Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 31
Ninguém está pronto para: Surpresas em Las Vegas


Notas iniciais do capítulo

Retorno de Luke vai fazer alguém desmaiar?



A bolinha branca girava na roleta e uma quantidade de olhos acompanhavam sua trajetória. De repente, ela parou no número quinze, preto. Uma comoção ocorreu ao redor da mesa. Leo comemorou a sorte no jogo, enfiando as fichas nos bolsos da calça. Decidiu parar enquanto estava ganhando. Porque a vida lhe ensinou que, quando as coisas estão indo bem demais, algo extremamente ruim acontece. Leo não estava a fim de pagar para ver.

— Que tal tentar a sorte com as cartas? — Alex desafiou Leo.

— Você entende alguma coisa de blackjack?

Alex deu um sorriso como resposta. Os minutos seguintes fizeram Leo rolar do topo da montanha da vitória. O que ele poderia fazer? As crianças de Atena deveriam ser proibidos de entrarem nos cassinos.

— Você poderia ir em todos os cassinos de Las Vegas. — Leo comentou com um tom de voz baixinho. — Ficaria rico.

— Não é uma boa ideia. Os cassinos possuem sistemas de segurança muito bom. Eles suspeitariam de um jogador que vencesse sempre. Iam me notar facilmente.

— Eu não tenho dúvida de que eles notariam você.

— O que você falou?

— Nada — Leo apontou para o bar — Vem, a galera está reunida ali.

Eles caminharam até o grupo de amigos. Rachel estava com uma taça de champanhe e Leo não sabia se era uma boa ideia deixá-la continuar bebendo tanto. Dizia ela que estava comemorando. O que, ninguém sabia, mas ela era boa nessa coisa de comemorar.

Foram para a boate que ficava dentro do hotel, mas do outro lado da propriedade. Os casais foram se formando conforme eles dançavam e se divertiam. Leo viu Dante ir atrás de Drew depois que eles tiveram uma breve discussão no meio da pista de dança. Annabeth e Butch dançavam agarradinhos ignorando o ritmo frenético da música que tocava. Ao seu lado, Andrômeda e Travis Stoll se beijavam. O mais interessante foi saber que Connor estava mais interessado em Steve, o filho de Deméter, que trabalha no Café Crepúsculo dos Semideuses, que vocês sempre esquecem que existe.

Leo cutucou Rachel, que girava bêbada na sua frente.

— Você sabia?

— Oh! Sim, sim. Eu os peguei uma vez nos campos de morango — ela deu uma risadinha, segurando-se nos braços de Leo para não cair — Você sabia que Steve namorava escondido Miguel, do chalé de Ares?

Alex ajudou Leo levar Rachel até uma cadeira vazia. Ele trouxe uma garrafa de água para ela beber. Rachel bebeu toda a água da garrafa de uma vez só.

— Acho melhor levá-la para o quarto. — Alex comentou, enquanto tentava manter Rachel sentada.

— O que tinha naquelas bebidas?

— Vamos Rach. Vou por você na cama. — Leo contou até três e eles a ergueram, na saída para a boate, encontraram Annabeth e Butch.

— O que aconteceu? — Annie segurou o rosto de Rachel com as duas mãos, preocupada.

— Eu bebi um pouquinho. — ela gargalhou, abraçando Annabeth. Não durou muito, pois um minuto depois, os olhos de Rachel estancaram e a sua postura modificou-se. — A alma perdia para a Terra retornou, e uma nova chance ele ganhou. Das mãos do amor, uma vida sucumbirá. E a deusas mãe regressará, quando a verdadeira morte despertar.

Para completar, ao terminar de revelar uma profecia, Rachel virou-se para o lado e vomitou nos sapatos de Butch.

***

Percy falou por mais de duas horas sem parar.

Ele contou tudo o que achou importante dizer para Luke se situar melhor no mundo atual. É claro que algumas informações foram ocultas, e outras ele acabou esquecendo. Mas no fim, Luke deu um sonoro assobio, balançando a cabeça com tanta informação.

— Nossa, eu não imaginava que Victor Oren pudesse se tornar prefeito de Nova Iorque. Os filhos de Atena não tem mesmo limites. — Luke mexeu nos cabelos, olhando para Percy. — Annabeth está aqui também?

— Sim. Quase todo mundo veio para a inauguração do Hotel Cassino. Você já encontrou mais alguém?

— Não, você foi a primeira pessoa que eu procurei. Meu senhor especificou que você era a pessoa a quem eu deveria me revelar primeiro.

— Chamar Nico de “meu senhor” é tão… estranho.

— É automático, desculpe. Vou tentar não falar isso, as outras pessoas podem não entender direito.

— Você sendo todo solícito também é estranho. Parece Luke, mas algo está diferente.

— Como assim?

— Não sei... você foi meu amigo, inimigo... e agora eu não sei mais o que você é.

Luke abaixou a cabeça.

— Olha, eu também não sei mais quem sou. — ele sorriu brevemente. — Mas estou aqui para descobrir isso. E, tenha certeza de que eu não quero ser alguém ruim. Eu quero aproveitar essa oportunidade para tentar de alguma forma, me redimir do que fiz na minha vida anterior. Claro que algumas outras vidas que foram perdidas deveriam ter tido essa oportunidade, em vez de eu estar aqui conversando com você. Mas não é assim que as coisas funcionam. Infelizmente.

Percy olhou as horas no celular, já passava da meia-noite. Ele não sabia se era possível seus amigos já terem retornado, mas poderiam aguardar na suíte Afrodite. Eles só precisaram atravessar o corredor e pronto.

Assim que Percy passou o cartão para abrir a porta, ele encontrou Leo e Butch em pé no meio da sala. Alex estava sentado no sofá e Annabeth apareceu logo em seguida, avisando que Rachel já dormia.

— Percy! Onde você estava? — Annie perguntou. — Está tudo bem?

— Sim, sim. Eu só tenho algo muito importante para dizer.

— Nós também. Rachel citou uma profecia, precisamos juntar todo mundo e conversa e…

Percy fechou a porta rapidamente e levou Annabeth para mais perto do sofá, pedindo para ela sentar. Ela não estava entendendo nada quando ele começou a falar sobre as coisas estranhas que sempre aconteciam com eles. E que nada poderia ser assim tão ruim, somente maluco.
Sim, foi uma péssima introdução.

Dude, do que você está falando? — Leo caiu sentado no sofá ao lado de Alex. — Parece até que viu uma assombração. — ele riu, mas Percy só estreitou os olhos.

— O que eu quero dizer, é que não quero que você fique nervosa ou histérica quando te contar isso.

— Isso o que? — Annabeth levantou-se e balançou a cabeça, imaginando que Percy havia bebido. Ela direcionou sos olhos para a porta da suíte que se abria.

Seus olhos marejaram quando encontrou Luke parado à porta. Primeiro achou que fosse uma miragem, ou alguma brincadeira de mal gosto da névoa. Mas, assim que ele caminhou em sua direção, falando com ela, seu coração retumbou dentro do peito.

— Eu estva no corredor, esperando ser anunciado, mas se depender de Perseu, eu passaria a noite lá.

— Luke. Você, você está morto. — Annie levou as mãos à boca. — Não pode ser. Você morreu na minha frente!

— Sim, eu morri. Mas estou de volta — ele moveu o corpo e balançou os braços de um lado para o outro. — Mais vivo do que da última vez que nos vimos. Se bem que eu não me lembro do dia em que morri.

Todos na sala (todo não, Percy já havia superado o choque) estavam de boca aberta. Percy começou a breve explicação e Luke terminou dando alguns detalhes que o filho de Poseidon esquecera.

Butch segurou uma das mãos de Annabeth, perguntando se ela estava bem. Annie balançou a cabeça negativamente, e correu para seu quarto, pedindo para ficar sozinha quando Luke a chamou para conversar.

Ignorando o pedido de Annabeth, Butch decidiu ir atrás dela. Antes, ele apontou o dedo na cara de Luke, ameaçando-o.

— Você pode estar vivo agora, mas se fizer algum mal para ela, eu te mato com minhas próprias mãos.

Percy esqueceu de contar para Luke que os dois estavam juntos, então aquela cena fez mais sentido para ele quando soube da novidade.

— Ah! Luke. Esses são Alex e Leo. Vocês não chegaram a conhecê-lo, mas já ouviram falar de Luke Castellan. — Percy fez as apresentações.

— Você já estava morto quando eu fui para o acampamento. — Leo estendeu a mão, sentindo que tinha falado mais do que devia, mas Luke apenas deu um sorriso gentil e apertou a mão dele.
Alex também fez o mesmo, estendendo a mão para Luke, que segurou a mão dele com força.

— Filho de Atena. Os mesmos olhos de Annabeth, embora você seja mais alto e forte do que as crianças com a qual eu convivi na minha época de Acampamento.

— Sim, costumam sempre me dizer isso dos olhos. —Alex falou sem jeito, apontando para seu rosto

— Quanto a ser forte, deve ser porque eu trabalhei muito na fazenda.

— Você deve ser muito bom com espada ou lança, tendo um braço assim, tão forte — Luke comentou e Percy olhou para ele, cruzando os braços, assistindo aquela conversa. Era tão louco que não conseguia nem imaginar como tudo poderia mudar com o retorno de Luke ao acampamento. Se é que ele seria aceito novamente.

Percy também reparou em Leo. Ele parecia completamente deslocado, e com uma ponta de ciúmes formando no topo de sua testa. Era tão ridículo que Percy sentiu-se incomodado por Jason não estar ali para cuidar do que era dele.

A porta da suíte foi aberta novamente, dessa vez Drew entrou como uma bala de canhão. Não foi surpresa alguma ver Dante atrás dela.

Drew ergueu a mão para mandar Dante calar-se, só que ela parou congelada no hall de entrada. Virou-se lentamente em direção a sala de estar.

Luke acenou para ela.

Oh my Lord. — Drew gritou emocionada — Honey, você está aqui?

Yeah, baby. — Luke abriu os braços, recebendo Drew que saltou-se sobre ele. Ele a abraçou calorosamente, dando-lhe um beijo no rosto.

— Como isso é possível? — Drew secou as lágrimas rapidamente — Eu não acredito, você está vivo.

Dessa vez Percy deixou que o próprio Luke explicasse o que estava acontecendo. No final, Drew estava com um enorme sorriso nos lábios, comemorando o retorno dele. Enquanto isso, de braços cruzados e com uma cara azeda, Dante questionava aquele retorno.

— Depois de tudo o que você fez, das pessoas que matou, acha que vai ser bem recebido por todo mundo?

Percy também esqueceu de contar que Dante e Drew estavam tendo um tipo de caso muito estranho. Se bem que, Percy nem sabia que Luke e Drew eram assim tão íntimos.

— Tem razão, Dante. Eu não pensei em retornar para o Acampamento. Na verdade, eu não sei ainda o que fazer daqui em diante. — Luke avaliou sua situação por alguns segundos.

— Pode ficar na minha casa. — Drew sugeriu. — Se precisar de um emprego, temos uma vaga sobrando na boate.

Dante bufou.

— Você não disse que estava indo embora para o Japão? — ele a contestou.

— Sim, eu estava, mas agora não estou mais. — Drew girou os olhos, voltando a sorrir para Luke.

— Silena amaria vê-lo novamente. — ela acariciou o rosto de Luke.

— Sinto muito por tudo o que fiz a vocês do Chalé de Afrodite.

— Eu também sinto, honey. Minha melhor amiga se foi, mas ela partiu como uma heroína, não se sinta culpado. Você foi manipulado todo esse tempo e no fim, você se redimiu.

— Obrigado, Drew. Mas eu fiz muitas coisas erradas. Não posso simplesmente lavar minhas mãos para aqueles que se machucaram por minha causa. — Luke olhou para todos na sala, até mesmo para Dante que não estava muito satisfeito. — Vocês tem todo o direito de desconfiar, mas eu estou sob o controle de Nico Di Angelo. É bom que saibam disso, já que, na primeira tentativa de fugir ou algo mais severo… ele pode muito bem me puxar para o mundo inferior.

***

Nico estava sentado na bancada da cozinha, descascando uma maçã e comendo. Ele assistia ao programa de Culinária da TV Hefesto. Deméter era a convidada do dia e estava ensinando a todos como fazer uma horta simples na sacada de um apartamento em Nova Iorque, em seguida, ela fez alguns pratos rápidos com os vegetais e legumes cultivados.

É claro que, para um deus mitológico, era fácil fazer um cozido em alguns segundos, principalmente quando o deus do fogo está ajudando-o na cozinha.

Nico mudou de canal várias vezes até encontrar algo que prestasse. Acabou deixando no seriado Arrow. Ele sabia que Perséfone adorava aquela série e ela já estava quase chegando.

— Querido, onde você está? — falando nela. Perséfone entrou na cozinha com uma cesta de flores. — Te achei. Tenho novidades do seu pai.

Nico desceu da bancada de mármore animado, estava esperando falar com Hades há muito tempo, mas nada do que ele tentava dava certo. Nem mesmo ressuscitar Luke Castellan resultou no aparecimento dele. O plano original era esse, fazer Hades voltar ao mundo inferior após descobrir que Nico estava brincando de mandar gente morta para a Terra, com a ajuda de Apolo.

Por falar nisso, o som da lira dele ainda perturbava os ouvidos de Nico.

— Onde ele está?

— Ainda no Olimpo. Mas me informou que soube por Apolo, que você ressuscitou uma pessoa sem a autorização de Thanatos, a personificação da morte está muito decepcionada. Seu pai teve que ter uma longa conversa com os deuses sobre isso.

— E o que eles tanto conversaram? Vão me punir? Trazer o Luke de volta?

Perséfone suspirou, olhando para a televisão, ela realmente gostava muito de Oliver Queen, lembrava os antigos guerreiros. Tão difíceis de serem achados hoje em dia, senão na tela da TV, encenando uma batalha. Ela sentia saudades dos velhos tempos.

— Sinto muito, meu querido. Mas não. Eles não irão te punir e nem Luke Castellan. Na verdade, sua atitude trouxe a tona uma antiga rivalidade entre os deuses. O que eles acham muito divertido.

— Eu não entendo. — Nico esfregou os olhos, se não seria punido, então porque Hades ainda o mantinha preso no mundo inferior?

— Fazia muito tempo que eu não via aquela sala do Monte Olimpo vibrar. Eles estão muito animados com o que acontecerá daqui em diante.

Nico esmurrou a bancada da cozinha, fazendo Perséfone sobressaltar com aquela atitude.

— Eles estão sentados lá em cima assistindo nossas vidas como se fosse uma merda de um programa? Eu estou cansado disso.

— Acalme-se querido. Infelizmente, algumas coisas, os deuses nada podem fazer. Não podemos interferir nas decisões dos humanos.

— Mas vocês estão interferindo na minha decisão de querer permanecer ao lado de Percy — ele esbravejou, afastando Perséfone. — Não entendem que eu posso me conter? Eu jamais faria mal algum as pessoas que amo. Muito menos a cidade.

— Nico, você não entende.

— Não! Eu realmente não entendo. Se eu sou tão perigoso assim, porque você simplesmente não me mata? — ele pegou a faca de cozinha e entregou para Perséfone. — Tudo acabará se me matar. Eu ficarei aqui para sempre, como vocês querem.

— As coisas não são assim tão simples. É preciso ter vida para reinar no mundo dos mortos.

— Eu não entendo o que vocês dizem. — ele gritou. — Uma única vez poderia falar sem charadas? Estou cansado disso.

Perséfone colocou a faca sobre a bancada e tentou acalmar Nico, mas ele a deixou ali sozinha. Sentia uma dor em seu peito, espalhando-se pelo resto do corpo. Mas logo a dor passou. Nico sentiu a presença de Percy. Ele não estava ali ao seu lado, mas podia sentir tudo o que Luke estava sentindo.



Notas finais do capítulo

Oi gente! Que saudade de vocês hehe
Ando tão ocupada que mal estava entrando aqui no site. Muito trabalho, estudo e outras coisas mais. Só que, sempre que tenho um tempinho vago e feliz, venho aqui :D

êÊê profecia, apesar de escrever poemas, quando preciso de uma rima, nunca dá certo :v
Vou deixar vocês se divertirem pensando do que se trata ela ehehueuheuh
Ps.: Não tem nada a ver com a dona Gaia. O universo mitológico é tão vasto, não se apeguem apenas aos contos gregos lalala

Luke meu amorzinho voltou, estava louca para fazer uma história sobre ele, mas não tenho tempo para isso, então eu tô matando muita minha saudades dele. (Se bem que eu gosto mais dele malvado e possuído, ok vou me esforçar)

Conversamos mais nos comentários, hoje eu tô animada aeee
Vamos que Vamos.
beijocas