Novos Horizontes escrita por lunaletras


Capítulo 4
Os sentimentos e seus Paradoxos


Notas iniciais do capítulo

Gente, mais uma vez, por culpa do senhor tempo, o capítulo está indo quase sem revisão, vou revisando ele aos poucos, postado mesmo. Portanto, desculpe por alguns errinhos e/ou embolações e, claro, pela minha falta de talento. Ahhhh muito obrigada pelos comentários eles me deixam muito, muito, muito, feliz!



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Fabinho sentiu a dor latejar fortemente em sua perna. Droga, a ferida estava realmente muito feia e doía. Ele começou a ficar assustado, a dor estava intensa, começava a latejar amargamente. Ele tentou inutilmente conter os gemidos, alguém estava lá fora, ele não podia gritar! Mas a dor estava deixando o garoto desesperado. Desespero, medo, angústia e uma incrível sensação de desamparo. Ele estava se sentindo desamparado... sozinho ali, naquele quarto, enquanto a marrentinha tinha ido atender à porta. Fabinho se sentiu sozinho... nunca, antes daqueles dias terríveis que passara na rua, tinha reparado o quanto ele ERA sozinho...

Seu desprezo por todos, até mesmo pela mulher que o adotou e que tanto o amou, transformaram-no no ser mais sozinho que ele conhecia. Todos tinham alguém, até mesmo Amora, enquanto ele tinha rejeitado até o carinho de sua mãe. Fabinho sentiu-se muito só... tão só que lhe surgiu uma vontade incontrolável de gritar, de gritar alguém, de pedir ajuda... Esse grito de ajuda lhe pareceu contido por tanto tempo, por uma vida inteira... Precisava gritar, precisava se permitir ser ajudado, precisava de alguém...

____ Giane!____ falou o menino entre gemidos de dor___ Giane!!!

Foi esse o nome que ele acabou gritando. E qual mais? Aquela garota era a única que o tinha ajudado, que tinha passado uma noite inteira cuidando dele. Quem mais, além de sua mãe adotiva, tinha passado uma noite inteira cuidando dele alguma vez na vida? A dor tinha derrubado a barreira intransponível que ele tinha construído entre o mundo e seu coração.

Fabinho estava frágil... estava absurdamente frágil... Fabinho começava a descobrir subitamente milhões de sentimentos inesperados, medo, desespero, carência... todos misturados, embolados na sua cabeça e coração... E aquela dor, aquela maldita dor, fazia com que ele cometesse a ousadia de externá-los, fazia com que ele precisasse descontroladamente pedir ajuda.

____ Giane!___ ele gritou mais alto, assustado, angustiado, somente podia chamá-la, naquele momento ele só tinha ela. ___Giane!

Na sala de sua casa, Giane estava totalmente angustiada. Bento estava ali na sua frente, fazendo mil perguntas, enquanto aquele moleque idiota não parava de gritá-la! Que coisa, que garoto burro, que estúpido! A menina tentava desesperadamente fazer com que Bento saísse, mas ele estava completamente desconfiado.

____ Quem está aí, Giane, você está escondendo alguém?

O pai de Giane entrou na sala trazendo os remédios que fora comprar. Finalmente, a menina pensou, alguém para me ajudar. Giane pediu com os olhos que o pai subisse, que fosse acalmar o idiota que gritava seu nome. Bento estava muito desconfiado. Perguntava sem parar quem estava gritando. Giane num ímpeto, respondeu que era Caio. Bento, por absurdo que isso pudesse parecer, ficou ainda mais indignado, surpreso em saber que a menina poderia estar com Caio em seu quarto. Se a situação não fosse tão extrema, Giane poderia até ter achado graça na surpresa de Bento. Afinal, ela já era bem crescidinha para escolher quem colocaria ou não em seu quarto.

____Bento, o que você tem a ver com isso?___ ela perguntou.

Bento, respondeu que era amigo dela e que se preocupava com ela. Isso ele era mesmo, pensou Giane, porém nesse momento, ele tinha era que estar preocupado consigo mesmo e com a estupidez que fez em se casar com Amora. Ela pensou em dizer isso para o amigo, mas mais um grito angustiado de Fabinho distraiu completamente a menina.

Bento, começou a falar que aquela voz não era de Caio, que ele conhecia aquela voz. Giane cada vez mais angustiada, acabou empurrando Bento para fora de sua casa, prometendo que cuidaria da Acácia Amarela, e até desejando que ele aproveitasse a lua de mel. Ai, ai, ai coitado de seu amigo, uma lua de mel com Amora estava mais para uma lua de fel.

Ah... e o Fabinho, nossa, como ele podia ter sido tão sem noção, como ele podia estar gritando o nome dela daquele jeito. Ele devia estar ficando louco de vez. Ai, ai...

A menina subiu as escadas rapidamente com vontade de xingar aquele moleque maluco. Se ela não tivesse praticamente expulsado Bento de sua casa, Fabinho poderia estar indo direto para a cadeia naquele momento. Giane entrou no quarto bufando de raiva e explodiu sem nem mesmo reparar na expressão de dor do menino.

____ Você ficou maluco, cara! Se o Bento te descobrir aqui, ele chama a polícia!____ mais uma vez, como era normal desde que aquele moleque tinha despertado, ela estava irritadíssima.

Fabinho sentiu a irritação na voz da menina e se sentiu ainda mais só, ah... ela era mesmo uma grossa, ele estava mal, ele não precisava de mais e mais sermões. Ele chamou o nome dela em um rompante de desespero, ele chamou por ela por que não tinha mais ninguém... ele não tinha ninguém...

Ele chamou por ela e acabou sendo socorrido por Silvério, incrível aquelas pessoas estarem cuidando dele. Principalmente Giane, estava claro que ela o odiava, mas mesmo assim tinha lhe ajudado.

____ Fabinho, escuta bem, ninguém pode saber que você está aqui!___ a voz dela tomou um tom entre o ainda enraivecido e o um pouco preocupado.

Droga, ela realmente se importava caso ele fosse parar na cadeia, era incrível que alguém que só tinha conseguido irritá-la desde a hora que acordou, pudesse despertar aquela preocupação. “ Ah... deve ser porque eu me sinto responsável por ele, afinal eu o salvei, deve ser isso, tem que ser só isso!”

Fabinho sentiu seu coração apertado ao ouvir aquelas últimas palavras, NINGUÉM poderia saber dele. E ele sentia tão só, e ele queria tanto poder ser cuidado por alguém. Ele não merecia o apoio de ninguém, ele sabia disso, mas tinha se ferrado tanto, sua vida estava tão ferrada, tudo que ele fizera de mau acabara prejudicando a ele mesmo. Constatar isso era assustador, principalmente para alguém que sempre fora tão sem limites quanto ele. Ele precisava de tempo para pensar em todas essas coisas, mas principalmente, sentindo toda aquela dor, ele precisava de alguém. Era terrivelmente complicado admitir isso na sua cabeça, mas ele realmente precisava dos cuidados de Silvério, ele precisava dos cuidados de Giane, que coisa improvável, lhe parecia que ele precisava até mesmo das broncas malucas daquela mal criada. Seus olhos  ganharam contornos quase inocentes quando se lembrou de outra pessoa de quem ele também precisava, Fabinho pensou em Margot... sua mãe!

____ Ninguém, nem mesmo a minha mãe?____ os pensamentos escorregaram para seus lábios em forma de palavras.

O tom sentimental da voz do menino ao dizer isso, ao pedir pela mãe, transformou o aspecto colérico do rosto de Giane em uma  expressão de surpresa quase carinhosa . Ela olhou diretamente nos olhos dele e o semblante do menino, era tão... doce... Ah meu deus, ela voltara a achá-lo doce... doce... Ela voltou a sentir aquele carinho estranho, ela voltou a sentir uma vontade incontrolável de cuidar dele.

Paradoxos extremos! Aquele menino lhe despertava cúmulos de contradições, estava ficando maluca, só podia estar ficando completamente maluca.

Sentindo-se quase afogada neste mar agitado de sentimentos, Giane saiu do quarto sem dizer uma palavra e foi ligar para Margot.



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