Mais Do Que Você Imagina escrita por RoBerTA


Capítulo 10
Pós-festa Parte I


Notas iniciais do capítulo

Nhack :3 (ignorem isso)
Senti-me tão querida com os lindos reviews, que resolvi postar rapidinho ^^
(viu? reviews=capítulos turbo :P)
Já vou responder os reviews, para não me embolar toda >
Espero que gostem ^^
P.S. Nas notas finais :)



Minha cabeça parecia estranhamente pesada e a minha consciência, densa. Fora as pálpebras, que teimavam em permanecer fechadas.

Resumindo, eu me sentia um lixo. Fui tateando, tentando encontrar meu celular, para ver que horas eram. Mas havia algo errado aqui. Não tinha uma mesinha de cabeceira, e ao invés de agarrar um celular, minha mão fechou-se ao redor de um braço.

Congelei.

Eu estava em uma cama. Com alguém. Oh. Meu. Deus.

Comecei a ficar tonta, parecendo que ia desmaiar mesmo de olhos fechados, sem saber o motivo. Então soltei a respiração, e meu coração passou a estabilizar-se. Mal havia notado que prendi a respiração por tanto tempo.

Calculei os prós e os contras de abrir os olhos para a realidade, literalmente.

Mas uma mão procurou por mim, inconscientemente, e senti um rosto se aconchegar na curva do meu pescoço. Aquele perfume inebriante atingiu-me em cheio.

Luar.

AI. MEU. DEUS.

Fiz tão rápido para afastar-me daquele corpo quente, que acabei caindo para fora da cama. Bati a cabeça contra uma parede, e isso me fez realmente acordar ao abrir os olhos.

Estava em um quarto verde oliva claro, com uma mobília moderna, mas não exagerada. Com certeza não era o quarto do Eric, que era de um azul céu, pelo que se podia notar pela janela.

Como um soco na cara, me lembrei de onde estava.

A tal festa do pijama. Na casa da Dafne. Coloquei os dedos sobre as têmporas, tentando fazer aquela dor extasiante passar. Nunca havia tido uma enxaqueca antes, mas se era assim, faria o possível e o impossível para não ter nunca mais.

Um movimento na cama fez com que eu despertasse, e me apoiei na parede para me levantar.

Agora podia ver o rosto de Eric, tranquilo, tomado pelo sono. Não deixei de notar que estava sem camisa, o peito sarado subindo e descendo, me desconcentrando totalmente. Desviei o olhar, envergonhada, mesmo que ninguém mais tivesse visto esse momento de fraqueza. Só então resolvi olhar para mim, e quis morrer naquele instante.

Estava só com um sutiã preto rendado, e o short do pijama, ainda bem. Tentei lembrar a todo custo de como vim parar aqui, mas a última coisa que me lembrava era daquela bebida lindamente colorida, e...

.

A música era frenética. Cada batida da música representava uma do meu coração. Tudo pulsava a minha volta, era uma loucura.

O álcool rastejava no meu sangue, e fazia com que eu me sentisse quente e invencível. Naquela noite, eu era capaz de qualquer coisa. Não era eu quem controlava o meu corpo. Era a música. Eu balançava no seu ritmo, e me senti, por um momento, uma cobra, corpo ondulante.

Deleitei-me e me banhei naquele momento, no qual a razão não era convidada. Uma única palavra rondava minha mente, enquanto passava a mão pelo cabelo, meus dedos enroscando-se em meus cachos, vagarosamente.

Sentir. Sentir. Sentir.

.

Enterrei meu rosto em minhas mãos, ardendo de vergonha. Isso não era nada típico meu. Eu nunca havia ficado bêbada antes. Feito uma coisa tão irresponsável. Acordado ao lado de um garoto. Exceto...

Não, eu não podia pensar nisso agora.

Ok, Christina, calma, respire fundo.

Tentei ordenar minha mente, e logo me lembrei de Calli. Ela também estava ali? Estaria bêbada? Teria procurado por mim? Ou será que algo ruim lhe acontecera?

Não, agora não era um momento para pessimismo. Ela estava bem. Tinha de estar.

Fiquei congelada no lugar quando um belo par de olhos se cravou em mim. Primeiro, se arregalaram, depois assumiram um aspecto incrédulo.

— Chris? — Ele realmente parecia muito cético à atual situação.

— A própria. — Respondi, e notei como a minha voz parecia rouca. — Você se lembra de algo da noite passada? — Pergunto, sem saber se iria querer ouvir a resposta.

— Você não? — Ele devolve.

— Nada. — E é verdade, não me lembro de nada depois dos drinks, com exceção à pequena lembrança que acabou de me ocorrer. — Lembra ou não? — Começo a ficar irritada.

Seu olhar se fixa em um estranho abajur em formato de uma pêra.

— Não. — Diz baixinho, e preciso me esforçar para ouvir. De repente fico com uma sensação ruim. Será que nós...?

Não, não pode ser. Quero dizer, eu saberia, certo? Certo?!

Cambaleio, e preciso apoiar-me na cama para não desabar rumo ao chão.

.

Era tudo que eu fazia no momento, sentir. Sentia a música me controlando. Sentia o calor que os corpos emanavam. Sentia o álcool rastejar pelo meu corpo, dando-me a coragem de um leão. Sentia o tecido do pijama acariciar minha pele desnuda.

Sentia um corpo se aproximando por trás.

Sentia desejo.

Sentia uma mão na minha cintura, ignorando o fino tecido, e se alojando em minha pele.

Sentia um cheiro de luar.

Sentia tudo e nada, ao mesmo tempo.

Sentia sua respiração quente contra minha nuca.

Sentia meu corpo implorar pelo seu, e então, éramos um, dançando, como se o resto fosse insignificante.

Sentia.

.

Eu quero morrer.

Não acredito nisso. Mesmo que não tenhamos feito aquilo, nós dançamos. Uma dança sensual. E que dança. Fico com um calorão só de lembrar.

Sinto minhas bochechas arderem, e ele nota. Ergue a sobrancelha, como se perguntasse se estou bem.

— Só calor. — Meia mentira.

— Calor? — Seu ceticismo volta com tudo. Enrubesço ainda mais quando me lembro da minha vestimenta. Não que ele já não tenha visto, mas mesmo assim, é embaraçoso.

Vejo aquela sua camisa bege jogada em um canto. Vou até ela.

— Você não se importa se eu...?

— À vontade, pode usá-la.

— Obrigada. E realmente sinto-me grata quando a passo pela cabeça. De repente fico mais confiante, confiança que logo se esvai minimamente quando o vejo me olhando com tanta intensidade, que dessa vez sou eu quem olha para a pêra-abajur.

Eric limpa a garganta.

— Deve ser perto do meio dia, pelo sol. Acho melhor irmos.

Concordo, aliviada. Era pouco sol que adentrava pelas frestas da persiana, mas Eric devia saber do que estava falando.

Saímos do quarto, e à nossa frente parecia um campo de guerra. Por um instante, fiquei com pena de Dafne.

Seus pais eram ricos, e possuíam uma casa enorme, constante palco desse tipo de festa. Eles haviam ido viajar, ao Caribe, acho. Mesmo assim, Dafne iria demorar um século para arrumar toda aquela bagunça.

Havia algumas pessoas empilhadas, outras jogadas. Todas pareciam em um estado alarmante de coma. Enquanto caminhava, com Eric na frente, precisava desviar dos corpos, lixo e garrafas. Ficava tentando encontrar Calli, mas torcendo para que ela não estivesse ali.

Por sorte não havia nenhum amigo meu.

— Hnm, talvez aquela seja a sua blusa. — Eric apontou para uma coisa rosa jogada em um canto. De fato, era ela mesma.

Andei, cuidadosamente até a blusa, e a peguei do chão. Felizmente parecia intacta. Quando passei a mão pelo fino tecido, mais lembranças vieram à tona.

.

Sentia seus lábios, traçando um caminho pelo meu pescoço, chamas em seu rastro.

Sentia-o virar-me, e seu rosto encheu minha visão. Os borrões se contorciam ao nosso redor, mas minha atenção era toda sua.

Sentia seus olhos me despindo. Seus olhos, a pólvora, que encontravam meu corpo, em chamas.

Sentia, então, a explosão acontecer. Seus lábios vieram de encontro aos meus.

Sentia exatamente o que senti da primeira vez.

.

Não.

Eu o beijei? Ai, caramba.

Passei a fitar a blusa, sem expressão.

— Está tudo bem contigo? — Ouço-o perguntar atrás de mim. Vejo seu olhar em minhas mãos, cujos dedos têm seus nós brancos, de tanto apertar o pobre tecido.

— Hã, acho que sim. — Murmuro. — Vamos? Eu preciso encontrar a Calli. Vim com ela.

— Claro. — Ele põe as mãos nos bolsos, e ao fazê-lo, tenciona os músculos de seu peito nu. Meus olhos, traidores, ficam olhando, como mortos de fome. Então sobem até seu rosto, até suas incógnitas.

Observa-me, com o rosto sério.

Ninguém fala nada, apenas nos encaramos, sem desviar o olhar, ou até mesmo piscar.

Eric começa a vir na minha direção, e meus lábios formigam, com a lembrança do beijo. Agora ele está mais perto. E mais...

Sim. Sim. Sim.

Sim?

Está tão perto, que posso ver como sua pupila está dilatada, deixando seus olhos quase negros. Posso ver a barba nascendo, que ele logo iria fazer, assim que a visse também.

Quase não consigo respirar, o ar se mostra escasso em meus pulmões, e a regata, é brutalmente apertada.

—— Chris?! Por Deus, te procurei por toda parte!

Dou um passo para trás, assustada. Tropeço em alguém, e quase caio, mas Eric me apara no último segundo. Murmuro um obrigada ilegível. Calli está cruzando a espaçosa sala, e quando para em minha frente, joga seus pequenos braços ao meu redor.

— Ei, está tudo bem. — Sussurro, enquanto passo a mão em seu descabelado rosa pink. — Onde está o teu garotão?

Ela se afasta, e posso ver suas bochechas levemente coradas.

— Ele saiu, faz pouco tempo. Disse que precisava ir fazer uma coisa, mas não deu detalhes.

— Vocês...? — Ergo uma sobrancelha. Seu rubor se intensifica.

— Credo! Não! Nós acabamos pegando num sono na Bibi. — Bibi era o nome do fusquinha dela.

— Hnm, e o que é que vocês foram fazer lá? — Rio por dentro, enquanto ela desvia o olhar, encabulada.

— Conversar. — Sinto a mentira impregnada naquela única palavra. Certo, porque ir para longe dos outros, em uma festa dessas, para conversar, era supernormal.

— Hnm, certo, senhorita Callilda.

Ouço Eric limpar a garganta, e por um feliz momento havia me esquecido de sua presença. Ou de todo o resto. Mas alegria de pobre dura pouco.

— Ah, oi Eric. Não tinha te visto. — Então Calli semicerra os olhos, e olha dele para mim. Parece notar que estou usando a camisa dele. Posso praticamente ver as engrenagens de seu cérebro funcionando, até que sua boca forma um fofo “O”, seus olhos se arregalam, e ela tira conclusões nada precipitadas.

— Vamos, Calli. Ou sua mãe vai ficar braba com nós.

— Eu disse para minha mãe que ia dormir na sua casa.

— E eu disse a mesma coisa para meus pais.

— Para o bem estar de vocês, espero que elas não liguem para a casa de nenhuma. — Ele diz, cruzando os braços. Hnm, e que braços...

Foco Christina!

— É, você tem razão. E agora, Calli, o que a gente faz?

Ficamos pensando, por alguns minutos em silêncio.

— Por que vocês não vão lá em casa, tomar um banho e ficar apresentáveis? Depois podem ir para a casa da Chris.

Fico relutante, mas Calli parece muito aliviada. Ela não gosta de se meter em problemas com a mãe. Era filha única, e seu pai partiu pouco depois que nascera, deixando a mãe sozinha com um bebê. A mãe era uma artista, como Calli, e fazia da sua filha o seu mundo.

— Ok, pode ser. Mas espera, e seus pais? E seu irmão? — Indago.

Eric tinha um irmão mais velho, uns dois anos, o Guilherme. Já estava na faculdade, e apesar de morar com a namorada, às vezes ia passar o fim de semana na casa dos pais.

— Meus pais foram visitar um parente que está doente, e só voltam de noite. E hoje é o aniversário de namoro do Guilherme e da Natali. Pode confiar em mim, não vai ter ninguém lá.

— Então está tudo bem. A gente se encontra lá?

— Certo. — Ele concorda, e se vira para sair, provavelmente para seu carro, mas antes, atira-me um último olhar por cima do ombro.

Estremeço.

— Agora, me conta. Tudo.

— Agora não, Calli. Vamos.

Ela se obriga a me seguir, embora relutante, e curiosíssima. Entro em sua ”Bibi”. Uma tontura se apodera de mim, e minha cabeça cai entre minha pernas.

.

Aceitação. Lábios e línguas se mesclando, se movendo. Mãos exploradoras. Pele contra pele. Irracionalidade. Instinto puro. O desejo ardendo em mim.

— Eric... — Seu nome, curto e sensual contra minha boca. Tinha gosto de canela. Gosto de perigo. Gosto de quero mais.

Éramos dois corpos se afastando da multidão. Éramos dois corpos contra uma parede, cedendo aos prazeres carnais. Éramos duas atrações, observados por muitos, e sussurrados por todos.

Queimava.

Onde ele me tocava queimava.

.

— Ei, não vai vomitar na Bibi!

A voz de passarinho dela parecia soar a distância, enquanto eu jogava a cabeça para trás.

— Não vou vomitar, pode ficar tranquila. Vamos, por favor?

Ela parece perceber que alguma coisa está errada, e assente, enquanto liga o carro.

Minha mente parece uma cilada, e meus pensamentos, um emaranhado de confusões. Encosto a testa no vidro da janela, e pergunto-me o que mais aconteceu naquela noite tão confusa.



Notas finais do capítulo

P.S. Tive que mudar a classificação, por conta da, hnm, festa. Nunca escrevi cenas 'hot', então não sei se ficou bom, ou se agrada a todos. Ah, e não me matem 0:-)
BjxxxX :*
'
P.S2 O que vocês acham da Calli?? Se concordarem, mais pro meio da fic, vou fazer POV dela também, e de outros personagens, como o Jimmy, e até o Eric, mas não agora. Se não se opuserem, ou não disserem nada, vou interpretar vosso silêncio como aceitação :)