Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 6
Ninguém está pronto para: Guardar segredos


Notas iniciais do capítulo

Infelizmente, ou felizmente, Nico não está pronto para guardar certos segredos de Percy (apenas alguns)
(Imagens no capítulo nessa sequência: Leo, Percy)



O aniversário de Percy foi na semana passada, mas como ele estava atarefado com a Cafeteria, não teve tempo para comemorar. Mesmo a contra gosto, sua mãe Sally o acordou na manhã de seu aniversário com um belo cupcake azul e uma velinha. Ela sentou na cama do filho e cantou um happy birthday to you com sua doce voz maternal. Percy assoprou a velinha e ganhou um abraço da mãe. Depois do momento especial, Paul entrou no quarto e parabenizou Percy pelo aniversário. Ele também estava com um envelope na mão.

Era o presente de aniversário de Sally e Paul para Percy.

Percy pegou o envelope, um pouco sem graça. Ele não era acostumado a ganhar presentes. Vocês sabem, infância difícil, a mãe trabalhando tanto, etc.

— Nossa! — Percy tirou do envelope alguns cupons. — Troca de óleo grátis por seis meses. E olha esse aqui, lavagem gratuita por um ano?

— Já que seu pai resolveu te dar um carro, e todo o nosso investimento foi na cafeteria, decidimos inovar esse ano. — Sally falou com uma nota amarga, mas não malvada. — Então juntamos esses cupons dos jornais semanais.

— Eu adorei. — Percy se levantou e abraçou a mãe. — Valeu Paul. — ele apertou a mão do padrasto e não parou por aí, abraçou-o também. Afinal, o tinha como um pai também.

Ele preferiu não marcar nada naquele dia para comemoração, nem mesmo um cineminha com Nico. Mesmo porque estava realmente sem tempo. Entretanto, quando se é um meio-sangue famoso, como era Percy, datas comemorativas tais como aniversários, eram devidamente festejados. Vocês entendem, não é?

Meio-sangues não costumam viver muito, então precisam celebrar ainda vivos.

E assim surgiu a grande noitada de sábado na boate Tanaka. Rachel garantiu que organizaria a festinha com ajuda de Drew. Por isso Percy não precisou se preocupar com absolutamente nada.

O sábado amanheceu nublado e a previsão do tempo para o restante do dia não era nada bom. Ele ficou com preguiça de sair da cama, mas logo que sentiu o cheiro de café, seus sentidos despertaram. Já era seis e meia da manhã quando Percy terminou de lavar a louça do café e ainda sonolento, pegou as chaves do carro e saiu de casa.

Sentia tanto sono, que cogitou a possibilidade de pegar um táxi e ir dormindo no banco traseiro. Mas assim que saiu do prédio onde morava, ele encontrou Nico parado na calçada segurando uma sacola de material reciclado, ele vestia um casaco preto e calça jeans surrada. Seus cabelos estava como se não tivesse penteado depois que acordou. Mas conhecendo o namorado como conhecia, sabia que ele realmente não havia dormido.

— Não tem relógio no Mundo Inferior? — Ele perguntou quando chegou perto de Nico.

— Deméter fez questão de colocar um cuco na sala. Toda vez que ele canta, quero mandá-lo para o inferno. Mas como a gente já vive nele...

Percy gargalhou. Ele adorava as piada de humor negro que Nico contava. Embora algumas vezes parecesse que falava sério.

Eles se beijaram. Nico enfiou as mãos dentro do casaco de Percy e recebeu um abraço quentinho e aconchegante. Começou a chuviscar e eles correram para entrar no carro.

— Olha, eu queria te dar seu presente agora. — Nico entregou a sacola. — Eu não queria fazer isso na frente de todo mundo na festa. E não dei nada para você no dia de seu aniversário só porque me pediu para não comprar nada.

— E mesmo assim você comprou. — Percy pegou a sacola, não estava chateado, ao contrário. Ele só não sabia como reagir quando ganhava presentes.

— Eu sou o seu namorado. Não me prive do prazer em passar horas na rua quebrando a cabeça com o Leo para achar um presente perfeito.

Opa, opa. Ele falou Leo? Desde quando Nico e Leo batem perna por aí atrás de presentes?

— O que tem o Valdez?

— Ele foi comigo. — Nico colocava o cinto de segurança, enquanto analisava a tempestade que vinha do sul. E quando a ficha caiu, foi tarde demais.

Percy não deu tempo para Nico saborear o momento de “Opa, opa, isso foi um momento de ciúmes?”. Mas foi estranho, por alguns segundos sentiu que Percy havia roubado o ar ao seu redor com um único olhar.

— Uma jaqueta. — Ele tirou a peça de dentro da sacola.

— Gostou?

— Como não gostaria? — É, eis uma coisa sobre Percy. Ele não era filho de Afrodite, mas possuía charme. Percy virou-se, esticando seu braço para trazer Nico para mais perto dele, beijou-o rapidamente nos lábios e depois de um longo abraço como forma de agradecimento, Percy acariciou o rosto do rapaz e então o beijou novamente, mas dessa vez foi mais afoito, com direito a uma breve perca de noção de local e horário.

Nico foi quem finalizou o beijo, por necessidade de respirar.

— Eu te levaria para um outro lugar agora. — Comentou, apertando os dedos no queixo de Nico. Com um exagero extra na força. — Mas tenho que abrir a cafeteria. Minha mãe e o Paul só irão mais tarde.

— Se quiser eu posso te dar uma mãozinha agora de manhã. Prometo não assustar ninguém.

— Eu adoraria. — Percy piscou para o namorado. — Então, me conta mais sobre você e o Leo procurarem meu presente.

Ah! Aí está.

— Queria a opinião de alguém. — Nico respondeu, olhando a cidade pela janela do carro, a chuva pegou todos de surpresa pelo visto. Muitas pessoas correndo de lá pra cá sem guarda chuva. Percy aproveitou o sinal vermelho para olhar o namorado. — Sabe que eu não tenho muitos amigos, não é?

— E a Rachel? — Percy insistiu. Ele não sabia porque fazia aquilo. O que estava pensando afinal?

— Ela esta muito ocupada com a festa de hoje a noite. Não tinha tempo para sair comigo.

— Sei. — É, era isso. Percy sentiu ciúmes. Nico riu. — O que foi isso?

— Isso o que?

— Esse sorriso de vitória.

— Você está com ciúmes do Leo?

— Não! — Respondeu rápido demais. Tudo dava a entender que era mentira. Fico pasma com minha interpretação em sinais. — Eu já disse que confio em você. E ele é meu amigo também. Sabem muito bem do que eu sou capaz, já me viram em ação.

Percy não soube de onde veio aquele tom ameaçador. Mas ele estava ali.

— Está dizendo que se eu te trair, você vai me cortar com sua espada? — Nico não estava assustado, mas impressionado com a revelação doentia.

— Ótimo! Que bom que você entendeu. — Percy riu e piscou para ele. Queria poder dizer que era uma brincadeira. E mesmo que estivesse sorrindo, no fundo estava falando a verdade. Foram poucos segundos, mas a sensação não foi nada agradável.

— Não seja bobo. — Nico ainda estava interessado naquela conversa. — Achei que eu fosse o psicótico da relação. Além do mais, Leo gosta de outra pessoa. E não sei se percebeu... — ele olhou para Percy. — Mas não tenho olhado para os lados desde que nos conhecemos.

Percy sorriu satisfeito e sem olhar para o lado – porque precisava prestar atenção na direção –, ele apenas perguntou de quem Leo gostava.

— Não sei se posso falar sobre isso, foi uma confidência em uma conversa particular. Eu não sei se tenho o direito de revelar.

— Qual é? Eu sou bom em guardar segredo. — Então eles chegaram ao destino. Percy estacionou o carro como sempre do outro lado da rua. Nico saiu rapidamente e correram para atravessar a rua pouco movimentada naquela manhã chuvosa. Percy tratou de abrir logo a cafeteria e entraram.

Nico tirou o casaco e pendurou no cabide que ficava logo na entrada. Ele sacudiu os cabelos e limpou os pés no tapete. Percy ligou as máquinas e também o aquecedor. Em alguns minutos a Cafeteria abriu e já estava recebendo seus primeiros clientes.

Do outro lado do balcão, Nico tentou ajudar, preparando alguns expressos para viagem, mas ele não era assim tão bom naquele serviço. E graças aos deuses, a nova funcionária do Café Crepúsculo dos semideuses chegou uma hora depois. O movimento não estava muito grande, a maioria das pessoas que entravam ali estavam se protegendo da chuva. Os mortais que frequentavam o café, eram poucos. A maioria podia ver através da névoa e tinha em sua família alguma ligação com semideuses. E a propaganda cresceu no boca a boca mesmo. Percy estava pensando em um comercial na TV Hefesto. Isso com certeza poderia alavancar mais ainda a cafeteria. Lembrou-se de que havia pedido para Leo falar com seu pai, e em consequência disso, ele lembrou também a conversa que deixou para depois com Nico.

— E então. Quem é a tal pessoa? — Percy perguntou, depois de atender os últimos clientes que entraram no café. Nico estava sentado em uma das mesas do fundo, lendo um livro. Deixou o livro na mesa e olhou para Percy.

— Eu já falei que não posso contar.

— Claro que pode. — Percy sentou e estendeu a mão, alcançando a do namorado. — Você confia em mim, eu em você. Não escondemos segredos... Não é?

Nico demorou para responder e quando percebeu que a expressão no rosto de Percy era de dúvida, ele falou de uma vez.

— Jason.

Percy abriu a boca mas não disse nada. Ele foi atender mais um ou dois clientes e depois voltou para a mesa de Nico.

— Sério? Eu achei que o Jason não... você sabe. Ele não parece...

— Pelo que sei ele só gosta do Leo como um amigo.

— É, dá para perceber quando ele tá engolindo a língua da Piper.

— Que piada da mal gosto. — Nico riu, só porque Percy gargalhava. — Não fale nada para ele.

— Claro. — Percy sentiu um pequeno alivio no peito. Era bobagem desde o começo aquele ciúmes sem sentido. Mas analisando a situação, ele finalmente entendeu como Nico se sentia em relação aquilo. Era dolorido e assustador, mesmo o mais ínfimo motivo, ganhava proporções gigantescas pela imaginação.

— Percy, a máquina de cupcake está dando problemas de novo. — Andrômeda chamou.

— Já vou.

Percy foi ajudar destravar a máquina de cupcake, criação de Leo Valdez, mas nem tirando da tomada e ligando novamente, ela voltou a funcionar.

— Liga para o Leo. Ele pode resolver. — Ela sugeriu ansiosa. Percy deu um longo suspiro. Sabia do interesse de Andrômeda em Leo. Mas vejam como a vida nos prega peças. Ele acabou de descobrir que sua atendente possuía pouquíssimas chances com o filho de Hefesto.

— Certo, eu vou ligar para ele. — Percy viu os olhos cor de uva da filha de Dionísio brilharem. Oh! Merda. Ele odiava aquela sensação de ver alguém que ele gostava tanto se ferrar.

No telefone, só foi falar que a máquina estava com problema, que Leo garantiu que largaria seu trabalho para resolver o problema. Percy agradeceu e desligou.

— Ele já vem? — Andrômeda não conseguia, ou não queria, esconder sua animação.

— É, ele vem. Olha... — Percy havia prometido para Nico que guardaria segredo, mas... Ok! Aquele não era um problema dele. Então controlou sua vontade de cuidar dos outros. — Você vai na minha festa?

— Sim. — Andrômeda preparava um expresso. Ela começou a trabalhar apenas uma semana e já estava no ritmo. — Combinei com Annie e Rachel. Vamos nos encontrar na casa da Drew mais tarde.

E Percy não precisava fazer muitas perguntas, Andrômeda falava pelos cotovelos. Soube que Travis convidou ela para ir no cinema, mas não aceitou porque foi com as garotas no cinema e depois num bar, para comemorar a viagem de Piper.

— Ela vai viajar?

— Não soube? Piper e Jason terminaram. Ela decidiu se mudar com o pai para a China. Ele vai fazer um novo filme e... — É, ela fala bastante.

Já passava das duas da tarde quando Leo entrou pela porta da cafeteria. Ele usava uma capa de chuva amarela e carregava um guarda chuva, mesmo assim estava todo molhado. Andrômeda pegou a capa de chuva dele, levando para os fundos da cafeteria, onde poderia pendurar para secar. Percy mostrou a máquina com problemas e imediatamente Leo começou a trabalhar.

— Alguém me empresta uma nota para eu testar? — Leo pediu e Percy entregou para ele uma nota. A máquina estava funcionando novamente. — Voilà.

— Quanto eu te devo, Leo? — Percy perguntou, preparando um bloquinho de notas para assinar e fazer o pagamento.

— É por conta da casa a manutenção dos meus equipamentos.

— Não é justo. Assim você não vai nunca ganhar dinheiro.

Isso era verdade. Percy insistiu mais um pouco até conseguir um número onde pudesse preencher o cheque grego. Ele entregou à Leo, que guardou no bolso da calça jeans.

Depois que o trabalho foi finalizado, Leo resolveu se juntar à Nico na mesa em que ele ocupava. Eles tomaram um chocolate com chantilly feito por Andrômeda.

— Vocês vão querer comer alguma coisa? — Ela perguntou toda solicita e sorridente.

— Aquele cupcake com bolinhas azuis dentro, pode ser? Valeu señorita. — Leo agradeceu a gentileza com um daquele sorrisos de tirar o fôlego e Andrômeda saiu quase que flutuando dali.

Nico balançou a cabeça, ele costumava ver garotas apaixonadas por Percy as pencas. Por isso sabia muito bem quando via uma garota suspirando apaixonada. Mas como Percy, Leo era um pouco avoado para notar essas coisas.

— Você vai na boate essa noite, não é? — Ele perguntou, deixando de lado os suspiros de Andrômeda.

— Não tenho certeza. — Leo fez uma carinha de cão sem dono. — Eu não estou afim de segurar vela, sabe?

— Vai ter umas duzentas pessoas lá. Não é como se você fosse o único solteiro.

— É. Mas... — Leo falou baixinho. — Eu não sei se quero encontrar aquela pessoa.

Nico compreendeu. Ele sabia pelo o que Leo passava. Ver Percy com outra pessoa causava-lhe uma dor angustiante. E não queria que Leo sentisse isso.

Por acaso Percy estava ali próximo e ouviu a conversa quase sem querer. Eu falei quase. Mesmo que tivesse prometido para sua consciência que não iria se intrometer na vida dos outros, Perseu Jackson não poderia ver seus amigos tristes ao seu redor.

Então era isso. Recapitulando. Travis gostava de Andrômeda que gostava de Leo, que por sua vez, gostava de Jason, que terminou o namoro com Piper, que foi embora para a China. Perfeito!

Não, espera. Percy! Eu não entendi. Volta e me explica melhor o que você planeja.

É, ele já foi.



Notas finais do capítulo

- Srta Valdez e Bincky, agradeço as palavras incentivadoras em suas recomendações, achei muito amor;

— O que será que o Percy vai aprontar? hehe alguém vai fazer apostas, mandem um comentário com o que acham.


Para quem curte Percy/Nico:
http://fanfiction.com.br/historia/439926/Can_You_Feel_My_Heart/