In Wonderland escrita por Cigarette Daydream


Capítulo 7
Conte as estrelas, mas não vire uma delas


Notas iniciais do capítulo

Olá! Desculpem pela demora como sempre! É realmente difícil postar entre minhas provas, (que acontecem todas as semanas, praticamente).
Espero que gostem,
xoxo




 Alice saiu da “reunião” com a rainha se sentindo um pouco tonta, afinal foram muitas mentiras para tão pouco tempo. A menina sacudiu a cabeça, se perguntando como havia conseguido inventar tudo tão rápido e Raphael fez o mesmo.

 – O que foi aquilo? – Raphael perguntou assim que a viu.

 – Improviso – a menina deu de ombros. – Às vezes funciona para mim.

 O rapaz assentiu se perguntando como alguém podia ser tão sagaz e ao mesmo tempo assim tão imprudente.

 – Certo, hum, peça a uma das camareiras para te mostrar o seu quarto – ele disse. –, e sobre a mentira... Você inventou, então você lida com ela. Já te ajudei o suficiente.

 – Tão cavalheiro – a menina revirou os olhos.

 Raphael deu de ombros e seguiu na direção contraria, indo até as casas das cortes. Assim que chegou lá ele a viu. Mais bela do que ele se lembrava. Raphael era noivo de Meredith há um bom tempo, mas a moça sempre o deixava confuso, com atitudes contraditórias.

 – Raphael! – ela sorriu ao o avistar.

 O rapaz deu um pequeno sorriso de lado, feliz por encontra-la em um humor tão bom, geralmente, a moça simplesmente o diria que qualquer hora o trocaria por outro, já que ele nunca estava por ali.

 – Eu senti sua falta – ele murmurou passando as mãos pelos cabelos castanhos de Meredith.

 – Eu também.

 A moça deu um pequeno beijo na bochecha do rapaz. Alice, que vinha seguindo Raphael para perguntar sobre o que exatamente acontecia no governo da rainha apenas pigarreou.

 Raphael se virou irritado, enquanto Alice mantinha um sorriso debochado no rosto, o rapaz teve que sorrir também, era estranho para ele estar tão vulnerável a alguém, e Alice já havia ultrapassado barreiras que outros nem chegaram perto, nem mesmo Meredith, a quem ele se considerava mais próximo.

 – Eu estava me perguntando – Alice disse tentando segurar o riso. – Se alguém poderia me ajudar, você sabe, me contando sobre tudo o que acontece por aqui.

 – Eu já te disse que não vou te ajudar com isso – Raphael foi claro.

 – Encare como atualização – a menina rebateu.

 Meredith revirou os olhos, impaciente, quase voltando ao seu humor comum.

 – E você quem é? – a moça perguntou irritada.

 – Ali...

 – Aliada da rainha – Raphael apressou-se em interromper, antes que a menina estragasse tudo.

 – Isso! Vim para escrever sobre o reino da rainha – a menina se corrigiu depressa.

 – Estava me referindo ao seu nome – Meredith falou, em um tom não muito amigável.

 – Am... – Alice lutou para se lembrar do nome que havia inventado. – Anita.

 – Sou Meredith.

 Alice apenas acenou com a cabeça e se virou para Raphael com as sobrancelhas erguidas.

 – Você vai me ajudar ou não? – a menina perguntou.

 – Depois, Anita – ele disse entredentes.

 – Tudo bem, então eu já vou – a menina disse. – E, hum, prazer Meredith.

 Alice ofereceu um sorriso não retribuído na direção da outra garota e acomeçou a andar em direção ao castelo.

 – Você sabe que detesto quando coisas do reino nos interrompem.

 – Eu sei – Raphael suspirou. – Mas é que não posso evitar, entende?

 Meredith apenas passou as mãos pelo cabelo do rapaz com um sorriso doce nos lábios.

 – Sei que não é sua culpa.

 E pronto, o rapaz se lembrava novamente do porquê de a amar tanto. Agora olhando nos profundos olhos verdes da moça, era impossível não notar.

 Alice que ainda observava de longe sorriu. Afinal, até os corações mais duros parecem amar, mas será que o dela iria voltar a funcionar um dia?

 A menina se virou para o palácio, mas não pode evitar olhar para trás algumas vezes. O que estava acontecendo ali? Era muito surreal olhar Raphael sendo carinhoso, devia ser isso.

 A menina continuou seguindo para o palácio se perguntando como diabos iria conseguir voltar para casa, mas... E se isso fosse tudo imaginação dela? Um sonho... Uma alucinação... Talvez, afinal, ele tivesse puxado a mãe louca, ao invés do pai centrado e bem sucedido.

 “Talvez”, a menina pensou.

 Alice logo avistou a rainha indo a sua direção e começou a repassar toda a mentira em sua cabeça novamente.

 A rainha parou em frente a Alice como se esperasse por alguma coisa, e Alice lembrou de fazer sua mesura.

 Alice analisou a rainha, sem dúvidas ela era bonita, mas tinha uma cabeça um pouco grande demais. Os ondulados cabelos ruivos da rainha eram invejáveis, assim como a cintura fina e os traços sem dúvidas perfeitos.

 Alice fungou magoada, por que não podiam distribuir melhor a beleza no mundo? Para a menina parecia que a beleza havia vindo toda para o País Das Maravilhas. Primeiro Raphael, depois a duquesa e agora a rainha?

 – Já tem uma boa ideia do que escrever? – a rainha perguntou.

 A menina apenas assentiu, muda.

 – Fale garota, não seja imprudente – a majestade reclamou.

 – Bom, pensei em escrever sobre você, Vossa Majestade – a garota respondeu. – E sobre sua influência no reino e aos poucos ir chegando ao povo.

 – Ótimo. Para tudo o que precisar saber pode perguntar aos conselheiros reais e se precisar de algumas entrevistas comigo, estarei disposta a dar – a rainha falou. – Mas escreva qualquer coisa desagradável sobre meu reino e sua cabeça rolará ao chão.

 Alice ficou muda, mas assentiu.

 – Como disse mesmo que era seu nome?

 – Anita, Vossa Majestade – a Alice mentiu sem pestanejar.

 – Estamos entendidas Anita?

 – Estamos – respondeu Alice.

 A rainha voltou a caminhar para o palácio e Alice pensou que seria uma boa ideia andar um pouco pelo jardim antes de voltar.

 A menina entrou no labirinto de arbustos, sem se importar se lembraria de como sair dali. Ao chegar ao coração do labirinto – depois de muito tempo – a menina se deitou no chão e pegou uma rosa de uma roseira qualquer.

 – Ei! – a menina ouviu uma voz. – Não faça isso!

 Alice se sentou atordoada. E olhou para um rapaz de cabelos louros e olhos pretos, que estava com uma expressão furiosa, mas que se amenizou ao ver o rosto da menina.

 – Desculpe, eu não sabia que não poderia...

 – Tudo bem – o rapaz falou de imediato. – Mas não pode ficar aqui, vais ter que sair moça.

 Alice assentiu. E se levantou.

 – Pelo menos conhece o caminho de volta? – o rapaz perguntou.

 – Não, na verdade, mas não precisa se incomodar eu...

 – Te levo até a saída – ele interrompeu e Alice sorriu.

 – E seu nome seria? – a menina perguntou.

 – Gabriel e o da senhorita?

 – Anita – a menina mentiu, mas tratou de sorrir.

 Gabriel a guiou a saída e em um tempo bem curto estavam do lado de fora do labirinto.

 – Puxa, acho que levei horas para chegar até lá – a menina se mostrou surpresa.

 – É mais fácil quando se conhece o caminho – Gabriel respondeu.

 Alice olhou para os pés se sentindo envergonhada, obviamente não era permitido ela estar ali, mas ainda sim ela queria saber o porquê, no entanto não ia perguntar agora.

 Assim que os dois entraram no salão do palácio, Raphael veio até Alice com uma expressão assassina no rosto.

 – Onde você estava? – o rapaz falou irritado e então se voltou para Gabriel com um ar surpreso como se só então houvesse notado a sua presença ali, e acrescentou: – Aliás... Onde os dois estavam?

 – Nos jardins – Gabriel deu de ombros. – Creio que isso ainda não seja crime.

 Raphael colocou as mãos para cima: – Só sigo ordens, e sua mãe está te procurando.

 Gabriel revirou os olhos e começou a subir as escadas.

 – O que foi isso? – a menina perguntou.

 – Onde você estava? – Raphael tornou a perguntar.

 – Nos jardins também, mas por que tanta preocupação com isso? – indagou Alice.

 – Achei que tivesse fugido – ele respondeu irritado. – Cabeças iriam rolar! E acredite em mim, não estou falando no sentido figurado.

 – Mas eu não sou uma prisioneira! – a garota protestou.

 – Só que a rainha quer essa pesquisa pronta Alice, portanto sugiro que comece a trabalhar ao invés de ficar em jardins com o filho da rainha! – exclamou Raphael.

 – Tudo bem, mas vou precisar de informações – a menina lançou um olhar sugestivo para Raphael, que soltou um gemido de preguiça.

 – Por que não pede a uma criada? – ele perguntou.

 – Pela simples razão de que a rainha acha que eu já sei bastante do reino, e o fato é que eu não sei nada e uma criada contaria isso para ela – a menina falou como se tudo fosse óbvio, irritada.

 – Não se acostume – ele respondeu simplesmente e Alice notou que ele iria ajudar.

 – Certo, vou pedir material de escrita – a garota sorriu.

 Alice foi até uma criada e pediu tudo o que precisava para ser levado para a sala de leitura. Em pouco tempo a menina e Raphael estavam sentados nessa mesma sala fazendo uma longa analise sobre o reino. Raphael explicava sobre tudo e Alice escrevia, melhorando e adaptando tudo para o gosto da rainha.

 Os dois tinham conversas paralelas ocasionalmente, mas depois que Alice perguntou sobre o chapeleiro em uma delas eles voltaram a trabalhar sem mais conversas. Os dois analisaram por horas como a rainha gostaria de ser retratada e como ela realmente era, mas Raphael sempre partia em defesa da rainha o quê só deixava o trabalho ainda mais desinteressante.

 – Chega, não aguento mais – o rapaz falou em algum momento.

 – Nem eu – a menina declarou.

 Os dois começaram a recolher o material de escrita e Raphael ajudou Alice a levar as coisas para seu quarto. Uma flauta tocava em algum lugar, e Raphael avisou a Alice que isso significava a hora da janta.

 Os dois chegaram ao salão de jantar e Meredith lançou um olhar mortal para Alice ao perceber isso.

 – Não esqueça – ele disse antes de ir se sentar. – Aqui você é Anita.

 A menina apenas assentiu e também foi se sentar. A rainha que ainda estava de pé começou a discursar alguma coisa qualquer sobra como o reino pertencia a ela, mas Alice nem sequer ouvia, seu olhar estava preso ao de Gabriel, que a encarava desde que a menina entrou no salão de jantar.

 Raphael, ao notar isso olhou para Gabriel e sibilou qualquer coisa que Alice não entendeu, mas que pareceu ser um “você não vai querer se meter nessa”.

 A menina suspirou sem humor para tudo aquilo, se Alice soubesse há uns dias atrás que estaria em outro lugar longe de casa por sua própria conta e querendo voltar para casa, ela não acreditaria. Mas ela queria. A menina sentia falta de ninguém encarando ela, de não ter medo de ter sua cabeça cortada e de sua cama macia que a reconfortava depois dos longos dias.

 Alice suspirou triste. Como a menina queria poder acordar agora, se tudo aquilo fosse um sonho. E será que era sonho ou ilusão? Alice não sabia, mas esperava não estar ficando louca.

 Raphael, ao notar que a menina parecia estar muito distante no momento, decidiu que definitivamente ela devia estar apaixonada pelo príncipe e ao pensar nisso revirou os olhos. “Como todas as outras menininhas”, ele pensou.

 Assim que o jantar acabou e toda a corte se dispersava, Alice correu para os jardins e sentou debaixo de uma árvore qualquer. E antes que pudesse perceber estava chorando. Alice sentiu a sensação estranha de fragilidade, ela não chorava fazia muito tempo e agora parecia estar colocando tudo para fora. Quando ela tentava secar as lágrimas, mais lágrimas vinham.

 Por fim a menina se acalmou um pouco e parou de soluçar, chorando silenciosamente, sem expressão, com o rosto enterrado nas mãos, se lembrando das cenas horríveis que passou até ali.

 Raphael, que estava caminhando para sua casa na seção de casas da corte, viu a menina. Se perguntou se caminhava até lá ou a deixava sozinha, porém quando a menina destapou o rosto e ele viu a expressão torturada, ele não conseguiu resistir.

 – Alice... – ele começou, se sentando ao lado da menina. – O que houve?

 Assim que o viu a menina tratou de secar as lágrimas: – Nada, só quero ir para casa.

 – Não acho que seja só isso – ele falou e Alice virou o rosto para o outro lado.

 O rapaz pegou o queixo da menina e virou o rosto dela para ele: – Sabe Alice, chorar não é uma fraqueza, você tem todo direito de chorar ao lembrar daquilo.

 As lágrimas voltaram a cair e, do nada, a menina estava chorando no ombro de Raphael.

 – É que mesmo com tudo isso acontecendo comigo, eu me sinto como uma página em branco, como se eu fosse parte da história dos outros, mas ainda não tivesse a minha – a menina confessou dando uma pausa ao choro. – E tudo o que pode estar na minha história, eu teria apagado, eu não quero mudar o passado, mas eu quero ter uma história para contar que não faça as pessoas ficarem com essa expressão de pena. Eu não vou quebrar a qualquer momento.

 – Eu tentaria te concertar, caso quebrasse, e tenho certeza que outras pessoas fariam isso também – falou Raphael, secando as lágrimas que ainda não haviam terminado seu percurso no rosto da menina.

 Alice apenas olhou para o céu contando as estrelas: – Eu gostaria de virar uma delas, isso seria incrível. Observar as pessoas, saber de tudo, entender como tudo funciona.

 – Seria uma vida bem chata – Raphael soltou sem pensar.

 – Sabe de uma coisa? – Alice bateu seu ombro direito de leve no dele: – Já estava estranhando toda essa sensibilidade, isso foi bem mais a sua cara.

 Raphael riu e se levantou, ajudando a menina a se levantar também.

 – Promete que vai ficar na Terra por enquanto? – perguntou Raphael. – As estrelas não podem ver o dia, e amanhã tem uma coisa que quero te mostrar, é em ordem da rainha, mas sei que vai gostar.

 – Prometo – sorriu Alice, feliz por saber que tinha um amigo, mas a pontada que sentiu no coração ao Raphael pegar sua mão para puxá-la em direção ao palácio que foi mais estranha.

 “Nada, isso não foi nada”, Alice pensou.



Notas finais do capítulo

Gostaram? Esse capítulo foi mais "livre" de influências do livro, o próximo que vai voltar a ordem na coisa, vamos ver o Grifo e a Tartaruga Falsa!
Reviews?
xoxo



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