About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 43
Durante - 7º - bônus


Notas iniciais do capítulo

Estou postando hoje por safadeza e porque vou demorar a postar o último capítulo do DURANTE.Lá embaixo conversamos.



WHAT DEATH IS LIKE?

BÔNUS

– Caras, essa pode ser a nossa última reunião. – disse Rabicho, cabisbaixo. Ele chorou a manhã inteira e não conseguia parar de dizer o quanto me amava e que sempre se lembraria de mim quando visse o pôr-do-sol. – Nós crescemos. Vocês três estão namorando, tem um futuro promissor pela frente e eu estou me barbeando mais do que nunca.

– Lembram daquela vez em que joguei um guaxinim morto na cara do Sirius? – James terminou sua tragada e deu para Remo. – Mas aí ele não estava morto então te mordeu, aí você chutou ele em mim e eu chutei ele em Aluado. Aí Aluado jogou ele pra cima e ele caiu no Rabicho e o mordeu então ele sacudiu-se tão violentamente que o guaxinim caiu em mim e me mordeu e depois ele arrastou-se até Aluado e o mordeu e tivemos que tomar vacina anti-rábica.

– E a caminho do Ala Hospitalar, James ergueu a mão pra Coruja pousar no braço dele e ela mordeu toda a bochecha dele? – Aluado balançou a cabeça negativamente. – Foi o dia mais louco que tivemos.

– Olhe pra nós. Melhores amigos sempre juntos nos melhores e piores momentos. – recordei, saudoso. – Vamos sempre nos lembrar desse momento.

James, Pedro e Remo pareciam ter tomado um choque quando olharam para trás de mim. Engoli seco, prevendo que algum monstro estava atrás de mim, não sei, talvez Voldemort.

– Escritório, AGORA! – a voz grave de Minerva McGonagall fizeram meus ossos tremerem e James parecia estar tendo um ataque epilético de tanto que tremia. Assim que a porta se fechou, nos entreolhamos, assustados. James apoiou-se no malão.

– Estamos muito, muito, muito, mas muito ferrados. – ele disse. E então gargalhamos vendo as coisas se mexerem lentamente.

Em menos de dez minutos estávamos no escritório da professora McGonagall, sentados lado a lado, observando ela falar incontrolavelmente rápido ao lado do professor Dumbledore, que reprimia um riso. Eu não estava conseguindo enxergar nada direito, ela falava tão rápido que além de fazer um eco assustador, parecia que ela falava árabe.

– Eu não acredito que vocês estavam todos esses anos fazendo isso no dormitório! Roubando a estufa de Herbologia! Dois monitores! – gritava ela. Eles dois pareciam estar flutuando na sala como se ela fosse feita de gelatina. Interessante. – Eu queria que vocês tivessem mais três anos de aula para eu poder dar uma detenção tão grande que vocês teriam que vir aqui todos os dias para termina-la!

Fechei os olhos com força, tentando controlar o plano de fundo que se movia.

– Estou chocado. – disse Dumbledore. – A porta do dormitório fecha e a neblina sobe. Como posso saber que não tinha nenhuma garota dançando de sutiã com vocês.

Ele falou isso mesmo? Ou eu estou viajando? Cara, exagerei dessa vez.

– Eu queria ter 2.000 de pés para chutar cada um de vocês! – gritou Minerva. A voz era dela, mas a boca se mexia em outra forma. Ui, que estranho.

– Alguém colocou um aspirador no seu nariz e sugou o único neurônio presente? – questionou McGonagall, perto de James. Ele ergueu a mão e ficou apertando o ar, como se estivesse pegando bolinhas de sabão.

– Estou tão desapontado. – Dumbledore desviou o olhar para Remo. Ele parecia prestes a chorar, até focar na barba do diretor, assustado, como se ela estivesse dançando diante de seus olhos.

– Eu cheguei a pensar inocentemente que era a secadora da escola que fazia a roupa de vocês ficarem com esse cheiro! – Já Pedro, parecia estar tendo convulsões de tanto que ria. – Quem foi que ensinou isso a vocês? Os Beatles? Tudo que precisam é de amor... Tudo que precisam é um corte de cabelo e um trabalho!

Pedro começou a gargalhar, apontando para a parede. Então eu vi o que ele via. As cabeças de Minerva e Dumbledore voavam no ar, invertendo de posições, dançando, se chocando... Meu Deus, segurem a cabeça deles!

– E você, Pettigrew, tire esse sorriso imbecil do rosto! – ordenou McGonagall.

– Sabe o que as drogas fazem com vocês? Encolhem tanto o cérebro de vocês que a qualquer dizer vocês acordam e pensam que é um pássaro e podem voar! – disse Dumbledore, com sua cabeça girando loucamente no ar. Tentei segurá-la, mas me lembrei que deveria ficar sentado. Mas Pedro não conseguia parar de gargalhar.

– Esses idiotas não precisam disso para fazerem essas coisas, Dumbledore! – disse McGonagall, torcendo o nariz de reprovação. – Você são atentados, não é possível! Tinhamos que inventar detenções para vocês, e James Potter! Pensei que tinha mudado! Essa foi a pior coisa que já fizeram neste colégio!

– Hã? Eu não entendi nada, por que está falando em outra língua? – perguntou Remo.

POV MARLENE

EXPLOSIONS IN THE SKY

Seu sistema imunológico está baixo.

O tempo passava muito devagar na Ala Hospitalar.

Após os N.I.E.M’s, os alunos do sétimo ano estavam tendo a liberdade de aproveitar Hogwarts durante aquela última semana, antes de todos partirem para sempre no domingo. Eu não podia usufruir disso, pois eu mal estava conseguindo andar, sem contar meu cabelo caindo aos pedaços. Minhas unhas, sempre tão bem cuidadas, se quebraram. Minha pele ressecou e as manchas começaram a se estender pelo meu corpo, fazendo eu chorar todas as noites de desgosto e vergonha.

A Varíola está se espalhando pelo seu corpo.

Encostei-me na janela da silenciosa Ala e observei o jardim. Um sorriso escapou de meus lábios quando vi os Marotos empinarem pipas coloridos. E era fascinante. Eles voavam tão absurdamente rápido e com uma confiança tão forte que você nunca acreditaria na possibilidade deles caírem. Meu Sirius olhou para a janela e acenou entre pulos em um sorriso tão grande quanto Hogwarts.

Era só um sorriso.

Não muda nada.

Não mesmo.

Mas era o suficiente.

– Senhorita McKinnon? – Virei-me para Madame Pomfrey. Ela podia ser limitada e às vezes chatas pelas diversas vezes que pegou Sirius na Ala escondido, mas já tínhamos um vínculo. Afinal, eu frequento aquele lugar desde os doze anos.

– Ah, oi.

– Aqui estão seus remédios. – Assenti e continuei olhando pela janela. – Seus pais já chegaram, estão em reunião com Dumbledore.

– Obrigada. – Acariciei meus cachos louros, observando os fios saírem em minha mão. Meu coração apertou quando eu me peguei pensando naquela opção. – Madame Pomfrey?

– Sim, querida.

– Pode me trazer uma tesoura?

Não há nada que possamos fazer.

– Kevin. – ele continuou me ignorando enquanto brincava com seus dinossauros. Apertei sua gorda bochecha, tentando roubar seu atenção, mas ele estava muito concentrado. Ele era o amor da minha vida. Eu lembro como se fosse ontem da primeira vez que o peguei no colo e como eu fiquei encantada com seus dedinhos minúsculos e gordinhos. – Kevin.

– Mamãe disse que você quer se matar. – acabei gargalhando. – O que aconteceu com seu cabelo?

– Eu tive que cortar.

– Por que?

– Porque mamãe está certa.

– Está?

– Aham.

– Por que?

– Porque eu estou dodói.

– Então por que não toma uma poção? – ele ficou colocando seu dedinho indicador sob meu olho, fitando a parte verde em meus rosto. Sorri com apenas um olho aberto.

– Não tem poção para o meu dodói.

– É só fazer.

– Não dá, Kevin. Infelizmente não dá.

– Mas por que não dá? – Kevin pulou da cama da Ala Hospitalar quando ela foi invadida por passos. Os Marotos e Lily chegaram gritando e se silenciaram ao me ver de cabelo curto. O que mais me apavorava era o fato de Sirius parecer petrificado. Engoli seco quando ele despertou, arrumando sua gravata.

– Bem, Pontas, morra de inveja. Minha garota fica bonita até quase careca. – Kevin gargalhou assim como todos. Passei a mão em minha cabeça sentindo-me estranha, quase nua. Lily acariciou os restos de cachos que ainda restavam em minha cabeça sorrindo carinhosamente enquanto Kevin e Pedro conversavam sobre algo que eu não consegui ouvir.

Quanto tempo eu tenho?

O homem da minha vida fez quarenta e cinco semana passada.

Mesmo grisalho ele conseguia manter o charme que provavelmente encantou minha mãe. O sol estava começando a se espreguiçar e não vai demorar muito para eles terem de ir embora. Eu estava preocupada com eles, pois todas as famílias de sangue puro estavam sendo rondadas pelos Comensais, em busca de apoio. Primeiro os Potter, se atreveram a tentar alistar minha família, mas meu pai foi forte e firme, se colocando em perigo.

McKinnon era um nome forte, querendo ou não.

– Eu vou com você.

– Pai...

– Nós todos. Compramos uma casa e tudo fica bem.

– Por favor, já falamos sobre isso...

– Os búlgaros falam inglês, certo? – acabei rindo. O tratamento iria demorar uma eternidade e não havia certeza. Não havia certeza. Eu sinto como se estivesse me movendo em câmera lenta e tudo ao meu redor está se movendo tão rápido... E eu só quero voltar para quando as coisas estavam normais. Acho que meu pai também estava se sentindo assim, pois ele começou a chorar. – Eu só quero te ajudar... Mas eu não posso... Eu não consigo, eu não sei o que fazer. Eu... Eu não quero que você morra, filha.... Por favor, me leve com você ou deixe eu ir no seu lugar, eu prefiro... Eu juro que prefiro...

Não muito.

– Aí, nós tínhamos que desenhar nossa carreira e Rabicho desenhou um caracol. – gargalhou Sirius, sentado na poltrona ao lado da minha cama. – Eu juro que quase mijei nas calças.

– E a professora? – perguntei, também rindo.

– Fez aquela cara dela sabe, se perguntando seriamente se o Pedro era retardado ou algo do tipo.

– E você? O que fez na Orientação?

– Eu comi o que tinha pra comer e depois fui embora. – gargalhei alto, esparramando-me sob a cama do Ala Hospitalar. – Não, é que eu não contei a melhor parte: Quando a McGonnagall perguntou a Emmeline se ela tinha algum talento em especial para colocar no currículo, ela perguntou se... – Sirius recomeçou a rir. – Se podia por que ela sabe colocar camisinha com o dente.

Nós rimos por algum tempo, deve ter durado minutos.

– Seu pai falou comigo hoje.

– E...

– Bom, ele foi bem mal educado. – acabei rindo novamente, apesar de Sirius ter forçado seu riso. A sensação de estar tudo acabado era predominante.

– O que ele disse?

– Disse que eu sou um garoto, e você é uma mulher.

– Bem, isso é verdade.

– E que você precisa de um homem agora, mais do que nunca. De alguém para cuidar de você.

– Ele não precisa se preocupar, você vai estar lá. Não vai? – Sirius não me olhou nos olhos enquanto avaliava sua varinha. Já se sentiu como se estivesse desaparecendo lentamente? E se algo que não sabíamos que tínhamos desaparece, dá para perde-la? Às vezes Sirius não tem noção do que ele está lindando com. Que não são apenas noites ou beijos, é mais que isso, pelo menos comigo. E eu sabia... Por mais que eu tentasse mentir para mim mesma, eu sei... Meu pai está certo. Eu sou incapaz de deixar Sirius... Mas ele está constantemente me deixando.

O tempo inteiro.

Minha irmã faz aniversário em julho. Vou estar lá?

– Como vai ser?

– Não vai mais sentir muita fome. – Eu li minha carta. Eu li. Há dois anos atrás, eu era uma pessoa com fé, esperança... Por mais fraca que fosse, havia uma chama que não tinha coragem de se apagar. Será que eu realmente pensei que sobreviveria? Minhas maiores metas aos quinze anos era ter um namorado, ir a uma festa legal, virar amiga da garota mais popular da escola e ter um grupo de amigos descolados. De ter um rosto bonito. Agora eu olho para mim diante do espelho e vejo: Eu sempre estive certa afinal. – Terá muita sede... E às vezes terá febre. Vai estar sonolenta, vai querer dormir o tempo inteiro.

Eu cresci afinal.

Talvez não o suficiente, não há tempo, mas será que minha vida não valeu a pena para eu sentir tanta pena de mim mesma? Eu já não fui mãe nas vezes em que cuidei de meus irmãos? Não fui uma amante com meus namorados, uma boa garota para meus pais, uma amiga fiel para meus amigos e uma mulher? Não amei e fui amada? Será que tudo está realmente tão perdido?

– Terá pouca energia ou nenhuma.

– Vai doer?

– Não... Não terá dor. As poções te ajudaram a te dar lindos sonhos. – Eu tinha medo. É claro que eu tinha. Mas era reconfortante você ter certeza de algo em sua vida. Eu vou morrer. Eu estou morrendo. Eu vou morrer. Para onde eu vou? Como as pessoas seguiram suas vidas? Elas irão se lembrar de mim quando verem o sol ou em algum sonho? O que vai acontecer comigo?

– Você acha que eu vou sentir medo? – Mas as perguntas simplesmente vazavam por meus ouvidos quando eu acordava entre cochilos pesados e encontrava minha cama rodeada de pessoas. Pedro com o rosto quase em cima do meu perguntando se podia comer minhas uvas e apanhando de Lily em seguida, estrilando por ele ter comido tudo. James também se inclina na cama e pergunta se quero um baseado. Emmeline está sentada quase em cima de mim conversando com Dorcas sobre como meu corte de cabelo é moderno e Remo está lendo baixinho algum livro em meu ouvido. Sirius conversa com todos animadamente, foge do assunto Marlene e Varíola. E quando ninguém está... Mesmo grogue como eu fico, confundindo realidade com sonhos...

– Não é um crime sentir medo, Marlene. – sorriu Madame Pomfrey. – Você vai perder a consciência, não vai conseguir responder mas vai saber que as pessoas estão lá falando com você. E então... Acaba. Quer saber de mais alguma coisa?

– Você acha que esse tratamento irá me ajudar?

– Ele vai prolongar esse processo. Fará ser mais longo. Te comprará tempo. – E mesmo grogue... Mesmo inconsciente... Eu consigo ouvir.

Sirius chora.

Não.





Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "About Sirius Black" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.