Jily - How I met you escrita por ChrisGranger


Capítulo 22
Um antigo aluno de Hogwarts


Notas iniciais do capítulo

Capítulo curtinho só para explicar algumas coisas pessoal!! Boa leitura!



– Professor? - chamou Remus, empurrando a grande porta e entrando cautelosamente na sala do diretor.

– Sim? - respondeu Dumbledore, levantando os olhos de algumas cartas e largando-as na mesa, assim que avistara Remus. - Oh… senhor Lupin, como está?

– Bem… senhor - disse o garoto, sentando-se na cadeira de frente para Dumbledore, quando este a indicara amigavelmente. - er… estou meio preocupado.

Dumbledore deu-lhe um sorriso amigável.

– É normal ter preocupações, sr. Lupin. Principalmente alguém como você, que carrega um fardo, que muitos de sua idade não suportariam aguentar. - tranquilizou-o Dumbledore. - Diga-me, o que o preocupa?

Remus suspirara, contando ao diretor o que acontecera mais cedo, naquele dia, quando Tiago e Lílian acidentalmente ouviram a professora McGonagall e o professor Slughorn conversando sobre algo. Algo sobre ele. Deixara porém em segredo, a parte em que os amigos estiveram planejando descobrir que tipo de criatura seria a que rondava a floresta, chegando a assustar os professores.

O diretor era um bom ouvinte. Ficara em silêncio durante toda a narração do garoto, parecendo captar cada detalhe da história. No final, ele ficara um tempo calado, observando por sobre seus óclinhos de meia-lua o garoto, atentamente.

– O senhor chegou a sair da Árvore nas noites de Lua Cheia passadas? - indagou o diretor, cruzando seus dedos casualmente.

Remus afirmou com a cabeça, encabulado.

– Eu ouvi uivos… e lembro-me que eu saí da casa… tentando descobrir que outro lobisomem estava rondando a floresta. - admitiu Remus. - Eu normalmente não me lembro de muita coisa quando estou transformado, mas desta vez eu me lembrei. Eu me lembro de ter ido até a floresta proibida.

Dumbledore assenara com a cabeça, parecendo avaliar cada parcela da mente do garoto.

– Muito bem… há um lobisomem à solta - ponderou Dumbledore. - e perigoso. Você chegou a vê-lo, sr. Lupin?

– Não sei, senhor… não tenho certeza, mas… - Remus levantara um pouco as vestes de seu braço direito e mostrara ao diretor três marcas de unhas afiadas cravadas em sua pele. - eu percebi isso hoje de manhã.

Dumbledore avaliara os cortes no braço do garoto, parecendo de certa forma, infeliz.

– Muito bem… - dissera Dumbledore, afinal. - Tentarei descobrir algo. Muito obrigado, sr. Lupin.

Aquela fora a deixa para o garoto sair, mas ele permaneceu no mesmo lugar, encarando o diretor, imerso em pensamentos.

– Er… professor? - chamou Remus, mais uma vez. - É só que… você acha que tudo isso vai melhorar? Quero dizer, eu acho que se meus amigos descobrirem que eu sou… um lobisomem, eles nunca mais vão falar comigo. Eu só… não sei se isso tudo está funcionando.

Dumbledore parara avaliando-o, parecendo ao mesmo tempo, pensativo e triste.

– Remus, eu já observei os seus amigos, Srs. Potter, Black e Pettigrew, estou certo?

Remus afirmara.

– Sim… muito encrenqueiros não é? - disse o diretor, com um pequeno sorriso brincalhão nos lábios. - Mas sabe… uns dos poucos garotos que eu sei, que nunca deixariam um amigo de lado por ter um problema, são eles. Pode confiar neles, sr. Lupin, pois eu garanto que são extremamente leais e confiáveis.

Remus sorrira, sem saber se acreditava ou não naquilo. O garoto se levantou, agradecendo ao diretor e abrindo a grande porta da sala.

– Um problema, nunca será considerado como tal se você acreditar que ele pode ser vencido. - disse Dumbledore, antes de Remus sair da sala.

O garoto, avaliara as palavras do diretor durante todo o caminho de volta à torre da Grifinória. Ele nunca duvidara da lealdade dos amigos, porém ser um lobisomem, ia além de seus pensamentos de como eles reagiriam se descobrissem.

– Remus! - exclamou Belle, assim que ele passara pelo buraco do retrato, parecendo extremamente feliz de vê-lo.

– Ei, Remus! Eu e Belle estamos jogando xadrez de bruxo! - disse Pedro, com um sorriso amarelo. - Junte-se a nós!

Remus aproximou-se, estranhando a falta dos outros amigos.

– Onde estão os outros? - perguntou ele, ligeiramente apreensivo com a resposta.

– Er… bem… que outros? - disse Belle, fingindo não entender o que o garoto queria dizer. - Existem tantos outros no mundo, não é?

– É verdade… - concordou Pedro, parecendo um pouco confuso. - ontem eu conheci dois outros!

Belle fizera uma careta, ao mesmo tempo que Remus cruzava os braços, exigindo explicações.

– Estou falando de Tiago, Sirius, Lílian e Abbey. Eles estavam aqui antes de eu sair, onde estão agora?

– Ah… esses outros! - enrolou Belle, sorrindo mais uma vez para Remus. - Eles estão… estão…

– Na biblioteca! - mentiu Pedro, sem saber o que dizer.

Remus fizera uma cara de incrédulo.

– É mesmo? Engraçado, eles nunca vão para lá… - disse o garoto. - acho melhor ir atrás deles, não é? Afinal, já está tarde para ir para a biblioteca.

– Não! - exclamaram Belle e Pedro em uníssono.

Remus erguera as sobrancelhas, já imaginando onde os amigos estavam.

– Er… por que você não senta aqui conosco? - disse Belle, indicando um lugar ao seu lado na poltrona.

– Claro! Eu já estou indo… mas só vou pegar um livro ali com um amigo meu da Corvinal, o Ment Mall e já volto. - fingira Remus, quase rindo da própria mentira.

– Tudo bem! - exclamou Belle, feliz, enquanto o garoto saía da sala.

– Acho que fomos muito bem! - Pedro disse animado, para a garota.

– Pois é! Ele acreditou direitinho!

– Formamos uma bela dupla! - disse Pedro, ficando rubro logo depois.

Belle concordou e eles continuaram jogando xadrez de bruxo, acreditando que Remus Lupin iria voltar. Porém, estavam completamente alheios à mentira do garoto.

***

Logo após os garotos levarem Lílian até a ala hospitalar, eles se dirigiram exaustos para a sala comunal. Os únicos que se encontravam lá, eram Pedro, que roncava numa poltrona de frente para a lareira, babando em seu próprio braço, e Belle, que assim como o garoto, pegara no sono em cima do jogo de xadrez de bruxo.

– Cara, acho que eu não vou conseguir chegar no dormitório. - disse Tiago, parecendo prestes a desmaiar a qualquer momento.

– Hum… eu nunca corri tanto na minha vida. - Sirius apoiou-se na poltrona de Pedro.

Belle abrira os olhos sonolenta, e ao olhar em volta, pulara do sofá encarando os amigos.

– Vocês voltaram! Como foi? O que tem na floresta? Vocês foram pegos? - indagou Belle, rapidamente, exigindo respostas. - Onde está a Líly?

– Ela está bem… nós a deixamos na enfermaria. - respondeu Abbey, bocejando.

– Oh… tudo bem. Remus, por que demorou tanto? Pegou seu livro com o Ment Mall? - perguntou Belle, observando os amigos darem risadinhas.

– Claro, Belle… eu demorei quase a noite toda para achá-lo. - disse Remus, dando um sorrisinho.

Belle cruzou os braços, contrariada, percebendo finalmente que o garoto a enganara.

– Amanhã te contaremos tudo… - garantiu Sirius, subindo para o dormitório com os amigos logo atrás.

– Esperem! E o Pedro? - perguntou Belle, virando-se e encarando o garoto roncando.

– Deixe ele dormir! - exclamou Tiago, rindo.

Ao chegarem ao dormitório, Tiago e Sirius se jogaram em suas camas, não tendo forças nem para se trocarem.

– Pessoal… posso falar com vocês por um minuto? - pediu Remus, encabulado.

Os garotos se entreolharam, apertando os olhos sem conseguir mantê-los abertos por muito tempo.

– Ok… - murmurou Sirius.

– Er… eu sei que agora vocês provavelmente não serão mais meus amigos e tudo mais por causa… bem, de vocês sabem o quê. E eu respeito a sua decisão, mesmo… mas, será que vocês poderiam não contar sobre isso para ninguém? Se não eu não poderei… estudar mais em Hogwarts.

Os amigos o encararam incrédulos por alguns segundos. Logo após isso, os dois caíram na gargalhada.

– O quê foi? - disse Remus, confuso, levando um susto quando Tiago tombara no chão de tanto rir.

– Claro… porque nós somos realmente muito maus! Nós vamos contar para todo mundo, espalhar para todo o colégio! - exclamou Sirius, vermelho e com lágrimas nos olhos.

– Podemos fazer um programa… o lobo-mau está passando! Fujam antes que ele te pegue! - zombou Tiago, levantando-se do chão com certa dificuldade.

– Eu estou falando sério, gente! Por favor, eu nunca mais falo com vocês, mas… não contem para ninguém! - suplicou Remus, trazendo mais risadas aos dois.

– Sabe, Remus… você é realmente bem lupino, não é? - disse Tiago, adquirindo vagarosamente, sua coloração normal.

– Gente… não é para rir disso… é sério! - Lupin estava exasperado.

– Ah… então você achava que seus melhores amigos fossem te largar por causa de um... probleminha peludo? - questionou Tiago, parecendo ligeiramente magoado.

– O quê? - perguntou Remus, assustado.

– É… cara, achei que estivéssemos juntos nessa! Por que não contou nada? Acreditava mesmo que espalharíamos para toda a escola? - disse Sirius, olhando diretamente para o amigo.

– Er… bem, eu não sei. Eu confio em vocês, mas… com isso? - balbuciou Remus, envergonhado.

– Você achava que a gente sairia correndo assim que descobrisse que você é um lobisomem? Ou que a gente desmaiaria de medo? - indagou Tiago.

– Remus é um lobisomem? - questionou Pedro, aparecendo na porta de repente. O garoto parecia incrédulo e assustado e encarou Remus como se este fosse um fantasma, antes de cair de cara no chão, desmaiado.

Remus erguera as sobrancelhas, suspirando.

– Tudo bem… er… eu e Sirius não ficaríamos com medo e nós não estamos. Sabe, nós não vemos Remus, um lobisomem quando te olhamos. Nós vemos Remus o nosso amigo. – disse Tiago seriamente, virando-se para Remus.

– Ok… meloso demais, Potter! Eu vou te mostrar como se faz. Remus, pare de ser um babaca. Se estivéssemos com medo de você, nós já teríamos te tacado da torre de astronomia. Considere-se sortudo, lupino. - disse Sirius, dando um sorrisinho maroto.

Remus nunca se sentira tão feliz em toda a vida. Seus amigos sabiam do seu segredo e aceitavam sem problemas. O garoto encarara Pedro no chão “Quase todos, pelo menos”. Mas ele se sentira livre, e pela primeira vez em toda vida, uma pessoa completamente normal, exceto por seu “probleminha peludo” como Tiago apelidara.

– Espere um minuto! - exclamou Remus, olhando para Sirius, fingindo estar bravo. - Você me chamou de babaca!

– Amm… foi o Tiago, não eu! - fingiu Sirius, rindo.

– Ei! - respondeu Tiago, indignado apontado a varinha para o amigo, desafiadoramente. Com um rápido movimento, seu travesseiro saíra de sua cama e dera um murro no rosto de Sirius.

Tiago e Remus gargalharam, enquanto Sirius com raiva, levantava a varinha.

– Você vai ver, Tiago! Furún… - antes de conseguir completar o feitiço, o garoto desabou na cama, desacordado.

– Você o azarou? - perguntou Tiago, confuso.

– Não… achei que tinha sido você! - respondeu Remus, olhando para o amigo assustado. - Será que…

– É, ele desmaiou de sono! Vamos azará-lo, enquanto está dormindo? - disse Tiago, animado, parecendo uma criança que recebera o maior presente no Natal.

Remus deu um sorrisinho maroto. Em dias normais, ele provavelmente teria negado, repreendendo Tiago. Porém hoje, só o que ele pôde dizer foi:

– Com certeza!

E daquele dia em diante, Remus tirara um peso dos ombros. Era como se tivesse acordado de um terrível pesadelo. Ele não precisaria mais mentir sobre quem ele era para os amigos e nem precisava desconfiar deles. Afinal, Dumbledore estava certo. Remus realmente podia confiar neles.

***

– O que está acontecendo? - murmurou Lílian, cansada.

– Eu te acordei? Sinto muito, Líly… - Zac parecia sinceramente arrependido. Ele segurava um livro nas mãos com um sorrisinho de lado. - eu sei que demorei… mas é que eu li quatro vezes. É… impressionante!

Lílian esboçara um sorriso, abrindo os olhos completamente e se enxergando na ala hospitalar, deitada em uma das camas.

– Há quanto tempo estou aqui? - perguntou ela, confusa.

– Desde ontem a noite, pelo que o seu amigo… Remus, me contou. Eu perguntei para Tiago primeiro, mas ele pareceu meio bravo quando eu perguntei de você.

– Ah… tudo bem. - disse ela, dando de ombros. - Obrigada por vir.

Zac assenou, pousando seu livro de Agatha Christie em sua mesinha de cabeceira. Lílian mordeu o lábio inferior, embarassada.

– Assim que eu sair daqui, posso te emprestar outros livros. - disse ela, afinal.

Zac sorriu, parecendo feliz com a ideia.

– Obrigado, Líly… - respondeu ele. - sabe, eu estava mesmo querendo te dizer uma coisa e…

– Ei, foguinho! Você acordou! Precisamos conversar… - Tiago surgiu, de repente na porta da enfermaria, parecendo um pouco bravo.

– Potter, agora não… - começou ela, mas quase imediatamente fechara a boca, ao notar que ele não fora o único a entrar. Atrás dele, vinham Sirius, Abbey, Remus e para sua surpresa e temor, Dumbledore.

– Foi muito boa a sua presença, Zac! Você é demais, cara, sério! Mas… agora tchau. Pode ir já… nós não precisamos mais de você. - disse Tiago, parecendo no mínimo irritado, ao falar com o garoto.

– Potter! Não fale assim com ele! - brigou Lílian, cruzando os braços.

– Não, está tudo bem, Líly… sério. Depois conversamos. - disse o garoto, meio avermelhado, saindo da enfermaria.

Os amigos amontoaram-se na cama da garota, encarando-a ansiosos. O diretor, parara de frente para todos eles, parecendo um tanto… decepcionado.

– Como você está, Líly? - perguntou Abbey, segurando a mão da amiga.

– Estou bem… - respondeu ela, olhando para Dumbledore, nervosa. - o que houve, professor?

Dumbledore pousara os olhos na garota, parecendo ainda mais velho do que aparentava ser.

– O líder dos centauros viera falar comigo esta manhã, senhorita Evans. - começou Dumbledore, seus olhos azuis observando todo o grupo.

Lílian franzira a testa, sem entender o que aquilo significava. Centauros?

– Ele me contatou que os senhores, na noite passada, rondavam a floresta sem a presença de nenhum adulto ou professor. E sem permissão. - continuou Dumbledore, virando seus olhos para Remus. - Vocês estavam atrás do lobisomem?

Remus afirmou, parecendo envergonhado, sem conseguir encarar o diretor.

– Eles sabem, professor. Todos eles… - admitiu Remus, fazendo com que os olhares se focassem nele.

Lílian ainda estava bastante confusa e procurava explicações nos rostos dos amigos.

– Os senhores fazem ideia do perigo que correram esta noite? - questionou o diretor, não perdendo a paciência, apesar de parecer desconcertado.

– Sim, professor… - pronunciou Lílian, baixinho. - nós só queríamos ajudar…

– Alunos não têm que se meter nesse tipo de coisa, senhorita Evans. Algo grave poderia ter acontecido. - disse Dumbledore, severamente.

Os garotos, envergonhados, não ousavam encarar os olhos do diretor.

– Nós sabemos, professor. Não vai se repetir. - garantiu Tiago, apesar de Lílian não ter certeza se acreditava no garoto.

Após isso, Dumbledore pedira para os garotos contarem o que acontecera na floresta detalhadamente. Lílian descobrira que após ter se perdido de Tiago e de Remus, estes se viram cercados por um grupo de centauros, que coincidentemente estavam com Sirius e Abbey. O líder dos centauros logo percebera e revelara o segredo de que Remus era um lobisomem. Lílian arregalara os olhos e ficara pálida ao ouvir aquilo. Por fim, eles chegaram à parte que Tiago encontrara Lílian e que a garota acabara desmaiando de cansaço.

– O que aconteceu quando você se perdeu, Lílian? - perguntou Tiago, curioso.

– Eu… estava tentando encontrar vocês e, bem… eu vi o lobisomem e gritei. Ele ficou parado rosnando e me encarando com os olhos amarelos… mas, depois de um tempo eu saí correndo. Eu não sei se ele veio atrás de mim, mas… ele podia ter me matado. Mas não o fez. - contou Lílian.

Dumbledore parecia perplexo e curioso pela primeira vez na conversa.

– Por que diabos ele ficou parado? - perguntou Sirius, incrédulo.

– Eu não sei… - respondeu Lílian, abaixando a cabeça, analisando algumas plantas em seus cachos ruivos.

– Interessante… - ponderou o diretor. - acho que… tenho uma ideia de quem mandou esse lobisomem até Hogwarts.

Os alunos o olharam curiosos e ansiosos.

– Quem o senhor acha que foi, diretor? - perguntou Tiago.

– Um antigo aluno de Hogwarts. - respondeu Dumbledore, observando cada um deles. - Seu nome era Tom.



Notas finais do capítulo

O que acharam? :)