Meu Príncipe Às Avessas escrita por Puella


Capítulo 29
Capítulo 29- Asma - parte 2


Notas iniciais do capítulo

Para compensar a demora, mais um de presente..... espero que gostem....



As pessoas costumam dizer que ninguém consegue viver sem amor, mas o Dr. House do seriado disse que ninguém vive sem oxigênio. E ele está certo. Tá, viver sem amor é uma droga, mas ao menos você ainda tá respirando, agora, imagine que o oxigênio acabou. Certo. É mais ou menos assim que eu me sinto neste exato momento.

Tony apareceu com um copo de whisky na mão, estava sorrindo, mas seu sorriu morreu ao ver meu desespero, ele praticamente correu até o sofá.

– Céus! O que houve?

Loki apenas chiava. E seu parecia mais branco do que já era, se isso fosse possível, seus lábios começaram a ficar arroxeados.

– O que é isso? – eu perguntei desesperada – Vou chamar um médico.

– Espere – disse Tony – vai passar.

Eu o olhei incrédula.

– Ficou maluco? Ele tá com falta de ar!

Tony ficou de frente para Loki que parecia fazer esforço enorme para respirar.

– Outra crise de asma. Faz tempo que você não tinha isso amigo... – então aconteceu algo incrível.

Tony colocou Loki sentando de maneira confortável no sofá, segurando pelos ombros.

– Lokinho, olha pra mim, pro tio Tony. Respira devagar....

A medida que Tony o tranquilizava, sua respiração parecia voltar ao normal, até que os chiados sumiram. Ele parecia ter voltado ao normal, fechou os olhos e se arriando no sofá.

– Isso amigo, muito bem.

Eu apenas assistia a cena sem entender.

– O que foi isso? – eu perguntei.

– Asma – Tony respondeu.

– Você tem asma?

Loki me encarou envergonhado, e depois fitou o chão.

– Bem, eu não tinha crises assim a mais de 10 anos – ele respondeu.

– Quantos problemas de saúde você tem afinal? – cruzei os braços.

– Alguns – ele deu os ombros.

Eu sentei ao seu lado, estava irritada mas ao mesmo tempo com medo.

– Se são alguns, você deveria me contar – me queixei.

– Alguns eu controlei a bastante tempo, nem tenho mais – ele respondeu.

– Mas e essa falta de ar?

E então não demorou para se repetir aquele susto.

“Seria muito triste se algo acontecesse a ela...”

Aquela frase maldita ainda soava em minha cabeça, o medo. Medo era chave para as minhas crises. Quantas vezes passei mal em casa por causa dos pesadelos que eu tinha ou pelo simples fato de me sentir incomodando com minhas cobranças internas para ser o filho perfeito e inteligente, mas com uma saúde de vidro.

Outra falta de ar e tudo começava de novo. Os exercícios de Tony não resolveram por hora e ele teve que chamar o médico. E depois de muito tempo, lá estava eu, usando um nebulizador de ar. A bombinha que jurei ter aposentado para sempre, estava ali do meu lado, agora teria que usar aquela porcaria, e se dependesse de Sigyn, até ela teria uma reserva consigo. Fiquei deitado um bom tempo.... e ela não saia de perto de mim, acariciando meus cabelos, foi quando senti algo molhado pingar em minha blusa.

Ela estava chorando?

Eu levantei o rosto e ela me encarou sem graça, limpando os olhos de maneira rápida.

– Não é nada – ela respondeu.

– É por minha causa não é?

Ela balançou a cabeça, então seus olhos a traíram por que eles queriam continuar molhados. Eu gentilmente acariciei sua bochecha limpando uma lágrima.

– Eu... tive medo... ás vezes você parece tão fraquinho – ela disse – mas ao mesmo tempo... faz de tudo para se manter tão forte...

Ela me abraçou e eu apenas senti a textura de seus cabelos em meus dedos, tê-la ali comigo era tão bom, seria horrível imaginar que alguém poderia fazer mal a ela, quando vi estava retribuindo o abraço com mais força.

Como se nada fosse tirá-la de mim.

– Tenho que te contar algo.

Então eu contei o real motivo de termos vindo para a América, de Stane, das suspeitas de roubo na empresa do Tony, de ter visto o desgraçado com Hammer no restaurante, e da conversa que tive com Obadiah no banheiro.

– Ele me ameaçou, ameaçou você – eu segurei sua mão com força e ela me olhou assustada – imagine o medo que eu senti, só de imaginar alguém fazendo mal a você. Eu fiquei sem ar – tentei soar irônico, mas sem sucesso – literalmente.

– Temos que contar ao Tony – ela disse.

Não demorou para eu falar com ele, Tony ainda estava acordado, e sorriu aliviado ao me ver recomposto.

– Tony preciso te falar, sobre aquele assunto, Obadiah.

– Quê isso Lokinho? – Tony riu – Não, vá descansar, você teve uma crise de asma.

– Já descansei. E foi por causa desse desgraçado que eu fiquei assim.

Tony agora me fitava sério.

– Eu vi ele no restaurante enquanto jantava com Sigyn, ele não estava só, estava com Jason Hammer.

– Hammer.... com ele pode, traído filho de uma p.....

– E ele me viu – eu continuei – tivemos uma conversa tensa no banheiro, ele já percebeu que você não confia mais nele, e aparentemente sabe o motivo de eu estar aqui, sem falar que me ameaçou, ameaçou... – eu pausei e tirei a bombinha do bolso e coloquei na boca, dando aquela puxada de ar, um velho hábito.

– Ele não perde por esperar, vou acabar com ele – os olhos de Tony faiscavam – ninguém vai por a mão em você Lokinho, e nem na sua garota – ele piscou – se depender do Tony aqui, Obah-Obah vai dançar Harlem Shake atrás das grades.

Bem, às vezes Tony não sabia ser tão original assim.....

E não tardou muito para que Tony Stark assumisse de vez o controle de vez, nos dias que se passaram nunca houve um reboliço tão grande como aquele na Stark Industries, Obadiah fez o seu melhor teatro de indignação quando foi colocado no olho da rua por Tony. Mas a fita que conseguiram no restaurante mostrando Stane e Hammer na mesma mesa foi o suficiente para fazer o careca recuar e ceder.

Pareceu muito simples. Tony abriu um processo contra Obadiah e Hammer, era questão de tempo até provar alguma coisa, mas é claro, Hammer pulou fora e lavou as mãos. Já Obadiah, obviamente tinha sentenciado sua carreira bem sucedida de executivo à morte.

Mas Loki não se sentia tão tranquilo assim, o olhar de Obadiah lhe dizia que ele não teria sossego, não até ele voltar para Oslo em poucos dias. Ele e Sigyn finalmente voltariam para suas vidas normais, Loki não teria que respirar mais o ar poluído de New York. E Sigyn poderia finalmente pensar nos preparos de seu casamento que seria dali três meses.

Um mês se passou, e Tony havia ganhado a causa, e Obadiah conseguiu fugir.

E assim seguiu mais um mês, tranquilo.

Ninguém imaginava o terror que chegaria a Oslo nas semanas seguintes, pouco tempo antes do casamento do casal de nossa história......