Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 32
Ninguém está pronto para: O que acontece em Vegas...


Notas iniciais do capítulo

(Parte 1) O que acontece em Las Vegas...
(Parte 2) Fica em Las Vegas!



A suíte Hebe não era tão luxuosa quanto a suíte Afrodite por vários motivos, mas, ainda assim, era um quarto espetacular. Assim como os demais quartos do Hotel.

Leo e Alex dividiam o apartamento que condizia com uma sala de estar, uma cozinha atrelada e dois quartos. Nenhum dos dois sentiram-se rejeitados por não estarem no último andar do prédio, onde ficavam as melhores suítes, ao contrário, assim que entraram, sentiram-se mais aliviados por estarem longe daquele clima pesado no topo do Hotel Cassino.

Alex abriu a porta da geladeira e pegou uma garrafa de cerveja, perguntando se Leo queria também. Leo preferiu refrigerante, não queria misturar mais álcool do que poderia suportar depois.

Ele deitou no sofá, tirando os sapatos e aconchegando-se entre as almofadas macias. Alex entregou a lata de refrigerante e se pôs de frente a janela de vidro.

— Porque essas janelas não abrem? — Leo perguntou, deixando cair um pouco de refrigerante na camiseta.

— Por questões práticas. Estamos no deserto, pode chegar até 40º de noite. Esses lugares precisam de ar-condicionados potentes, e para maior eficiência, é necessário que tudo esteja fechado. — Alex bebeu um gole da cerveja. — Além do mais, o índice de suicídio diminuíram bastante depois que todas as janelas foram fechadas. Imagina só quantas pessoas se jogavam daqui de cima após perder todo o dinheiro que possuía?

— É um pouco deprimente. Eu me diverti muito hoje, mas senti como se a vida não passasse. Você pode ficar aí para sempre jogando enquanto eles te dão bebida e tudo o mais.

Leo refletiu, com as mãos atrás da cabeça.

Alex terminou sua cerveja e esticou os braços para o alto, alongando-se.

— Falando nisso, daqui a pouco vai amanhecer e a gente nem dormiu. — ele olhou para Leo, que estava de olhos fechados no sofá. Pensou que ele estava dormindo, por isso abaixou-se ao lado do rapaz, e mexeu em seus cabelos, tirando a lata de refrigerante da sua mão.

Alex estava tentando ser imparcial naquela viagem. Ele queria muito poder controlar toda a sua vontade de acabar com aquele teatro que encenavam juntos e fazer o que sentia realmente vontade de fazer.

O que mais poderia ser? E, o mais importante, Jason estava há milhares de quilômetros de distância deles. Porque seu autocontrole e ética eram tão bons em momentos como esses? Seria mais simples se jogasse tudo para o alto e aceitasse as consequências que viriam depois.

Ele tombou a cabeça para o lado, apreciando a respiração leve de Leo. Enrolou um cachinho do cabelo dele em seu dedos e depois acariciou seu rosto com um toque bem sutil.

Leo piscou os olhos levemente, abrindo-os. Eles se encararam por um momento, até que Alex se colocou de pé, pedindo desculpas.

— Espere. — Leo falou, quando o filho de Atena partia em direção ao seu quarto. — Tá tudo bem. Esquece isso.

Alex moveu os lábios e desviou o olhar.

— Esse é o problema. Não dá para simplesmente esquecer. — ele declarou, encarando Leo de uma vez. — Eu não sei se você sacou o que está rolando aqui, já cansei de tudo isso. Não quero colocá-lo na parede, mas também preciso decidir o que fazer da minha vida. E uma coisa eu tenho certeza, não quero passar minha vida nas sombras de um sentimento ao qual eu não poderei viver.

Leo abriu a boca, sem sabe o que falar. Ele coçou a cabeça, pensando na melhor maneira de dizer o que se passava com ele.

— Cara, tanta coisa acontecendo nesse momento, eu não sei se é certo a gente falar sobre isso agora. — Tentou inutilmente desvirtuar o rumo da conversa.

— Sempre vai ter alguma coisa acontecendo. Você não percebeu isso?

— É, mas nem sempre alguém como Luke aparece assim do nada, nem um amigo seu torna-se rei do mundo inferior. Essas coisas são bem anormais, para ser sincero.

Alex suspirou pesadamente, aproximando-se de Leo.

— Eu não vou forçá-lo a ter essa conversa se você não quer. Mas preciso saber de uma coisa. — Alex levou sua mão até o pescoço de Leo, deixando seus dedos escorregarem pela curvatura, até o ombro. — Quais chances eu tenho com você?

— C-como? — eu gaguejou, sentindo uma chama ascender em seu peito. E eu não estou falando de fogo.

— Se você ama o Jason, porque está aqui comigo?

— Você sabe, eu vim para ajudar.

— Você poderia ajudar também estando ao lado de Jason — Alex deu mais um passo, ficando de frente para Leo. Eles estavam próximos o suficiente para sentirem a respiração um do outro. — Não brinque com meus sentimentos, Leo. Eu posso ter princípios, mas não vai durar muito, não enquanto eu tiver você a um passo de mim.

Leo engoliu seco. Ele estava visualmente perturbado e Alex sabia que era muito bom em persuadir as pessoas. Só que ele queria ouvir Leo dizer, tomar a iniciativa. Queria que ele o escolhesse.

Mas Leo não respondeu. Ele não decidiu nada e também não tomou a iniciativa. A mão de Alex escorregou pelo braço de Leo e ele o deixou na sala, avisando que dormiria um pouco.

***

Drew sentou-se na cama ao lado de Annabeth, já que ela estava mais calma. Percy sentou-se do outro lado da cama e passou as mãos nos cabelos loiros da amiga. Butch estava de pé, observando tudo com os braços cruzados e algumas veias sobressaltadas na testa.

— Docinho, nós sabemos como você se sente. — Drew começou falando. — Essa história é muito maluca, mas o que em nossa vida não é assim maluco? Vamos dar uma chance para ele.

Annabeth não disse nada, ela olhou para Percy, esperando que ele falasse alguma coisa para convencê-la a aceitar o retorno de Luke.

— O que? Eu não sou bom com essas coisas, vocês mesmo viram. — Percy tentou tirar o corpo fora, mas Drew o olhou severamente. — Certo! Muito bem… Olha, Nico trouxe Luke para cá. Ele deve ter algum plano para ter feito isso, ou você acha que ele mandaria alguém perigoso para nos machucar?

— Não é certo, Percy. Até ontem ele estava morto e agora está bebendo uísque na nossa sala.

— Hazel também estava morta, mas ela voltou. Você quer que ela morra novamente?

— Não foi o que eu quis dizer....

— É quase a mesma coisa, querida. — Drew segurou a mão da amiga. — Quando Luke nos deixou, eu sofri tanto quanto você. Eu queria ter ido embora com ele, tive a chance de fazer isso inúmeras vezes... mas eu não fui, me arrependo disso. Porque eu acho que se estivesse ao lado dele, poderia tê-lo feito mudar de ideia. Quem sabe minha irmã não estaria viva agora? Vou viver com essa culpa para sempre no meu peito.

— Ainda tem aquela profecia... — Annabeth encolheu-se no travesseiro, sentindo que as coisas nunca ficariam normais em sua vida.

— Que profecia? — Drew perguntou sem saber do que ela estava falando.

— Tem razão, vocês não estavam lá quando Rachel revelou a nova profecia. — Annabeth repetiu as mesmas palavras ditas por Rachel.

— Que maravilha. — Percy deu um sorriso mentiroso. — Pelo menos já sabemos quem teve uma nova chance, a não ser que Nico queira trazer mais alguma alma para esse plano.

Annabeth olhou para Butch.

— O que você acha?

Ele respirou fundo, descruzando os braços. De repente, as veias sumiram de sua testa e sua expressão ficou mais branda. Percy levantou-se e Drew também, eles acharam melhor deixar o casal sozinho.

Butch beijou a testa de Annabeth, deitando-se ao lado dela.

— Você é a esperta aqui. Sabe muito bem o que fazer.

***

Luke presenciou o nascer do sol acompanhado de Dante. Não era bem a companhia perfeita para uma cena tão mágica, mas ele não podia reclamar muito.

Ele tentou manter um diálogo saudável com o filho de Ares, mas era um pouco complicado quando a outra pessoa dava respostas monossilábicas. A parte boa era quem Dante não tinha nenhum problema com discrição e ia direto ao ponto. O que ele queria saber, ele perguntava. Isso, Luke se recordava muito bem. Além dele ser um ótimo lutador. Lembrava-se perfeitamente de um soco que levou há alguns anos, antes dele partir do acampamento. Claro que foi tudo um engano, porque Luke jamais teve nenhum tipo de interesse amoroso com Drew. O objeto de ciúmes e desejo ao qual eles discutiam no momento. Depois do esclarecimento, Dante pareceu menos intimidador, mas ele ainda estava com um pé atrás em aceitar a presença de Luke.

— Você tem minha palavra de que eu não farei mal algum a ela. Drew é como uma irmã para mim.

— Ótimo, porque eu não pensaria duas vezes em te mandar para o inferno.

— É muito bom esclarecer as coisas com você, meu amigo. — Luke estendeu a mão e eles terminaram a conversa com um aperto. Um pouco exagerado da parte de Dante.

Drew e Percy retornaram para sala, avisando que logo mais os outros dois também viriam. Eles agora tinham algo mais importante para fazer. Falar com Dionísio e Quíron.

— Acho melhor a gente dar a notícia primeiro para Quíron, ele saberá como lidar com o Senhor D. — Percy comentou — Quem tá a fim de estragar a festa do Senhor D?

***

A reação que esperavam do deus era outra, mas Dionísio estava gargalhando em sua cadeira de couro, com uma lata de Diet Coke na mão. Ele até limpou as lágrimas que caíram de seus olhos, após a histérica gargalhada. Quíron, sentado em sua cadeia de rodas, também não entendia nada. Ele preferiu não questionar a lucidez do deus e cumprimentou Luke pelo seu retorno.

O Senhor D. deu uma sonora gargalhada.

Percy olhou para Luke, e balançou os ombros. Ele só sabia que D. era maluco, e pronto.

—Então, deixe-me ver se eu entendi direito. — D. controlou sua risada mais uma vez. — O moleque de Hades está preso no mundo inferior e para avisar Perry, mandou de volta Lucio. Para completar, aquela ruivinha sardenta nos deu de presente uma nova e excitante profecia?

— Resumindo, é. — Percy concordou.

— Ok! Aqui vai uma pergunta importante para você, Pedro. — D. abriu uma nova latinha de refrigerante. — Onde está o livro de poções que eu mandei você recuperar?

— Eu estava procurando por Nico e por isso suspendi as buscas do livro.

— Oh! Você suspendeu. Interessante. — D. olhou para Quíron. — Então o livro mágico está por aí com uma louca que explodiu meu acampamento. Muito bem, e o senhor Lucas, por acaso acha que vai poder retornar para o acampamento como se nada tivesse acontecido?

— Não, senhor. Eu não pretendia retornar. Drew vai me acolher em sua casa.

— Perfeito, a crazy girl que perdeu os poderes vai acolher o moleque ressuscitado. Devo dizer que essa história fica melhor a cada ato. Então, me respondam outra coisa: Quem disse que eu me importo com tudo isso? Sinceramente, vocês semideuses já foram mais espertos. Houve uma época em que sacrifícios eram feitos em meu nome como prova de amor e fidelidade. Mas hoje em dia só ouço pedidos de ajuda e problemas para resolver, ninguém mais respeita os deuses.

— Não é como se fosse fácil para nós. Com deuses tomando as decisões e mudando nossas vidas, mas quando precisamos de ajuda, vocês apenas dizem que não podem. — Percy bateu as duas mãos na mesa de Dionísio. — Por mim, eu nem teria vindo aqui, mas Annabeth insistiu. E eu ainda respeito a opinião dos meus amigos.

Percy virou-se e saiu da sala. Luke foi atrás dele, dando um até mais para os mais velhos.

— O que foi isso? — D. perguntou. — Porque aquele moleque não ressuscitou o filho da Musa Terpsícore? Como ele se chamava? Elton Presley.

— Elvis. — Quíron o corrigiu.

— É, é. Ele tinha ritmo.

***

Leo não conseguiu dormir. Ele deixou o Hotel Cassino e passeou por Las Vegas. Acabou encontrando um ferro velho onde passou algumas horas entretido com vários motores e aparelhagem eletrônica. O dono do ferro velho não entendeu nada, mas também não o impediu de trabalhar de graça.

Quando sentiu fome, Leo comprou um lanche e sentou em um banco de frente para a fonte do Hotel Bellagio. Lembrou-se de que Alex falou sobre essa fonte durante a viagem até Nevada.

Pensar em Alex não ajudou muito. Leo estava confuso com aqueles sentimentos. Ainda não sabia como nomeá-los, mas estava tirando-lhe o sono. E, às vezes, quando dormia, nos sonhos Alex também tirava sua tranquilidade.

Ele também se sentia mal por ter deixado Jason partir sozinho. Achou que seria mais fácil, só que não foi não. Leo não negava a atração que sentia por Alex. Ora essa, quem conseguiria resisti? Poderia passar o resto da tarde listando as qualidades de Alex. Não era possível, ele deveria ter algum defeito.

Leo tombou a cabeça para o lado, observando a dança das águas da fonte do Bellagio.

— Eu sou um idiota. — ele se levantou do banco.

Fugir não era mais uma opção. Mesmo porque, eles iriam se encontrar uma hora ou outra.

Quando chegou ao Hotel, Leo encontrou Percy atravessando o saguão furioso, atrás dele estava Luke Castellan, os dois caminharam na direção da piscina do hotel. Leo preferiu não interromper nada, ele já tinha os próprios problemas para resolver.

O quarto estava silencioso quando Leo entrou. Ele fechou a porta e deu uma olhada melhor na sala e na cozinha compacta, caminhou em passos leves, sem fazer barulho, até os quartos.

A porta do quarto de Alex estava fechada. Leo abriu-a devagarzinho. Encontrou a cama vazia e uma mochila sobre ela. Leo entrou no quarto e Alex estava saindo do banheiro com uma escova de dentes dentro da boca. Ele vestia apenas uma calça jeans e os tênis.

— Oi, eu achei que ainda estivesse dormindo. — Leo falou sem jeito.

— Acabei de acordar. Dormi demais. Podia ter me chamado mais cedo, eu só queria descansar um pouco. — Alex estava com a boca cheia de pasta de dente, mas conseguiu ser compreendido por Leo. — Alguma novidade?

— Err... não, na verdade… — ele andou até a cama, pensou em sentar mas decidiu ficar de pé mesmo. — Eu queria dizer uma coisa.

— Ok! Deixa só eu lavar a boca. — Alex retornou do banheiro cinco minutos depois, segurando uma toalha de rosto. Ele procurou uma camiseta dentro da mochila e vestiu.

Leo não era muito bom com as palavras como Alex, ele não saberia dizer sobre seus sentimentos confusos sem parecer uma capivara perdida. Por isso, a melhor coisa a fazer era esclarecer tudo da maneira mais simples.

— Hoje cedo você me perguntou quais as chances que teria comigo.

— Olha… você não precisa fazer isso. — Alex não pode prosseguir, porque Leo ergueu a mão falando para ele escutar. — Tudo bem.

— A verdade é que eu não sei. Está tudo confuso. Eu acho você bonito e atraente, não devia, mas eu acho. — Leo deu um sorriso bobo, levando a mão ao cabelo. — Sua companhia tem sido boa para mim. Eu gosto de estar com você.

Alex abriu um sorriso do tamanho do mundo. Era quase tudo o que ele queria ouvir.

— Isso me deixa feliz. — ele comentou, mesmo sabendo que devia ter um “mas” para estragar tudo.

— Só que eu não posso simplesmente esquecer o Jason. Eu passei tanto tempo apaixonado por ele, que agora que tenho uma chance, não posso deixar escapar.

Leo andou de um lado para o outro, nervoso.

— Entendo. Você só sente atração por mim, mas ama ele. — o tom da voz de Alex era de depressão. Leo esfregou as mãos no rosto, percebendo que estava prestes a cometer um erro. Mas um erro que queria muito realizar. Ele diminuiu a distância entre os dois com passos rápidos, levando suas mãos ao rosto de Alex com uma urgência desesperadora. Grudou seus lábios nos de Alex, que, a princípio, aceitou o beijo um pouco surpreso. Mas depois que a ficha caiu, Alex abraçou Leo pela cintura e o segurou de uma maneira que não o quisesse largar nunca mais.

O beijo não durou muito, em minutos não. Mas pareceu durar alguns meses ou anos em algum universo alternativo.

Leo afastou-se de Alex da mesma maneira em que buscou por aquele beijo. Rápido e sem jeito. Ele queria poder saber o que dizer naquele instante, mas ainda estava sentindo alguma coisa muito estranha. E boa.

— Uau. Isso foi… — Alex balançou a cabeça, com um sorriso bobo — Bem inesperado.

— Eu não devia ter feito isso. — Leo lamentou —, sinto muito.

— Não precisa sentir muito. — Alex aproximou-se, ele não se inibiu em abraçar Leo, da mesma forma que fez antes. — Eu quero você, mais do que qualquer outra coisa. Mas não quero ter que enganar outra pessoa.

— Aquela poção, eu jamais deveria ter dado para Jason. Sinto que tudo ficou errado depois daquilo.

Alex segurou o rosto de Leo, dando-lhe um beijo carinhoso na boca, depois sorriu confiante.

— Você precisa ser sincero com ele e com você. Só assim vai se sentir melhor. Até lá, eu estarei aqui. Não sei por quanto tempo, mas estarei.

Os ombros de Leo relaxaram por algum tempo. Ele experimentou aquela sensação boa de estar nos braços de Alex por um tempo curto.



Notas finais do capítulo

Muita coisa aconteceu nesse capítulo, tive que fazer isso ou senão vocês acabam esquecendo onde cada personagem está, e o que estão fazendo.
Obviamente o Leo e o Alex tão se dando bem hehe

A gente se vê em breve. Obrigada por me acompanharem. Até mais nos comentários, onde vou esclarecer a galera curiosa :D

Beijos


PS.: Para quem está com saudade de Pernico e não leu a nova oneshot:

http://fanfiction.com.br/historia/521706/A_little_piece_of_heaven/