vá lá pegar. – os biscoitos eram de chocolate, os preferidos de Jean. – Ainda acho que essa mulher quer pegar o lugar da minha querida Elizabeth!

- Ninguém quer pegar o lugar da vovó! E nem podem também! – Jean disse enquanto voltava para a sala. – Eu não deixaria! Enfrentaria um dragão desarmado se fosse necessário. Tudo para manter o lugar da vovó a salvo! – Sentou-se no chão e colocou a bandeja com os biscoitos a sua frente. – Que história vai me contar hoje vovô? Bruxas? Dragões? Nada de princesas que precisam ser salvas!

- Claro, claro. – o mais velho suspirou e lançou um olhar matreiro para o menino. – Já ouviu falar de Garolf, o Pirata? – o menino fez que não com a cabeça. – Bom, então será sobre ele! No lado oeste do planeta em que vivemos, existe um navio com velas negras e uma bandeira pirata, que navega pelo mar todos os dias e noites. Seu capitão é Garolf, um homem que já está no auge de seus 45 anos.

“Ao contrario do que muitos pensam, os piratas não são malfeitores sem coração que matam por dinheiro e prazer. Não, quem faz isso se chama de louco, psicopata e assassino. Os piratas são homens que possuem uma sede de aventura que se sacia apenas quando estes estão com o mapa de tesouro em mãos e seu navio está com rumo definido. Mas Garolf, este é o que chamamos de louco dos sete mares, seu navio nunca possui um rumo, ele navega sem destino, deixando-se guiar pelo mar e as estrelas.“

- Isso está ficando muito romântico vovô! Cadê o monstro? – Jean queria que o senhor passasse logo para a parte mais interessante: a ação!

-Fica quieto e escuta pirralho impaciente! – o senhor se ajeitou na cadeira e sorriu para o menino peralta a sua frente, ele queria ação? Ah sim, seu avô lhe daria ação!

“Em uma de suas aventuras, Garolf acabou atracando em uma ilha misteriosa. Ela não aparecia nos mapas, mas lá estava ela, bem abaixo de seus pés. A areia da praia era tão branca que chegava a brilhar, logo ao fundo havia uma densa floresta. Garolf sempre foi um explorador, armado de coragem, uma espada afiada e uma pistola carregada, ele adentrou a floresta junto a três de seus homens. Seguiram cantando, assoviando e rindo. Não sabiam o que poderiam encontrar, mas o medo não é algo que aqueles que navegam pelo mar trazem em seu coração.

Não sabiam ao certo quantos passos haviam dado, na verdade, quando deram por si, não sabiam nem de que direção haviam vindo. Estavam perdidos na floresta. Garolf, vendo que seus homens estavam perdendo a confiança neles mesmos, ordenou que eles seguissem em frente, porque em algum lugar deveria dar e se chegassem na praia, seria mais fácil achar o navio. Eles andaram, andaram e andaram, mas nada de achar a praia. Só viam arvores que não davam frutos. Estavam começando a ficar com sede e cansados. Decidiram descansar, pois logo a noite chegaria. O primeiro imediato de Garolf, um homem chamado Elyan, ficou com a primeira vigia.

- E como se chamavam os outros vovô?

- Pirata 1 e Pirata 2. – falou sem se importar. – Posso continuar? – o menino fez que sim com a cabeça. - Não sabiam se estavam sozinhos na imensidão verde, então era melhor prevenir do que remediar. Com menos de 1 hora que os outros dormiram, Elyan começou a ouvir ruídos e sussurros.

- Vai dizer que tinha fantasmas nessa floresta? – Jean interrompeu novamente a história.

- E porque não? – o avô lhe deu um sorriso misterioso e retomou a história. – Elyan foi investigar o que estava havendo, de onde os barulhos estavam vindo. Talvez fossem seus amigos procurando por ele seu capitão.

Ele sacou a sua espada e começou a adentrar mais ainda na floresta. Foi atrás do som que cada vez mais se tornava alto. Os sussurros viraram palavras, vozes assustadoras de pessoas pedindo por ajuda. Mas quando Elyan chegou ao lugar onde estavam as vozes, não havia nada. Ele refez o trajeto e chegou até onde seu capitão estava. Mas logo se assustou, pois Pirata 1 não estava mais ali. Ele acordou seu capitão e o Pirata 2. Seu capitão não reclamou da partida, pois ele fez o certo em ir averiguar, se Pirata 1 sumiu, eles iriam perceber, mas como não perceberam? Esse era o problema! Onde estava Pirata 1?

Elyan levou seu capitão e seu companheiro ao lugar onde ouviu as vozes, o estranho era que o caminho parecia mudar a cada passo que davam. As arvores pareciam estar se mexendo, era como se os galhos e suas raízes tivessem tomado vida. Eles sacaram suas armas e quando deram por si, estavam de frente a uma pequena casa de tijolos vermelhos e uma porta de madeira. Estranharam, mas decidiram adentrar o local mesmo assim.

- Mas como a casa apareceu ali vovô? – Jean estava completamente excitado com a história.

- As arvores... As arvores mudaram de lugar, lembra? – o menino falou um “oh” fraco e ficou quieto esperando a continuação. – Quando entraram, deram de cara com a cozinha. Havia panelas no fogo, e três pratos na mesa. Eles vasculharam o resto da casa e não acharam ninguém, mas havia algo estranho no quarto. O lençol da cama estava com sangue. Não esperam nem mais um segundo para irem até a porta de saída, mas não conseguiram abrir a dita cuja. Portas, janelas, tudo estava fechado. Eles estavam trancados e o Pirata 1 estava perdido.

- Incrível, está virando uma história de terror! – Os olhos do pequeno Jean já estavam brilhando.

- Sim, sim! – O senhor se ajeitou na poltrona e continuou com sua narração. – Os três homens presos na casa começaram a se jogar contra porta, uma hora ela teria de cair! Eles somente pararam de investir contra a porta quando ouviram passos dentro da casa. Se separaram e foram atrás do som.

- Se separar nunca é boa ideia! – o menino balançou a cabeça em negativa.

- Vai falar isso pra eles, não pra mim! – o avô de Jean fez uma cara de indignação falsa, super teatral. – Enfim, foi Elyan quem achou a origem dos sons, que vinham do quarto. Ele chutou a porta e entrou no cômodo. Então... – fez uma pausa dramática.

- Então o que vovô? – Jean já havia acabado com os biscoitos de chocolate, agora já estava roendo as unhas de tanta ansiedade.

- Dentro do quarto estava o Pirata 1. Elyan foi até o companheiro e começou a interroga-lo, perguntou como ele havia ido parar ali, o que havia acontecido com ele, mas o Pirata 1 se quer olhou em sua direção. Seus olhos estavam fixos no espelho do quarto e quando Elyan olhou para o seu reflexo, viu que o Pirata 1 não aparecia no espelho, mesmo estando de frente para ele! Logo, Garolf e Pirata 2 estavam ao lado de Elyan, Pirata 1 não abriu a boca uma vez se quer, mas se havia alguém capaz de fazer o pobre coitado falar, esse alguém é o seu capitão! Depois de um pouco de conversa jogada fora, Pirata 1 começou a falar. Ele disse que acordou em um lugar estranho na floresta, estava cheio de ossos de animais, bem de frente a uma caverna escura. Ele estranhou e acabou entrando na caverna, mas quando saiu de lá, não tinha mais sombra. Ele ficou vagando pela floresta, até que tropeçou em um tronco, ou talvez este o tenha dado uma rasteira, a questão é que ele desmaiou, e quando acordou estava ali, no quarto.

- Se eu tiver pesadelos de noite, vou correr pro seu quarto vovô! – o menino disse um pouco baixo, mas o senhor ouviu.

- Vejam só! Jean, O Terrível, está com medo de uma historinha! – O senhor sorriu. – Talvez eu deva parar então. Quem sabe a história da princesa que foi presa na torre do castelo do dragão não seja mais adequada?

- O QUE? – o menino levantou em um pulo só. – NÃO! Eu esperei tanto pra essas férias chegarem logo, só pra ouvir suas histórias! Histórias de verdade, não esses contos de fadas bobos! Não, não! Pode continuar! – ele sentou no chão, cruzou os braços e as pernas e ficou esperando seu avô continuar a narração.

- Foi então que um ‘click’ foi ouvido. O som foi baixo, mas para os ouvidos aguçados dos piratas não era nada. Eles foram até a cozinha e encontraram a porta aberta, não esperaram mais para sair. Olharam para o céu, viram as nuvens e as estrelas, e foi se baseando na posição das estrelas que o Pirata 1 guiou seus companheiros para a estranha caverna que havia mencionado antes. Demoraram um pouco, mas logo chegaram. Pirata 1 e 2, assim como Elyan, estavam um pouco temerosos para entrar na caverna, mas Garolf não. Garolf entrou com tudo! Vendo a coragem que seu capitão demonstrava, seus homens o seguiram. A caverna era escura, não conseguiam ver se quer onde estavam pisando, mas mesmo assim continuaram. Quando chegaram ao fundo da caverna, os olhos dos 4 piratas brilharam. Ali, na frente deles, estava o maior tesouro já visto. Ouro, prata e até mesmo diamantes e rubis. Eles pegaram tudo o que conseguiram e saíram da caverna com rapidez. Mas assim que colocaram os pés fora do lugar, perceberam que também haviam perdido suas sombras. Foi então que Garolf entendeu tudo. Ele olhou para o Pirata 1 e perguntou se o mesmo, quando esteve pela primeira vez na caverna havia pego algo que encontrou lá dentro. Sabendo que se mentisse para o seu capitão ele poderia ser punido, o Pirata 1 tirou de seu bolso um diamante, disse que não havia ido até o fundo da caverna na primeira vez, mas que encontrou a pedra logo da entrada e a pegou. Foi então que o capitão lhes explicou que o tesouro, assim como toda a ilha é amaldiçoado. Já ouvira lendas antes, lendas da antiga ilha de Kirika. Onde a bonita bruxa havia sido exilada e que em seu leito de morte, havia jogado uma maldição em toda a ilha. Nada poderia viver ali por mais de dois dias, nada poderia ser levado, não se deve comer ou beber nada que a ilha forneça, ou você seria amaldiçoado. Isso explicava as arvores se mexendo, a casa onde Kirika morou, o sangue na cama, lugar onde a bruxa Kirika foi assassinada, as panelas no fogo onde ela fazia suas poções, tudo fazia o mais absurdo dos sentidos. Eles precisavam sair dali antes do sol nascer, pois se fizesse um dia, a maldição poderia ficar pior. Já perderam suas sombras, o que mais poderia acontecer? O que mais poderiam perder? Garolf ordenou que eles levassem o tesouro para dentro da caverna e que procurassem um modo de sair da ilha. Eles correram para a floresta sem rumo algum, pois para se achar uma saída naquele labirinto de arvores, era preciso se perder primeiro. Quando suas pernas já estavam doendo, seus pés cansados e seus corpos latejando, eles chegaram à praia. Subiram no navio de velas negras, acordaram os homens e o capitão Garolf ordenou a partida. Quando o navio em meio ao mar, pouco distante da ilha, a sombra dos quatro piratas aventureiros retornou. Foi então que a coisa mais estranha daquela noite, ou talvez não tão estranha assim, aconteceu. A ilha foi coberta por uma cada densa de neblina, que quando se dissipou mostrou apenas o mar. A ilha de Kirika, conhecida como a Ilha do Vai-e-Vem, Ilha Misteriosa ou Ilha Amaldiçoada, havia desaparecido. Naquela noite, os piratas beberam seu rum, riram da história de seus companheiros aventureiros e cantaram sob a luz da lua. Afinal, eles são Piratas, são inconstantes como mar, aventureiros e alegres. Uma nova aventura os aguardava em algum canto do planeta, em uma nova ilha, um novo tesouro, uma nova lenda.

- isso foi... INCRIVEL! – Jean se levantou e jogou seu corpo de encontro ao do seu avô. – Vovô, me conta mais! Quero saber sobre as aventuras de Garolf. A ilha de Kirika existe mesmo? O senhor já a viu em uma de suas viagens? Não acredito que eles deixaram o tesouro para trás! Eu não me importaria com uma maldição se ficasse rico! Afinal a Bruxa morreu como? Vovô? – O senhor estava com um sorriso que ia de uma orelha a outra. Adorava seu neto, por mais maluco, peralta e curioso que este fosse.

- Jean meu filho, isso é uma história para outra tarde. – Ele disse enquanto colocava o seu neto no chão. – A suas férias apenas começaram pequeno peralta. Ainda tenho muitas aventuras a te contar, mas não hoje e não agora! – Ele se levantou e sorriu mais ainda. – Agora vá já levar suas coisas para o quarto. Você havia prometido que nessas férias, visitaria as cabras de dona Martha, lembra-se? Agora vai!

Jean saiu correndo para pegar sua mala e leva-la para o quarto. Seu avô tinha razão, as férias apenas começaram e ele não podia esperar pela aventura de amanhã!





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