Ninguém está pronto para a vida escrita por Kori Hime


Capítulo 26
Ninguém está pronto para: Amor e Guerra Parte 2


Notas iniciais do capítulo

Quem está pronto para lutar e perder por amor?



Leo Valdez desceu da motocicleta levemente constrangido após ter apertado as costelas de Alex com tanta força. Mas a culpa era do próprio por ter acelerado de maneira imprudente e costurado o trânsito das ruas de Nova Iorque como uma agulha costura uma colcha de retalhos velha. Leo retirou o capacete e ajeitou o casaco de couro que vestia, passando os dedos nos cachos amassados.

— Foi mal pela corrida. — Alex falou, enquanto tirava o próprio capacete. Ele olhava para cima, na esperança de encontrar alguma Harpia ou qualquer coisa que denunciasse um possível ataque. Mas, felizmente, não havia nada no céu.

Leo olhou para Alex, seus cabelos loiros caíam na lateral do rosto após a retirada do capacete. O rapaz balançou a cabeça e aproximou-se do filho de Atena.

— O que vamos fazer? — Leo varreu a rua com seus olhos, não havia nada suspeito por ali.

— Vamos subir e tentar descobrir o que está acontecendo com ela.

Era um bom plano.

Leo acompanhou Alex para dentro do prédio. Foram bem recepcionados pelo porteiro e liberados para subir. No elevador, o silêncio estava predominando. Por um motivo desconhecido, Leo não sabia o que dizer. Pensou pelo menos em uma dúzia de assunto, mas não deu início à nenhum, nem mesmo uma piadinha. Preferiu manter o silêncio frio e constrangedor. Estava acontecendo alguma coisa ali, obviamente Leo sabia disso. Mas ele não tinha o dom da adivinhação.

Alex não fala, Leo não compreende. Tão simples quanto o manual de uma James Albert Bonsack's cigarette rolling machine. Simples, obviamente, para Leo.

— Melhor não falar nada sobre Dante ou o desaparecimento de Nico. — Alex comentou, assim que a porta do elevador se abriu. — Drew não precisa se sentir mais intimidada porque não está mais com seus poderes.

— Sim, senhor. — Leo sorriu, levando a mão até a testa, batendo continência, tentando quebrar o gelo, mas logo a porta foi aberta.

A avó de Drew levou-os para a sala e ofereceu um lanche enquanto a neta terminava o banho. Alguns minutos depois, Drew apareceu na sala não se surpreendendo com a visita dos colegas de acampamento. Sabia que mais cedo ou mais tarde alguém bateria em sua porta.

— Viemos ver se está tudo bem. — Alex começou, com uma voz tranquila, sabendo que precisava confortá-la.

— Estou ótima. — Drew sentou-se no sofá, jogando os cabelos para o lado. — Poderiam ter usado o telefone em vez de vir aqui perguntar como estou.

Leo girou os olhos, aquela máscara fria que Drew usava não parecia mais tão assustadora como quando a conheceu. Seu tom ácido já não era mais o mesmo.

— Fala sério, Dedee. — Ele pulou no sofá. — Butch nos contou tudo.

— Ah, é? Ele contou tudo mesmo? — Drew levantou-se, cruzando os braços. — Contou também que eu fui atacada?

— Sim, por Harpias. Mas você não tem culpa de não tê-las visto. — Alex olhou sério para Leo, que revidou com um balançar de ombros. — Olha, não viemos falar sobre isso. Queremos ajudar a resolver o que aconteceu com você.

Drew riu nervosamente, caminhando pela sala. Ela passou a mão no rosto, seus olhos estavam inchados, denunciando que havia chorado toda a noite.

— Pode até parecer loucura da minha cabeça. — Leo enrolou um cacho do cabelo em seu dedo. — Me parece que você aceitou rápido demais essa condição. Para quem sempre foi muito orgulhosa de suas origens. Ficar sem poderes deve ser um martírio.

— Talvez eu não tivesse que ter tanto orgulho assim das minhas origens. — Drew parou diante da janela. — Talvez meus poderes sejam uma maldição.

Leo olhou para Alex, não entendendo de nada do que Drew dizia. Mas antes que falasse alguma coisa, Alex sentou no sofá ao lado de Leo, cutucando-o para não interromper.

— Uma vez eu também acreditei que meu poder era uma maldição. — Alex segurou uma almofada de tecido vermelho, passando o dedo sobre os cristais bordados.

— Tá bom. — Leo deu uma risadinha. — Se bonito e inteligente agora é maldição?

— Não foi o que eu quis dizer — Alex girou os olhos, não dando importância para aquele assunto. Ele se levantou e segurou as mãos de Drew — Que culpa temos nós de nascermos com esse fardo? Filhos de deuses. As vezes eu me pergunto porque eu? Existe um plano especial para mim? E meus irmãos? Meus amigos.

Drew suspirou.

— Você é um bom amigo, querido.

— Você também é. — Alex sorriu gentilmente — E eu sei que você está numa fase difícil. Mas abandonar tudo não é a solução. Eu sei que o Dante…

— Ora. — Drew recuou. — Se vieram aqui somente para falar sobre ele, podem ir embora.

— Não é somente sobre ele. Mas sobre vocês. — Alex tentou, inutilmente, manter o ritmo da conversa. — Vocês se amam!

— Amor? Você por acaso sabe o peso que essa palavra significa para mim? Vocês não entendem nada de amor.

— E você entende? — Leo se intrometeu na discussão.

— Muito mais do que você. — Drew caminhou pela sala. — Está se iludindo com o charme de seu namorado, mesmo sabendo que ele não mudará por você.

— Você não é vidente pra saber isso. — Leo retrucou, encolhendo os ombros, sentindo-se incomodado com o que Drew acabara de dizer. Ele desviou o olhar de Alex, que tentou retomar o rumo da conversa.

— Estamos aqui para te ajudar. Pode achar que não precisa de ninguém, mas eu sei que ficar sozinho é a pior decisão.

Drew caiu sentada no sofá, com lágrimas presas nos olhos, tentando cumprir a promessa de não chorar na frente de outras pessoas.

— Eu-eu pensei que se não aceitasse de volta meus poderes… — Drew esfregou os olhos com os dedos, manchando o rosto com a maquiagem. — Poderíamos ter alguma chance, mas eu fui tola.

Alex sentou-se ao lado dela.

— Dante?

— Sim, sim. Mas nada que eu fizer, poderá mudar o passado. Dante jamais vai superar a perda da mãe. Ele acredita que o acidente foi obra de Afrodite, por ciúmes.

— Eu não sabia, sinto muito.

— Apenas Tom, Clarisse e Quíron sabem do ocorrido. Rebeca estava grávida pela segunda vez. Perdeu o bebê após cair de uma escada, ela afirma que foi empurrada. Um ano depois, ela morreu em um acidente de carro.

— Sua mãe não faria isso. — Alex a olhou em dúvida. — Ou faria?

— Eu não sei. Mas não seria a primeira vez que isso acontece. Há muitos anos, houve uma série de mortes envolvendo os filhos de Ares e suas mães. Eles acreditam que é uma maldição lançada por Afrodite.

— Fala sério. — Leo interveio — A troco de que sua mãe faria algo assim. Já perguntou para ela?

— Ora essa, poucas são as vezes que somos agraciados pela grande presença dos deuses. — Drew falou irônica. — Você acha que nessas poucas vezes, eu perguntaria se ela andou matando umas criancinhas por aí?

— Não custa perguntar. — Leo aproximou-se do sofá, abraçando Drew. — Hey, gata! Você não pode se martirizar por causa de uma lenda. E se não for verdade? Francamente, Dante acha mesmo que sua mãe matou a mãe dele por ciúmes. Ares é assim tão boa pinta pra fazer a mulherada enlouquecer?

Alex repreendeu Leo com um olhar mais duro.

— Ignore isso. Mas acho que Leo tem razão em uma parte. Você não pode se punir por isso. Você não fez nada de errado e sem poderes, bem, sem poderes você não pode nos ajudar a encontrar Nico.

***

A ideia de morar no mesmo prédio que seu pai havia comprado para sua mãe deixou Nico eufórico, mas, ao mesmo tempo, temeroso. Hades não lhe daria um presente de mãos beijadas. Ou daria? Seja como for, Nico não estava disposto a pagar para ver. Após algumas horas, ele decidiu abrir mão do apartamento para não dever nada ao seu pai. Que morassem embaixo da ponte do Brooklin se fosse preciso.

Nico deixou o quarto sentindo-se melhor do que quando chegou. Ainda faltava uma explicação de Perséfone, que prometeu conversar com ele. E já era uma boa hora de conversar.

Ele encontrou a madrasta cuidando das Bouganvilles em seu jardim. Assim que se aproximou, Perséfone entregou para Nico um par de luvas e a tesoura de jardineiro.

— Me ajude removendo essas ervas daninhas das minhas preciosas flores.

Nico começou cortar as ervas daninhas que impediam as flores se espalharem. A primeira vez que colocou a mão na massa, ou na terra, ajudando-a com o jardim, perguntou porque ela não removia as ervas magicamente, já que era a deusa das flores e ervas. Perséfone sempre sorria graciosamente, dizendo que seu trabalho dava mais prazer fazendo-o manualmente.

Perséfone cantarolava um antigo canto grego, ao qual ela mesma já havia confidenciado para Nico que era sua canção favorita quando criança.

— Muito bem. Está ficando maravilhoso. Obrigada meu querido. — ela lhe ofertou um sorriso de agradecimento, retirando as luvas.

Nico também tirou as luvas, limpando a sujeira de terra em sua roupa.

— Eu não vou aceitar a proposta do meu pai. — ele foi direto ao ponto — Acho muito suspeito ele querer me dar uma casa justamente quando a intenção dele é me manter aqui, no mundo inferior.

Perséfone deu uma risadinha, balançando a mão.

— Não seja tolo, Nico. Seu pai jamais iria se opor na decisão que você tomou.

— Não mesmo?

— Certo, pode ser que ele ainda tenha esperanças de que você caia em si e fique com a família. Mas não duvide das boas intenções de seu pai. Afinal, você é o único filho que lhe resta na Terra.

— Isso que me preocupa. Certamente ele tem algum plano para mim. — Nico balançou a cabeça, jogando os cabelos para trás, já era hora de cortar. — Eu preciso retornar. Percy deve estar preocupado comigo, fiquei fora algumas horas.

— Quando a isso… — Perséfone ainda sorria, mas não de maneira graciosa. Nico conhecia aquela expressão de “Ops...” — Talvez você tenha ficado mais do que algumas horas desacordado.

— O que? — Ele estreitou os olhos e levou as mãos na cintura. — Quanto tempo estou aqui?

— Eu precisava de tempo para preparar uma poção e a flor demora um tantinho para florescer. Sabe, para que a poção seja perfeita, é preciso colher a flor no dia correto. Também tem…

— Quantos dias eu fiquei desacordado? — Nico sentiu o coração bater mais acelerado, imaginando a preocupação de Percy com seu sumiço.

— Três meses.

— O que?



Notas finais do capítulo

Oi oi oiee
Finalmente eu consegui um tempo para relaxar, descansar e publicar capítulo novo.
Quer dizer, eu não relaxei e nem descansei, tô usando esse tempo para publicar essa história e trabalhar um pouco no site :D

Eu voltei ♫♫ espero que vocês não tenham desistido hehe.
Vou viajar amanhã, talvez antes disso eu programe um novo capítulo.

Beijos e saudades.
Até mais, obrigada pela visita. Comente ae o que tão achando, de quem vocês mais gostam, quem sabe na viagem eu não escreva um bônus. (Se eu não dormir eternamente)