About Sirius Black escrita por Ster


Capítulo 22
Durante - 5º


Notas iniciais do capítulo

Olá pitelzinhos.Primeiramente, meus singelos agradecimentos à Anne Lestrange pela magnifica recomendação, não há palavras para descrever o quão feliz eu fiquei ao ler, muito obrigada mesmo.Aliás, vocês gostam da Andrômeda? Pois se gostam, eu não poderia recomendar uma história melhor que Back to Black, da Anne, que narra a história da Andie, então para os curiosos, fica minha dica: http://fanfiction.com.br/historia/388352/Back_to_black_-_A_historia_de_uma_Black/Finalmente ela chegouuuuuuuu! Eu não avancei e nem voltei na fanfic, eu fui totalmente passiva, como se fosse um dia comum. Eu procurei mais explorar as preocupações dela, como é a relação dela com os outros, com o Sirius, então não fiquem tristes por não ter nenhum avanço relativo.CHAMADA DOS LEITORES DESAPARECIDOS:1º Querida Mrs Padfoot, os aurores que mandei a sua procura me disseram que a senhora está muito bem escondida, poderia voltar a sua forma humana e dar sinal de vida aqui?No aguardo hahahahaha



I CAN'T WAIT TO START AGAIN

FEVEREIRO

POV MARLENE





Sempre me preocupei sobre como eu estaria no fim da minha vida. Terei trabalhado com o que sonhei? Vou conhecer os lugares que planejei? Meus grandes amigos serão os mesmos? Vou ter a sensação de dever cumprido ou vou pensar: “caramba, como é que eu cheguei a esse ponto?”. Devaneios demais? Paranoia? Sei lá, talvez... Mas você, provavelmente, já parou pra pensar nisso também. E mesmo com tantos questionamentos possíveis um em especial me atormenta mais, a solidão.

Não importa se viverei com um marido e filhos ou rodeada de amigos, contanto que eu tenha alguém ao meu lado. Alguém que eu me importe e que se importe comigo, isso basta. Tenho medo do que ainda nem aconteceu. Tenho medo de perceber que perdi tempo, de perceber que não fiz o que deveria ou o que gostaria. Porque, sejamos honestos, temos que reconhecer que pode sim, ser tarde demais.

Principalmente para alguém com Varíola de Dragão.

Dei descarga e fui para a pia, envolvendo minhas mãos com sabão, evitando encarar a triste realidade diante de mim, praticamente gritando, rindo, zombando. Mas era inevitável fugir dele. Olhei o espelho, sempre com medo do que encontraria. Se ter uma doença mortal já não era nada fácil, você tê-la durante a adolescência era mais do que uma tortura. Adolescentes simplesmente não aceitam nada que é igual ou diferente deles, e comigo não foi diferente.

Eu não me aceito.

Tenho transtorno dismórfico. Mas sem o dismórfico. Sou uma bulímica sem a doença. A pior dor é aquela em que você simplesmente não pode fugir de jeito algum. Quando eu me olho no espelho, eu vejo. Quando olho meu corpo, eu vejo. Não há para onde fugir e nada para fazer além de aceitar. Mas como eu poderia fazer tamanha façanha? Suspirei e desviei o olhar, secando minhas mãos na toalha.

No dormitório, Emmeline estava de pé fazendo uma trança embutida nos cachos rebeldes de Dorcas. Eu mal lembrava como virei amiga de Emmeline uma vez que eu era uma garota emburrada e respondona no primeiro ano, talvez seja por isso, uma vez que ela também é assim. Lembro de ter ficado encantada com seus cachos cor de mel e os olhos muito azuis e o sorrisinho desafiador no banco da boca. A coisa sobre Emms é que ela não confia em você de jeito nenhum, até você dar um motivo para ela poder. Ela é muito ágil, curiosa e desconfiada, não é atoa que seu patrono é uma gata.

E eu realmente acredito na frase “Os opostos se atraem” em relação à amizade de Dorcas e Emmeline. Diferente da amiga, Dorcas é extremamente paciente, amigável, simpática e doce. Ela é sozinha, ama demais e tudo que pede é ser amada de volta. Ela gosta de acreditar nas coisas, gosta de pensar que tudo sempre vai ficar bem pois isso é a única coisa na qual ela pode se apegar nesse mundo maluco. Eu gosto muito de Dory.

– Hoje será um lindo dia. – sorriu Emms. Lílian deu um sorrisinho mínimo, suspirando ao pentear seu cabelo, desanimada. De todas as minhas três amigas, ela certamente é a que eu mais gosto. Lily é exatamente aquele tipo de pessoa especial, que você conhece só uma vez na sua vida e nunca esquece. Sempre muito engraçada, companheira, muito amiga mesmo. Se ela se apaixonar por você, está feito, pois ela faz qualquer coisa por você.

– Alguém te convidou? – perguntou Dorcas para Lily. Ela deu de ombros.

– James Potter, mas acho que não posso considera-lo alguém.

– Qual é o seu problema com ele? James é muito lindo. – disse Emms, terminando a trança. – E engraçado. Não é, Lene?

– Sei lá. – dei de ombros. Ela sorriu para mim.

– Como assim “sei lá”? Você não vive com os Marotos?

– Na verdade eu sou só amiga do Sirius. – esclareci.

– Ah, do pior deles. – Riu Alice entrando no quarto. – Eu estava andando pelo quarto andar quando simplesmente ouvi um gemido ensurdecedor, eu inocente pensei que era alguém que tinha se machucado, não, claro que não, era Sirius Black engolindo o pescoço de uma lufana, no meio do corredor, porra, era impossível não ver os dois ali.

Gargalhamos, era muito a cara de Sirius fazer uma coisa dessas.

– O que ele disse quando te viu? – perguntou Dorcas, ainda rindo. Alice fez uma cara metida e empinou o nariz, dando um sorrisinho de canto de boca, sarcástico, a cara de Sirius.

– O que tá olhando? Quer também? – Lily caiu na cama novamente de tanto rir, Alice ergueu as mãos pro céu, indignada enquanto nós riamos. – Fala sério, ele faz isso com você, Lene?

– Ele não é maluco de tentar. – respondi, envergonhada pela pergunta.

– Bem, você é a única garota dessa escola que ele não tentou passar a mão. Isso deve significar algo. – disse Emmeline com veneno. Significa, Emms. A razão é que eu sou feia demais para poder ter esse tipo de atenção de Sirius. Passei a mão nos meus cabelos, fingindo não notar os olhares de todas as meninas.

– De qualquer forma, de todos os Marotos, os únicos que realmente valem a pena são Pedro e Remo, pois James e Sirius são nojentos. – constatou Alice.

– O Lupin é... Perfeito. – sorriu Lily. – Ele é inteligente...

– Doce... – suspirou Alice.

– Divertido. – sorri.

– Bonito... – sussurrou Emmeline, com os pensamentos em outro planeta.

– Simples e gentil. – concluiu Dorcas. – É o melhor maroto.

– Todas querem Remo Lupin. – riu Alice. Elas continuaram conversando sobre coisas banais enquanto eu desci as escadas rapidamente, na esperança de minha Azul viesse e me entregasse uma carta de Amos, talvez. Lembrar dele parecia um sonho que nunca aconteceu de verdade. Ele era engraçado, muito simpático e sempre muito gentil. Ele sempre andava de mãos dadas comigo pelos corredores, sem ter vergonha, talvez fosse por isso que eu tenha gostado tanto dele. Eu simplesmente amava suas citações, ele era um leitor nato e sempre estava citando alguma frase de algum livro ou comentando sobre ele e eu me deliciava em imaginar em minha mente as histórias que ele me narrava.

Ele amava especificamente um personagem, Cedrico, de Números Ímpares, que era sobre um bruxo rebelde, raivoso, que lutava feito um desgraçado, lutava contra qualquer coisa que encontrasse. E quando finalmente venceu todas as suas batalhas interiores e exteriores, ele chorou, pois viu que não tinha mais nada a conquistar.

– Estou sendo chato, né? – ele ria, sem graça. Então eu maneava a cabeça negativamente, totalmente encantada por sua beleza e inteligência.

– Não. Eu gosto de ouvir você falar. – então ele ria baixinho e se apoiava na grama para beijar-me. E era bom demais para ser minha realidade, pois no fim do ano, Amos se formou e foi embora tão rápido quanto chegou na minha vida. Nunca teve um fim oficial, mas ambos sabíamos que era praticamente impossível ficarmos juntos comigo tendo que completar mais três anos se estudo. Ele me manda cartas falando sobre seu dia-a-dia, como foi seu teste para trabalhar no Ministério, ele realmente queria trabalhar com Criaturas Mágicas e eu torcia fortemente para que ele conseguisse.

– Lene Moo. – sorri só de ouvir o apelido que Remo me dera. Eu nem tinha o notado na escrivania. Sentei-me no braço do sofá, balançando meus pés.

– O que está fazendo, Aluado?

– Escrevendo para minha mãe. E você, onde vai tão bonita assim? – cobri o rosto com as mãos, Remo era tão galanteador... Fitei minhas meias finas sob o oxford de couro, vinho. – É um lindo vestido.

– Obrigada. – amaciei meu vestido azul com pequenas girafinhas cinzas em todos os cantos, olhei-o, desconfiada. – E então, para onde vai levar seu encontro?

– Encontro? Não tenho nenhum. – ele sorriu tristemente. – Acho que vou para a biblioteca, não sei.

– Onde estão os outros?

– James tem um encontro agora de manhã com uma menina e a noite com outra garota. Pedro está com Panda e Sirius... Sinceramente eu não sei. Provavelmente tarando alguém. – gargalhei com a descrição. Cutuquei minhas unhas, pensando seriamente se deveria ou não dizer as palavras que saltaram de minha língua.

– Bem, já que nem eu e você temos um encontro... Podemos passear juntos. Ir na Zonko’s talvez, digo, só como amigos. Você sabe... – Remo olhou-me, com um sorriso nascendo em seus lábios.

– Não sei porque você gostaria de ter uma companhia entediante como a minha, mas como eu poderia negar o convite de uma linda garota como você? – Droga, Remo, para com isso! Senti minhas bochechas queimarem e joguei um livro em sua direção.

– Para com isso! – pedi, quase explodindo de vergonha, mas ele apenas riu.

– Ahhhh, você faz isso com todos ou só com os que convida para sair? – ele levantou-se e ergueu sua mão para mim. Desci do braço do sofá e sorri quando ele beijou minha mão e envolveu meu braço no seu, enfiado suas mãos no bolso. Juntos, saímos da sala comunal e eu não pude deixar de notar que Remo estava ficando doente novamente. As olheiras ao redor de seus olhos e a palidez deixavam óbvio que ele estava ficando pior. Eu gostava de Remo, pois ele também tinha sua doença e nós meio que nos entendíamos com isso. Andamos pelos corredores, em silêncio, observando o jardim verde e os casais juntos.

Sirius estava sentado abaixo de uma árvore, com uma garota beijando seu pescoço. Não era uma coisa agradável de se ver, talvez seja por isso que eu esteja sentindo raiva. Desviei o olhar e continuamos caminhando em direção do portão, com Remo me contando sobre o lugar onde mora e suas expetativas sobre o futuro, uma lição que a Professor McGonagall nos fez fazer. Era basicamente uma carta para nós mesmos lermos no dia da formatura, dizendo o que achamos do futuro e o que esperamos dele.

Eu fiquei extremamente animada com aquilo e adorei quando Remo deixou-me ler sua carta:

“Olá Remo do futuro.

Estamos em um tempo onde as coisas estão difíceis, mas é como mamãe diz, pelo que somos hoje, teremos que ser duas vezes melhor para poder sobreviver no mundo lá fora. Eu sei que não está fácil hoje, mas eu realmente espero que amanhã esteja.

Nós estamos em uma cultura de subir a escada, fazendo contatos, tornando-se um produto, mas é tudo mentira. A mídia nos diz que é talentoso, especial e podemos alcançar nossos sonhos, mas só se comprarmos o seu lixo e agirmos como eles querem. O que você pode ser, Remo Lupin?

Acredito que possa ser real. Ser uma pessoa que tem seus próprios pensamentos e não se conforma com o que todo mundo está fazendo só porque um reality show no horário nobre lhes disse para fazer. Se você estiver trabalhando em um super mercado na linha dos vinte anos, sem a menor pista de dinheiro no bolso, isso é bom, pois significa que sua alma continua intacta.

Que você encontre o amor da sua vida e tenha filhos. Que os veja crescer e brincar com os filhos de Almofadinhas, Pontas e Rabicho.

Que sua alma continue intacta até seus últimos dias de vida.

Sempre você, Aluado”






– Uau. – foi tudo que eu consegui dizer após ler a carta. Eu não entendi muito bem a mensagem que ele estava levando a ele mesmo, como se ele carregasse algo com ele, que mesmo quando ele crescer, não vai mudar. Mas independentemente dessa parte, a carta era realmente encorajadora e bonita.

– Te inspirou?

– Muito! – sorri, finalmente em Hogsmeade, nos sentamos na praça principal, observando os outros casais. – Não escrevi a minha ainda.

– Por que não? – olhei-o, franzindo a testa.

– Sejamos sinceros, eu não tenho muita esperança de estar aqui em 77 para poder ler essa carta. E se estiver, será em uma cadeira de rodas e uma bolha de ar no nariz. – desviei o olhar quando Remo tocou minha mão. – Não estou me lamentando...

– Eu sei, só sendo sincera. – ele assentiu. – Eu acho que a Marlene do futuro gostaria de ler as palavras da Marlene de hoje.

Respirei fundo, olhando aqueles lindos olhos. Ele sorriu para mim, Remo era tão altruísta, tão... Era uma pessoa incrível que eu realmente adoraria conhecer melhor, apesar de já sermos bons amigos, eu queria ser tão amiga dele quanto Sirius e James são. Mas ao mesmo tempo, eu conseguia ver o porquê de todas as garotas gostarem dele, bem, pelo menos as garotas menos estúpidas, pois a grande maioria gostava mesmo era de James e Sirius.

– Eu... – por segundos, eu esqueci meu rosto marcado e simplesmente fingi ser bonita. Bonita o suficiente para poder beijar Remo. Ele parecia em uma linha invisível entre recuar e ir adiante, talvez por saber que se fosse adianta, terá beijado Marlene Dragonina, mas tudo que Remo fizera foi tocar o lado marcado de meu rosto e aproximar-se do canto de minha boca, por segundos intermináveis, meu coração quase explodiu com a sensação tentadora de aprofundar aquele momento.

– Lindo. – uma voz cortou o ar com tanto veneno e raiva que Remo e eu nos separamos na hora. Não hora um beijo, foi praticamente um beijo em minha bochecha, mas eu estava tonta diante do momento. Virei-me para a pessoa que cobria o sol que nos fitava e o olhar de Sirius me assustou. Ele estava de braços cruzados, fitando Remo com tanto ódio que eu poderia jurar que ele estava pensando que Aluado era Snape. Lupin deu um longo e sofrido suspiro e olhou-me.

– Desculpe, Lene Moo, te vejo mais tarde. – Não! Mas era tarde demais para me manifestar, pois Remo já estava longe e tudo que me restara fora Sirius, com uma carranca maior do que ele mesmo. Seus olhos debochados foram substituídos por um extremo olhar de raiva vacilante, seu sorriso sarcástico por uma linha fina de desaprovação e seu nariz empinado em sinal de arrogância constante, continuava, porém pior.

– Sim, posso te ajudar em algo agora que estragou meu passeio? – perguntei, levantando-me e me preparando para ir embora.

– Remo? Você estava beijando Remo Lupin?

– Não foi um beijo, Sirius! Foi um cumprimento, um sinal de amizade e você estragou tudo, seu... Seu idiota! – girei os olhos e dei-lhe as costas, marchando em direção da escola. Os passos dele atrás de mim só me irritaram.

– AMIGOS BEIJANDO NA BOCA? Ele é o ex da sua amiga, isso é nojento! – virei-me para ele, chocada.

– NOJENTO? Como você tem coragem de dizer essa palavra quando você está beijando uma pessoa diferente a cada vinte minutos?

– Isso não tem nada a ver com o que estávamos falando. – ele retrucou, grosso. A raiva invadiu-me com tanta intensidade que tudo que eu fiz foi agir como uma garota idiota. Empurrei-o com força, mas com força mesmo, tanto que ele caiu no chão.

– Cuida da sua vida! O que te faz pensar que pode se meter assim no que eu faço ou deixo de fazer? Eu não te devo nada!

– Deve sim! – ele levantou-se, olhando-me bravamente. Ergui o queixo, o encarando odiosamente. As vezes ele me irritava tanto que tudo que eu tinha vontade de fazer era bater nele até ele sangrar. Tirar aquela arrogância toda da cara dele, fazê-lo parar de achar que manda em todo mundo.

– O quê? Eu devo o que pra você? – ele pareceu perdido. – Vamos, Black, o que eu devo?

– Você não pode ficar com o Lupin. – ele disse baixinho, quase soando como um pedido. Que absurdo, quem esse garoto pensa que é?

NICEST THING - KATE NASH

– Por quê não? – questionei. Eu sabia o porque de eu não poder tentar algo com Remo, primeiramente porque ele merece algo melhor, e segundo por Dorcas. Eu não sou Emmeline que iria simplesmente passar por cima dos sentimentos dela, até porque eu não sinto nada por Remo, eu só o achava muito interessante. Mas eu queria saber o motivo de Sirius, e ele parecia não encontrar nenhum. Parecia um maldito clichê quando começou a garoar. O céu estava tão azul e as nuvens tão brancas que eu quase não acreditei que estivesse chovendo forte como estava começando a ficar. Era como se tudo estivesse tão errado, tão intenso que desregulasse até mesmo tempo. Como se as coisas estivessem caminhando para o lado errado. O fenômeno continuou a correr e nada de Sirius conseguir dizer o tão grande motivo.

Seus lábios até se abriam para dizer algo, mas ele não conseguia e era evidente a agonia que ele sentia por não conseguir pronunciar as palavras que desejava, com as sobrancelhas unidas. Então, o inesperado aconteceu, apenas por alguns segundos. Sirius desistiu de dizer o que tanto queria e simplesmente aproximou-se de mim, enfiando a mão no bolso. Ele estava tão próximo que eu jurava que nossos narizes poderiam se tocar a qualquer momento. Eu nunca senti nada parecido antes, era como se a chuva começasse a cair com menos velocidade e meu coração simplesmente fosse quebrar minhas costelas tamanha força com que batia.

Era um misto de paz com agitação, eu queria dar um passo para trás ao mesmo tempo que queria ir adiante. Mas tudo que Sirius fizera foi deixar em minha mão um papel, com força, para que a chuva não molhasse. Ele deu de ombros e virou as costas, voltando para Hogsmeade. A raiva voltou a me invadir e eu não sabia o motivo. Era raiva por que? Eu queria que ele fosse adiante ou que fosse para trás? Marlene Dragonina, sua idiota, você está falando de Sirius Black. O garoto que durante o primeiro ano deixava bem claro o quanto te detestava, durante o segundo o quanto tinha nojo de você.

Porém, o jogo virou e eu agora era o que as meninas falavam, a bonequinha deformada de Sirius Black, maldoso? Talvez, mas era a realidade. A única garota que ele nunca tentou algo, porque eu era apenas a irmãzinha mais nova, a amiga feiosa, a bonequinha que ele adotou. Fui em direção da biblioteca para ter privacidade e a encontrei vazia. Joguei um feitiço em mim mesma, para esquentar após aquele banho de chuva. Sentei-me o mais rápido possível e li a carta com a letra garranchosa e única de Sirius:

“Ei, cara do futuro.

Desculpe por não ter planejado nada para você fazer agora, tenho certeza que entende, você mesmo estava ocupado demais azarando nos dois sentidos. Espero que você ainda esteja tão bonito quanto é agora, talvez até mais. E ei, fique calmo, pois eu sei exatamente o quão nervoso está.

Mas quer saber o que eu tenho certeza que irá fazer? Andar de moto, queimar um Narciso, estar sempre rodeado de amigos, ficar sentado, observar, aprender, pegar garotas bonitas. Sabe por que? Porque essas são as coisas que fazem a vida valer a pena. E enquanto o sol continuar a brilhar, as rodas da única mulher da sua vida continuaram girando, é o que você vai fazer.

Relaxa.

Todo mundo dança no seu ritmo, então não há nada em que se preocupar. James estará casado com alguma mulher muito bonita, e ela fará seus almoços de Domingo. A noite, você, Pedro e Remo brincaram em alguma floresta e de manhã irão para casa e dormirão o dia inteiro. Depois você os acordará pois vai dar uma festa e todos os seus amigos estarão lá.

Marlene estará lá, e você vai trocar a música para algo mais lento e os dois vão dançar no meio da sua sala de estar.

Então James vomita e acaba a festa.

E vai ser um ciclo vicioso até os fins dos seus dias, assim espero. Se tiver filhos, que os ensine a serem tão fodas quanto você. Se não tiver, garanta que estará sempre incluso em alguma família. Não compre uma casa distante de James, sempre dê meias de presente para Pedro e nunca esqueça de abraçar Remo, pois eu tenho certeza que ele vai estar triste por algum motivo.

Quando você olhar para trás, vai ser capaz de dizer que sua vida foi uma festa do caralho e quando morrer, seu funeral vai ser um festival de risadaria.

Meus planos para o seu futuro são: beber cada bebida já feita, ingerir cada substância cultivada ou sintetizada, beijar, transar e no final sentir-se feliz por dividir sua cama com a mais especial, por mais preso que esteja a ela.

Se não tiver conseguido, você falhou ou morreu cedo fazendo algo incrível. Para ser honesto eu não consigo te ver passando dos 25. Independentemente do que você faça ou deixe de fazer, Sirius, eu quero que você esteja sorrindo. E se não tiver, que vá atrás dessa porra desse sorriso.

Eu sei que não teve paciência de ler tudo, então provavelmente pulou metade dos parágrafos, seu preguiçoso do inferno.

Eternamente você mesmo, Sirius”





Respirei fundo. Lembrei que tinha pedido para ler sua carta.

Marlene estará lá, e você vai trocar a música para algo mais lento e os dois vão dançar no meio da sua sala de estar.

Peguei a pena disponível na mesa e o tinteiro. Peguei um pergaminho nas gavetas e sentei-me novamente, escrevendo o que meu coração mandava e o que minhas mãos direcionavam a dizer para mim mesmo daqui há três anos:



“Oi você,

Logo você que tanto pensa no futuro, não pode planejar o que fará nele pois não sabe se estará lá para fazer.

Então você sonha:

Tento adivinhar de que cor eu vou pintar a minha sala de estar, de que tipo de madeira serão meus móveis e que animais eu terei para me fazer companhia enquanto meu marido trabalha. Eu penso se meus gatos brincaram com os filhos de Emmeline e se Dorcas tomará chá da tarde comigo todos os dias. Que vestido vou usar no dia do casamento de Lílian ou se vou chorar ou sorrir ao ver meu filho em meus braços pela primeira vez em nove meses.

Tento imaginar se meu marido terá cachos negros e olhos verdes escuros, e sempre uma piada na ponta da língua. Se ele vai chegar do trabalho e me beijar, se pegará nosso filho no colo e ouvir com muita atenção e carinho todo o dia de uma criança de três anos. Se ele vai me abraçar a noite enquanto dormirmos.

Mas independentemente de qualquer cor de móvel ou se terá fios grisalhos aos trinta anos, tudo que eu quero é que você esteja perto das pessoas que ama e que seja amada de volta.

Porque tudo que me resta é imaginar um futuro que talvez nunca chegue a acontecer, e ter esperanças para estar viva no dia seguinte para poder continuar modificando uma coisa ali outra aqui, porque quando tudo que lhe resta é sonhar... Você aceita e agradece.

Pois eu não tenho todo o tempo do mundo.



De você ontem, para você hoje, Marlene McKinnon”



Notas finais do capítulo

Oi denovo hahahahaEntão, o que acharam? Eu achei legal esse clima de cartas para você mesmo no futuro, meio que substitui aquela entrevista com a professora McGonagall sabe, sobre sua carreira.Agora,Muitas pessoas vão reagir mal diante dos próximos capítulos, eu até diminui algumas coisas porque eu senti que estava viajando demais, então tratei de colocar os pézinhos no chão hahahaha. Como eu já disse, eu terminei o quinto ano e tal, e já estou terminando o sexto ano também, aliás, já até escrevi a cena em que o Sirius foge de casa, o capítulo todo em si é bem... Tenso e triste, eu fiquei muito triste em escrevê-lo.Quem sabe eu não poste o próximo capítulo amanhã ou sexta? Anyway, espero que tenham gostado, por favor, COMENTEM!Não se esqueçam de me dizer se querem mais um capítulo especial de alguém, posso fazer um por ano com o narrador que vocês quiserem, até mesmo o Snape!Beijo ♥